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Sporting CP 1-0 CF ” Os Belenenses”: Jesus já merecia um minuto 92 assim

João V. Sousa · 4 min

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Boavista, Estoril, Arouca, Benfica para a Taça, Lokomotiv… Nos últimos tempos, a necessidade do Sporting correr atrás do resultado tem saltado à vista. Se a urgência em marcar tem tido um final feliz para os leões, não é menos verdade que um clube não pode ficar à espera que a sorte lhe sorria invariavelmente. As dificuldades recentes em desfeitear os blocos baixos dos adversários deixavam antever que, mais cedo ou mais tarde, os leões iriam soçobrar. E isso esteve prestes a acontecer hoje… até que uma mão de Tonel na área belenense, aos 92 minutos, coroou de êxito uma exibição pouco conseguida da única equipa que quis jogar futebol. Se é verdade que, como referiu Jorge Jesus na conferência de imprensa num claro elogio ao adversário, “saber defender também é uma arte”, não é menos verdade que uma outra arte, a de atacar, esteve exclusivamente a cargo do Sporting. Os leões são, pois, um vencedor tão feliz quanto justo. E a “estrelinha” continua… até ver.

O Belenenses, depois de encaixar 14 golos no somatório das deslocações à Luz (6-0, ao Dragão (4-0) e a Braga (4-0), teria forçosamente de limpar a sua imagem. Ainda com esses resultados bem presentes na memória, a equipa de Ricardo Sá Pinto apresentou-se bastante expectante e resguardada, tentando primeiro privilegiar a solidez defensiva, resistindo ao ímpeto inicial verde-e-branco e só depois pensando em sair para o contra-ataque. Porém, a qualidade de Kuca, Sturgeon e Luís Leal, os três homens da frente da equipa da cruz de Cristo, talvez pedisse um melhor aproveitamento dos espaços que os leões, em busca do golo, iam deixando nas suas costas. O meio-campo azul, talhado sobretudo para resistir e não tanto para construir, raramente conseguiu municiar o sector atacante de forma efectiva – e Sá Pinto talvez até nem tenha ficado demasiado preocupado com isso.

Já o Sporting fez uns primeiros quinze minutos agradáveis. Os homens de Jorge Jesus entraram mandões e com muita bola, num período em que sobressaiu a qualidade técnica e visão de jogo de Fredy Montero. Contudo, as oportunidades criadas eram escassas. Ao longo do primeiro tempo, nota apenas para um tiro do colombiano bem encaixado por Ventura, um remate defeituoso de William para a bancada e uma jogada diabólica de Bryan Ruiz, sempre em pezinhos de lã e a fazer lembrar Pedro Barbosa, até mudar de velocidade e passar entre dois adversários dentro da área. Valeu ao Belenenses a grande defesa do seu guardião. Se o colectivo verde-e-branco não aparecia, as individualidades tentavam fazer a diferença. E que golo memorável teria sido o do costa-riquenho…

 Mesmo não tendo feito um grande jogo, Fredy Montero foi quem mais se destacou Fonte: Sporting CP
Mesmo não tendo feito um grande jogo, Fredy Montero foi quem mais se destacou
Fonte: Sporting CP

Na segunda parte a toada manteve-se e Jesus lançou Gelson, em busca da agitação que tinha conseguido imprimir no jogo da Taça com o Benfica. O inexistente ataque belenense tornou imperativa a entrada do extremo que, contudo, não teve um dia feliz – Matheus Pereira, que foi a jogo um pouco mais tarde, conseguiu dar mais nas vistas, ainda que a espaços. Montero foi perdendo algum gás mas foi quem mais perto esteve do golo, com um remate cruzado após grande recepção. O Belenenses, porém, resistia, até que, para lá da hora, um penálti inequívoco de Tonel permitiu a William Carvalho dar os três pontos à sua equipa. A vitória do líder Sporting é justa, mas os golos não irão cair do céu para sempre. Ou a equipa encontra uma forma de contrariar alguma previsibilidade excessiva, ou o filme de hoje vai repetir-se, mas com um final fatalmente diferente e menos abonatório para a formação de Jorge Jesus.

Seja como for, os leões conseguiram uma vitória saborosa que os mantém isolados no comando do campeonato, à entrada para Dezembro. Já o Belenenses, apesar da derrota, atirou para trás das costas o fantasma das goleadas sofridas com os grandes e provou que tem capacidade para estragar os planos às melhores equipas – ainda que a estratégia passe unicamente pela tal “arte de defender”.

A Figura:

Fredy Montero – Ninguém fez um grande jogo, mas o colombiano foi quem mais se destacou. Na primeira parte baixou bem no terreno para ir buscar jogo e fez uso da sua inteligência para lançar os colegas, na segunda perdeu gás mas chegou a estar perto do golo. Numa equipa por vezes demasiado estática e com clara falta de um “abre-latas”, foi ele que emprestou alguma irreverência e imprevisibilidade.

O Fora-de-jogo:

Jonathan Silva – Assim como a figura pela positiva não fez um grande jogo, também o destaque pela negativa não comprometeu em demasia. Mas o Sporting sentiu falta da profundidade que Jefferson dá, e isso é o pior que se pode dizer de um habitual suplente. Jonathan esteve algo preso de movimentos, poucas vezes explodiu pelo flanco como o seu homólogo brasileiro e, mesmo tendo em conta que o adversário quase não atacou, notou-se-lhe um ou outro ligeiro deslize a defender. O argentino pode evoluir, mas a falta de jogos hoje prejudicou-o. William Carvalho também ainda não está na sua melhor forma.

Foto de Capa: Sporting CP

João V. Sousa

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