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2016 foi um ano inglório para o futebol do Sporting Clube de Portugal. Os leões bateram um recorde de pontos, mostraram um bom futebol, mas não conseguiram chegar ao título, que foi ganho em maio pelo rival Sport Lisboa e Benfica. Para a nova temporada, mantiveram-se os dois timoneiros, Jorge Jesus e Bruno de Carvalho, mas as saídas de João Mário e Slimani fizeram e ainda fazem mossa na forma de jogar da equipa.
Neste ano, o Sporting voltou a ser um verdadeiro candidato ao título. Esperemos que a conquista ainda possa chegar em 2017.
10.º – Audição aos Ex-Presidentes

O mandato de Bruno de Carvalho ficou marcado pela pretensão de desenterrar o passado recente das finanças do Sporting. Com as contas do clube débeis, foi diligenciada a revitalização financeira com os necessários cortes e a introdução de investimento. Em paralelo, as prometidas auditorias internas entraram em cena para questionar algumas decisões do passado e, entre Setembro e Outubro, Soares Franco e Godinho Lopes marcaram presença na Comissão de Audição. Um exemplo da instabilidade vivida pelo Sporting nos últimos anos e não somente ao nível desportivo.
9.º – A Mudança de Carrillo

Sendo sempre um mal-amado, André Carrillo nunca chegou a singrar com a camisola leonina. Depois das portas da Europa se terem aberto com a sua campanha no Alianza Lima, teve o tempo suficiente para amadurecer as características que se exigem para ser um jogador de topo. Ter o talento não é tudo; faltou-lhe coerência em alguns momentos, e também vontade para correr. Apesar de ter sido considerado um diamante por lapidar, a querela envolvendo a sua renovação acabou por despontar o afastamento da equipa principal e a aproximação ao grande rival.
8.º – O Regresso do Rei

Quis o sorteio da Liga dos Campeões que Sporting e Real Madrid se voltassem a encontrar. Para além dos dois jogos frenéticos, houve pelo meio o reencontro de Cristiano Ronaldo com a sua equipa do coração. Assim se registou a maior enchente de sempre na casa Sportinguista para ver em acção o Melhor do Mundo – precisamente na casa onde, há anos atrás, fez um jogo de luxo que lhe validou o passaporte para o estrelato.
7.º – Caso Doyen

Depois de uma luta prolongada que se estendeu às instâncias internacionais, o veredicto não deu razão ao Sporting e, concretamente, ao impulsionador da resolução do dossiê. Bruno de Carvalho recebeu recentemente a definitiva notícia de que a razão não estava do seu lado e de que cabia ao Sporting o pagamento de uns quantos milhões devido ao usufruto, no passado, de fundos de empréstimo para a aquisição de jogadores. Um caso paradigmático de um esquema integrante do futebol mundial e importante para reflexões futuras.
6.º – Rui Patrício entre os melhores do Mundo

O guardião leonino foi motivo de surpresa na lista dos Melhores Jogadores do Mundo, divulgada pela France Football, cabendo-lhe o fantástico décimo segundo lugar. Embora este reconhecimento se deva, em parte, à sua brilhante campanha no Europeu de França, coroada com o título, a qualidade provada ao serviço do Sporting também contribuiu para a justificação desta conquista. É de frisar que, no que respeita a guarda-redes, apenas Buffon ficou à frente do português. E o que fica para a história é que um jogador do Sporting ficou à frente de jogadores como Ibrahimovic, Pogba ou Modric. A IFFHS (Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol) considerou-o o terceiro melhor guarda-redes do Mundo em 2016, apenas atrás de Neuer e Buffon. Além disso, Rui Patrício está ainda na lista de candidatos que podem ser nomeados para o onze do ano da UEFA.
5.º – Aparecimento de Gelson Martins

Apesar de o seu talento não ser um dado novo, foi nesta nova época que Gelson Martins consolidou definitivamente o seu lugar entre os melhores do nosso Campeonato. Ganhando espaço com a saída de João Mário, Gelson deixou a função de segunda arma para garantir a titularidade indiscutível. Decisivo e influente no modelo ofensivo sportinguista, este jovem consegue ainda demonstrar a maturidade noutros palcos e em situações incómodas. O lugar na história leonina já está reservado. O lugar na selecção portuguesa também. Agora é só esperar.
4.º – Saídas de João Mário e de Slimani

Primeiro ponto: é sempre motivo de orgulho ver um jogador da formação do Sporting despontar para o futebol internacional. Segundo ponto: também é motivo de orgulho ver um jogador cuja evolução se consumou no Sporting despontar para o futebol internacional. João Mário e Slimani foram dois dos protagonistas de uma época repleta de futebol de alta qualidade, tendo as suas saídas representado as maiores transferências da história do clube. Mas dois jogadores deste calibre fazem sempre falta e são raros. Muito raros.
3.º – Jogo no Santiago Bernabéu

Apesar do grupo difícil, no qual o Sporting não era candidato à passagem para os oitavos, a equipa leonina entrou num dos palcos de sonho da Liga dos Campeões para olhar o Real Madrid nos olhos. Apesar de o resultado final não ter sido feliz, é devido a jogos como este que a grandeza do Sporting é inenarrável e que se explica a capacidade de Jorge Jesus. Ao contrário daquilo que se esperava, o Sporting bloqueou os Madrilenos e foi a melhor equipa em campo. Os últimos dez minutos alteraram o rumo natural da partida e – quem diria? – interferiram na possível classificação final do grupo. Mas o que se escreveu na história, isso, não se poderá apagar.
2.º – Má Primeira Volta

Depois da frustração proveniente da época passada, o ataque à nova temporada queria-se forte. Alguns reforços para combater as saídas e a permanência da espinha dorsal da equipa foram as cartadas possíveis. Porém, alguns maus (e inesperados) resultados foram afastando o Sporting do comando da Liga, terminando o ano, ao contrário da época passada, a oito pontos da liderança. Um momento menos positivo que não está exclusivamente relacionado com a produtividade da equipa. Mas a maratona tem duas voltas, e ainda só estamos a acabar a primeira.
1.º – Perda do Campeonato

Podemos falar de consensualidade quando abordamos a qualidade futebolística do Sporting durante a época passada. Alguns anos depois, o Sporting voltava a conseguir atingir o estatuto da equipa com melhor futebol, detendo-se durante várias jornadas no primeiro posto. Mas também podemos falar de consensualidade na utilização desta frase: perder o campeonato. Isto porque o Sporting teve, de facto, o campeonato nas mãos, sendo considerada, de novo consensualmente, a melhor equipa da competição. Mas os campeonatos fogem com facilidade até maio, ainda para mais com bolas que não entram numa baliza escancarada.
Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal












