Sporting 1-0 Benfica: E se Rui Borges também correr bem?

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Sporting

Rui Borges é o melhor que podia ter acontecido ao Sporting neste momento. Um Rei-Leão de coração partido por Ruben Amorim que passou a Simba com João Pereira. Sentiu-se desunião, jogadores abalados psicologicamente e adeptos a perderem esperança no bicampeonato, após exibições mal conseguidas e resultados frustrados. Entre o Natal, Frederico Varandas, apesar de não se ter portado tão bem na transição, pegou no recibo e foi trocar o “presente envenenado” por um presente ajustado. E a primeira prova foi contra o Benfica.

Em conferência de imprensa, Rui Borges disse que «quando faltar inspiração, que não falte atitude» – uma frase que virou lema para os adeptos – e que «não fazia magia». Não faço ideia do que passou aos jogadores, mas, tendo apenas trabalhado 72 horas para um dérbi, a transformação mental do Sporting foi “mágica”. A ansiedade virou confiança. Ainda agora chegou e Rui Borges já venceu um dérbi, recuperou a liderança e, mais importante do que isso, a esperança dos jogadores e adeptos.   

Taticamente, havia muita curiosidade sobre como o Sporting de Rui Borges iria jogar e é necessário destacar alguns aspetos. Dentro de um sistema tático base de 4-4-2, foi apostado uma linha defensiva de quatro, com Matheus Reis na lateral-esquerda e Eduardo Quaresma na lateral-direita (interessante perceber se Rui Borges vê o futuro do jovem nesta posição). No geral, Diomande e St.Juste estiveram sólidos no centro da defesa. Morten Hjulmand teve um papel importante ao encontrar muitas vezes espaços nas costas dos avançados do Benfica para progredir e arranjar soluções. Morita é o seu companheiro e Francisco Trincão, muito interior, foi uma espécie de terceiro médio.

Mais à frente no terreno, Rui Borges apostou em Geny Catamo subido como extremo direito, possivelmente para ajudar na forte e coordenada pressão que o Sporting efetuou no decurso do jogo e condicionar a saída de bola de Álvaro Carreras. Geovany Quenda continua a jogar a partir da extrema-esquerda, uma posição que fazia nos tempos de formação. Para surpresa de ninguém, Viktor Gyokeres foi o avançado escolhido e voltou a fazer das suas. Já foi Otamendi, Otávio e agora Tomás Araújo a ser ultrapassado pelo avançado sueco em corrida, numa jogada que deu golo. Todos da mesma forma.

O Benfica foi surpreendido pela alta pressão do Sporting e mostrou dificuldades em superá-la, no qual Álvaro Carreras (condicionado por Geny Catamo) e Tomás Araújo mal conseguiram sair a jogar. Individualmente, Alexander Bah cometeu alguns erros (seja em dribles sofridos e cobertura do segundo poste) e Florentino Luís muito inseguro com bola, valendo uma substituição prematura. Kerem Akturkoglu não conseguiu dar continuidade a vários lances e Zeki Amdoni foi aposta falhada. Valeu Trubin por várias defesas, Orkun Kokçu e Ángel Di María na construção ofensiva. No geral, foi um jogo que correu bem melhor ao Sporting do que ao Benfica e por isso, o resultado ajusta-se.

O futebol não para e, depois do dérbi, o Sporting tem desafios apertados nos próximos tempos: Vitória SC fora de casa (dia 3 de janeiro) e FC Porto para as meias-finais da Taça da Liga (dia 7). O foco de interesse é perceber como Rui Borges irá jogar taticamente nas partidas, se continuará a ter dias felizes e se as tais dores de crescimento aparecerão. A sua entrada aparece como uma notícia positiva e com impacto imediato, porém ainda é cedo para falar de bicampeonatos.

Diogo Lagos Reis
Diogo Lagos Reishttp://www.bolanarede.pt
Desde pequeno que o desporto lhe corre nas veias. Foi jogador de futsal, futebol e mais tarde tornou-se um dos poucos atletas de Futebol Freestyle, alcançando oficialmente o Top 8 de Portugal. Depois de ter estudado na Universidade Católica e tirado mestrado em Barcelona, o Diogo está a seguir uma carreira na área do jornalismo desportivo, sendo o futebol a sua verdadeira paixão.

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