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PSV Eindhoven 3-2 Sporting CP: Leão sem garras para se defender

Xavier Costa · 8 min

sporting CP
Foto: Carlos Silva/Bola na Rede

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Entrada em falso dos leões na Liga Europa. Depois de um início tranquilo, o PSV foi eficaz nos momentos certos e obrigou o Sporting a correr atrás do resultado durante toda a partida, sem sucesso. Mais uma vez, as debilidades defensivas dos leões foram notórias e afastaram a possibilidade de pontuar em casa do adversário com quem irá, provavelmente, discutir a liderança do Grupo D.

Para a estreia europeia, Leonel Pontes promoveu três alterações em relação ao onze exibido no Bessa: Coates supriu a ausência do lesionado Mathieu, Vietto voltou à titularidade após lesão, tomando o lugar de Gonzalo Plata e Miguel Luís fez a sua estreia absoluta nesta temporada. No entanto, a maior novidade foi a disposição tática leonina, que jogou em 4-4-2 com um visível losango no meio campo. Wendel e Miguel Luís foram os interiores e a frente ficou entregue à mobilidade de Vietto, Bolasie e Bruno Fernandes. Já o técnico holandês, Van Bommel, deu continuidade ao onze inicial que venceu o Vitesse por 5-0, no último fim de semana, com os cinco golos (!) a serem marcados pelo jovem Malen – que hoje voltou a brilhar.

As duas equipas partiram para esta jornada inaugural da Liga Europa com “bagagens” muito diferentes: de um lado, o PSV contava por vitórias os seus últimos cinco jogos (17 golos marcados e apenas um sofrido) e é líder da Eredivisie com 13 pontos, de forma partilhada com o Ajax. Do lado visitante, chegou a Eindhoven um Sporting CP em agonia, com duas vitórias nos últimos cinco jogos, com golos sofridos em todos os jogos que disputou e que somava já dois jogos sem saborear uma vitória.

O Sporting entrou no jogo de forma tranquila e organizada e nos primeiros minutos ficaram na retina duas tímidas investidas, potencialmente perigosas, a primeira conduzida por Bolasie e a seguinte por Bruno Fernandes, mas nenhuma teve efeitos práticos ou conclusivos. A equipa de Leonel Pontes mostrava-se confortável, saía a jogar desde trás, de forma curta e apoiada, geralmente com Doumbia a encaixar entre os centrais na construção e os laterais subiam no terreno. Sem bola, tanto o Sporting como o PSV, buscavam condicionar essa construção com as linhas bem altas para exercer uma pressão célere.

O primeiro remate à baliza teve a autoria de Hendrix, ao minuto onze, mas sem qualquer perigo para Renan. Na resposta, foi Bruno Fernandes que, desde fora da área, alvejou a baliza local mas Zoet resolveu de forma eficaz. Estes remates serviam de aviso para o que viria depois, de um lado e do outro, sobretudo na segunda parte.

O jogo estava tranquilo e demasiado harmonioso, até que o jovem Malen puxou da sua irreverência e qualidade e transformou, em breves segundos, um ataque leonino em golo do PSV. A transição foi rapidíssima e com três toques – um deles um passe longo teleguiado de Rosario para as costas da defesa leonina – a bola chegou à nova coqueluche holandesa, que recebeu descaído para a esquerda, perfilou-se para dentro e atirou ao poste mais afastado, onde a bola bateu – depois de desviar em Neto – e adormeceu dentro da baliza de Renan.

O Sporting não pareceu abalado e na resposta, Wendel chegou a atirar à baliza holandesa mas fraco e à figura. Contudo, poucos minutos depois do 1-0, o jogo começava a tornar-se um pesadelo para oo leões. Pontapé de baliza de Zoet para o corredor direito, o PSV ganha a primeira e a segunda bola e coloca-a à flor da relva. Aí o meio campo do PSV encetou uma troca de passes rápida e assertiva, um deles entrelinhas que foi devolvido para trás – com a defesa verde e branca perdida no carrossel holandês – a bola foi depois prontamente endossada em Bruma que cruzou com qualidade para o segundo poste, onde Malen estava pronto para encostar, mas acabou por ser Coates a introduzir a bola na própria baliza.

Vinte e cinco minutos decorridos e os leões já perdiam por 2-0: eficácia máxima dos holandeses. O Sporting só ameaçava e Bruno Fernandes, para (não) variar, era o mais inconformado. O envolvimento ofensivo dos leões passava constantemente pelos seus pés, independentemente de ser na fase de criação ou finalização. Por outro lado, Vietto e Bolasie mantinham-se muito desaparecidos em campo.

Depois da meia hora de jogo, Renan antecipou-se a um prometedor cruzamento rasteiro. Agora, o PSV mostrava-se superior, controlava e os leões de Leonel Pontes pareciam arredados da discussão da partida. Ainda no seguimento da última jogada, Bolasie entrou a grande velocidade na área do PSV e foi derrubado. O árbitro eslovaco Ivan Kružliak não hesitou e assinalou a grande penalidade. Na sua cobrança, o capitão leonino apareceu para resgatar a moribunda equipa de Alvalade: também não hesitou e reduziu para 2-1.

O capitão leonino nunca se esconde e foi dos mais inconformados
Fonte: UEFA

O Sporting foi para o intervalo com vida depois de uma primeira parte na qual o PSV desferiu dois fortes e repentinos golpes no plano leonino. Ainda assim, o golo de Bruno Fernandes colocou o Sporting à tona na melhor altura, quando a equipa parecia afogada e cada vez mais fora da partida. Esperava-se uma entrada autoritária e motivada do emblema verde e branco, mas aconteceu exatamente o oposto: num canto favorável ao PSV à passagem do minuto 47, apareceu a habitual passividade e permissividade leonina desta temporada e o defesa Baumgartl entrou sem oposição na pequena área e finalizou a seu bel-prazer. O reatamento da partida não podia ter sido pior, o Sporting estava novamente em desvantagem de dois golos no marcador e teria de correr atrás do prejuízo.

A partir dos cinquenta minutos, a partida entrou numa fase desenfreada de oportunidades que se sucediam a grande velocidade em ambas as balizas. Primeiro foi Renan a defender e a soltar uma bola na área, causando momentos de aflição para a turma de Alvalade. De seguida, o Sporting conseguiu virar o centro de jogo e Acuña cruzou imediatamente para um cabeceamento desenquadrado de Bruno Fernandes ao segundo poste.

Poucos minutos depois, já mais sobre a direita, Bolasie conseguiu desenvencilhar-se do seu marcador direto, foi à linha e cruzou com qualidade, mas Miguel Luís não conseguiu encostar para a baliza deserta. O ritmo frenético continuava e o festival de golos falhados também. Na resposta holandesa, Malen atirou para defesa de Renan e depois de um livre colocado de Bruno Fernandes parado por Zoet, o PSV dispôs de mais duas oportunidades consecutivas, às quais Renan foi o único obstáculo.

O Sporting precisava de um golo para relançar a discussão e Leonel Pontes retirou o hoje desinspirado Vietto para colocar Jovane Cabral. O irrequieto extremo entrou bem na partida e fez dois remates à baliza que o podiam ter transformado numa cartada perfeita do banco leonino, mas essa ficou reservada para mais tarde. De repente, o ritmo começou a baixar, ambas as equipas sofreram grande desgaste ao longo do jogo, mas só o PSV beneficiava disso, pois ia mantendo a vantagem de dois golos no marcador.

Bruno Fernandes continuava a tentar remates de fora da área, mas sem sucesso (71’ e 75’), Zoet parecia intransponível. À entrada para os últimos dez minutos de jogo, o técnico verde e branco lançou o jovem Pedro Mendes “às feras” e a resposta não podia ter sido mais afirmativa: na primeira bola que toca, o jovem estava nas imediações da meia-lua e de costas para a baliza, recebeu e rodou de imediato e desferiu um potente remate que só parou no fundo das redes. Estreia de sonho para Pedro Mendes e uma réstia de esperança para os leões de Leonel Pontes.

Depois do golo e consequente 3-2 no resultado, o PSV baixou as suas linhas, assumiu um jogo mais reativo e tentava segurar os três pontos. O Sporting assumia a iniciativa, mas a equipa ficou exposta às sempre perigosas transições ofensivas dos holandeses. Dessa forma, foi o PSV que ainda dispôs de duas oportunidades claras para matar o jogo, já em período de descontos.

O tempo acabou e o Sporting saiu derrotado na estreia europeia. A semana horribilis continua a pairar em Alvalade e, no que toca à Liga Europa, o Sporting vê o LASK Linz e o PSV Eindhoven na liderança do grupo. Leonel Pontes tem muito trabalho pela frente.

 

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

PSV: Zoet; Dumfries, Baumgarti, Viergever, Boscagli; Hendrix, Rosario, Ihattaren (Gakpo, 64′); Bergwijn, Malen (Sadilek, 83′), Bruma (Doan, 77′).

Sporting CP: Renan, Rosier, Coates, Neto, Acuña; Miguel Luís (Pedro Mendes, 80′), Doumbia, Wendel (Camacho, 90′), Bruno Fernandes; Vietto (Jovane, 64′), Bolasie.

A FIGURA

Donyell Malen – A nova pérola do futebol holandês continua a brilhar e a tornar-se um caso sério. Hoje, o jovem avançado foi um quebra-cabeças para a débil defesa leonina com a sua mobilidade e facilidade de remate a causarem muitos problemas ao Sporting. Foi o abre-latas do jogo de hoje, com um belo lance no primeiro golo que lançou o PSV para o domínio da primeira parte. No segundo golo, só não aumentou a conta pessoal porque Coates chegou primeiro e fez autogolo. A manter debaixo de olho o desenvolvimento do prometedor jovem do PSV.

Menção honrosa ainda para ambos os guarda-redes, Zoet e Renan sofreram dois e três golos, respetivamente, mas impediram que o marcador se tornasse num verdadeiro resultado de hóquei em patins.

O FORA DE JOGO

Fonte: UEFA

Fragilidades defensivas do Sporting CP – Mais um jogo e mais golos sofridos, tal como em todos (!) os disputados esta época. Os problemas defensivos do leão parecem não ter fim, hoje um golo sofrido em transição rápida, um autogolo e outro num canto absolutamente inadmissível. As faltas de concentração e os erros acumulam-se e o Sporting vai-se afastando, por culpa própria, das vitórias. Muito trabalho pela frente para Leonel Pontes. Menção (pouco) honrosa ainda para Vietto e Miguel Luís, que passaram completamente ao lado do jogo.

Foto de Capa: UEFA

Xavier Costa

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