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O Meu Grande Amor

André Eusébio · 1 min

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Núcleo Semanal
Amores há muitos. Tenho a certeza de que todos amam o seu, e nós até podemos amar outros, mas Grande Amor, o Grande Amor, só há um. Porém, é perigoso. Creio que os grandes amores são muito mais fáceis de perder que os pequenos amores. Os grandes amores cegam. Passamos a ver coisas distorcidas, completamente pintadas da cor do nosso Grande Amor. Não há mais nenhuma – é aquela cor e pronto. A melhor, a única, a tal.

Quando vivemos o Grande Amor por muito tempo, a proximidade é tanta que acabamos por não olhar para o que está à nossa frente. Habituamo-nos a ter o Grande Amor connosco e a tê-lo como parte da nossa vida. Está ali, sempre ali, tão perto, e assim continuará a estar. “Hoje talvez não tenha de ver o meu Grande Amor – afinal, ainda cá estará amanhã, à espera que eu o ame. Hoje estou cansado do trabalho, das aulas, dos problemas. Amanhã eu demonstro o quanto amo o meu Grande Amor.”

E enquanto se deixa para amanhã, o Grande Amor pode perder-se. Pode danificar-se, partir-se, quebrar-se. Pode sofrer golpes tão profundos que mais nenhum amante irá conseguir juntar os pedaços e amá-lo da mesma forma que outrora havia sido amado.

Foi isto que nos aconteceu: saltámos reuniões, perdemos militância, deixámos para amanhã. Permitimos que outros interferissem naquilo que ninguém deveria interferir, que alguém estragasse o que ninguém poderia estragar. Que usasse o Grande Amor como se fosse seu. E quase nos esquecemos que é nosso.

Hoje, posso dizer, está salvo. O Sporting, o amor de milhões, está salvo. Faltas agora tu. O meu Grande Amor.

André Eusébio

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