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Sporting: Europeísmo ou Sensatez

Ricardo Gonçalves Dias · 3 min

Sporting: Europeísmo ou Sensatez
Foto: Sporting CP

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O palco da Liga dos Campoões parece ofuscar a realidade da Liga Europa, questionando o seu verdadeiro prestígio. Mas uma taça Europeia – sendo aquilo que realmente é: uma taça -, deve merecer o seu respeito. E é com esta noção que imagino a prestação do Sporting na Liga Europa. A Taça das Taças de 1964, embora contemplada num outro modelo de competição, é a pérola europeia do Palmarés Sportinguista. Juntar-lhe um outro troféu seria coroar em comprovação a demanda de José de Alvalade, representando a participação do Sporting na presente edição da Liga Europa a perseguição a esta consolidação.

Mas antes disso há que carimbar passaportes na Polónia e, também, perceber o impacto que essa possível participação terá nos restantes ramos da época. Se recuarmos ao ano fatídico da derrota caseira, o Sporting esteve perto de registar uma época de sonho. A prestação na antiga Taça UEFA conjugada com a boa campanha interna culminaram no paradoxo de não conquistar nada. Embora sejam questionáveis o desgaste, o esforço físico e a necessidade de diligenciar atenções de estudo para equipas do outro lado do Continente, há sempre uma ideia clara: a dinâmica da equipa é outra estando, ou não, numa competição externa. E sendo igualmente clarividente o facto de uma grande equipa ter que estar preparada para jogar a este nível, é preciso colocar nesta balança a principal prioridade leonina, interpretando o peso dos lados e retirando as ilações possíveis.

 

A parte boa: alguma crítica considera Jorge Jesus um treinador que despreza a Europa. Não encontro – num treinador que no passado, e num curto espaço temporal, levou uma equipa a duas finais da competição -, sustentação para esta ideia. A experiência de Jorge Jesus na competição traduz-se, por certo, numa mais valia para a forma de encarar as jornadas europeias, mesmo não tendo sido feliz a experiência no ano transato. Depois há a ditadura do sorteio, a resposta que alguns jogadores de segunda linha poderão dar e, ainda, a parte mais morosa do processo: a paciência para entender o que a competição nos dirá. Eu explico: é que torna-se fácil começar a elevar os ânimos numa competição deste tipo, caso as eliminatórias forem ficando para trás, enquanto o Sporting caminha para a frente. E, chegando aos quartos de final da Liga Europa, é impossível não acreditar. Até porque quem tem a Europa toda a tirar-lhe o chapéu depois de dois jogos de luxo contra o Real Madrid, pode perfeitamente ganhar a Taça.

Jorge Jesus tem em mãos a decisão sobre as prioridades futebolísticas do Sporting Fonte: Sporting CP
Jorge Jesus tem em mãos a decisão sobre as prioridades futebolísticas do Sporting
Fonte: Sporting CP

Agora, por seu turno, vamos à parte má: não tenho os dados estatísticos, mas arrisco que na realização de um inquérito aos sportinguistas, mais do que a maioria dos inquiridos preferia ser Campeão Nacional a vencer a Liga Europa. A não ser que se conquistasse as duas. Perante a bifurcação de hipóteses, os anos de jejum no Campeonato ditam que as forças devem ser direccionadas para a prova das provas, porque uma coisa é deter um plantel em força para uma competição, e outra é organizá-lo para jogos intercalados que aumentam cansaço e dão robustez ao calendário. Acresce-se ainda outra ideia: é forte a possibilidade de os adversários directos permanecerem na Liga dos Campeões. E confessando não existir qualquer réstia de rivalidade na seguinte análise, devo referir que sempre é maior a probabilidade, para uma equipa portuguesa, de sair mais cedo da Liga dos Campeões do que sair da Liga Europa, podendo resultar numa vantagem na calendarização alheia. E embora esta última parte pareça infértil para o sucesso do artigo, no que respeita a maratonas futebolísticas todos os dados contam.

Há, em suma, uma moeda de duas faces, que parece separar o lado emotivo do sportinguista que quer a equipa a lutar por conquistas em múltiplas frentes, do lado do outro sportinguista que não considera a divisão de esforços para além da luta pela conquista do Campeonato.

Foto de capa: Sporting Clube de Portugal

Ricardo Gonçalves Dias

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