Oremos, irmãos sportinguistas!

- Advertisement -

Quem acompanha os meus escritos religiosamente, entende o meu fascínio por colocar o leitor no campo da hipótese, da suposição e da fertilidade da sua imaginação: largá-lo sem nenhum tipo de explicação ou orientação prévia, e observar a capacidade que o mesmo augura em si para sair da encruzilhada, a maneira e o plano que giza, a astúcia ou a falta dela para contornar um obstáculo surpresa. Além disto, confesso também a imensa satisfação quando tudo se abate sobre ele e a clausura se evidencia.

Desta vez, não está nos meus planos encarreirar por uma vertente distinta. O parágrafo anterior levantou o véu sobre o cenário mental que se pretende construir, mas, pela inexistência do destaque nas palavras que – a meu ver – o mereciam, o leitor não alcançou e deitou por terra o planeamento cuidado. Sim, a culpa foi toda minha. Não confio em atos de vassouras voadoras nem no lançamento de búzios. Peço, educadamente, que confira os termos “confesso” e “religiosamente” e que os mais devotos terminem a leitura no final desta linha.

(Silêncio, já estamos dentro da catedral leonina.)

(Alinhem-se por posição, da defesa para o ataque, e não por índice de incompetência)

(Dirijam-se ao Padre Amorim, confessem os vossos pecados e regressem ao lugar com as respetivas preces.)

Comum Rosier – Sr. Padre, não lhe vou mentir: vim de uma lesão e ainda não encontrei a forma física desejada: além disso, peco na antecipação ao adversário e na postura a adotar defensivamente; tenho medo de disputar a bola e dou imenso espaço ao adversário.

Padre Amorim – Menino Rosier, tenha mais atenção nos treinos. Implementei o sistema tática 3-4-3 precisamente por ser um dos promotores desse pensamento. Se prometer que a sua vontade passa por mudar de comportamento, dirija-se ao altar e reze 20 Avés-antecipações e 30 Santas- disputas de bola.

(Próximo!)

Comum Ilori – Sr. Padre, eu assassinei o termo “defesa central”. Deparei-me com ele à chegada a Alvalade. Tentei que ele me desse atenção e era contraproducente. O efeito em mim foi contraditório: em vez de gerar desinteresse, apaixonei-me. Contudo, faltava a reciprocidade e as maiores preocupações dele foram sempre Mathieu e Coates. Um dia de muito nevoeiro, conduzido pela minha insanidade, degolei-o.

Padre Amorim – Que desilusão! Por mais que quisesse perdoar tal ato hediondo, o que me acabas de transmitir impossibilita tal coisa. Vá-de Retro, Ilori!

(Próximo!)

Comum Borja – Sr. Padre, confesso, em primeira mão, que ando a folhear Crónica de uma Morte Anunciada. Digo-lhe isto, porque sou conhecedor dos seus amores por Gabriel García Márquez. É inútil confessar-me, porque já sabe de cor e salteado todos os meus atos pecaminosos. Estou perdoado?

Padre Amorim – Borja, não me comove minimamente com as suas preferências literárias. Portanto, não tente armar-se em narcotraficante e subornar-me. Dirija-se ao altar, reze toda e qualquer oração 100 vezes, leia a Bíblia e transcreva-a e não volte a colocar cá os pés.

Comum Doumbia – Sr. Padre, sinceramente, desconheço a razão que me trouxe aqui. Sou o único médio-defensivo de raiz do plantel, não tenho qualquer pecado ou ato passível de condenação. A culpa é do Padre, sim, é do Padre, porque nunca me coloca na posição de estanque de possíveis hóstias fugidias.

Padre Amorim – Que arrogância e prepotência! Seu agnóstico de meia tuta! Saber reconhecer defeitos é uma virtude e o menino Doumbia está a surpreender-me pela negativa. Perdi a vontade de o encaminhar. Solicite o empréstimo ou a compra futura!

Comum Eduardo – Sr. Padre, antes de mais, desculpe o incómodo. Queria só pedir, pela última vez, uma oportunidade de perdão. Eu prometo que me esforço para combater o pedantismo. Aliás, eu a….

Padre Amorim – Mas quem é que o deixou entrar outra vez? Já não tínhamos falado acerca deste menino e do seu comportamento? Vou repetir pela última vez: menino Eduardo, não o quero junto dos mais jovens nem do resto do plantel. Vá-se embora! Já!

Oremos, irmãos sportinguistas!

Artigo revisto por Joana Mendes

Romão Rodrigues
Romão Rodrigueshttp://www.bolanarede.pt
Em primeira mão, a informação que considera útil: cruza pensamentos, cabeceia análises sobre futebol e tenta marcar opiniões sobre o universo que o rege. Depois, o que considera acessório: Romão Rodrigues, estudante universitário e apaixonado pelas Letras.                                                                                                                                                 O Romão escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

João Félix e o golo 1000 de Cristiano Ronaldo: «Vai ficar na história do futebol»

João Félix concedeu uma entrevista e abordou a relação com Cristiano Ronaldo no Al Nassr e na Seleção Nacional.

João Félix e a possibilidade de representar o Real Madrid: «Teria sido o maior traidor do futebol»

João Félix concedeu uma entrevista ao jornal AS e falou sobre a possibilidade de representar o Real Madrid.

João Félix recorda saída do Benfica para o Atlético Madrid: «Obviamente que não me arrependo»

João Félix concedeu uma entrevista ao jornal AS e recordou vários pontos da sua carreira no Atlético Madrid e Barcelona.

Roy Keane e as acusações ao Manchester City: «Escolheram fazer batota e merecem ser castigados»

Roy Keane deixa críticas ao Manchester City devido às acusações de infrações às regras financeiras da Premier League.

PUB

Mais Artigos Populares

Avançado do Atlético Madrid critica declarações de José Mourinho: «O espetáculo com os papéis parece-me uma birra»

Álex Baena reagiu às críticas de José Mourinho à arbitragem após o encontro entre Atlético Madrid e Real Madrid.

Sporting rendido a Sergi Altimira: médio espanhol prepara-se para ganhar ainda mais protagonismo

O Sporting quer atribuir um papel de maior protagonismo a Sergi Altimira, depois das exibições neste início de temporada.

Ramaz Svanadze sucede a Willy Sagnol como novo selecionador da Geórgia

Ramaz Svanadze assinou contrato até ao final de 2028, pela seleção da Geórgia, assumindo o papel do antigo selecionador Willy Sagnol.