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Acho que temos excelentes alternativas no banco, mas nem todas conseguem entrar em campo para fazer a diferença, e algumas delas insistem em desperdiçar oportunidades de afirmação (não é que não tenham qualidade, são simplesmente pouco consistentes e isso não mudará), o que torna o plantel mais curto em relação ao que a equipa técnica e os próprios adeptos e sócios pensariam e desejavam.

Fonte: UEFA
Para agudizar isso, nos últimos quatro encontros tivemos como adversários duas das actuais melhores equipas da primeira liga, e uma das melhores equipas do mundo. E apesar de, contra o Marítimo, termos conseguido rodar quase totalmente a equipa, nos jogos contra FC Porto e Barcelona fomos obrigados a apresentar praticamente a mesma formação, em dois jogos de exigência máxima. O jogo contra o Barcelona desgastou muito os nossos avançados e médios, tendo como prova disso os doze quilómetros percorridos pelo “centrocampista” mais avançado do nosso miolo. Juntando a isso o facto de termos perdido o jogo com um ressalto, desmotiva um pouco mais.
No jogo que se avizinhava, iríamos jogar contra um adversário que havia ganho de forma folgada a um Mónaco que pouco trabalho deu e que permitiu que a segunda parte fosse apenas de contenção e controlo. Para além disso teria mais 24 horas de descanso. Ora isto pesa no fim das contas, porque a confiança e frescura são diferentes, e não nos permitiria pressionar alto, como nos pressionaram a nós. A segunda parte seria mais equilibrada apenas porque as pernas dos adversários passaram a pesar quase tanto como as nossas. Não se poderia falar de banho táctico, até porque as equipas estavam muito equilibradas e encaixadas, com a única diferença de maior capacidade de pressão do adversário na primeira parte. O facto de tal equilíbrio poderá também ter sido razão para que Jorge Jesus não optasse pelas substituições mais cedo, até porque os jogadores que estavam no banco dificilmente iriam acrescentar ofensivamente (Alan Ruiz não, Iuri Medeiros também não) e poderiam desequilibrar a equipa defensivamente, o que é muito perigoso em jogos tão equilibrados e tácticos. Muitos pediram Podence mais cedo, mas perderíamos poder de jogo aéreo contra a melhor equipa do campeonato nesse aspecto. Muitos dirão que o treinador teve medo de arriscar, e poderia ter ganho o jogo, mas eu percebi desde cedo que aquele jogo dificilmente seria ganho, e quando assim é, mais vale o mal menor de continuar em segundo mas dependente apenas de nós, a apenas dois pontos da liderança, e não a cinco. Ainda ouvi dizer que devíamos ter jogado o clássico como jogámos contra o Barcelona. O problema é que tínhamos responsabilidades completamente diferentes num e noutro jogos, e em Portugal nunca teremos que jogar remetidos à defesa, pelo menos com a equipa que temos neste momento, e comparada com a dos adversários mais directos. Ainda coloco a hipótese de quem o disse se querer referir à intensidade de jogo, mas até aí insisto em discordar, até porque vi os jogadores a disputar todos os lances até ao fim do jogo. Apesar de tudo, continuamos bem posicionados no campeonato e na fase de grupos da Liga dos Campeões, mas será que preferimos uma equipa a arriscar nos jogos da Champions, correndo o risco de nos atrasarmos na liga portuguesa (sim, porque não venham comparar com o trabalho que os nossos adversários terão com os seus adversários europeus)?

Fonte: UEFA.com
É que, para os que pedem reconhecimento além-fronteiras, e subida no ranking, devem perceber que não acontecerá a jogar com os colossos. Primeiro teremos que ir ganhando até conseguirmos entrar no Pote um e dois, mas com vitórias na Liga Europa, e só depois, com sorteios mais favoráveis lá poderemos ambicionar carreiras mais ambiciosas na Champions. (Alguém se lembra como a actual primeira equipa portuguesa do ranking conseguiu esse estatuto? Pois, ganhando jogos na Liga Europa.). Aliás, Portugal só conseguirá subir novamente no ranking UEFA quando voltar a ter várias equipas a chegar longe na Europa League. A Champions ainda não é para nós, ou cada vez é menos.
Agora vejamos, preferimos ser campeões com uma boa campanha na Liga Europa, ou estar mais um ano sem o campeonato, e investir num segundo lugar na fase de grupos da Champions? Ou mais ainda, preferem chegar longe nunca competição europeia ou ser campeões? Porque, convenhamos, se formos campeões nacionais, pouco importará o que se fez em todas as outras competições. Eu irei querer sempre o melhor para o meu clube, e por isso quero também que ganhe sempre, no entanto a determinado momento, alguém terá que planear e tomar decisões, para optimização dos recursos que temos. Felizmente não tenho que ser eu. E para os que argumentam que somos obrigados a fazer mais, porque o investimento foi maior, devo relembrar que apesar disso, os nossos concorrentes ainda continuam com planteis bem mais valiosos, pelo menos em termos de valor de aquisição. Por vezes, ao querermos tudo, arriscamos a não ganhar nada. Veremos que caminho se tomará, mas no final das contas, se ganharmos, pouco importará aos adeptos as opções que foram tomadas.
Precisamos é de ganhar, e como tudo se resume essencialmente a isso, e poucos se importam com o que precisa ser feito, muitos chegarão ao fim deste texto e dirão: “Isto é só conversa, eu quero é ganhar. Eles que corram, que é para isso que são pagos”. Como se, por serem pagos, todos os profissionais serão infalíveis. Digam-me um, digam-me um…
Foto de capa: Sporting Clube de Portugal












