Última horaEm Portugal, as listas são horizontais, em Espanha, são verticais: o Real Bétis também é uma escola de extremos (e Souleymane Faye passou por lá)
Publicidade

O Sporting a pagar para ganhar

Nuno Almeida · 3 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Estamos a assistir a um dos momentos mais destrutivos do futebol português, com episódios diários de violência e corrupção que, apesar de parecer o contrário, não afecta apenas o Sporting. Aliás, os mais atentos facilmente perceberão que a crise existente no clube leonino diz respeito apenas aos seus adeptos e sócios, enquanto o que se passa noutros clubes diz respeito a todo o futebol português, apesar da pouca relevância que lhe está a ser dada.

De qualquer forma, a ideia aqui é falar essencialmente do Sporting Clube de Portugal, o meu clube, apesar de não podermos dissociá-lo do que o envolve e onde está inserido, o futebol português, que também influenciará a vida do clube, quer queiramos ou não.

Muitos são os que dizem ter orgulho em jogar no Sporting, mas pouco são os que o demonstram
Fonte: Sporting CP

Assim, a meio de uma investigação a um clube rival, entre muitas, surgiu a suspeita que o Sporting terá pago, ou tentado pagar, um prémio a jogadores para que ganhassem a um dos nossos rivais directos (um que supostamente pagava para que perdessem). No fundo, estávamos a incentivá-los a que dessem tudo em campo, e não se deixassem levar por conversas de superioridade do adversário. Isto, antes de se ter tornado lei que esse comportamento seria ilegal, o que não quer dizer nada, uma vez que já se percebeu que no futebol português, o ilegal é muito relativo, dependendo de quem o pratica.

De pouco importa uma vez que, apesar de naquele momento o Sporting não ter cometido uma ilegalidade, os jogadores também não se mostraram muito motivados. E isso é algo que me intriga. Será que o dinheiro do Sporting tem alguma maldição, ou alguma malapata? Criará superstição, aversão, pesadelos aos jogadores que o recebem? Tirar-lhes-á força das pernas?

É que, hoje em dia, o dinheiro pago pelo Sporting aos jogadores não parece valer o mesmo que o de outros clubes, ainda que a soma pareça superior. Mostram-no as atitudes de jogadores externos ao clube, assim como as atitudes dos jogadores leoninos.

Pelo que se percebe, ao ver a vontade com que, em muitos jogos, os jogadores do Sporting entravam em campo, o dinheiro que o clube lhes paga não é suficiente para que corram e lutem sempre no máximo pela sua entidade patronal. E não peço mais nada que isso. Se não correm por amor ao clube e à camisola que ostentam, ao menos que corram pelo dinheiro que recebem. Ou talvez, como escrevi antes, seja esse dinheiro que lhes pesa e lhes retira vontade e força para jogar. Talvez o problema seja esse, o dinheiro do Sporting, porque parece criar desprezo e indiferença tanto nos jogadores de fora como nos do clube.

No Sporting terá que se fazer uma divisão entre o trigo e o joio
Fonte: Sporting CP

Ao que parece, para se jogar no Sporting, ou para se mostrar respeito pelo clube, não basta pôr-lhes o pão na mesa, tem também que fazer-lhes a refeição, “levantar” a mesa, limpar tudo, fazer a cama, lavar a roupa, e para que, no fim, eles nos dêem um chuto no rabo, como se ainda fossemos nós a dever-lhes algo.

Se estivéssemos a falar de um processo de educação, sabem o que chamaríamos a esses meninos? Malcriados, mal-educados, mimados, mal-agradecidos. Mas estamos apenas a falar de jogadores, e por isso serão só maus profissionais, que não cumprem apenas o que lhes pagam para ser feito.

Nota final: Somos tão maus investidores que apostamos sempre nos negócios de maior risco. Senão quem pagaria a um guarda-redes para não deixar entrar golos? Como se isso fosse fácil e dependesse apenas da sua vontade. Ou é mau investimento ou apenas mais uma das muitas aldrabices que temos ouvido nos últimos tempos.

Foto de capa: Sporting Clube de Portugal

Nuno Almeida

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Em Portugal, as listas são horizontais, em Espanha, são verticais: o Real Bétis também é uma escola de extremos (e Souleymane Faye passou por lá)

SEVILHA, ESPANHA- Ao pensarmos em escolas de formação, com a sua especialidade em extremos, o nosso cérebro vai pensar automaticamente no Sporting. Cristiano Ronaldo, Nani, Simão Sabrosa e Ricardo Quaresma são o expoente máximo de craques saídos da cantera do emblema do José de Alvalade, capazes de fazer magia a partir da linha, procurando espaços interiores ou dando profundidade nas zonas exteriores, aliando-se ao lateral. Nos últimos anos, Espanha assumiu-se como o país protagonista no futebol, não apenas nos seniores, mas também na formação. As academias ganharam um papel importante no desenvolvimento do desporto rei desde a viragem do século, com vários emblemas a apostarem na manutenção e criação de infraestruturas para que os atletas possam atingir os níveis máximos. As conquistas do Euro 2024 e do Mundial 2026 provam este ponto. São a cereja no topo do bolo de um processo que obviamente não se construiu de um dia para o outro.

Ricardo João Lopes · 7 min de leitura
Ler a crónica
Opinião

Denílson no Real Bétis: o brasileiro que encantou Manuel Lopera e que chegou a deter o título de jogador mais caro da história

SEVILHA, ESPANHA- Em 1997, o mundo preparava-se já para a viragem do século, com todos os países do mundo ocidental a procurarem a modernização e o protagonismo global. No futebol, não era distinto. Vivíamos os primeiros anos da Premier League, que procurava destronar a Serie A como o campeonato mais poderoso do mundo. Os ingleses tinham dinheiro e queriam a maior audiência possível, proporcionando assim ao espetador os melhores encontros possíveis. Era uma batalha entre poderosos, que hoje em dia é quase inimaginável. Em Espanha, a La Liga tinha uma boa cotação, mas ainda não estava no mesmo patamar que as suas congéneres. No entanto, o caminho traçado era claro. Ainda em 1990, o governo espanhol, farto de ver os clubes a gerarem prejuízos dantescos, criou a Ley del Deporte, que levava a que os clubes profissionais criassem uma Sociedade Anónima Desportiva. A partir desse momento, as instituições também passavam a ser empresas. Os únicos que escaparam a isto (por terem fechado as contas no positivo)? Barcelona, Real Madrid, Athletic e Osasuna. Presentemente, estes quatro emblemas continuam a pertencer aos sócios.

Ricardo João Lopes · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.