Luís Carlos Lourenço da Silva. O “Lourenço do Sporting” atende-nos de sorriso na cara e vai por ali fora numa viagem pelo tempo a recordar os tempos de jogador. Na formação no Sporting recorda que ainda foi do tempo antes do “condomínio de luxo”. Daí foi sempre a subir até à equipa principal, ao lado de craques como João Pinto, Barbosa e Jardel, com Nélson a assumir o trono de rei da brincadeira e Liedson uma das suas “vítimas”. No que toca a seleções, confirmamos que Lourenço é o único português a vencer duas vezes o Torneio de Toulon, mas acaba por ser internacional A por Angola. Se de passado estamos conversados, que dizer do presente e do futuro? Depois da experiência na Arábia Saudita, Lourenço está de regresso e vai estrear-se como treinador sénior no Campeonato de Portugal.

– Da Arábia Saudita para a zona centro de Portugal –

Bola na Rede: Descobri na pesquisa para a entrevista que Lourenço não é nome próprio. Preferes que te chame Lourenço ou Luís?

Lourenço: É igual.

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Bola na Rede: É nome de família?

Lourenço: É nome de família, sim.

Bola na Rede: Estás na Arábia Saudita neste momento?

Lourenço: Não, neste momento já estou em Portugal.

Bola na Rede: Como se deu a tua ida para lá?

Lourenço: Foi através de um empresário. Fez-me um convite enviado por um coordenador português, que queria treinadores portugueses para a formação da Arábia Saudita.

Bola na Rede: Como foi a adaptação?

Lourenço: A adaptação é aquela a que o português está habituado, há portugueses em praticamente qualquer parte do mundo. Foi com alguma dificuldade, mas foram coisas que, com o tempo, consegues adaptar-te. Foi ficando mais fácil porque não era o único treinador português, éramos uns dez portugueses.

Bola na Rede: Os portugueses davam-se todos?

Lourenço: Sim, estávamos sempre juntos e acabávamos por treinar uns a seguir aos outros no mesmo sítio. Íamos ver os jogos uns dos outros e trocávamos ideias.

Bola na Rede: Aprendeste a língua?

Lourenço: Um pouco. Coisas básicas, “bom dia”, “boa tarde”. Também expressões relacionadas com futebol. Eu tinha um tradutor por isso falava muito em inglês, passava-lhe a mensagem em inglês e ele traduzia para os miúdos.

 

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Objetivo cumprido com sucesso, coroado com a subida de divisão, sem derrotas. Vencer é bom, vencer dentro de campo é ainda melhor. Era nosso desejo vencer dentro do terreno, tal não foi possível devido à Pandemia mas não existe outra solução e quando não existe solução, solucionado está. Celebrar em família, uma enorme família que foi a minha nestes longos meses de muito trabalho. Agora é procurar um novo desafio. Continuar a Formar, Crescer, Evoluir e se possível Ganhar. Sou #FeitoDeFutebol e é aqui que quero continuar a contar a minha História. Obrigado aos atletas e staff pela conquista, e a todos que estão a acompanhar o meu trabalho, sem todos vocês era impossível. Continuam nesta viagem comigo? 😉

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Bola na Rede: Esta época estavas a treinar os Iniciados do Al-Wehda certo?

Lourenço: Sim. Estávamos perto de ser campeões, mas a pandemia não deixou. Na altura quando parámos íamos jogar as meias-finais. No fundo, fomos quatro campeões nacionais.

Bola na Rede: Quais as perspetivas para o futuro?

Lourenço: Já tive oportunidade para voltar para lá há duas ou três semanas, mas por uma questão ou outra não se concretizou. Pela expetativa do clube e também pela minha acabámos por não chegar a um acordo.

Bola na Rede: Até agora treinaste sempre nos escalões de formação. Gostavas de treinar também no escalão sénior?

Lourenço: Sim, estou com essa expetativa neste momento. Tenho estado a falar com algumas pessoas, há uma coisa mais ou menos encaminhada.

Bola na Rede: Para treinar em Portugal?

Lourenço: Sim. Nos próximos dias deverá ser do conhecimento público.

Bola na Rede: É para treinar uma equipa de que escalão?

Lourenço: Campeonato de Portugal. Será na zona centro.

Bola na Rede: José Mourinho disse no documentário do Tottenham que para ele o futebol se baseia em tentar ganhar. Na tua opinião, esta máxima também se aplica no futebol de formação ou não tanto?

Lourenço: Sim, eu penso que se aplica. Eu tive dois grandes professores na formação, que já não estão connosco: Osvaldo Silva e César Nascimento. Eles diziam que não gostavam de formar derrotados. Temos que saber formar, sim, mas temos de saber formar com vitórias. O Sporting não pode formar uma equipa que não ganha títulos, que não propicia grandes valores, que não consegue dar jogadores para a equipa principal. Quando estamos a falar de uma realidade que não tem os melhores de Portugal, aí sim estamos a formar para tentar chegar ao máximo. Uma equipa como o Sporting, o Braga, o Porto, o Benfica, o Rio Ave, se chegam e dizem que só estão ali para formar, não é muito justo. Até porque o próprio atleta passa a não ter objetivos para além de ser só formado.