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Os “coxos” do Sporting que todos queriam ver a representar as seleções

Nuno Almeida · 3 min

Sporting
Foto: Carlos Silva / Bola na Rede

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SPORTING, UMA EQUIPA DE ATLETAS SELECIONÁVEIS 

Desde o incidente em Alcochete que o Sporting não tinha tantos atletas selecionáveis para as respectivas selecções nacionais, e principalmente para a equipa de todos nós. E há ainda os que se podem dar ao luxo de recursar a sua chamada a uma seleção que tem constantemente os jogadores mais talentosos para poder esperar pela prometida chamada à seleção portuguesa.

Esta valorização deve-se, para além do talento inato dos jogadores, ao excelente trabalho que a equipa técnica tem com os jovens, e o facto de tudo isso os ter tornado campeões nacionais. Mas, apesar de tudo isso, vi em Portugal algo que nunca esperava ver. Ou seja, vi adeptos e sócios de outro/outros clubes fazerem muita força para que os jogadores do Sporting fossem convocados e utilizados.

Aliás, a ideia deles parecia ser “Se os nossos foram convocados, porque é que os do Sporting não são? São muito melhores que os nossos” (eles foram convocados como todos sabem). Se não foi isso, parecia. É que foi tanta a tristeza demonstrada por alguns nas televisões, que penso ter visto uma lágrima no canto do olho de um.

A verdade é que, apesar de todo esse pesar, também eu tive pena que os nossos jogadores não tivessem podido representar as respectivas selecções, principalmente pelo motivo que não lhes permitiu fazê-lo, tendo o mesmo obrigado a que o Sporting se visse privado da sua qualidade num jogo contra um dos principais rivais, e porque provavelmente também não poderão participar num jogo importantíssimo de Champions. É mau para o Sporting, é mau para os jogadores, e de certeza que deixou muito tristes aqueles senhores que fizeram tanta força para que os nossos atletas estivessem de perfeita saúde para jogarem todos estes encontros.

Pedro Gonçalves foi dispensado da Seleção Nacional devido a lesão.

Trincão foi chamado para o seu lugar. pic.twitter.com/0NpPtlYKnv

— B24 (@B24PT) August 31, 2021

Eles devem ter ficando a pensar que, no jogo do fim de semana passada, sem esses mesmos jogadores que eles tanto gostam de ver jogar, e lhes reconhecem tanto valor que os acham mais capazes de representar uma seleção nacional “coxos” do que os seus de boa saúde, o Sporting consegui dar tão boa conta de si, como seria se os nossos craques tivessem jogado?

Afinal, talvez tenham ficado aliviados por não terem razão quando diziam que o “dói-dói” era pequenino, e se fossem jogadores de barba rija iam a jogo nem que fosse com um pé partido. Não disseram isto com estas palavras? Foi quase.

Devem ter ficado também aliviados por tantos quilómetros a pé e a voar não tenham feito assim tanta diferença ao rendimento dos seus jogadores. Pelo menos um deles pareceu bem fresquinho, para muita pena nossa. Tenho a certeza de que devem ter pensado “Antes quilómetros grandes que dói-dóis pequenos.”

Mas deixando de lado a ironia, tive pena principalmente de Gonçalo Inácio e Matheus Nunes. Pelo Gonçalo, por ter perdido a oportunidade de ter a sua primeira internacionalização, apesar de eu achar que muitas mais virão. E pelo Matheus, por não concretizar o sonho de representar a seleção mais titulada do mundo, ainda que isso representasse a perda de um talento que pode vir a ajudar Portugal. Mas de Portugal é só uma promessa, do Brasil era uma certeza. E em ambos os casos aplica-se o velho ditado “antes um pássaro na mão do que dois a voar”, até porque há um outro ditado muito usado no Futebol português que diz que “no Futebol, o que hoje é verdade, amanhã é mentira”. Nunca vi uma verdade tão grande. (Quanto aos outros, tenho pena pela lesão.)

Artigo revisto por Joana Mendes

Nuno Almeida

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