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Sporting e as prima-donas

Nuno Almeida · 3 min

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Há uns dias atrás, ouvi uma opinião sobre as palavras do presidente do Sporting para os jogadores com a qual me revejo, o que me preocupa e deixa apreensivo.

Alguém dizia que Bruno de Carvalho, ao dizer que alguns jogadores são prima-donas, tem toda a razão e que, por isso mesmo, não as deveria ter proferido em praça pública. Parece contraditório, mas faz todo o sentido. Os jogadores são (os que jogam em grandes clubes e têm qualidade superior), na sua maioria, miúdos que tinham pouco e de repente se viram com muito, ou tudo o que querem. Passam a ser idolatrados, mimados, com todos os luxos e desejos que todos imaginam ter um dia. Esses mesmos jogadores convencem-se de que podem ter o que querem quando querem, e habituam-se a que nada lhes seja negado. Assim sendo, são pessoas com egos enormes difíceis de gerir, e que não são comparáveis aos recursos humanos de outra qualquer empresa.

Bruno de Carvalho criticou tudo e todos sem o cuidado de separar o ""trigo do joio" Fonte: Sporting CP
Bruno de Carvalho criticou tudo e todos sem o cuidado de separar o “”trigo do joio”
Fonte: Sporting CP

Ora, se um grupo de egos desse tipo vê alguém vir criticá-los, estando alguns deles a ser cobiçados por clubes estrangeiros que lhes podem dar melhores condições financeiras, os seus primeiros pensamentos serão de que, se não os querem, eles mudam-se. Ou seja, nesta equação em que estamos a tratar com recursos humanos que facilmente poderão encontrar outra entidade que os empregue, dificilmente os conseguiremos motivar com críticas públicas.

Assim sendo, e considerando eu também que muitos dos jogadores do Sporting, por serem criticados ou preteridos, amuam, acho que deveria existir alguém com formação em psicologia/sociologia que acompanhasse os jogadores e equipa técnica neste tipo de situações, e o presidente tratasse estes assuntos internamente com quem tivesse essa necessidade.

É que vir fazer as declarações em forma de exigência nem é o principal problema, mas sim vir generalizar, quer em termos de jogadores, quer em termos de modalidades. Estando a colocar todos no mesmo “saco” pode ter só consequências negativas. Os que não estão a dar o máximo amuam por saberem que os estão a criticar, e os que têm feito o seu trabalho amuam porque estão a receber o mesmo tratamento que os que não trabalham. E não venham dizer que quem paga tem direito de exigir, o que é verdade, mas há várias formas de o fazer, e algumas erradas, porque o ser humano reage de forma diferente conforme a situação e a personalidade. Não é linear.

Com certeza que deve haver exigência, mas cobrada nos momentos certos, a quem deve ser efectivamente cobrada, e em local próprio. Porque “apedrejar” no meio da rua nunca deu grande resultado.

Essencialmente eu quero um clube sem prima-donas, mas pessoas profissionais que trabalhem em prol do clube, todos em conjunto para um bem maior, o SPORTING CLUBE DE PORTUGAL. E agora não falo apenas de jogadores, mas de todos. Quero jogadores a dar o máximo pelo clube e pelos adeptos que os apoiam, quero um treinador que entende o clube onde trabalha e se adapte aos valores e politicas do mesmo, quero um presidente que delegue e não se meta em assuntos para os quais não tem formação adequada, e adeptos que não amuem com o clube quando o problema é com um ou outro jogador, um ou outro treinador, um ou outro dirigente.

Todos Juntos, a remar para o mesmo lado é a única forma de vencer Fonte: Facebook de Bruno de Carvalho
Todos Juntos, a remar para o mesmo lado é a única forma de vencer
Fonte: Facebook de Bruno de Carvalho

Tem que haver um meio termo, porque nem todos são maus, nem todos são craques, nem somos a melhor equipa do mundo um dia, nem somos a pior no dia seguinte, não temos o melhor central, médio, ou avançado do mundo, nem o pior porque falhou dois passes, dois cortes, ou dois golos no jogo seguinte, não se é o melhor treinador por uma equipa que joga bem, como não é o pior quando perde.

Quero um clube unido, com um caminho único. Não quero um clube gerido por egos, por caminhos individuais, pessoais. No fundo não quero prima-donas, sejam eles jogadores, treinadores, presidentes ou adeptos, porque os há em todos estes quadrantes. Quero que todos sirvam o clube, e não se sirvam do clube.

Se todos somos Sporting, e se todos fazemos do clube o que ele é, neste momento devo dizer que muito há a fazer e melhorar por todos. E só com união, remando todos no mesmo sentido, conseguiremos, senão que comecem a tocar os violinos, e botes ao mar…

Fonte de capa: Sporting Clube de Portugal

Nuno Almeida

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