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Sporting Clube de Portugal e Futebol Clube do Porto, dois dos clubes históricos do futebol português, já tiveram vários intervenientes que estiveram nos dois lados da barricada. Entre treinadores e jogadores, foram dezenas os agentes do futebol que vestiram as duas camisolas.
Já existiram craques a saírem de Alvalade para o Porto, tal como já se verificou o inverso, com algumas figuras do FC Porto a trocarem as riscas verticais azuis e brancas pelas listas horizontais verdes e brancas. Vamos então conhecer sete desses jogadores, que nas últimas décadas tiveram o enorme privilégio de ter alinhado com os símbolos do Sporting e do FC Porto.
DERLEI

O Ninja Derlei foi uma figura mítica do futebol português na década de 2000, onde alinhou pelos “três grandes”, Porto, Benfica e Sporting. O clube onde teve mais sucesso foi o FC Porto, onde chegou em 2002/03 vinda União de Leiria. Esteve duas épocas e meia e venceu dois campeonatos, duas supertaças, Taça de Portugal, Taça UEFA, Liga dos Campeões e Taça Intercontinental.
Depois de ter apontado 38 golos na União e 39 nos dragões, Derlei, que era bastante conhecido pela sua enorme capacidade de trabalho e pelo faro que tinha pelo golo, saiu para o Dínamo de Moscovo, onde manteve a bitola exibicional. Contudo, o frio russo e a instabilidade do clube fizeram com que regressasse a Portugal, para jogar no Benfica. Depois de meio ano para esquecer nas “águias”, Derlei seguiu para o Sporting onde foi, na minha opinião, o melhor parceiro que Liedson teve na equipa.
Nos leões, o Ninja brasileiro participou e até marcou um golo importante no mítico jogo dos 5-3 frente ao Benfica em Alvalade. Pouco depois de sair do Sporting, Derlei terminou a carreira no Brasil. Ainda assim, é um dos jogadores que, apesar de ter alinhado em dois clubes rivais, recebe o carinho dos adeptos de ambos os clubes. Isto também se deve ao enorme respeito e capacidade de sacrifício que sempre demonstrou dentro das quatro linhas.
RUI JORGE

O atual selecionador nacional de sub 21 só conheceu quatro clubes na sua carreira de jogador: dois que jogam de verde e branco (Rio Ave e Sporting) e dois de azul (Belenenses e FC Porto). Formado desde a base nas Antas, Rui Jorge começou a carreira sénior com uma época de empréstimo no Rio Ave, tendo depois regressado aos dragões para vestir a camisola durante seis épocas. No período em que esteve no FC Porto, Rui Jorge venceu cinco campeonatos nacionais, duas Taças de Portugal e três Supertaças.
Em 1998, o lateral esquerdo saiu para sete épocas em Alvalade, onde venceu mais dois campeonatos, uma Taça e duas Supertaças. Rui Jorge chegou a pertencer ao lote de capitães em Alvalade, muito devido à sua postura em campo. Extremamente discreto e eficiente, Rui Jorge sempre foi aposta constante dos seus treinadores, pois era um jogador que oferecia, de facto, várias e boas garantias.
O esquerdino é outro dos atletas que desperta boas recordações nos adeptos de ambos os clubes. Atualmente, é selecionador nacional de sub 21, onde está a fazer um trabalho extraordinário. Rui Jorge mantém o seu perfil silencioso e tranquilo no futebol português, uma das boas características que manteve ao longo de todos estes anos.
FERNANDO GOMES

Fernando Gomes foi um dos melhores avançados portugueses de todos os tempos. Tirando dois anos que esteve em Espanha, no Sporting Gijón, Fernando Gomes fez toda a carreira no Futebol Clube do Porto, sendo um dos capitães com mais história dentro do clube, onde cumpriu a primeira época sénior em 1974/75.
O auge da carreira de Gomes foi, obviamente, nos dragões. Foi lá que venceu cinco campeonatos, três Taças de Portugal e três Supertaças. Também foi nas Antas que Gomes venceu por duas vezes a Bota de Ouro, que lhe valeu a alcunha de “Bibota”, e foi seis vezes o melhor marcador da Liga Portuguesa. Sendo um avançado muito elegante, Gomes fartava-se de marcar golos, foram mais de 400 ao longo de toda a carreira. A sua etapa no Sporting chegou apenas nas últimas duas temporadas da sua carreira, 1989/90 e 1990/91. Ainda marcou perto de quarenta golos nos verde e brancos, apesar de estar já nessa fase de final de carreira.
AUGUSTO INÁCIO

Augusto Inácio, apesar de atualmente ser conhecido quase exclusivamente como sportinguista, continua a deixar saudades também nos adeptos do FC Porto.
Formado como lateral esquerdo em Alvalade, Augusto Inácio é sportinguista de gema por herança do pai. Foi campeão nacional por duas vezes e também ganhou duas Taças, tendo chegado mesmo a ser capitão de equipa nos verde e brancos. Nos dragões, já com Pinto da Costa como presidente, Inácio venceu mais três campeonatos, duas Taças e títulos europeus como a Taça Intercontinental, a Supertaça Europeia e a Liga dos Campeões. Inácio sempre foi um defesa lateral muito certinho a defender, conseguindo também apoiar com qualidade o ataque.
Depois disso, como treinador, Inácio também já esteve como adjunto nos azuis e brancos, mas foi no Sporting que teve o auge da sua carreira quando, em 2000, quebrou o jejum de dezoito anos sem ganhar dos leões. Augusto Inácio entrou quando estavam decorridas cinco jornadas do campeonato, substituindo no cargo o italiano Giuseppe Materazzi. Conseguiu o êxito que prometera ao seu falecido pai e gravou um lugar na memória de todos os sportinguistas. Atualmente, está no comando técnico do Moreirense, onde recentemente conseguiu o grande feito de vencer a primeira Taça da Liga do palmarés do clube vimaranense.
ANTÓNIO OLIVEIRA

António Oliveira, um dos melhores médios da história do nosso futebol, cometeu o feito histórico de ter sido jogador e treinador nos dois clubes.
Depois de ter iniciado a carreira no Porto, onde esteve dez épocas como sénior, até sair para o Bétis de Sevilha. A estadia em Espanha foi sol de pouca dura e, depois de mais uma época no Penafiel, transferiu-se para o Sporting onde jogou quatro épocas. Numa delas, 1982/83, Oliveira acumulou as funções de jogador e treinador, tendo ganho uma Supertaça nesse período. Oliveira, um dos melhores criativos do seu tempo, formou um tridente fantástico no Sporting com Jordão e Manuel Fernandes, que ficou na memória de todos os sportinguistas que tiveram a sorte de os ver jogar. Foi campeão em ambos os clubes como jogador e também como treinador no FC Porto.
Para fazer o pleno, só lhe faltou ter sido campeão como treinador também em Alvalade. Atualmente, Oliveira está retirado do futebol, depois de também já ter sido presidente do Penafiel.
PAULO FUTRE

Paulo Futre foi um dos melhores futebolistas de sempre, tanto a nível nacional como mundial. O seu estilo “gingão” dentro das quatro linhas ficou para sempre na memória de todos os que tiveram a benesse de o ver jogar, seja ao vivo ou através da internet.
Formado em Alvalade, Paulo Futre personifica um dos erros colossais do Sporting na década de 80, quando John Toshack não viu a pérola que tinha para lapidar e deixou que o FC Porto terminasse esse trabalho e recebesse os lucros. No Sporting, Futre apenas conquistou títulos nos escalões jovens. Depois de apenas uma época como sénior, saiu para o FC Porto onde conseguiu ser campeão nacional e europeu.
Construiu uma carreira de enorme prestígio, tendo sido capitão e um dos maiores ídolos de sempre de um clube com o gabarito do Atlético Madrid. Foi diretor desportivo nos “colchoneros” e já esteve presente numa lista candidata à presidência do Sporting, onde seria o diretor desportivo. Foi nessa campanha eleitoral que voltou a ter impacto na comunicação social portuguesa. Depois disso, a história é mais que conhecida.
MÁRIO JARDEL

Finalmente, chegamos a um nome que deixa saudades em milhões de adeptos de futebol. Mário Jardel, o Super Mário, que chegou a ser internacional brasileiro, foi várias vezes campeão nacional, três ao serviço do FC Porto e uma com a camisola do Sporting.
Foi melhor marcador do campeonato nas quatro épocas em que jogou nos dragões e também o foi em Alvalade, formando uma dupla inesquecível com João Vieira Pinto. O Sporting viveu uma época maravilhosa, com o seu ataque a ser constituído por dois antigos ídolos da Luz e das Antas. Jardel era um matador felino, que marcava golos de todas as maneiras e feitios, golos “de encosto” ou golos de bicicleta e calcanhar. Apesar de todos os problemas que marcaram a fase descendente da sua carreira, Mário Jardel continua a ser o melhor ponta de lança que vi jogar no futebol português. Marcou mais de cinquenta golos em 2001/02 com a camisola do Sporting Clube de Portugal, tendo sido decisivo para o título nacional que os leões venceram nessa época.
Foto de capa: Facebook oficial de Mário Jardel













