
Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google
A época 2020/21 está perto de começar e o Sporting CP vai já preparando o ataque à Liga Portuguesa e também à Liga Europa. Por isso, desde táticas a posições a serem reforçadas destacámos os sete pontos fulcrais na equipa leonina para esta época.
A RETROSPECTIVA E O INÍCIO DE RÚBEN AMORIM
O Sporting CP entra na época 20/21 com a missão de melhorar a performance desportiva obtida na época transata. Rúben Amorim chegou ao clube em março de 2020 onde realizou até à data 11 partidas oficiais – todas elas na Liga Portuguesa. Conseguiu um saldo de seis vitórias, três empates e duas derrotas. Marcou 14 golos e sofreu oito, somando 21 pontos em 33 possíveis. Até começou bem e conseguiu encurtar distâncias alimentando assim a pouca esperança em alcançar o segundo posto, mas a fase final da época fez com que acabasse por se aproximar mais do 4.º lugar – precisamente o lugar onde terminou a época.
Volvidos seis meses de trabalho, o timoneiro leonino tem agora a oportunidade de implementar as suas ideias pela primeira vez na fase inicial da época. Mais do que almejar lutar pelo titulo, a equipa de Alvalade terá obrigatoriamente de apontar as suas energias para o regresso ao pódio pois o terceiro lugar também garante o acesso à pré-eliminatória da Liga dos Campeões – mais do que se pensar no plano desportivo, há que pensar no plano financeiro: poderá trazer numa primeira fase um retorno financeiro significativo e importante para as contas do clube.
AS IDEIAS E MODELO DE JOGO DE RÚBEN AMORIM
Rúben Amorim já demonstrou ser fiel ao seu 1x3x4x3 e dificilmente irá mudar ao longo da época. Por isso acredito que o modelo de jogo do Sporting CP não irá andar muito longe daquilo de que foi apresentado na época anterior.

Podemos então definir alguns princípios de jogo tendo por base este sistema táctico:
- Saída por trás sempre a três – feita pelos centrais;
- Largura e profundidade garantida pelos alas;
- Colocação dos três avançados em zonas mais interiores, garantindo mobilidade aos três;
- Variações do centro de jogo;
- Duplo pivot com largo raio de acção (equilíbrio e progressão);
- Centrais (exteriores) com capacidade de construção na procura de passes verticais entre linhas – tentativa de ligar através do apoio frontal do avançado mais interior que liga com o médio que vem de frente para o jogo;
- Centrais com capacidade para explorar passes na profundidade para as costas da defesa;
- Circulação de bola paciente numa primeira fase de construção;
OS PRIMEIROS SINAIS DE MUDANÇA
Continuo a defender e a achar que o duplo-pivot leonino deverá ter maior participação no jogo ofensivo e na primeira fase de construção. Foi um dos maiores problemas na época transata com a fácil anulação: quase sempre muito estáticos ou através de encaixes individuais adversários. Os médios leoninos atuavam muitas vezes fora do bloco adversário e de costas para o jogo.
Contudo, parece que isso poderá mudar. Em alguns jogos da pré-época ficou a ideia de que Rúben Amorim pediu algo de diferente aos dois médios leoninos – sobretudo no jogo diante do Belenenses SAD e na fase final do jogo diante do Portimonense SC – quer com bola ou sem a mesma.
Com bola e em organização ofensiva foi possível ver várias vezes o médio a baixar para participar mais na zona de construção enquanto que o outro médio se solta e sobe mais no terreno para dar maior participação entre linhas, jogando dentro do bloco adversário, permitindo maior posse de bola em zona de criação no meio-campo adversário.

Sem bola, a mesma dinâmica permite ao Sporting CP colocar mais um homem na frente – com a saída do médio – e consegue assim ser mais pressionante em zonas mais avançadas no terreno.
O MOMENTO DEFENSIVO
A equipa leonina demonstra dinâmicas e comportamentos interessantes, sobretudo na primeira fase de pressão (pressão alta), limitando as ações na construção adversária. Os encaixes individuais permitem ao Sporting CP forçar o adversário a jogar mais longo e por fora, acabando por forçar o erro.

Os avançados que jogam por fora procuram fechar mais dentro, limitando a acção dos centrais tentando bloquear as linhas de passe enquanto que o avançado centro encaixa no médio defensivo adversário que baixa para construir. O duplo-pivot sobe no terreno e encaixam nos outros médios centros, procurando evitar que a bola entre neles ou ativando a pressão caso a bola consiga quebrar a primeira linha de pressão feita pelos avançados.
Os alas acabam por ficar entre o extremo e o lateral adversário, permitindo pressionar os laterais caso a construção adversária seja feita por fora – ou seja entre o central e o lateral –, mas também bem posicionado para o caso do adversário jogar longo permitindo aos alas leoninos baixar para formar rapidamente a linha defensiva com os cinco elementos e disputar uma segunda bola.
Na transição para um bloco médio a equipa dispõem-se em 1x5x3x2 ou em 1x5x2x3 enquanto que num bloco médio/baixo acaba por se posicionar em 1x5x4x1 – como fez na época transata.
O MOMENTO OFENSIVO

Como referi anteriormente, a construção é feita sempre pelos três centrais e é feita de forma paciente. A ideia é idêntica à do ano transato e pouco ou nada mudou. Os centrais continuam a procurar ligar através de passes verticais ou com bolas nas costas da defesa adversária, procurando a profundidade e largura dos alas. Contudo, poderá surgir os movimentos de aproximação de um dos avançados anteriores e o avançado centro conseguir também explorar o espaço nas costas.
AS INCERTEZAS
Apesar de achar que o Sporting CP se reforçou de modo a melhorar o plantel e a dar maior equilíbrio ao mesmo, vejo algumas incertezas e lacunas por melhorar. O Sporting CP perdeu Jeremy Mathieu ainda no final da época passada. Mathieu foi um central de topo e que foi demonstrando toda a sua importância no processo ofensivo pela capacidade que tinha na construção, pela inteligência, mas também nas bolas paradas.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Já no processo defensivo pela disponibilidade física, posicionamento e controlo da profundidade jogando numa linha defensiva mais alta. Feddal foi o nome escolhido para suceder ao central francês. Apesar de demonstrar alguma capacidade física e alguma facilidade na construção, demonstra não ter a mesma inteligência nem a mesma capacidade, sobretudo no que toca ao desarme – pouco cerebral e demasiado impetuoso, deixando no ar um sinal de incerteza e de desconfiança.
Os reforços continuam a chegar a Alvalade. Achas que @zou_feddal era o central canhoto que faltava a Amorim? 🔎💚⛔https://t.co/QRwfdf5bHL
— Bola na Rede (@BolaNaRedePT) August 19, 2020
No miolo leonino – e apesar de já ter salientado algumas mudanças nas dinâmicas -continua a dúvida: irá o Sporting CP continuar a utilizar um duplo-pivot mais de equilíbrio e mais preparado para a perda da bola ou irá mudar e procurar jogadores com maior critério no passe, mais criatividade e maior capacidade de construção?
Creio que o Sporting CP poderá beneficiar de ter elementos como Daniel Bragança ou até Pote para garantir outras dinâmicas e permitir à equipa leonina acelerar o jogo e ser mais vertical, sobretudo nos jogos contra equipas mais fechadas e nos jogos em que o Sporting CP irá ter mais bola que o adversário.
AS LACUNAS
As principais lacunas continuam a ser a prioridade no mercado leonino: um ponta de lança e um extremo direito. Acredito que o sucesso na época desportiva dependerá muito daquilo que forem as contratações e o rendimento das mesmas. O Sporting CP tem apresentado Jovane Cabral nesta pré-época na zona central – na ausência de Sporar e de Luiz Phellype – procurando um ataque mais móvel e com outras dinâmicas.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Com isto poderá acabar por Luciano Vietto ser a solução interina para preencher essa posição e desempenhar essas mesmas ideias, pois os Leões já têm muitos homens para jogar no lado esquerdo do ataque, podendo assim fazer com que Vietto suba no terreno, acabando o Sporting CP por não ir ao mercado.
Do lado direito é onde tem atuado o jovem Tiago Tomás – e que tem dado boas indicações – demonstrando estar sempre ligado ao jogo, inteligente, forte na associação e nos movimentos também sem bola. Gonzalo Plata tem revelado dificuldades a jogar por dentro e Nuno Santos tem melhores desempenhos a jogar no lado esquerdo.
O NOVO TALISMÃ

Pote foi sem dúvida uma contratação avultada para os cofres leoninos. No entanto, creio que desportivamente poderá ser o novo talismã leonino e crescer ainda mais desportivamente e gerar mais tarde um retorno financeiro. Onde irá atuar o jovem português? No meio ou na linha? Poderá ser uma dúvida, mas eu prefiro chamar-lhe uma mais valia.
No meio poderá oferecer uma maior criatividade na construção, uma maior capacidade no passe e maior velocidade ao jogo do Sporting CP – sobretudo quando comparado com Matheus Nunes. Revela também boa capacidade para sair da pressão o que poderá permitir rodar sobre o adversário e quebrar linhas de pressão e progredir verticalmente.
Jogando na ala partindo tanto do lado esquerdo como do lado direito, o jovem leonino atua mais perto da baliza o que permitirá certamente fazer uso do seu bom remate e estar mais perto de zonas de finalização. Consegue baixar no terreno para ligar com os médios e é capaz de servir na perfeição os avançados, revelando uma boa leitura de jogo, com capacidade para jogar entre linhas, mas também para explorar a profundidade.
«Um médio de características mais ofensivas e praticamente um número 10 importante na criação».@Pedro70Pereira é o mais recente reforço dos Leões de Amorim. Acreditas que o jovem criativo pode fazer a diferença em Alvalade? 💚🔎📝https://t.co/yDlyGjHMGI
— Bola na Rede (@BolaNaRedePT) August 18, 2020
Com as devidas distâncias e apesar de reconhecer a dificuldade em igualar as performances, olho para Pote como o elemento mais próximo de Bruno Fernandes e com a capacidade de dar ao Sporting CP as mesmas características e dinâmicas do ex-capitão leonino.













