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Uma breve análise ao título deste texto pode induzir em erro aqueles que, por um motivo extemporâneo, se encontrem a desafiar os índices de concentração. “Porquê?”, perguntam desse lado. A resposta é simples: uma luta entre um castor e um leão, à partida, é fértil no fator da desigualdade, desigualdade essa que desdobra em vários parâmetros. Da possibilidade à utilização de recursos, com passagem pelo porte e capacidade física do bicho.
Atendendo aos factos, o leão sai favorecido deste embate. Restabelecido, até. Contudo, a complexidade do futebol em nada tem a ver com o formato de uma bola. Feliz ou infelizmente, este desporto – como qualquer outro – não se evade do lado emocional. O “animicamente falando”, termo palrado por todos e destrinçado por uma quantidade reduzida e finita, influencia e resulta alternadamente no pináculo e na maior das quedas. Uma dentada de castor pode ser igual a uma dentada de leão, mesmo sem posse de caninos.
3.
FC Paços de Ferreira 2 – 3 Sporting CP (2011/2012) – aparentemente, um resultado comum: uma vitória difícil, num campo onde o adjetivo não varia, mas favorável ao leão. O jogo hiperbolizou a descrição. Os castores colocaram-se duplamente em vantagem, Míchel foi o cabo dos trabalhos para o quarteto defensivo do Sporting CP, liderado pelo Capitão América Onyewu – quem diria – e aos 55 minutos parecia já ter sentenciado a partida. Contudo, algo transcendeu a surpresa da coisa: Domingos Paciência operou a reviravolta com as entradas de Marat Izmaylov e Ricky Van Wolfswinkel, autores do segundo e terceiro tentos, respetivamente. À quarta jornada, a primeira vitória na extinta Liga Zon Sagres. No cenário animalesco, assistiu-se a uma contenda, na qual o castor calculou mal as dentadas dadas e o leão desmaiou e assustou os seus fãs, mas conseguiu – a muito custo – reerguer e recuperar o fôlego.
2.
FC Paços de Ferreira 4 – 0 Sporting SP (2002/2003) – provavelmente, os sportinguistas mais pessimistas lembrar-se-ão frequentemente desta pérola quando o calendário se apressa para a realização deste embate: ao intervalo, os castores já tinham cravado a dentadura, pelos caninos de Carlos Carneiro e Mauro, na equipa outrora campeã nacional e portadora do Bota de Ouro. Esperava-se uma reação ao intervalo da formação leonina, mas o íman magnetizou-se no sentido inverso. Mauro gostou tanto da primeira dentada que efetuou o hat-trick das dentadas. Quem diria que o castor sabia jogar poker diante de quem possuía as fichas…
1.
FC Paços de Ferreira 0 – 6 Sporting CP (2001/2002) – Foi surreal: Beto apontou o primeiro de livre com André Cruz no banco de suplentes, o futuro Bota de Ouro jogou com uma espécie de joelheira e só bisou, o eterno camisola 25 não assistiu uma única vez, Pedro Barbosa não subiu à quadra e a equipa leonina abrandou o ritmo de jogo à marca registada no placard. Quando soube da existência do resultado, a luz do meu cérebro piscou e acendeu para uma conta divida de forma equitativa entre Jardel, Niculae e João Vieira Pinto. O castor esvaiu-se após as três primeiras dentadas, mas sucumbiu. Só quem esteve na Mata Real observou atentamente a decomposição do cadáver roedor…
Artigo revisto por Inês Vieira Brandão










