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Após um jogo e vitória muito interessantes para a Taça da Liga, que marcou a estreia de Carlos Mané a titular, parece-me a mim que o Sporting, Bruno de Carvalho, Jardim e Inácio têm muito para discutir e reflectir.

Apesar da opinião válida (embora palerma) de Jorge Jesus de que o Benfica é o clube que melhor alia “formação” a “prospecção” (partilhada pela declaração mais ridícula e insultuosa para a formação do clube aquando da saída de Matic), o desempenho do extremo luso-guineense de 19 anos abre todo um debate em relação às opções para as alas da equipa da segunda volta do campeonato.
Contextualizando, o Sporting 2013-2014 desenvolveu, pela mão de Leonardo Jardim, um estilo muito próprio de futebol. Aquilo que no papel se parece muito com um 4-4-3 clássico desdobra-se no centro do campo com um triângulo escaleno entre Carvalho, Adrien e Martins, em que cada um deles faz muito mais (ofensivamente e defensivamente) do que típicos “6” “8” e “10”. Estes três elementos são responsáveis por fornecer constantemente as alas, tipicamente bem preenchidas pelos extremos e apoios constantes dos defesas laterais desinibidos a atacar.

Até aqui tudo bem. O meio-campo tem funcionado bem. Os laterais têm tido excelentes prestações sem comprometer as suas obrigações defensivas. A frente de ataque funciona, ora com Montero, ora com Slim, ora com ambos.

Passemos às alas.

André Carillo continua à procura da motivação (que se vai escondendo) para se juntar ao potencial que ele tem para se tornar o melhor extremo do país. Quando joga de início, o seu jogo equipara-se ao do mestre Kutuzov; quando entra do banco de suplentes (e lhe apetece), tem capacidade para surpreender e fazer a diferença.

Wilson Eduardo parecia a aposta certa, pragmática. Sem ser um enorme fora de série, tem capacidade para se superiorizar a 85% dos laterais adversários, assistir Montero com regularidade e contribuir com alguns golos. Ultimamente tem descido de forma – ainda estou a tentar perceber se é só uma má fase ou se esgotou o que tinha para mostrar este ano.

Capel continua a ser um favorito das bancadas de Alvalade. A sua entrega ao jogo e à equipa são inquestionáveis, mas alguma irregularidade e, por vezes, a sua ânsia em ajudar a equipa e fazer a diferença toldam a sua objectividade, prejudicando o seu contributo. (Quantas vezes já não gritámos todos “Solta a bola, Capel, solta a bola, Capel! Fod***, Capel… Soltavas logo, pá!”?)
Carlos Mané estreou-se a titular no último jogo. Marcou um gol… perdão… uma obra de arte, divertiu-se e deixou-nos a todos a sonhar com o próximo diamante à espera de ser polido pelo mestre Jardim. Aprendemos todos com a história do Armindo Tué, portanto, agora, vamos “fazer” este miúdo como deve ser.

Salomão parece-me menos pronto agora do que quando saiu para o Corunha. Se, na altura, não percebi o porquê do seu empréstimo, agora não percebo o porquê do seu regresso… Com 25 anos, parece-me que mais uns tempos em Espanha a jogar regularmente o poderiam colocar no patamar certo para ser uma opção séria para o onze inicial daqui a um ano ou dois.

Olhando para fora do balneário, há um nome que não deixa ninguém indiferente. Quando ouvi, pensei que fosse mais um rumor típico da nata jornalística nacional, mas depois de ler no Daily Mirror e no Telegraph que há intenção, quer do Manchester United, quer do Sporting, de concretizar o empréstimo até final da época, confesso que fiquei tipo miúdo na semana antes do Natal à procura dos presentes escondidos pela casa.

Nani, Luís Carlos Cunha de baptismo, tem perdido espaço no Man U pela subida de forma de Valência e aparecimento do miúdo prodígio Januzaj. O Mundial do Brasil está à porta e Paulo Bento está atento. Quaresma vai fazer tudo por honrar a família e roubar o lugar na extrema direita da Selecção. Nani precisa de jogar. O Sporting “precisa” de Nani. O seu talento é inquestionável e uma ligação sentimental à casa e ao país que o viram crescer pode falar mais alto que propostas estrangeiras financeiramente mais aliciantes para o jogador. Perante tudo isto, como reza a música de Hannah Montana, “what’s not to like?”

Nani
Nani – O regresso?
Fonte: SportingFans

Não me parece, porém, que haja caso para alarme. O Sporting está em segundo lugar do campeonato. Temos o melhor ataque, a melhor defesa, o melhor marcador e o melhor futebol da competição. Mas não acredito em que nenhum Sportinguista se importaria de ver a equipa com mais (e, sobretudo, melhor) talento dentro de campo. A ver se daqui a uns meses, com o desenrolar da época, podemos oficialmente redefinir objectivos para algo mais sério e aliciante.

SL

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O Jorge é uma espécie de "enviado especial" do Bola na Rede. A viver em Londres, acompanha religiosamente a Liga Inglesa e sofre de longe pelo seu Sporting. A distância não esmorece, porém, a paixão pela bela da bifana, pela imperial gelada, pela queijadinha de Sintra e por tudo o resto que é sinónimo de bola e de Portugal.                                                                                                                                                 O Jorge não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.