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O clube originário de Alvalade é um clube formador e vendedor obrigatoriamente. Não para se poder gabar de ser o clube que mais e melhor vende (e neste caso é relativo), mas porque é obrigatório fazê-lo para conseguir equilibrar as suas contas. Porque um clube de um país com dez milhões de habitantes, ainda que distribuídos por apenas três clubes (pronto, retiro daí um milhão dos que são exclusivamente adeptos/sócios da sua região – com muito boa vontade), e com pouca visibilidade em países “consumidores de futebol” nunca poderá gerir-se apenas com cotizações, patrocínios e “merchandising”. (Se nem o que tem mais adeptos neste rectângulo consegue…)
Felizmente, e apesar de já não serem muitos, alguns dos jogadores que saem de Alvalade prometem um dia voltar ao seu clube de coração. Desses, muitos esquecem-se disso logo no dia seguinte, mas há sempre os que efectivamente regressam, seja a título definitivo ou por empréstimo. E pouco importa agora se voltaram apenas porque as coisas não lhes correram bem noutras paragens. O que importa é se, quando voltaram, deram tudo pelo clube, e acrescentaram algo com o seu contributo.
E partindo desse pressuposto, propus-me a fazer um TOP de jogadores que considero terem acrescentado algo após o regresso. Assim, e porque não foram muitos os que voltaram, vou apresentar cinco nomes de jogadores que vi jogar, e com alegria vi voltarem para envergar a verde e branca listada. Desde já informo que João Mário não constará porque, apesar de eu gostar do jogador e lhe reconhecer uma enorme qualidade ainda não sei como será a sua prestação (tenho a certeza que ajudará muito).
5.
ThrowbackThursday?src=hash&ref_src=twsrc%5Etfw”>#ThrowbackThursday para quando Marco Caneira fez este golo frente ao Inter! pic.twitter.com/twuzkwpaxg
— Sporting Clube de Portugal (@Sporting_CP) October 20, 2016
Caneira – foi um daqueles miúdos saídos da academia que passou por diversos empréstimos até ser vendido ou sair a custo zero. No caso em concreto, saiu para a Regina de Itália em 2000. Regressou por duas vezes ao Sporting. Em 2005/2006 emprestado pelo Valência, por dois anos e em 2008/2009, a título definitivo. Quando falo de Caneira, vem-me sempre à lembrança aquele pontapé do meio da rua contra o Inter de Milão a contar para a “Champions”. Só por isso já valeu a pena voltar.
4.

Hugo Viana – Calma para os “haters” que estão contra tudo e todos desta direcção. Eu também não sou apoiante, mas estou aqui a falar de jogadores, e o seu contributo para o clube nessa vertente. Hugo Viana tinha um controlo de bola fantástico, um remate poderoso, e dava gosto ver jogar. Podia ter alguma falta de intensidade, como muitos bons jogadores, no entanto não lhe podemos negar a classe que apresentava quando a bola lhe chegava aos pés. À custa disso, saiu para o Newcastle em 2002/2003. Duas épocas depois voltou a Alvalade por empréstimo do clube inglês tendo marcado 10 golos em 45 jogos.
3.

Sá Pinto – Este senhor, também conhecido por dar uns “calduços” valentes a quem ele considere estar a merecer, foi, em termos de entrega e raça, um dos jogadores que mais se identificou com o clube e adeptos. Ele morria em campo, se uma vitória do seu clube disso dependesse. Vindo do Salgueiros, ingressou no Sporting CP em 1994/1995. Durante três anos defendeu a camisa do leão rampante como poucos. Saiu depois para a Real Sociedad. Mais três anos passados e regressa a Portugal, rumo a Alvalade. Ainda comandou o clube como treinador, numa época muito difícil. E daí surgiu a célebre “Aperta com eles, Sá Pinto”. E este seria o homem ideal para apertar com eles. Se todos corressem o que ele corria para ajudar o seu clube…
2.
No Dia Mundial dos Oceanos recordamos o nosso 🌊 pic.twitter.com/TudTpH3qIW
— Sporting Clube de Portugal (@Sporting_CP) June 8, 2017
Oceano – Outro senhor que defendia as cores do nosso Sporting CP como poucos. Um dos capitães eternos que lutava como leão naquele meio campo. Como o Sá Pinto, também ele saiu para a Real Sociedad em 1991 e regressou a Alvalade em 1994. Foi titular em grandes equipas do Sporting, cheias de talento, que precisavam de músculo no meio campo. E esse músculo chamava-se Oceano. Outra semelhança de Oceano com Sá Pinto é que, também ele veio treinar o clube num momento conturbado. Quando se faz por amor não se explica. Coloco o médio defensivo à frente do extremo, porque considero que, após o regresso fez quatro épocas muito regulares enquanto que o Sá fez apenas duas (de seis) em que conseguiu participar em mais de 30 jogos.
1.

Nani – também ele, veio ajudar o clube num momento difícil. Mostrou que defenderá o clube contra tudo e todos, mesmo que seja contra quem manda (muitos defendem que aquele símbolo invertido tinha um significado). Desportivamente notava-se que a equipa crescia sempre que ele jogava. E sabíamos que tínhamos ali um jogador que a qualquer momento podia resolver o jogo. Coloco Nani no topo, na frente de Oceano e Sá Pinto, pelo estatuto com que voltou. Ou seja, era ainda um jogador com muito mercado internacional e escolheu vir jogar para o clube de coração. Depois de terminar esta pequena listagem de regressos, fico com a sensação que quase todos viram cortada a sua ligação com o clube de uma forma pobre. Dos últimos três, principalmente, dois saíram do Alvalade como treinadores que não conseguiram ter sucesso desejado, e outro que foi empurrado do clube. A meu ver não mereciam ter ficado com esta marca. O clube tem de aprender a valorizar e compensar quem o tenta ajudar. Felizmente, muitos de nós ainda têm memória. Termino deixando-vos o desafio de redistribuírem este TOP, ou fazer um vosso com novos nomes. Por mim, pelo menos os do pódio ficariam os três em primeiro. Como não era possível, tentei encontrar alguma justificação para esta distribuição.














