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Os cerca de 25 meses de Bruno de Carvalho à frente da direcção do Sporting têm sido pautados por um enorme trabalho para reerguer um clube que estava perto da falência, pelo regresso às vitórias em históricas modalidades do clube, dentro e fora de portas, e por duas épocas razoáveis no que ao futebol diz respeito.

O clube sofreu uma reestruturação financeira que já mereceu rasgados elogios, passando de um passivo de 35 milhões de euros – e um inacreditável sétimo lugar – para dois anos de saldo positivo e garantindo lugar na Liga dos Campeões. Nenhum destes pontos positivos pode ser apenas imputável ao presidente leonino, mas foi o próprio juntamente com uma equipa competente e que conseguiu tirar o Sporting de uma situação potencialmente perigosa.

Quando capaz, finja ser incapaz; quando pronto, finja estar despreparado; quando próximo, finja estar longe; quando longe, façam acreditar que está próximo. – Sun Tzu

Na minha opinião, o problema de Bruno de Carvalho é um conflito entre o seu amor ao clube e a paixão de um adepto comum com décadas a viver o clube como um “mero” Sportinguista e as exigências que um dirigente máximo de um clube desta dimensão necessita ter. A personalidade quezilenta mas com rigorosos valores morais tem vindo a criar episódios menos condignos e frissons que poderiam, de quando em vez, ser evitáveis. Mas nem todos esses episódios prejudicaram o clube, como poderei explicar a seguir.

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A primeira batalha do actual presidente foi frente aos seus dois rivais. Algo necessário, uma vez que o Sporting foi posto, fruto de anos de má gestão e de apatia presidencial, para um plano secundário do panaroma futebolístico. Bruno de Carvalho veio trazer o nome do clube de Alvalade a ser falado diariamente na imprensa e veio exigir o respeito que o Sporting merece ter.

Soares Franco, Bettencourt, “Nobre” Guedes, Pereira Cristóvão, Carlos Freitas, Ribeiro Telles, Godinho Lopes são apenas alguns dos nomes mais visíveis de uma corja que esteve durante décadas a destruir o que levou um século a criar. Bruno de Carvalho veio rasgar com esse passado infame e merece todo o respeito por isso. A maior vitória dos Sportinguistas foi a saída dos dirigentes que entendiam que o Sporting era gerido com charutos e copos de Malte. E é um dos meus desejos que todos os erros e destruição do património do clube por parte destes “senhores” tenham o respectivo castigo, algo que o actual dirigente máximo irá cumprir.

Triunfam aqueles que sabem quando lutar e quando esperar. – Sun Tzu

No Verão do ano passado, a transferência de Marcos Rojo para Manchester fez correr muita tinta, uma vez que o Sporting negou à Doyen Sports um valor de aproximadamente 15 milhões de euros que supostamente lhes era devido, optando por apenas ressarcir o investimento desse fundo no jogador, pagando uma verba de 3 milhões. A acção dos dirigentes leoninos pode ter várias interpretações e não consigo prever se no futuro o Sporting não poderá ter problemas devido a estas mesmas atitudes, mas nada pode ser apontado nesta luta que o clube tem vindo a travar frente a estas empresas que têm vindo a explorar clubes e a criar redes que nas sombras gerem muito do dinheiro envolvido no futebol nacional. Esta luta de Bruno de Carvalho deverá ser a luta de todos os Sportinguistas e de todos aqueles que gostam de um futebol puro e sem influências externas.

Estes três desafios supracitados mostram a tenacidade da direcção leonina, a luta por um ideal em que todos partem em igualdade e com as mesmas armas, e são alguns dos motivos pelos quais eu gosto de Bruno de Carvalho e me revejo na grande maioria das suas atitudes.

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A renovação com as promessas leoninas tem sido um dos grandes objectivos da direcção leonina
Fonte: Página de Facebook do Sporting

O verdadeiro objetivo da guerra é a paz. – Sun Tzu

Mas como não há bela sem senão, há questões em que não consigo perceber o ponto de vista do jovem presidente do meu clube. Creio que algumas situações poderiam ter sido evitadas, com um maior controlo de discurso e menor exposição pública. A situação gerada em Dezembro sobre a permanência de Marco Silva poderia e deveria ter sido gerida de uma forma mais comedida, evitando cisões dentro da estrutura e tirando alguma tranquilidade ao balneário. É certo que não sabemos toda a extensão do caso e da inocência do técnico português em todo o processo, mas o término do contrato com Marco Silva faria com que o clube partisse para mais uma época com um treinador novo, com novas ideias e jogo, algo que não será positivo, com o factor agravante de o Sporting ter que disputar uma eliminatória da Liga dos Campeões em meados de Agosto.

Pior ainda é saber que todos os nomes veiculados na comunicação social são manifestamente inferiores ao do actual técnico do Sporting, e que a direcção arrisca assim que a próxima época seja mais uma em que o crescimento se fará aprendendo com os erros cometidos.

A suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutar. – Sun Tzu

Bruno de Carvalho está no seu lugar de sonho, algo que desejava desde a sua infância e onde tem potencial para ser um dos futuros ícones da história verde e branca, para tal precisa apenas de crescer com os problemas que enfrenta, e tentar minimizar os riscos que a sua própria personalidade cria.

Foto de capa: Página de Facebook  do Sporting Clube de Portugal