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«Sou o único português com dois Torneios de Toulon» – Entrevista BnR com Luís Lourenço

Frederico Seruya · 17 min

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Luís Carlos Lourenço da Silva. O “Lourenço do Sporting” atende-nos de sorriso na cara e vai por ali fora numa viagem pelo tempo a recordar os tempos de jogador. Na formação no Sporting recorda que ainda foi do tempo antes do “condomínio de luxo”. Daí foi sempre a subir até à equipa principal, ao lado de craques como João Pinto, Barbosa e Jardel, com Nélson a assumir o trono de rei da brincadeira e Liedson uma das suas “vítimas”. No que toca a seleções, confirmamos que Lourenço é o único português a vencer duas vezes o Torneio de Toulon, mas acaba por ser internacional A por Angola. Se de passado estamos conversados, que dizer do presente e do futuro? Depois da experiência na Arábia Saudita, Lourenço está de regresso e vai estrear-se como treinador sénior no Campeonato de Portugal.

– Da Arábia Saudita para a zona centro de Portugal –

Bola na RedeDescobri na pesquisa para a entrevista que Lourenço não é nome próprio. Preferes que te chame Lourenço ou Luís?

Lourenço: É igual.

Bola na RedeÉ nome de família?

Lourenço: É nome de família, sim.

Bola na RedeEstás na Arábia Saudita neste momento?

Lourenço: Não, neste momento já estou em Portugal.

Bola na RedeComo se deu a tua ida para lá?

Lourenço: Foi através de um empresário. Fez-me um convite enviado por um coordenador português, que queria treinadores portugueses para a formação da Arábia Saudita.

Bola na RedeComo foi a adaptação?

Lourenço: A adaptação é aquela a que o português está habituado, há portugueses em praticamente qualquer parte do mundo. Foi com alguma dificuldade, mas foram coisas que, com o tempo, consegues adaptar-te. Foi ficando mais fácil porque não era o único treinador português, éramos uns dez portugueses.

Bola na RedeOs portugueses davam-se todos?

Lourenço: Sim, estávamos sempre juntos e acabávamos por treinar uns a seguir aos outros no mesmo sítio. Íamos ver os jogos uns dos outros e trocávamos ideias.

Bola na RedeAprendeste a língua?

Lourenço: Um pouco. Coisas básicas, “bom dia”, “boa tarde”. Também expressões relacionadas com futebol. Eu tinha um tradutor por isso falava muito em inglês, passava-lhe a mensagem em inglês e ele traduzia para os miúdos.

 

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Objetivo cumprido com sucesso, coroado com a subida de divisão, sem derrotas. Vencer é bom, vencer dentro de campo é ainda melhor. Era nosso desejo vencer dentro do terreno, tal não foi possível devido à Pandemia mas não existe outra solução e quando não existe solução, solucionado está. Celebrar em família, uma enorme família que foi a minha nestes longos meses de muito trabalho. Agora é procurar um novo desafio. Continuar a Formar, Crescer, Evoluir e se possível Ganhar. Sou #FeitoDeFutebol e é aqui que quero continuar a contar a minha História. Obrigado aos atletas e staff pela conquista, e a todos que estão a acompanhar o meu trabalho, sem todos vocês era impossível. Continuam nesta viagem comigo? 😉

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Bola na RedeEsta época estavas a treinar os Iniciados do Al-Wehda certo?

Lourenço: Sim. Estávamos perto de ser campeões, mas a pandemia não deixou. Na altura quando parámos íamos jogar as meias-finais. No fundo, fomos quatro campeões nacionais.

Bola na RedeQuais as perspetivas para o futuro?

Lourenço: Já tive oportunidade para voltar para lá há duas ou três semanas, mas por uma questão ou outra não se concretizou. Pela expetativa do clube e também pela minha acabámos por não chegar a um acordo.

Bola na RedeAté agora treinaste sempre nos escalões de formação. Gostavas de treinar também no escalão sénior?

Lourenço: Sim, estou com essa expetativa neste momento. Tenho estado a falar com algumas pessoas, há uma coisa mais ou menos encaminhada.

Bola na RedePara treinar em Portugal?

Lourenço: Sim. Nos próximos dias deverá ser do conhecimento público.

Bola na RedeÉ para treinar uma equipa de que escalão?

Lourenço: Campeonato de Portugal. Será na zona centro.

Bola na RedeJosé Mourinho disse no documentário do Tottenham que para ele o futebol se baseia em tentar ganhar. Na tua opinião, esta máxima também se aplica no futebol de formação ou não tanto?

Lourenço: Sim, eu penso que se aplica. Eu tive dois grandes professores na formação, que já não estão connosco: Osvaldo Silva e César Nascimento. Eles diziam que não gostavam de formar derrotados. Temos que saber formar, sim, mas temos de saber formar com vitórias. O Sporting não pode formar uma equipa que não ganha títulos, que não propicia grandes valores, que não consegue dar jogadores para a equipa principal. Quando estamos a falar de uma realidade que não tem os melhores de Portugal, aí sim estamos a formar para tentar chegar ao máximo. Uma equipa como o Sporting, o Braga, o Porto, o Benfica, o Rio Ave, se chegam e dizem que só estão ali para formar, não é muito justo. Até porque o próprio atleta passa a não ter objetivos para além de ser só formado.

– Formado no leão, mas não no “condomínio de luxo” –

Bola na RedeVamos andar um bocadinho para trás na história. Lembras-te do teu primeiro dia na formação do Sporting?

Lourenço: Lembro-me. Não consigo precisar o ano, mas sei que foi em novembro. Fui a um treino de captações em que o treinador César Nascimento me pediu para dar uns toques numa bola e dali percebeu-se logo que tinha algo diferenciado. Acabei por ficar logo naquele treino.

 

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Recordar é viver e vão 🏆🏆🏆🏆🏆 THE BEST siimmmmmm parabens @cristiano 👑 🇵🇹 ..

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Bola na RedeVivias na Academia?

Lourenço: Não, vivi no centro de estágio antigo. Eu costumo dizer que não faço parte da formação do condomínio de luxo. Faço parte de outra realidade mais complicada, com mais dificuldade, não tenho problema nenhum em dizer. Orgulho-me muito porque os grandes jogadores também se veem nas dificuldades.

Bola na RedeComo eram as condições?

Lourenço: Não tínhamos campo fixo, estávamos em vários campos dos arredores de Lisboa, tínhamos uma camioneta para 50, não havia bolas para todos, não havia coletes para todos. Tudo aquilo que eu posso falar, e quem viveu isso comigo no Sporting, desde treinadores, jogadores e dirigentes, sabem que eu não estou a mentir. Mas não foi por isso, por exemplo, que não conseguimos criar dois dos melhores do mundo. E conseguimos ter na seleção vários jogadores formados no Sporting que tiveram as mesmas condições que eu. Conseguimos ter vários jogadores na primeira equipa, o que vai de encontro àquilo que disse de conseguir formar e conseguir criar e dar condições para que cada vez mais jogadores da formação a chegar na equipa principal. Embora eu ache que, neste contexto dos últimos anos, é muito mais fácil chegar à primeira equipa. Muito mais fácil.

Bola na RedeSobre isso que disseste agora, sentes que hoje em dia também é mais fácil os miúdos entraram na equipa principal porque há mais abertura dos treinadores a apostar nos jovens?

Lourenço: Não, acho que é o contexto do futebol profissional também. Mas antigamente era mais difícil porque as equipas seniores tinham outro tipo de recursos para ir buscar jogadores, com qualidade. Só dar um exemplo, na minha era “só” tinha à minha frente três grandes nomes: tinha “só” um Jardel, “só” um Niculae e “só” um João Pinto. Não quer dizer que eu não conseguisse, mas eram jogadores de renome e de seleção, que dificilmente tinhas oportunidade de combater com eles. Mas eu esforcei-me, combati e consegui oportunidades de jogar e orgulho-me daquilo que fiz. Foi difícil, mas também é nas dificuldades que se veem os grandes homens.

Bola na RedeHá bocado disseste que não fizeste parte da formação no condomínio de luxo. Viveste no Lar do Jogador?

Lourenço: Sim, que era debaixo da bancada nova no estádio antigo. Vivíamos à volta de 20/24 atletas.

Bola na RedeCom quem partilhavas o quarto?

Lourenço: Aquilo tinha muito a ver com os escalões, à medida que ias subindo ias mudando de quarto. Partilhei quarto com o Leandro, que era guarda-redes, o Aventino, que também vinha de fora. Ali vivíamos como uma família e eu como era dos mais velhos acabava por acolher e fazê-los sentir à vontade.

Bola na RedeComo era o dia-a-dia nessa altura?

Lourenço: Quando estava nos juvenis ainda tínhamos que estudar, era obrigatório. Foi uma das coisas que o nosso treinador nos pediu, que acabássemos o 9º ano. Na altura era a escolaridade obrigatória. De manhã íamos para a escola e à tarde ou noite treinávamos. Depois jogávamos ao fim-de-semana.

Bola na RedeE nos juniores?

Lourenço: Como treinávamos sempre de manhã, optei por não prosseguir os estudos. Foi uma opção minha e de outros colegas, porque também tínhamos competições de seleção, era muito tempo fora com estágios e com jogos. Comecei o 10º ano, mas depois acabei por abdicar porque não estava a dar para conciliar, até porque muitas vezes depois treinava com os seniores.

Bola na RedeTinhas algum ídolo de infância?

Lourenço: Sim, sempre admirei jogadores da minha posição. Romário nos anos 90 e o Fenómeno quando apareceu. Depois em 2000 fiquei maravilhado quando vi o goleador Mário Jardel como meu colega, treinar com um monstro de área com ele, também o Beto Acosta. Outro que também gostava muito, e consegui jogar contra ele, era o Rivaldo. Tinha um talento fenomenal, não era o tal ponta-de-lança, mas era um jogador com muita qualidade.

Bola na RedeQuando é que jogaste contra ele?

Lourenço: Na Grécia. Troquei a camisola com ele, é uma das que está ali [Lourenço aponta para uma estante repleta de troféus e camisolas].

– Nélson, o rei da brincadeira no balneário –

Bola na RedeE a estreia pelos seniores?

Lourenço: Foi em dezembro, num inverno rigoroso, em Alverca. Empatámos 0-0. Foi uma infelicidade de uma lesão do Niculae, que tinha feito uma rutura de ligamentos e esteve de fora sete ou oito meses, e também infelicidade do Jardel que tinha sido expulso no jogo anterior com o Porto. Ficaram praticamente sem avançados, estava só o João Pinto e foi a minha oportunidade de me poder estrear. Foi sol de pouca dura, porque em fevereiro acabei por me lesionar no ligamento e foi um sonho todo por água abaixo, numa altura em que estava a começar a engrenar e a ser uma aposta mais sólida do mister Boloni.

Bola na RedeComo é que ele era como treinador?

Lourenço: Era um treinador típico. Ele falava francês, mas era romeno, e era um treinador muito exigente, gostava das coisas com muita perfeição. Era rígido quando falhavas ou não fazias aquilo que ele queria, mas também sabia valorizar o jogador. Quando tinha que dar uma palmada no ombro e dar uma moral também dava.

Bola na RedeQuem eram os líderes de balneário nesse Sporting?

Lourenço: Os mais velhos: Pedro Barbosa, Rui Jorge, Paulo Bento, João Pinto, Nélson, Beto, o próprio Jardel. Ainda apanhei o Schemeichel, Acosta, André Cruz. Tudo bons líderes.

Bola na RedeE os líderes da brincadeira?

Lourenço: Isso é o Nélson, sem dúvida. Ainda hoje é o rei das brincadeiras. Aquilo não lhe escapava nada, desde praxes aos novatos…

Bola na RedeO que é que faziam aos novatos?

Lourenço: Era tudo, mandar o sabonete para o chão para ver se ele ia buscar, fingir que era gay, andava aos beijinhos e a correr atrás deles.

Bola na RedeÉ engraçado, não tinha ideia que ele fosse assim.

Lourenço: É. O Liedson foi uma das grandes vítimas do Nélson quando chegou ehehe. O Nélson apresentou-se e queria dar-lhe dois beijinhos, depois andou a correr atrás dele a dizer “Está-me estranhando? Dá-me um beijinho.” [Lourenço ri-se a bom rir].

Bola na RedeFalei com um antigo colega teu no Sporting. Posso perguntar-te pela história do Baidek quando estavas na equipa B?

Lourenço: [Lourenço parte-se a rir] Quem foi?

Bola na RedeMiguel Vargas. Falei com ele e disse-me para te perguntar por essa história.

Lourenço: [Lourenço continua a rir-se] Essa do Baidek é muita gira, ainda hoje fartamos de nos rir com essa. Isso foi na equipa B, eu dividia quarto com o Vargas e o Vasco Matos. Fizemos uma entrevista, a fingir que era o Record, e ligámos ao Baidek por causa de um jogador que ele estava a tentar fazer negócio, não sei se com o Sporting ou outro clube em Portugal. O Vargas ligou e disse ao Baidek que era não sei quem do jornal não sei de onde, e como está o negócio do jogador tal.

Bola na RedeE o Baidek?

Lourenço: Ele respondeu a tudo, a dizer “Estamos a negociar e está muito difícil, estamos a tentar fazer, mas assim que eu tiver informação eu falo”. O Vargas continuou numa lengalenga e ele também a responder. Até que no fim, fez de conta que a chamada estava a cair e começou aos altos gritos “BAIDEK! BAIDEK!”. E o Baidek: “Oi? Oi? Não estou ouvindo.” Foi só rir e a partir daí ficámos o grupo dos Baideks, ainda hoje nos tratamos por Baidek.

Bola na RedeOutra coisa que o Vargas me contou: é verdade que o teu joelho às vezes “bloqueava”?

Lourenço: Éééé, isso é brincadeira dele. Na altura tinha tido um problema no joelho que devia ter resolvido com cirurgia, mas o doutor achou que não era preciso porque dava muito bem para continuar a treinar e a jogar. Eu tinha uma massa muscular muito densa e normalmente quem tem isso é meio caminho andado para não ter problemas no joelho. Com massa muscular conseguimos que o joelho esteja salvaguardado, o nosso peso todo do corpo vai para os joelhos. E às vezes, sem querer, numa jogada ou outra o joelho bloqueava e os massagistas já sabiam que aquilo devia ser o menisco que saía do sítio ou assim. Mas bastava ali um jeitinho dos ortopedistas ou massagistas. Quando aquilo saía, doía e eu dizia aos gritos que o joelho tinha bloqueado e não conseguia dobrar.

– Escalões jovens de Portugal, seleção A em Angola –

Bola na RedeCorrige-me se estiver errado. És o único português que tem dois Torneios de Toulon no currículo.

Lourenço: Ah pois é! Toma lá essa ehehe. Há muita gente que se esquece. E também devo ter sido o único capitão “negro” de uma seleção toda, foi essa de sub-20. Acho que era o único.

Bola na RedeQuais eram as tuas expetativas para o primeiro torneio em 2001?

Lourenço: Eu fui sempre dos mais novos dessa seleção. Eu sou de 1983, desde os 15 ou 16 que joguei logo com essa geração de 1981, do Ricardo Costa, Bruno Alves, Jorge Ribeiro, Hélder Postiga. Eu era dos mais novos por isso a minha expetativa era de não jogar, mas tive oportunidade. O treinador dos sub-20 já me conhecia desde os sub-16 e então tive oportunidade de poder ser titular. Não só ganhei como fui dos melhores jogadores nos dois anos.

Bola na RedeQuem era o selecionador nesse ano?

Lourenço: Foi o António Violante com o Filipe Ramos e o Rui Mânsio. Em 2003, foi o Rui Caçador.

Bola na RedeComo é que eles eram convosco? Mantinha-vos debaixo de olho por serem miúdos ou davam-vos liberdade nos tempos livres?

Lourenço: Sim, davam. Eu era dos mais miúdos, mas a maioria deles já era sénior. Davam-nos responsabilidade qb, também tínhamos que saber as nossas responsabilidades perante um símbolo como o da Federação. Qualquer coisa que fizéssemos não diziam que foi o A, B ou C, mas a Federação é que ficava em cheque e o nome de Portugal. Por isso, davam-nos liberdade, mas punham medidas quando tinha que ser.

Bola na RedeO que faziam nos tempos livres?

Lourenço: Jogar cartas, passear pelo centro comercial. Eles tinham lá um jogo tradicional que era a petanca e pronto divertíamo-nos assim. Não era ainda altura dos telemóveis e dos smartphones, não andava tudo agarrado como é hoje. Depois algumas partidas, bater nas portas e fugir ehehe.

Bola na RedeEm 2003, é uma geração mais madura.

Lourenço: Sim, já era tudo de 1983 e o único que era de 1985 era o Cristiano [Ronaldo]. Era uma boa equipa, um bom grupo em que praticamente podíamos ter feito o pleno, mas distraímo-nos no jogo com o Japão. Podíamos ter feito cinco vitórias consecutivas mas aquilo também foi bom para nos dar mais ânimo e recolher as armas e ir para cima deles todos.

Bola na RedeNesse ano jogas com o 10 nas costas e a braçadeira de capitão no braço.

Lourenço: É, porque na seleção, não sei se agora ainda é, normalmente não era pelo estatuto que eras capitão, mas sempre foi pelas internacionalizações. Eu naquela altura já era um dos mais internacionais, até porque comecei muito mais cedo, ainda nem tinha idade para estar na seleção e já estava. Fui capitão só porque era um dos mais internacionais. Depois mais tarde os critérios foram mudando, isso são outras conversas.

Bola na RedeEntão?

Lourenço: Depois nos outros anos os critérios mudaram, porque o jogador está na equipa A, porque veio com azia para baixo e tem que se dar ombro ao menino… Coisas que aconteceram mas pronto, penso que a partir dos sub-21 os critérios mudaram. Quando era altura de eu ser capitão dos sub-21, passei de capitão para sub-capitão. Foram decisões que eu tive que acatar, não gostei muito, mas acatei. E a vida seguiu.

Bola na RedeEstive a ver o resumo do jogo com a Argentina. Desculpa a expressão, que g’randa golo de livre.

Lourenço: Eu acho é que foi um g’randa frango ehehe. O gajo estava a dormir.

Bola na RedeFoi um tiraço…

Lourenço: A bola não pode entrar ali, passou por fora da barreira. Ele estava a dormir, só pode ehehe. Mas, sim, desbloqueou o jogo, porque a barreira estava um bocado densa e eu como chutava forte quis pôr a técnica. Experimentei, correu bem e ainda bem. Com a parte de fora do pé ela saiu da barreira e entrou ali no cantinho.

Bola na RedeHouve excesso de confiança nos Jogos Olímpicos de 2004?

Lourenço: É assim, houve excesso de confiança, houve. Mas também houve alguns critérios que não foram abonatórios.

Bola na RedeEm que sentido?

Lourenço: Houve critérios um bocado… Digamos que das escolhas para o 11, lá está mais uma vez, muito pelo estatuto, porque estava na equipa A e não tanto pela qualidade. E também um bocado de excesso de confiança. A equipa achava que aquilo ia ser favas contadas, até que no primeiro jogo levamos 4 do Iraque.

Bola na RedeLembro-me bem de ver esse jogo.

Lourenço: Pois, nesse jogo eles andavam de mota e nós era de bicicleta. Nós pensávamos que não eram, que vinham para cá lançar granadas. Vieram, vieram… Vieram foi pôr foguetes e nós não conseguimos agarrá-los, que aquilo parecia que era passar a via verde em excesso de velocidade que quando demos por nós estávamos a levar 4. E até começámos a ganhar. No segundo jogo ainda ganhámos, contra Marrocos, e depois contra a Costa Rica foi equilibrado. O empate servia-nos e acabámos por perder.

Bola na RedeJogas pela seleção portuguesa nos escalões jovens mas nos seniores acabas por optar pela seleção angolana.

Lourenço: Sim, mas isso já muito no final. Opto pela seleção angolana em 2011, não foi por aí. Foi mais porque até lá tinha esperança de ir, mas tive sempre azar. Tinha o Pauleta, tinha o Nuno Gomes, tinha o Hélder Postiga. Não era fácil chegar à seleção.

Bola na RedeComo se deu a tua ida para a seleção de Angola?

Lourenço: Foi o selecionador na altura, o Lito Vidigal, que me ligou mais o diretor desportivo da Federação. Perguntaram-me a minha disponibilidade e eu disse que era total. Chegas a uma altura em que não vale a pena andares a ter esperança de algo. O melhor é abdicares e ir. Aliás, eu já podia ter ido mais cedo e não quis.

Bola na RedeQuando?

Lourenço: Tive duas abordagens para poder ir. Em 2006, quando eles foram ao Mundial, se calhar hoje tinha ido a um Mundial ehehe. Aquilo que eu não consegui nas camadas jovens podia ter ido por Angola. Depois, em 2008, fazem-me uma outra abordagem para ir para o CAN. O tempo foi passando, até que em 2011 aceitei. Acabei por ser internacional angolano, não me posso queixar pois fui internacional A.

Bola na RedeQue memórias tens da tua única internacionalização A?

Lourenço: Foi um jogo particular com a Zâmbia. Foi o único, porque depois não consegui encontrar um clube onde eu pudesse dar continuidade à carreira. Ou seja, tive clube, mas não era do meu agrado, por isso acabei por não aceitar algumas propostas. Acabei por ficar parado nesse ano e perdi o CAN 2012.

– Passes curtos –

Bola na RedeQual é para ti o melhor momento da tua carreira?

Lourenço: Penso que é a minha estreia pela equipa principal do Sporting, no jogo de inauguração do Estádio contra o Manchester United. E o outro que tenho que referir é o primeiro golo nas competições europeias, no estádio novo.

Bola na RedeContra quem?

Lourenço: Malmö.

Bola na RedeUm estádio?

Lourenço: O estádio de Alvalade, o novo.

Bola na RedeQual o teu melhor golo?

Lourenço: Na Grécia, contra o Olympiakos. Peguei na bola no meio-campo e só parou lá à frente.

Bola na RedeQual foi o melhor jogador com quem jogaste?

Lourenço: Cristiano Ronaldo.

Bola na RedeUm guarda-redes?

Lourenço: Cada um tinha as suas qualidades, não consigo escolher só um ehehe.

Bola na RedeUm defesa?

Lourenço: Beto e André Cruz. O André Cruz com aquele pézinho parecia um avançado a jogar a central.

Bola na RedeUm médio?

Lourenço: João Pinto, como número 10 a organizar jogo.

Bola na RedeUm avançado?

Lourenço: Jardel, sem dúvida.

Bola na RedeE o jogador mais difícil de defrontar?

Lourenço: Jorge Costa. Ele tentava sempre desestabilizar com conversas, para tentar distrair o adversário.

Artigo revisto por Joana Mendes

Frederico Seruya

Redação Bola na Rede · ver artigos