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O SL Benfica venceu hoje o Sporting CP por 2-1 e está em vantagem na meia-final da Taça de Portugal. Os encarnados souberam dar continuidade ao bom momento de forma, ainda mais depois da goleada no dérbi para o campeonato. Com alterações nos onzes de parte a parte, foi Marcel Keizer quem mexeu mais na equipa: entraram como Jovane, Tiago Ilori e Borja, os dois últimos em estreia absoluta. Do lado do Benfica, Bruno Lage deu tempo de jogo a Svilar e a Salvio.
Com dois dérbis a serem jogados em quatro dias, houve quem dissesse que a partida de hoje seria apenas a segunda parte do jogo. Pode ser – e é – muito subjetivo, mas a verdade é que o jogo começou como acabou o anterior: Benfica com mais posse, mais garra e mais oportunidades. As duas primeiras surgiram nos primeiros dez minutos, com Gabriel a atirar para a bancada num remate de primeira e com Seferovic a disparar ao lado da baliza de Renan, depois de uma boa movimentação de Felix, a abrir espaço.
À passagem da meia-hora marcou o Benfica. Assistência de Pizzi, que tocou na esquerda para Gabriel, e o brasileiro, cruzado, a “fuzilar” ao primeiro poste. Era um remate complicado para Renan, com muita força, mas fica a sensação de que o guardião “leonino” podia ter feito melhor no lance. 1-0 e explosão de alegria na Luz.
A partir daqui, o Sporting começou a ter mais bola, mas sempre sem materializá-la em lances de perigo. Todas as jogadas eram denunciadas e inofensivas, com Gudelj muito perdido – novamente – no meio e sem conseguir construir jogo. Luiz Phellype também não vinha receber jogo atrás com a eficácia necessária. Assim, os “leões” acabaram por só fazer um remate no primeiro tempo, de Phellype, mas facilmente defendido por Svilar.
Na segunda parte, o Sporting até parecia vir com mais garra, para tentar inverter o rumo dos acontecimentos. Mas nenhuma garra do mundo consegue dar engenho a quem pouco o tem. Gudelj continuou perdido no campo; não havia profundidade; não havia rapidez e desequilíbrio. Raramente o Sporting acertava cinco passes consecutivos e nem mesmo a ocasião soberana de Wendel, isolado por Acuña, alterou algo: atirou ao lado.
Na resposta, depois de um primeiro remate de Ruben Dias, de cabeça e à figura de Renan, o Benfica fez o segundo golo. Mais eficaz, mais prático, mais atraente. Seferovic cruza do lado esquerdo, a bola atravessa toda a área do Benfica e quando parecia que esta ia morrer, João Félix cruza e… autogolo de Tiago Ilori. Grande passividade da defesa leonina e o cruzamento de Félix simplesmente a embater no regressado defesa central. 2-0.
Completamente descontrolada, a defesa do Sporting ainda suspirava quando Seferovic cruzou novamente, atrasado, para Grimaldo fazer um falhanço inacreditável. Já nem Renan estava no lance, mas o encosto do defesa espanhol saiu ao lado da baliza.
Com o golo, o Benfica ganhou uma injeção de adrenalina e foram frequentes as boas triangulações a deixar os avançados em boa posição. Futebol bonito e domínio, mas até foi o Sporting que criou as melhores ocasiões até final da partida: primeiro foi Wendel, aos 74′ minutos. Cruzamento de Acuña, Luiz Phellype toca para a entrada da área e o brasileiro atira forte, mas ao lado. Depois foi a hora da bomba, ao minuto 82′.
Livre frontal de Bruno Fernandes, entre 20 a 30 metros da baliza de Svilar, e que tiraço do português. Sem hipótese para o guarda-redes do Benfica. De repente, e sem fazer uma grande exibição, o Sporting carregava o Benfica e até poderia sair com um resultado facilmente recuperável da Luz. Os “leões” até acabaram por cima na partida, até com o golo do empate de Dost a não ser validado com algumas dúvidas, mas o resultado não se alterou.
Vitória por 2-1 do Benfica, que deixa tudo em aberto para o jogo da 2ª mão, em Alvalade. Uma vitória justa dos encarnados, que praticaram melhor futebol e foram mais práticos, eficazes e aguerridos na frente de ataque. O Sporting foi muito mole e esteve ausente em grande parte do jogo, ficando a sensação que poderia ter feito mais, como nos últimos dez minutos. O jogo da segunda mão está marcado para dia 2 de abril, daqui a quase dois meses, com o Benfica a ir a Alvalade em vantagem.
ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES
Sporting CP: Renan Ribeiro; Bruno Gaspar, Tiago Ilori, Sebastian Coates e Borja; Gudelj, Wendel (Bas Dost, 76′) e Bruno Fernandes; Jovane (Diaby, 71′), Acuña e Luiz Phellype (Raphinha, 90′).
SL Benfica: Svilar; André Almeida, Jardel (Ferro, 37′), Rúben Dias e Grimaldo; Samaris, Gabriel, Pizzi (Cervi, 79′); Salvio (Rafa, 60′), João Félix e Seferovic
A FIGURA

Haris Seferovic: O avançado encarnado não marcou, mas é o espelho da mudança de rendimento do Benfica desde a chegada de Bruno Lage. Seferovic está muito mais solidário, como toda a equipa, e vai buscar bola atrás ou à lateral. Hoje assistiu Félix para o cruzamento que deu em autogolo de Ilori, e não fosse o falhanço de Grimaldo, teria repetido o feito. Ainda esteve perto do golo em duas ocasiões. No fundo, a simetria de uma equipa que está a praticar bom e bonito futebol.
Do lado do Sporting, menção honrosa para Bruno Fernandes (que golaço) e Marcos Acuña. Emanam garra e vontade por todos os lados e, de certa forma, chega a ser frustrante vê-los dar tanto a uma equipa que parece querer tão pouco. Boa estreia de Borja.
O FORA-DE-JOGO

Nemanja Gudelj: Até podia ser meia-equipa dos “leões” ou até o próprio Marcel Keizer, por ainda não ter descoberto o que pretende, ao certo, do jogador. Mas a verdade é que Gudelj continua perdido no meio-campo do Sporting. Não constrói, chega tarde na abordagem defensiva e não dá coesão ao núcleo do jogo leonino. Wendel parece também em baixa de forma, tal como Luiz Phellype.
BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
SL Benfica
Não foi possível fazer pergunta ao treinador do Benfica, Bruno Lage.
Sporting CP
BnR: O Nemanja Gudelj pareceu estar um pouco perdido no meio-campo e com pouca capacidade de construção. O que é que pretende para o jogador: um médio mais defensivo ou de construção?
Marcel Keizer: Ambos. Eu acho que ele é o jogador com maior controlo do meio-campo dentro da nossa equipa. É forte fisicamente e esteve bem no capítulo do passe, mesmo quando esteve a jogar contra os três avançados do Benfica. Está a fazer o seu trabalho.
Rescaldo com opinião de André Maia
Foto de capa: André Maia/Bola na Rede












