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Podia escrever este texto por outro prisma, falando na injustiça que é perder-se um campeonato quando se foi a melhor equipa, ou perder um título quando mais uma vez o rival directo foi beneficiado. Não o irei fazer, porque o Sporting é melhor que isso. Prefiro ver cada finta do Bryan, cada passe mágico de João Mário, cada golo de Slimani e a alma leonina de Adrien (que injustiça não teres disputado este jogo, meu capitão).
Em Braga, vi entrega, vi crer e vi ambição. Vi leões a lutar por pouco mais do que um sonho de um campeonato. E mais não posso pedir daqueles que tudo deram em campo para alcançar o desfecho de época que todos queríamos ter.
A história deste jogo não pode ser descrita como um rescaldo comum. Vocês – leões – merecem muito mais do que isso.
Confesso que não acreditava, à partida, que o milagre fosse possível. Mesmo com a momentânea vantagem, nada mais me passou pela cabeça a não ser o quanto vocês mereciam outro desfecho.
Assim, nada mais posso pedir do que aquilo que vi neste jogo. Aliás, tenho um desejo secreto em mim, mas que apenas a direcção pode cumprir. Bruno, por favor, dá o teu melhor para que não percamos nenhum jogador este Verão.
O primeiro golo é, como não poderia deixar de ser, criado pela imaginação única de João Mário. É para ver e rever a forma como o melhor jogador do campeonato português isola Bryan Ruiz, que apenas tem que colocar a bola em Teo para um golo fácil.

Fonte: Sporting CP
Como disse, este golo incendiou as bancadas do Municipal de Braga, um estádio em que se vivia e respirava Sportinguismo. Falando sobre as bancadas, é inevitável mencionar a massa adepta leonina. Nem por um momento se deixou de ouvir cânticos de apoio aos leões, naquela que terá sido uma das maiores – senão mesmo a maior – “invasões” de adeptos a um jogo fora de casa.
Após a expulsão (justa) de Arghus, o Sporting continuou a pressionar alto e a realizar uma das melhores exibições da época. O segundo golo dos leões também teve um momento “à Sporting”. Um bom cruzamento de Bruno César da esquerda teve uma resposta à altura por parte de Islam Slimani, um cabeceamento à ponta de lança e que dava uma resposta mais que justa à superioridade da equipa de Jorge Jesus em campo.
Ao intervalo, os semblantes em Braga eram pesados, mas o sentimento primordial era o de trabalho bem feito, de orgulho numa equipa e num clube que há três anos “não incomodava ninguém”.
A segunda parte foi muito menos intensa; muito provavelmente os jogadores já sabiam do resultado da Luz, e como tal foram para dentro de campo muito mais calmos do que no início do jogo. Ainda assim, viram-se momentos de magia em algumas jogadas dos leões e muito mais ainda nas bancadas. Era audível o “Vocês Sabem Lá”, o “Voto Solene” e muito mais em pleno estádio do Sporting de Braga.
O terceiro e o quarto golo dos leões, apontados por Bryan Ruiz, vieram apenas confirmar a vitória dos leões e dar um contorno de goleada a um jogo que o Sporting dominou a seu bel-prazer.

Fonte: Sporting CP
À equipa bracarense muito mais se exigia do que aquilo que foi mostrado em campo. Hassan foi presa fácil para Rúben Semedo e Paulo Oliveira e o meio campo nunca conseguiu superiorizar-se à classe de William Carvalho.
Pouco mais há a contar duma segunda parte que não significou mais do que o fim da esperança leonina no título. Ainda assim, há que valorizar, e para mostrar o meu orgulho no que é ser Sportinguista: a presença de milhares de adeptos nas bancadas dum estádio (e de uma cidade) complicado mostra que o Sporting está de volta ao que foi. Se nada ou pouco mudar, para o ano o Sporting tem a possibilidade de fazer ainda melhor que este ano.
A Figura:
João Mário – O melhor jogador do campeonato português. Se a sua permanência em Alvalade se apresenta difícil e se este foi o último jogo de camisola verde e branca ao peito, pouco mais me resta dizer do que agradecer por toda a magia e todo o trabalho que mostrou durante esta temporada. O passe para Bryan, no primeiro golo da partida, é um daqueles momentos que mostra toda a classe do jovem leão. Uma palavra ainda para os milhares de adeptos que nunca se calaram, nunca deixaram de mostrar que o Amor ao clube não se reflecte apenas nas vitórias.
O Fora-de-Jogo:
Paulo Fonseca – Mau ensaio para a final da Taça de Portugal. O Sporting de Braga foi uma equipa bastante inferior ao apresentado em alguns momentos da época, com pouca projecção ofensiva e sem nunca conseguir incomodar Rui Patrício.
Foto de Capa: Sporting CP
Artigo revisto por: Manuela Baptista Coelho










