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Apesar das intenções de cada um dos intervenientes, há um aspecto que já se concretizou e observa no universo leonino, que é a divisão dentro do clube e entre adeptos e sócios. Apesar de tudo, esse extremar de lados pode não ser tão efectivo como se pode fazer parecer quando observamos grupos de debate afectos ao Sporting, até porque muitos dos que lá publicam, de tanta vontade em denegrir o clube e os órgãos sociais, deixam cair a máscara com que se tentam camuflar, mostrando muitas vezes que não são pelo clube, mas contra este ou aquele individuo.

Fonte: Os Magos do Bairro Social
Observando com cuidado várias “pessoas” que de repente se tornaram assíduos na publicação de posts, percebemos que os mesmos surgiram de repente em vários grupos, muitas vezes com imagens de perfil alusivas ao Sporting, ou mesmo sem foto, mostrando que foram criados essencialmente para aquela finalidade. Viu-se também o surgimento de muitas senhoras a comentar (não digo que isso não deva acontecer, até porque dá muito mais “colorido” ao desporto) e a replicar notícias. Espero apenas que esta guerra que se criou não justifique o “rapto” de perfis de Facebook com o único intuito de criar confusão e tentativa de manipulação da opinião publica.
Digo isto porque acho estranho que um verdadeiro sportinguista, após uma vitória do Sporting, daquelas que nos garante um título, tenha como único pensamento ir para um grupo de apoio ao clube publicar um insulto às pessoas que gerem o clube, ou lançar suspeições sobre uma ou outra parte da barricada. E pior que quem publica, são os que se deixam levar pelo objectivo desse “sportinguista” e permitem que se retire a importância que cada vitória e conquista do nosso clube deveriam ter.
Nós, os simples adeptos e sócios que apenas estamos interessados em ver o nosso clube ganhar no campo, ringues e pistas, tornamo-nos em simples joguetes desta informação e contra-informação, sem poder confiar em qualquer comunicação que nos seja fornecida, de dentro ou fora do clube, e talvez o intuito até seja esse, tentando descredibilizar tudo o que possa surgir. Assim, nós temos apenas de seguir a nossa intuição, mente aberta e espírito crítico a toda qualquer informação ou opinião, seja de quem for. Devemos analisar os factos e tirar as nossas conclusões.
Por tudo isso, e por ainda não saber quem é o verdadeiro culpado das agressões, seja ele moral ou real, não sabendo se houve mesmo corrupção ou foi apenas um arrependimento pago, talvez bem mais que por dois ou três mil que andávamos a pagar, terei que ir pela observação do que melhorou ou não no nosso clube com a actual direcção. Tenho de tentar perceber o que de tão mau se efectivou no clube devido a estes últimos três meses no futebol, para colocar em causa um projecto que deu e continua a dar tantas conquistas nacionais e internacionais (se as modalidades não fossem realmente importantes num clube, como agora andam a tentar querer parecer, já ninguém apostava nas mesmas, estando já extintas). Portanto caberá a cada um chegar às suas conclusões, ainda que eu tenha consciência que para muitos o Sporting exista apenas aos fins de semana quando há jogo de futebol, para ir comer umas bifanas, beber umas “jolas”, insultar rivais, e poder sair dali com mais um motivo para poder humilhar os seus amigos adeptos do clube rival por mais uma semana. Ser do Sporting é muito mais que isso, aviso já, pelo menos para mim.
Essa manipulação que falei anteriormente não se resume a blogs e grupos, mas também à comunicação social portuguesa, até porque muitas vezes estes aproveitam matérias da blogosfera para fazer as suas matérias diárias, quando penso que deveria ser sempre ao contrário. Mas é o que temos actualmente, e é o caminho que quem manda nesses grupos de media escolheram, e só o futuro nos dirá se foi o certo. O modelo agora é lançar temas para perceber os que criam maior debate e poderem escolher o alvo preferencial. Por causa deste ruído em volta do Sporting, o alvo passou a ser o clube leonino, deixando, convenientemente, para segundo plano “emails” e “etoupeiras”. Ora, se eles já não falam muito disso, e vêem que o pessoal deixou de replicar e comentar, vão deixar mesmo de lançar notícias sobre o tema, e continuarão a insistir no Sporting enquanto isso lhes der audiência, likes, tags, referências, publicidade, no fundo. Aquele órgão social que tem no seu painel um palmelense, que estava praticamente falido, nunca deve ter tido um mês como o actual, e pode agradecê-lo a nós, e aos que nos querem ver extintos.

Fonte: Sporting Clube de Portugal
Isto tem de terminar, e têm de ser os verdadeiros sportinguistas a fazê-lo, não os que usam o clube como um meio para atingir um fim (veremos se em momento que poderíamos finalmente, depois de muitos anos, ficar com controlo total do clube, não ficaremos nas mãos de um accionista com interesses duvidosos – não, não estou a falar de bancos). E, para mim, isso só acontecerá com eleições antecipadas, que terão de acontecer, nem que seja para retirar força à oposição que se perfila no clube, e não deixará de lançar ataques até que os sócios legitimem mais uma vez quem eles querem efectivamente na frente do clube.
Entendo, no entanto, que, a haver eleições, deveria ser apenas após o início da época para que se possa, pelo menos, dar continuidade ao projecto que está implementado (que será sempre mais produtivo do que iniciar um novo em cima do joelho para a época que se está a começar). O presidente tem de se submeter ao escrutínio dos sócios (bem sei que está legitimado desse há bem pouco tempo e com uma esmagadora maioria) nem que seja para ter a ajuda dos sócios a limpar a casa, porque penso que será para isso mesmo que estas eleições serviriam. A oposição, tendo essa intenção, e como está a lutar apenas pelo bem do clube, deveria esperar para que a estruturação financeira estivesse concluída, e aí, optando mesmo assim por concorrer, estariam muito mais legitimados por estarem livres da imagem de se estarem a querer aproveitar apenas de o clube para o poder controlar e usar para objetivos próprios. Se avançarem depois da reestruturação, todos acreditarão que não criaram esta crise apenas para não perderem a sua quota.
Falo por mim, e digo que já não sei em quem acreditar e confiar, e se todas as partes recuassem um pouco, como falei anteriormente, a bem do clube, teríamos com certeza uma campanha muito mais assertiva e elevada.
Mas havendo eleições, cuidado com quem escolhem.
Sabendo nós dos jogos de bastidores no futebol português, e tendo conhecimento da jogada que um dos clubes intervenientes tem para dominar todas as esferas de influência e decisão do futebol e do país, e sabendo também que muitos dos notáveis sportinguistas têm ligações ao nível do estômago e papilas gustativas com o nosso rival, podemos correr o risco de, nas próximas eleições, se as houver, estarmos a colocar à frente do nosso clube alguém já predisposto a “vender” o Sporting a outros. Os nossos atletas, os nossos jogos. No fundo tornarmo-nos apenas mais um clube satélite de outros, como já acontece desde o quarto lugar da tabela classificativa para baixo.
Uma coisa é certa, podemos ter um presidente, louco, maluco, egocêntrico, com tiques de ditador, mas com ele temos a certeza de que mais ninguém põe a “pata”, porque o principal objectivo será ter sempre o Sporting na frente (ainda que seja remunerado, e possam dizer que está ali apenas porque não consegue nenhum outro “tacho”). Com ele, o Sporting nunca entrará na geringonça que existe no futebol nacional, e talvez por isso seja tão incómodo.

Fonte: Sporting Clube de Portugal
Lembram-se porque Marco Silva saiu do Sporting? Também não concordei com a forma, mas parece que tinha uma agenda própria e adora outras cores, o que seria um facilitador para entrar no tal esquema.
E por muito que se tenha razão em dizer que Bruno de Carvalho teve culpa moral nos ataques, já se percebeu também que alguns órgãos de comunicação talvez soubessem mais dos que contam mesmo antes de o mesmo acontecer. Essa comunicação tinha tudo delineado, desde um post de um Boaventura qualquer, para lançar constantes ataques durante duas semanas inteirinhas ao clube e ao presidente. A primeira fase está praticamente cumprida, a de passar toda a falsa informação para denegrir. A fase dois está agora a começar, em que surgem provas que desmentem cada mentira lançada e não é minimamente relevada pela mesma comunicação. Ou seja, no fim das contas, mesmo sendo provado que nenhuma das notícias eram verdadeiras, o que ficará no subconsciente da opinião pública, pelo massacre de duas semanas, é que tudo aquilo é verdade sem que tenha sido desmentido.
No fundo, não nos podemos levar por comunicados, noticias, informação, posts, ou artigos de comunicação (como este). Devemos antes analisar coisas concretas, do que éramos há uns anos atrás, do que somos agora (e não falo apenas de futebol, ainda que gostem de dar apenas ênfase a isso quando dá jeito), e perceber se efectivamente estamos assim tão mal como nos querem “vender”. A esta hora já não deveríamos ter equipa de futebol, mas até ver parece que vamos ter pelo menos 11 para entrar em campo.
Foto de capa: Sporting Clube de Portugal
Artigo revisto por: Beatriz Silva








