a norte de alvalade

Haveria muito a dizer sobre o corte de relações institucionais com o SLB ontem decretado e que se vem juntar ao que já vigora com o FCP. Mas na verdade é-me indiferente porque nem vou dar por ele. Nem eu nem quase ninguém. E também porque não acredito na eficácia deste tipo de medidas. O corte que gostava de ter feito ao SLB era no campo, diminuindo a distância que nos separa.

A questão que se pode colocar é se a decisão tomada é correcta ou inevitável face à reacção da direcção do SLB relativamente ao comportamento dos seus adeptos. Enfim, vale o que vale. Quem cala consente e não tendo dito nada ou pior, tendo-se ficado por um comentário ignóbil do seu porta-voz, associou o seu nome às faixas exibidas no pavilhão onde se jogou o futsal e ao comportamento dos seus adeptos em Alvalade. Tenho a felicidade de não conhecer nenhum adepto benfiquista que, face à gravidade do sucedido, se reveja nesta atitude.

Bruno de Carvalho cortou relações com o Benfica Fonte: Facebook Oficial de Bruno de Carvalho
Bruno de Carvalho cortou relações com o Benfica
Fonte: Facebook Oficial de Bruno de Carvalho

A este nível, o do comportamento dos adeptos, infelizmente não há nenhum clube com folhas limpas, o que diminui desde logo a  autoridade para poder fazer julgamentos, especialmente os de carácter moral.

Quem também não pode deixar de merecer censura são as organizações que tutelam o futebol. A Liga e a FPF, obviamente, que continuam a fazer de conta que não acontece nada, parecendo sempre mais preocupados em exercer uma autoridade que se fica por mais uns cobres nos cofres e pouco mais. Também elas pouco recomendáveis como referência de organização, bastando como exemplo o que tem sucedido com as sucessivas confusões com a Taça de Portugal, onde só não houve ainda uma tragédia por milagre. Ou talvez porque nenhum dos três grandes se tem encontrado nas últimas finais.

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Por último, a tutela governamental, que também só se preocupa em aparecer na hora de cortar fitas e se encostar aos troféus, ignorando a actuação policial e os cada vez mais frequentes episódios violentos. Os adeptos têm por vezes dificuldades em perceber as diferenças entre uns (claques) e outros (polícias), tal tem sido a violência indiscriminada usada. Ignoram-se os melhores exemplos e, aqui, estamos cada vez mais perto dos piores e mais distantes dos melhores. Já ninguém se lembra que Inglaterra tinha um problema muito mais agudo e que o resolveu de forma exemplar. Estamos à espera de um hillsborough ou de um Heysel em português?

Para terminar, voltando ao tema inicial, o corte de relações, há quem diga que os três grandes estão condenados a entender-se a bem do futebol. Não duvido de que todos lucraríamos com isso, sobretudo os que gostam realmente de futebol e do desporto em geral. Mas para isso seria preciso pelo menos um acordo de cavalheiros, o que é caso para perguntar: e onde andam eles?

Infelizmente, o que se constata cada vez mais são direcções completamente submetidas à lógica das claques, abstendo-se de uma das suas mais importantes funções: liderar. Eu gosto de claques, em particular das nossas, é onde gosto de ver os jogos. Mas dispenso a cultura de violência que lhes está subjacente. Porque também e acima de tudo gosto de futebol, e do desporto em geral.

Foto de capa: Foto: Facebook Oficial do Sporting Clube de Portugal

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