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Sporting CP 0-3 Vitória SC: Um leão à procura de si mesmo

Fernando Costa · 3 min

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Depois da melhor partida da pré-época realizada até ao momento, frente ao Mónaco, na apresentação do clube em Alvalade, Jorge Jesus decidiu voltar a uma fase mais experimental, apostando (de novo) num sistema de três centrais, numa altura em que até, curiosamente, o treinador português só tinha dois centrais à sua disposição. E o resultado foi, mais uma vez (dentro deste sistema), manifestamente mau.

O Sporting entrou em campo com um sistema de 3-4-3, apresentando, como titulares: Beto, Petrovic, Coates e Tobias Figueiredo; Matheus Oliveira e Jonathan Silva; William Carvalho e Adrien, Bruno César, Iuri Medeiros e Doumbia.

O Vitória aproveitou e foi feliz Fonte: Vitória SC
O Vitória aproveitou e foi feliz
Fonte: Vitória SC

Talvez já demasiado confiante com o seu plano A (que se exibiu no jogo contra o Mónaco), Jorge Jesus decidiu voltar a apostar no seu sistema de três centrais, que o próprio vê “como as grandes equipas jogarão no futuro”.  No entanto, mais uma vez, a equipa voltou a demonstrar muitas dificuldades nessa adaptação. Estupiñán inaugurou o marcador (14’) com um grande remate à entrada da área, que não deu hipóteses a Beto, e a equipa vimaranense, que já se prepara para o seu primeiro jogo oficial frente ao Benfica na Supertaça, voltou a aumentar o marcador com um golo de Hurtado (22’), depois de uma tentativa de corte falhada pelo argentino Jonathan Silva. Para não bastar, Coates viu, de seguida, o vermelho direto, num lance “à Tobias”, em que perde a bola numa zona proibida.

O jogo desde então entrou num guião algo atípico, com o Sporting a dominar e a melhorar na segunda parte mesmo com 10, mas terminou como começou: Raphinha deixou o jogo em 3-0 (85’), depois de um cruzamento de João Aurélio, deixando o marcador algo elevado para o enredo da partida. Ainda assim, bons sinais para o Vitória de Guimarães, que mostrou eficácia (algo que pode vir a ser importante daqui a uma semana frente aos encarnados), e sinais mistos para o clube de Alvalade, que só conseguiu mostrar do que é capaz quando jogou no seu sistema habitual. Jesus continua, definitivamente, a levar o conceito de “pré-época” ao extremo, onde parece mais preocupado com cenários alternativos do que com o habitual.

Como jogaram os reforços:

Mattheus Oliveira – Voltou a jogar numa posição algo diferente da que estava habituado, e onde o jogo lhe pede coisas que o próprio não pode dar. Sentiu dificuldades em adaptar-se e esteve pouco em jogo.

Doumbia – Esforçado, e a parecer melhor os índices físicos. Ainda assim, jogando sozinho na frente, foi pouco apoiado pelo resto da equipa.

Mattheus ainda procura o seu espaço Fonte: Vitória SC
Mattheus ainda procura o seu espaço
Fonte: Vitória SC

Battaglia – Talvez o melhor elemento (dos reforços) nesta pré-época, a par de Bruno Fernandes. Combativo, confiante, e vai percebendo quais os momentos em que deve progredir com a bola, e quando deve “guardá-la”. Um reforço, e talvez de um modo algo surpreendente, que tem tudo para ser um dos “meninos bonitos” do treinador português.

Petrovic – Mesmo estando (muito) fora da sua posição, não foi possível avaliar de forma conclusiva. Teve uma lesão no ínicio da partida e saiu pouco depois. Ainda assim, os poucos lances de possível avaliação não foram positivos.

Iuri – Acompanhou a tendência do que tem sido o seu trajeto nesta pré-época em Alvalade. Vai conseguindo criar algum desequilíbrio, mas dá a sensação que quando pára para pensar a jogada, já vai “longe” do resto da equipa. Precisa claramente de entrosamento.

Jonathan – Um jogo ao seu nível. A qualidade técnica que parece ter, acaba por se anular com as falhas de posicionamento e de ansiedade durante a partida. Falhou no segundo golo.

Tobias – Parece ser aposta de Jesus para esta época, mas o mesmo não mostra melhorias. Forte nos duelos, mas com erros “de base” que custa a perceber a falta de evolução nesse processo.

Bruno Fernandes – Menos exuberante que nas outras partidas (também foi um jogo com uma “história” diferente), mas mais uma vez a mostrar que é o reforço com mais qualidade. Muita qualidade com bola.

Acuña – Depois de ser titular frente aos monegascos, hoje apresentou-se num nível menor, o que era esperado. Ainda assim, mostrou que sabe tratar bem a bola, e soube interpretar as várias fases do jogo.

Podence – Entrou na segunda parte, e mesmo estando pouco em jogo, voltou a mostrar bom entendimento com Gelson na ala direita. Neste momento parece estar à frente de Alan Ruiz, nos planos de Jorge Jesus.

Gelson Dala – Poucos minutos em campo, mas o suficiente para se perceber que está numa fase de maturação tática. Mostrou que além do drible, começa a saber jogar de “costas” para o jogo e esperar pelos apoios.

Fernando Costa

Redação Bola na Rede · ver artigos