“Mais uma voltinha, mais uma viagem/ fim de semana é para ganhar coragem”: Sérgio Godinho, eterno intérprete da música portuguesa e sportinguista, afirmou que a vida era feita de pequenos nadas. Sendo ele adepto de um clube ao qual se alvejam textos trocistas, comentários escabrosos e piadas que começam a causar irritação pela repetição (a do ano após ano, evidentemente), adivinhou e imbuiu-se do seu jeito premonitório para transmitir a mensagem nas famosas entrelinhas – portentosas no tempo do salazarismo – e vingar a sede que a massa adepta do Sporting CP (com ele incluído) tem para vencer.

Com a promessa de que farei a graça pela última vez, explano o trecho da canção, falando (escrevendo!) “sportinguez”: “mais um aninho, mais uma espera/ o verão serve para alimentar a quimera”. O título está em falta e não é minha intenção repetir que o Sporting CP, ultimamente, se faz de pequenos nadas. Esta lírica – tal como a arte, o objeto da poesia está nos olhos de quem a lê – pode ser alavanca e matéria esperançosa para a mudança. A parceria na lírica, a melodia e a interpretação está ao seu encargo. “Dar Rumo ao Sporting”!

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A temporada atual está a esgotar-se. O campeão está encontrado, as faixas encomendadas. O Sporting, símbolo da solidariedade, uniu-se ao FC Porto. Luta, com o SC Braga, pelo terceiro posto na tabela classificativa. (mensagem inicial do videoclipe)

A época começou mal, Bruno Fernandes colocava água na fervura, mas rapidamente tudo esquentava. Ele saiu do puzzle disperso. Encontrou-se Acuña, Vietto e Coates (no qual recaíam a maioria das responsabilidades por não existir um tampão na zona central do terreno). Wendel ressuscitou com a chegada de Amorim. Com o técnico português, a equipa melhorou. Vi pressão aquando da saída de bola adversária, triangulações bem desenhadas e a busca pelo espaço vazio, velocidade, jogadas ensaiadas, meio campo com músculo superior, posse de bola, mais remate, três centrais e corredores vagos, juventude aguerrida e com potencial. (primeira parte da música).

O jovem técnico quer afinar a música leonina
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

A promoção das renovações de contratos: Coates, Vietto, Acuña e Wendel são essenciais no Sporting de Amorim e na peleja pelos objetivos a que a equipa se proporá. São as peças mais experientes, com mais tarimba tanto nacional como internacionalmente dentro do plantel e são as únicas capazes de capitanear um grupo em que a jovialidade impera. Além disso, servirão de inspiração e fontes de onde a nova casta pode bebe: a confluência, a mistura do sangue novo com aquele que, aliado a si, se pode regenerar. (refrão)

A compra de jogadores: A manobra 2020/2021 tem tudo para ser… aquilo a que nos habituaram. Raramente se acerta numa transferência e, quando se acerta, a venda posterior é feita por uma pechincha. Quem procuramos, prefere os rivais. Quem vem, entra automaticamente no quarto dos flops e despe-se. Aliás, o Sporting atingiu o cúmulo rapidamente: por exemplo, mesmo com Slimani, Bryan Ruiz e Téo Gutiérrez, a turma leonina conseguiu e fez o esforço de não se sagrar campeã nacional. A compra, analogamente ao patamar de azar/incompetência, necessita de uma reformulação. Comecemos, primeiramente, por jogar no Euromilhões… (segunda parte da música).

A venda de jogadores:  Eduardo, Borja, Doumbia, Rosier, Ristovski, Ilori, Neto e Rafael Camacho não podem incluir o estágio sequer. Já não existe pachorra (falo por todos, evidentemente) para aturar tanta incapacidade, tanta inaptidão, tanto conformismo nas movimentações, tanta irracionalidade com ou sem bola, tanta falta de tudo. (terceira parte da música).

A aposta nos jovens: o tão imponente pódio devemo-lo aos miúdos. Os reforços de 2019/2020 dificultaram ao máximo essa tarefa. Os miúdos, a mando de Amorim, vieram acalmar o incêndio. Nuno Mendes é tão límpido como água. Eduardo Quaresma necessita de amadurecer com Coates e outros de companhia equânime. Matheus Nunes não engana e é o jogador que defrontou o FC Porto. Joelson precisa de confiança e de perder o medo. Tiago Tomás, o mais verde e talvez por faltar um ponto de lança puro (!), seja o mais envergonhado. (mensagem final e síntese).

Um hit de verão que rebusca os momentos finais da época anterior e que introduz a vindoura. Estreia brevemente, nos noticiários e redes sociais perto de si.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão