Um amarelo aqui, um fora de jogo ali e uma época sem objectivos alcançados | Sporting CP

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Todos sabemos que, quando não conseguimos atingir os objectivos a que nos propomos devemos essencialmente olhar para nós e para o que poderíamos ter feito de forma diferente. E devemos fazê-lo essencialmente porque é o que conseguimos controlar. É o que nos permite aprender, tentar corrigir e melhorar. E tudo isto deve ser feito para analisar a temporada do Sporting CP.

A questão é que nada é estanque, isolado, e alheio ao ambiente externo que nos rodeia. Portanto, também temos de estar atentos ao que afectou e influenciou o nosso rendimento, que não dependeu de nós, mas atrasou-nos e provocou alguns desaires.

Falo de eventos externos como:

  • João Mário derruba Fatawu quando este iria entrar na área, e por questão de “interpretação” o árbitro considera que não há penálti;
  • Pepe pisa Chermiti e não há amarelo, nem falta, pelo que vamos considerar que o árbitro não viu, e o VAR não pode intervir neste tipo de lance;
  • Wendel esmurra “Pote” no peito, e amarelo para os dois. “Pote” deve ter levado amarelo por estar onde não devia estar. Ou seja, a incomodar o seu colega de profissão;
  • Otávio e Paulinho acertam na cara um do outro e o único a ser admoestado é o Paulinho. De referir que Otávio vinha atrás e bateu intencionalmente enquanto Paulinho acertou no adversário na sequência do movimento normal de corrida;
  • Uma falta não marcada sobre Nuno Santos de onde resulta golo. Isso origina reclamação dos jogadores do sporting, o que leva a que Adán receba amarelo que o retira do jogo seguinte. O árbitro conferencia com auxiliar que confirma a falta, mas aquele insiste em validar o golo. Depois o mesmo é chamado pelo var, o que o faz pensar que talvez fosse muito descarado o erro (sim, ele sabia que estava a errar. Porque só ele não quis ver que era falta, e já lho tinham dito). De todo este emaranhado, originado pela vontade cega de validar o golo contra o Sporting, foi marcação de falta e anulação do tento. Já o amarelo para adam manteve-se. A questão que fica é: os jogadores não devem reclamar, mas se não o fizessem o golo teria sido anulado?

Contra o Sporting, até um lance em que dois jogadores adversários tropecem um no outro pode dar amarelo a um jogador leonino. Aconteceu, não estou a brincar.

Isto são apenas alguns dos muitos lances que nos acontecem constantemente, e que na presente temporada fizeram, por exemplo, que não conseguíssemos ganhar mais uma Taça da Liga, ganhar jogos no campeonato contra adversários diretos, ou lutar pelo acesso à Liga dos Campeões até ao último jogo.

Eu sei que agora pouco importa reclamar quando o mal está feito e não há justiça que nos possa ressarcir. Quem errou apenas fica um jogo ou dois sem poder continuar a exercer a sua profissão artística, e os que beneficiam do erro ainda se vão pavonear com as suas “conquistas” independentemente da forma como foi alcançada. No final compensa sempre errar, seja propositado, ou não.

São coisas pequenas que se diluem na extensa temporada, coisas essas que muitos insistem em esquecer ou não lembrar (muitos deles dentro do Sporting apenas para poderem atacar os que lá estão), mas que no fim fazem a diferenças.

São areias que, por muito pequenas que sejam, alteram o andamento da máquina e desgastam em comparação com outras que conseguem não ter a sua mecânica tão alterada por objetos externos.

No fim, ganha a máquina menos adulterada por condições internas e externas. E há por aí muitas máquinas que, para além de se conseguirem manter imunes a areias, ainda a conseguem mandar para a engrenagem de outros.

Nuno Almeida
Nuno Almeidahttp://www.bolanarede.pt
Nascido no seio de uma família adepta de um clube rival, criou ligação ao Sporting através de amigos. Ainda que de um meio rural, onde era muito difícil ver jogos ao vivo do clube de coração, e em tempos de menos pujança futebolística, a vontade de ser Sporting foi crescendo, passando a defender com garras e dentes o Sporting Clube de Portugal.

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