Boloni foi um dos poucos treinadores que me conseguiu dar a alegria extrema que qualquer adepto de futebol pode ter: ganhar um título de campeão nacional pelo Sporting CP. Não há competição mais importante para um adepto, nem mesmo uma “Champions”. Porque o que vamos andar sempre a debater, mais do que títulos internacionais, é o número de campeonatos comparativamente aos rivais locais. Infelizmente, este foi o último treinador que me conseguiu dar essa alegria e já lá vão 18 anos. É por isso um treinador especial na vida do clube.

Para além das suas qualidades técnicas e tácticas e do seu francês arranhado, foi também alguém que marcou pelo seu instinto premonitório. A certo momento e encarnando o estilo de Bella Gutman, lançou a premonição de que o Sporting CP só seria campeão quando os presidentes de FC Porto e SL Benfica ascenderem aos céus (Deve ser lá que eles passarão vida eterna quando esse tempo chegar, acham que não?).

A verdade é que após essa frase já passaram quase duas décadas e o Sporting CP ainda não voltou a ser campeão. Mas compreende-se, uma vez que os presidentes de SL Benfica e FC Porto continuam os mesmos e de boa saúde. Pelo menos quando não têm de se apresentar em tribunal, mas isso já são outros quinhentos.

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Eu nunca fui muito supersticioso, mas neste caso começa a ser muita coincidência. Não sou de desejar mal a ninguém, e muito menos desejar algo tão definitivo, mas não me levem a mal, gostava mesmo que o Sporting CP fosse campeão nos próximos anos. Por isso agradecia que o Sr. Boloni esclarecesse o seguinte: Eles teriam mesmo de falecer ou podiam deixar só de ser presidentes dos respectivos clubes? É que não gosto de querer desejar mal a ninguém só para que o meu clube possa voltar a ser campeão nacional.

Por favor, mister Boloni, reformule lá a sua premonição, senão vamos parecer aqueles herdeiros gananciosos no leito do pai, ou tio rico, a aguardar pela hora de receber o nosso quinhão. Na realidade, o treinador romeno, nos poucos anos que esteve no futebol Português, conseguiu perceber na perfeição como funciona o mesmo, dentro e fora de campo, ou não tivesse ele conseguido a obra hercúlea de ganhar um campeonato pelo Sporting Clube de Portugal.

Percebeu que no norte se andava a vender fruta tropical que muitos árbitros gentilmente agradeceram (porque fruta dada não se pode deixar estragar, e não seria de bom tom recusar), que se veio a descobrir em escutas (ilegais, por sinal) muitos anos depois. Percebeu ainda que havia legiões de padres a preparar-se para a ordenação, o que se veio a descobrir nuns celebres mails, que não existem, mas se existirem são falsos. Ou melhor, ainda que não sejam falsos, não provam que o clube em questão tenha tirado vantagem disso. Só um dos seus funcionários, que não era bem seu funcionário. Pelo menos o presidente mal o conhecia.

No fundo, Boloni foi um visionário, muito à frente do seu tempo, e que para mal dos pecados dos Sportinguistas conseguiu ver o futuro negro do clube que se prolonga há décadas, e que parece só acabar quando as duas figuras maiores do futebol português terminarem os seus reinados, que por sinal, continuarão a governar até que o Altíssimo os leve.

Em última análise, os Sportinguistas nem deviam andar preocupados com quem é o melhor presidente do Sporting CP ou para o Sporting CP. Deviam antes ter andado preocupados em fazer uns perfis falsos no Facebook e outras plataformas digitais a maldizer os presidentes dos rivais para ver se eles caem. Ou isso não se faz? Parece-me que os Sportinguistas, mais uma vez erram o alvo e tentam sempre fazer cair o presidente errado.

Sábias eram as palavras de D. Boloni, “O último campeão”, que, como qualquer pensador, herói, ou santo, cujas palavras e ensinamentos só serão recordados quando já for tarde.

Prevê-se, portanto, que só daqui a muitos anos, surja a doutrina “Bolonística” que os Sportinguistas deveriam fazer crescer pelo bem do futebol português, pela credibilização do mesmo, e claro, para bem do Sporting CP.

Nota: Não quero promover mortes, porque estamos só a falar de futebol, e a tentar satirizar momentos que aconteceram, e frases que foram ditas. Morrer pelo futebol já chega, ainda que alguns destes dirigentes não considerem isso relevante. Uns acham “chato” que adeptos agridam jogadores. Já outros consideram “irrelevante” a morte de um ou dois adeptos, ainda para mais porque nem tinham de estar onde estavam quando aconteceu. Paz às suas almas.

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