Sporting CP | Reflexão sobre o que o sócio quer para o clube

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Sócios do Sporting CP chumbam contas e orçamento

Há uns dias atrás, os sócios leoninos foram chamados a votar democraticamente alguns pontos sobre o futuro do clube. Uns foram aprovados, e outros o contrário, como é normal acontecer quando submetemos qualquer tomada de decisão a sufrágio. E, apesar de nos custar aceitar algumas decisões validadas pela maioria, temos de as aceitar.

Ora, Frederico Varandas não gostou que os sócios tivessem reprovado o orçamento, e sugeriu que os mesmos reflitam sobre o que querem para o futuro do clube. Esta afirmação deu-me a entender que o nosso dirigente máximo ache que os Sportinguistas tomaram essa decisão sem refletir devidamente, considerando, assim, que foi extemporânea. Será, então, que achou o mesmo de outras posições tomadas pelos mesmos sócios? Ou por lhes terem sido favoráveis já não precisão de reflexão mais aprimorada?

O problema deste e de quase todos os dirigentes é acharem que os sócios são como qualquer rebanho que segue o caminho que lhes é indicado, sem pensarem e questionarem, e por, ocasionalmente, estarmos a ter resultados positivos no futebol (porque em outras modalidades nunca deixámos de os ter) já aprovaríamos toda e qualquer proposta que nos colocassem na frente.

O que este dirigente não se recorda é que, como escreveu há uns dias um notável associado, se os sportinguistas se regessem e revelassem empatia apenas pelos resultados desportivos do futebol, já há muito que não haveria clube para ser dirigido.

Portanto, o que eu queria mesmo era que fossem os dirigentes a reflectir sobre o que realmente querem para o bem do clube, e só do clube.

Gostaria de ter um Sporting em que os dirigentes não se servissem dos erros ou falhas dos outros para se valorizarem, e o fizessem apenas através das suas boas decisões. As heranças trazem sempre aspectos positivos e negativos, e lembrar apenas estes últimos sem reconhecer o que os primeiros lhes permitiram alcançar é apenas intelectualmente desonesto, ou querer fazer dos sócios intelectualmente fracos.

Ambicionava um clube que não se sirva de um título no futebol para capitalizar o seu futuro no seu posto, mas aproveitar para alavancar as capacidades financeiras e desportivas que possibilitem muitos mais títulos no futuro próximo.

Aqui os sócios, depois de reflectirem, gostariam mesmo muito de não ter um clube em que as oposições se façam nos corredores de Alvalade a preparar golpes de estado, e se fizessem antes nos locais devidos, debatendo ideias, dando opiniões e soluções. Que quem dirige, aceitasse que não serão apenas as suas ideias as mais válidas, e tivessem em conta as sugestões exteriores, conseguindo ter, assim, uma visão mais abrangente no momento das tomadas de decisão.

Mas eu queria também que não fossemos um clube de constante contestação, em que vemos conspiração em tudo o que é decidido por quem podemos não considerar a “nossa” direcção”. Estarmos constantemente a criticar tudo, apenas porque não gostamos de alguém, retira-nos a credibilidade para dar opiniões que consideremos efectivamente importantes nos momentos que possam decidir o futuro do Sporting. A oposição deve ser feita nos momentos certos, e lugares devidos, se houver motivos para isso.

Quando no clube se faz barulho constantemente, passa a ser apenas isso mesmo. Barulho. Ruído a que mais ninguém dá atenção, e deixam de considerar importante. Portanto, quem achar que deve contestar, faça-o de forma objectiva e consciente de que será ouvido e considerado relevante.

O que eu queria mesmo era um clube que ganhe todos os jogos em todas as modalidades, que seja efectivamente como os maiores da europa e do mundo. E, para isso, sejam dirigentes ou sócios, devem votar e decidir apenas com o intuito de fazer o melhor para o Sporting e não para os próprios bolsos, currículos ou interesses. (Até porque, segundo se diz, dirigir o Sporting não dá assim tanto dinheiro. Ganha mais o médico do clube. Por isso é que ainda não entendi, até hoje, a decisão de determinados médicos. Espero que tenha sido só e apenas por amor ao clube. Não vejo outro motivo.)

Tenho a certeza de que depois de todos os sócios reflectirem, vão querer apenas uma coisa, independentemente de votarem sim ou não. Vão querer o Sporting sempre mais forte. O MAIS FORTE. E o presidente já o devia saber, porque é o que ele, como sócio, com certeza também quererá.

Artigo revisto por Joana Mendes

Nuno Almeida
Nuno Almeidahttp://www.bolanarede.pt
Nascido no seio de uma família adepta de um clube rival, criou ligação ao Sporting através de amigos. Ainda que de um meio rural, onde era muito difícil ver jogos ao vivo do clube de coração, e em tempos de menos pujança futebolística, a vontade de ser Sporting foi crescendo, passando a defender com garras e dentes o Sporting Clube de Portugal.

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