Publicidade

Sporting, o Norte de Futebol Português?

Nuno Almeida · 3 min

Foto: Bola na Rede

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

sporting cp cabeçalho 2Desde sempre, na historia da humanidade, tem existido uma divisão cultural e sobretudo financeira entre norte e sul.

Para começar, o próprio mundo está dividido entre hemisfério norte e hemisfério sul, sendo que os países ricos se situam no Norte e os pobres no Sul. O mesmo acontece se dividirmos cada um dos hemisférios com países do Norte e do Sul, em que na América os sulistas saíram a perder (apesar de nesse caso ter sido bom), e na Europa os países do Sul continuam reféns financeiros do Norte.

Com todos estes indicadores históricos percebemos que o norte manda, o Sul obedece. Mesmo em Portugal é reconhecido que o poder financeiro se situa no Norte.

Também no futebol o poder financeiro faz a a diferença Fonte: financefootball.com
Também no futebol o poder financeiro faz a a diferença
Fonte: financefootball.com

O Sul sempre foi “obrigado” a pedir ajuda ao Norte, ao que estes sempre responderam de forma positiva, não como forma de bom samaritano (era só o que faltava. Esses são do Sul), mas uma ajuda que lhes permita que os do sul fiquem eternamente dependentes do norte. É a historia de “não lhes dês peixe, ensina-os a pescar”, mas só se o peixe for de um mar do Norte com cotas.

Não quero com isto estar aqui a exorcizar os povos do Norte, até porque se têm essa riqueza é porque trabalharam para isso, e tiveram o mérito de o conquistar. Quero antes tentar mostrar aos povos do Sul, que aproveitem essa ajuda momentânea para alavancarem competências que lhes possam dar vantagens competitivas futuras em vez de se “agarrarem” ao ópio do dinheiro fácil.

Transportando isto para o futebol, e se o olharmos apenas pelo jogo jogado, diria que era um exemplo antagónico, em que os países do Sul se sobrepõem aos do Norte, onde vemos as selecções mais fortes alocadas na América do Sul, e onde as selecções do Sul da Europa se agigantam relativamente às do Norte. Fenómeno gerado pelo futebol de rua, alimentado por crianças pobres que não têm mais que uma bola de trapos para ocupar os seus dias.

Mas como em tudo, o futebol, ao tornar-se um negócio rentável, passa a ser mercadoria do Sul, comandada e controlada pelo Norte, em que a meritocracia deixa de ser a característica mais importante para encontrar os vencedores de um jogo que deveria premiar quem joga melhor.

Por tudo isto, e porque já o escrevi antes, acho que devemos juntar-nos aos fortes, no entanto o Sporting terá que, de uma vez por todas, reescrever este historial norte e sul, e ser suficientemente inteligente para se aliar sem ficar dependente. Porque temos já, na historia do Sporting, exemplos em que ficamos a perder nas relações com o Norte.

Ajudemo-nos sim, aliemo-nos sim, mas com inteligência para que no fim não passemos de mais um capitulo desta historia de um sul pobre explorado por um norte rico.

Não que nós próprios também já não o tenhamos feito, até porque em termos de poder, o Sporting está a norte de muitos clubes do futebol português, ainda que de uma forma menos dominante que outros concorrentes.

Para já, a aliança é essencialmente comunicacional Fonte: http://planete-sporting.blogspot.pt/
Para já, a aliança é essencialmente comunicacional
Fonte: http://planete-sporting.blogspot.pt/

Quero é que o Sporting aproveite a “aliança”, ou as tréguas, que conseguiu com o clube do Norte para ganhar influência suficiente, sem se deixar manietar em futuras decisões. Não quero receber favores que depois tenha que pagar com juros.

O Sporting tem que ser inteligente o suficiente para conseguir, através deste “tratado”, ganhar influência suficiente que o ajude depois a implementar várias das medidas que já apresentou e não viu aceites, e possa depois partir para a limpeza dos bastidores do futebol português (competência que deveria pertencer à federação, que nada faz além de lamentos), e devolva transparência à competição. Porque, como se viu, neste momento o Sporting, sozinho, ainda não tem influência para mudar o que quer que seja.

Mas como “Roma e Pavia não se fez num dia”, vamos insistindo e lutando, até que chegue o dia em que nos tornemos nós o Norte do Futebol Português. Não com o intuito de ajudar os do Sul, com o intuito de cobrar juros futuros, mas como “estrela do Norte” que ajude a guiar o nosso futebol, não à Luz, mas a um porto seguro, uma terra prometida em que todos os clubes tenham possibilidade de crescer, fazendo, consequentemente, crescer o campeonato dos actuais “campeões da Europa”, que por coincidência são um dos países mais a sul da Europa.

Foto de capa: Bola na Rede

Nuno Almeida

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.