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Breve reflexão de um adepto esperançoso | Sporting CP

Miguel Gato · 3 min

Breve reflexão de um adepto esperançoso | Sporting CP
Foto: Bola na Rede

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Escrevo ainda com alguma proximidade temporal em relação ao último encontro. Apesar de redigir este texto um pouco a quente, considero que, neste momento, estou pronto para pensar com maior clareza e afastar-me da irracionalidade tão conhecida de um adepto de um clube.

Nos últimos quatro jogos, o Sporting CP venceu apenas um. Existiu uma quebra de rendimento? Parece-me que não. A equipa continua a conceder muito poucas oportunidades e a defender de forma sólida e organizada. Curiosamente, naquele que foi o pior dos últimos encontros, e em que concedemos mais oportunidades, conquistaram-se os três pontos em Faro. Este fator faz-me concluir que a formação de Alvalade não está mais fraca na ação coletiva, teve foi erros individuais que não costumam ocorrer.

Já na ação ofensiva, o pragmatismo sempre foi preponderante. Muitas vezes, o Sporting CP vê-se em vantagem e gere o resultado a partir daí, ao invés de procurar fechar o jogo. Rúben Amorim revelou que essa é uma espécie de mecanismo que a equipa arranjou, talvez por alguma falta de experiência dos elementos mais novos, e por se sentir confortável a controlar o jogo sem bola. No entanto, essa eficácia não se verificou, sobretudo frente ao Famalicão FC e Belenenses SAD. A formação verde e branca criou um número de oportunidades superior ao normal, mas não as concretizou com sucesso. O que é que faltou nesses jogos? A tal pontinha de sorte de que um campeão também precisa.

Se me dissessem que estaríamos na segunda volta, a seis jornadas do fim, na liderança isolada do campeonato, eu jamais acreditaria. Previa um grupo de jogadores com mais qualidade individual do que na temporada transata, mas nunca uma formação capaz de fazer frente a FC Porto e SL Benfica. Porém, Ruben Amorim e os seus rapazes surpreenderam tudo e todos, fazendo uma primeira volta histórica, a melhor de sempre do clube, e uma série de 28 jornadas sem perder. Não podemos esquecer o antes e depois do jovem treinador português. O facto de estarmos frustrados dentro de um cenário que todos achávamos impossível de acontecer é revelador do trabalho que está a ser desempenhado, esta temporada.

O Sporting CP partiu para a temporada como “fora das contas” do título
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Acho muita graça ouvir comentadores e pessoas com os mais altos cargos no futebol afirmarem que gostam de ver um Sporting CP forte, que é bom para o desporto nacional. Porém, quando isso está perto de acontecer, não perdem tempo em criar casos só para tentar destabilizar o plantel. Primeiro, Palhinha seria a razão pela qual o Sporting CP iria perder sete pontos. Depois, Rúben Amorim poderia ficar anos sem poder treinar. Agora, é a divisão dos adeptos que se avizinha e os velhos fantasmas vão-se levantar. Todo este barulho serviu e serve apenas para criar ansiedade e insegurança entre adeptos e a comitiva leonina.

Todo o grupo é jovem, desde a equipa técnica ao plantel. A maior parte dos elementos do futebol do Sporting CP precisa de errar para aprender: só assim se ganhará a experiência e se construirá um futuro risonho, aliados à mentalidade vencedora que precisamos de adquirir. Que estes últimos empates tenham servido para que o grupo líder da Liga Portuguesa tenha ganho consciência da responsabilidade que tem nos ombros. Ver o Sporting CP campeão é um sonho para qualquer jovem leão, pois este nunca teve hipótese de festejar.

Esperava-se uma época de consolidação de ideias e crescimento dos jovens e estamos envolvidos naquela que vai ser uma luta fervorosa pelo título de campeão nacional. Muito cedo para o processo de desenvolvimento da equipa? Cabe aos jogadores apontarem para bem alto e agarrarem com as duas mãos o caneco que há 19 anos desejamos conquistar.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Miguel Gato

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