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Os 7 pontos fulcrais do Sporting CP 2020/2021

Tiago Silva · 7 min

Rúben Amorim
Foto: Carlos Silva/Bola na Rede

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A época 2020/21 está perto de começar e o Sporting CP vai já preparando o ataque à Liga Portuguesa e também à Liga Europa. Por isso, desde táticas a posições a serem reforçadas destacámos os sete pontos fulcrais na equipa leonina para esta época.

A RETROSPECTIVA E O INÍCIO DE RÚBEN AMORIM

O Sporting CP entra na época 20/21 com a missão de melhorar a performance desportiva obtida na época transata. Rúben Amorim chegou ao clube em março de 2020 onde realizou até à data 11 partidas oficiais – todas elas na Liga Portuguesa. Conseguiu um saldo de seis vitórias, três empates e duas derrotas. Marcou 14 golos e sofreu oito, somando 21 pontos em 33 possíveis. Até começou bem e conseguiu encurtar distâncias alimentando assim a pouca esperança em alcançar o segundo posto, mas a fase final da época fez com que acabasse por se aproximar mais do 4.º lugar – precisamente o lugar onde terminou a época.

Volvidos seis meses de trabalho, o timoneiro leonino tem agora a oportunidade de implementar as suas ideias pela primeira vez na fase inicial da época. Mais do que almejar lutar pelo titulo, a equipa de Alvalade terá obrigatoriamente de apontar as suas energias para o regresso ao pódio pois o terceiro lugar também garante o acesso à pré-eliminatória da Liga dos Campeões – mais do que se pensar no plano desportivo, há que pensar no plano financeiro: poderá trazer numa primeira fase um retorno financeiro significativo e importante para as contas do clube.

AS IDEIAS E MODELO DE JOGO DE RÚBEN AMORIM

Rúben Amorim já demonstrou ser fiel ao seu 1x3x4x3 e dificilmente irá mudar ao longo da época. Por isso acredito que o modelo de jogo do Sporting CP não irá andar muito longe daquilo de que foi apresentado na época anterior.

Fonte: Tiago Macedo Silva/BnR via TacticalPad

Podemos então definir alguns princípios de jogo tendo por base este sistema táctico:

  • Saída por trás sempre a três – feita pelos centrais;
  • Largura e profundidade garantida pelos alas;
  • Colocação dos três avançados em zonas mais interiores, garantindo mobilidade aos três;
  • Variações do centro de jogo;
  • Duplo pivot com largo raio de acção (equilíbrio e progressão);
  • Centrais (exteriores) com capacidade de construção na procura de passes verticais entre linhas – tentativa de ligar através do apoio frontal do avançado mais interior que liga com o médio que vem de frente para o jogo;
  • Centrais com capacidade para explorar passes na profundidade para as costas da defesa;
  • Circulação de bola paciente numa primeira fase de construção;

OS PRIMEIROS SINAIS DE MUDANÇA

Continuo a defender e a achar que o duplo-pivot leonino deverá ter maior participação no jogo ofensivo e na primeira fase de construção. Foi um dos maiores problemas na época transata com a fácil anulação: quase sempre muito estáticos ou através de encaixes individuais adversários. Os médios leoninos atuavam muitas vezes fora do bloco adversário e de costas para o jogo.

Contudo, parece que isso poderá mudar. Em alguns jogos da pré-época ficou a ideia de que Rúben Amorim pediu algo de diferente aos dois médios leoninos – sobretudo no jogo diante do Belenenses SAD e na fase final do jogo diante do Portimonense SC – quer com bola ou sem a mesma.

Com bola e em organização ofensiva foi possível ver várias vezes o médio a baixar para participar mais na zona de construção enquanto que o outro médio se solta e sobe mais no terreno para dar maior participação entre linhas, jogando dentro do bloco adversário, permitindo maior posse de bola em zona de criação no meio-campo adversário.

Fonte: Tiago Macedo Silva/BnR via TacticalPad

Sem bola, a mesma dinâmica permite ao Sporting CP colocar mais um homem na frente – com a saída do médio – e consegue assim ser mais pressionante em zonas mais avançadas no terreno.

O MOMENTO DEFENSIVO

A equipa leonina demonstra dinâmicas e comportamentos interessantes, sobretudo na primeira fase de pressão (pressão alta), limitando as ações na construção adversária. Os encaixes individuais permitem ao Sporting CP forçar o adversário a jogar mais longo e por fora, acabando por forçar o erro.

Fonte: Tiago Macedo Silva/BnR via TacticalPad

Os avançados que jogam por fora procuram fechar mais dentro, limitando a acção dos centrais tentando bloquear as linhas de passe enquanto que o avançado centro encaixa no médio defensivo adversário que baixa para construir. O duplo-pivot sobe no terreno e encaixam nos outros médios centros, procurando evitar que a bola entre neles ou ativando a pressão caso a bola consiga quebrar a primeira linha de pressão feita pelos avançados.

Os alas acabam por ficar entre o extremo e o lateral adversário, permitindo pressionar os laterais caso a construção adversária seja feita por fora – ou seja entre o central e o lateral –, mas também bem posicionado para o caso do adversário jogar longo permitindo aos alas leoninos baixar para formar rapidamente a linha defensiva com os cinco elementos e disputar uma segunda bola.

Na transição para um bloco médio a equipa dispõem-se em 1x5x3x2 ou em 1x5x2x3 enquanto que num bloco médio/baixo acaba por se posicionar em 1x5x4x1 – como fez na época transata.

O MOMENTO OFENSIVO

Sporting CP
Fonte: Tiago Macedo Silva/BnR via TacticalPad

Como referi anteriormente, a construção é feita sempre pelos três centrais e é feita de forma paciente. A ideia é idêntica à do ano transato e pouco ou nada mudou. Os centrais continuam a procurar ligar através de passes verticais ou com bolas nas costas da defesa adversária, procurando a profundidade e largura dos alas. Contudo, poderá surgir os movimentos de aproximação de um dos avançados anteriores e o avançado centro conseguir também explorar o espaço nas costas.

AS INCERTEZAS

Apesar de achar que o Sporting CP se reforçou de modo a melhorar o plantel e a dar maior equilíbrio ao mesmo, vejo algumas incertezas e lacunas por melhorar. O Sporting CP perdeu Jeremy Mathieu ainda no final da época passada. Mathieu foi um central de topo e que foi demonstrando toda a sua importância no processo ofensivo pela capacidade que tinha na construção, pela inteligência, mas também nas bolas paradas.

Mathieu Sporting CP
Devido a uma lesão, Mathieu acabou por ter de terminar a sua carreira
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Já no processo defensivo pela disponibilidade física, posicionamento e controlo da profundidade jogando numa linha defensiva mais alta. Feddal foi o nome escolhido para suceder ao central francês. Apesar de demonstrar alguma capacidade física e alguma facilidade na construção, demonstra não ter a mesma inteligência nem a mesma capacidade, sobretudo no que toca ao desarme – pouco cerebral e demasiado impetuoso, deixando no ar um sinal de incerteza e de desconfiança.

No miolo leonino – e apesar de já ter salientado algumas mudanças nas dinâmicas -continua a dúvida: irá o Sporting CP continuar a utilizar um duplo-pivot mais de equilíbrio e mais preparado para a perda da bola ou irá mudar e procurar jogadores com maior critério no passe, mais criatividade e maior capacidade de construção?

Creio que o Sporting CP poderá beneficiar de ter elementos como Daniel Bragança ou até Pote para garantir outras dinâmicas e permitir à equipa leonina acelerar o jogo e ser mais vertical, sobretudo nos jogos contra equipas mais fechadas e nos jogos em que o Sporting CP irá ter mais bola que o adversário.

AS LACUNAS

As principais lacunas continuam a ser a prioridade no mercado leonino: um ponta de lança e um extremo direito. Acredito que o sucesso na época desportiva dependerá muito daquilo que forem as contratações e o rendimento das mesmas. O Sporting CP tem apresentado Jovane Cabral nesta pré-época na zona central – na ausência de Sporar e de Luiz Phellype – procurando um ataque mais móvel e com outras dinâmicas.

Sporting CP Sporar
Andraz Sporar, juntamente com Luiz Phellype, são as opções mais adiantadas para Rúben Amorim
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Com isto poderá acabar por Luciano Vietto ser a solução interina para preencher essa posição e desempenhar essas mesmas ideias, pois os Leões já têm muitos homens para jogar no lado esquerdo do ataque, podendo assim fazer com que Vietto suba no terreno, acabando o Sporting CP por não ir ao mercado.

Do lado direito é onde tem atuado o jovem Tiago Tomás – e que tem dado boas indicações – demonstrando estar sempre ligado ao jogo, inteligente, forte na associação e nos movimentos também sem bola. Gonzalo Plata tem revelado dificuldades a jogar por dentro e Nuno Santos tem melhores desempenhos a jogar no lado esquerdo.

O NOVO TALISMÃ

Fonte: GoalPoint

Pote foi sem dúvida uma contratação avultada para os cofres leoninos. No entanto, creio que desportivamente poderá ser o novo talismã leonino e crescer ainda mais desportivamente e gerar mais tarde um retorno financeiro. Onde irá atuar o jovem português? No meio ou na linha? Poderá ser uma dúvida, mas eu prefiro chamar-lhe uma mais valia.

No meio poderá oferecer uma maior criatividade na construção, uma maior capacidade no passe e maior velocidade ao jogo do Sporting CP – sobretudo quando comparado com Matheus Nunes. Revela também boa capacidade para sair da pressão o que poderá permitir rodar sobre o adversário e quebrar linhas de pressão e progredir verticalmente.

Jogando na ala partindo tanto do lado esquerdo como do lado direito, o jovem leonino atua mais perto da baliza o que permitirá certamente fazer uso do seu bom remate e estar mais perto de zonas de finalização. Consegue baixar no terreno para ligar com os médios e é capaz de servir na perfeição os avançados, revelando uma boa leitura de jogo, com capacidade para jogar entre linhas, mas também para explorar a profundidade.

Com as devidas distâncias e apesar de reconhecer a dificuldade em igualar as performances, olho para Pote como o elemento mais próximo de Bruno Fernandes e com a capacidade de dar ao Sporting CP as mesmas características e dinâmicas do ex-capitão leonino.

Tiago Silva

Redação Bola na Rede · ver artigos