«O que o Sporting fez comigo foi uma falta de respeito» – Entrevista BnR com Jefferson

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– Alvaláxia –

“Quando vi o William pela primeira vez, pensei “Ele não é jogador”

BnR: Quando pensas em Sporting Clube de Portugal, qual é a primeira imagem que te ocorre?

J: Imagens de alegria, de felicidade e de prazer em ter representado o clube. Para mim, o Sporting CP é tudo!

BnR: Chegaste a Alvalade na temporada 2013/2014, após um período de instabilidade diretiva, com repercussões financeiras e desportivas, mas conhecendo de antemão a situação pela qual o clube passava. O que te levou a aceitar esse desafio?

J: Primeiramente, sempre gostei do Estádio de Alvalade, dos adeptos… eu via os jogos na televisão e o estádio estava sempre lotado; este fator foi fundamental na minha decisão. Segundo, por ser um clube grande, que briga por títulos, que joga a Champions League e a Liga Europa e que está no top mundial. Quando recebi o convite, aceitei na hora.

BnR: Tinhas propostas para sair para outro dos três grandes?

J: Segundo sei, acho que tinha. Não posso dizer que tenho a certeza, porque não tive as propostas em mãos, mas disseram-me que sim. De qualquer forma, na altura, a minha decisão de ir para o Sporting não ia mudar.

BnR: Vou referir Bruno de Carvalho e Leonardo Jardim por serem a face visível do novo projeto desportivo do clube. O que é que Presidente e treinador pediram ao grupo no início da época?

J: Por se tratar de um projeto novo, o clube não tinha a pressão de ser campeão. No balneário comentávamos que queríamos lutar por algo grande, por chegar ao topo; se fôssemos campeões, perfeito. Mas o principal foco do grupo era fazer com o que os adeptos voltassem a ter confiança em nós, ganhando jogos.

[Jefferson prossegue]

J: Tanto que nessa época, você sabe o que aconteceu: o Sporting não foi campeão porque eles não deixaram.

BnR: Quem são “eles”?

J: Não sei, nem quero saber. Não existem nomes ou pessoas… o futebol hoje em dia é complicado.

BnR: A partir de que momento a conquista do campeonato deixou de ser um sonho para tornar-se um objetivo?

J: Logicamente que houve uma altura em que começámos a ver essa realidade mais perto. Com um treinador com uma filosofia espetacular e com os jogos que fazíamos, começámos a dizer “Temos condições! Vamos dar mais e mais, porque somos capazes! Somos um clube grande e os caras têm que nos respeitar!”.

Fonte: Facebook de Jefferson

BnR: Se tivesses de descrever a liderança de Leonardo Jardim, como o farias?

J: Espetacular! Com ele, não importava se era o Jefferson ou o Ronaldo: jogou bem, jogou; senão, vai para o banco. Ele entrava no balneário e tinha o grupo na mão: brincava, mas sabia tirar o melhor de cada um.

BnR: Surpreendeu-te a qualidade de jogadores que, até então, andavam arredados do nosso campeonato, casos de William Carvalho, Fredy Montero ou Islam Slimani?

J: [Jefferson esboça um enorme sorriso] Quando o Slimani chegou ao Sporting, eu disse “Meu Deus, onde é que foram desencantar este jogador? P*ta que pariu! Como é possível? Precisamos de ganhar títulos e trazem esse cara, que nem sabe dominar uma bola”. Passava-lhe uma bola e batia-lhe na canela [risos]. Mas quando estava na área… golos! Corria, pressionava… com o passar do tempo foi melhorando e depois toda a gente sabe no jogador que ele se tornou. Costumo dizer que fui eu quem o deixou rico.

Quando vi o William pela primeira vez, pensei “Esse não é jogador. Com os calções lá bem em baixo da bunda, com a meio abaixo dos gémeos…”, mas quando pegava a bola (…) uma qualidade! Via-se que ia chegar longe. Às vezes até lhe dizia “Mano, com essa qualidade toda, você não pode andar com os calções em baixo! Puxa as meias para cima! Os adversários vão começar a respeitar-te!”.

O Fredy… bem, o Fredy toda a gente via que ele tinha uma qualidade com a bola nos pés… sabia jogar, finalizava bem – de cabeça, inclusive – e inteligente para caramba! Uma pessoa fantástica!

BnR: Ainda a procissão ia no adro e o excelente início de época despertou a cobiça de vários clubes europeus no teu concurso. Estiveste perto de trocar o Sporting pelo Sevilha em dezembro desse ano?

J: Não foi só o Sevilha; vários clubes me abordaram, mas nunca fui de entrar nessas brigas. Não sei se fiz bem, porque, se calhar, poderia estar numa melhor situação atualmente – não que esteja ruim, mas poderia estar num patamar muito acima. Quando ficava sabendo dessas propostas, também não tinha como ir atrás, porque é uma decisão do clube: podem oferecer 100 milhões, mas se o presidente não quiser, não há negocio.

Miguel Ferreira de Araújo
Miguel Ferreira de Araújohttp://www.bolanarede.pt
Um conjunto de felizes acasos, qual John Cusack, proporcionaram-lhe conciliar a Comunicação e o Jornalismo. Junte-se-lhes o Desporto e estão reunidas as condições para este licenciado em Estudos Portugueses e mestre em Ciências da Comunicação ser um profissional realizado.                                                                                                                                                 O Miguel escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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