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Top 10: Números míticos do Sporting

Diogo Janeiro Oliveira · 12 min

Pedro Barbosa foi acusado de forçar o despedimento de Inácio Fonte: sporting.filtro.pt

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O futebol atual não está pródigo para a existência de muitos jogadores-ídolo. Cada vez é menos usual vermos um jogador estar durante muito tempo num clube.

Desde 1998/99, época em que comecei a acompanhar futebol, muitos foram os jogadores que gostei de ver jogar no Sporting, e é natural que existam aqueles números que me transmitem melhores sentimentos quando recordo a qualidade de quem já jogou com a camisola leonina. Seja verde e branca, amarela, lilás, branca, preta, laranja ou a clássica Stromp, todas elas já foram utilizadas com números míticos nas costas. São esses números e esses jogadores que vou revisitar neste Top 10. Na foto de capa podemos ver Pedro Barbosa. Apesar de a sua camisola 8 não estar neste Top, não quis deixar de fora um dos jogadores tecnicamente mais evoluídos que vi atuar em Portugal.

10º – Número 50

Fonte: Forum SCP
Fonte: Forum SCP

André Cruz foi o único utilizador de classe que me faz recordar a camisola 50. O central brasileiro, que veio de Itália para ganhar dois campeonatos nacionais, uma Taça de Portugal e uma Supertaça.

O seu espírito de liderança era notável, e isso notou-se inúmeras vezes dentro de campo ao longo das três maravilhosas épocas que o internacional brasileiro protagonizou em Alvalade. Ficaram famosos os seus livres diretos, teleguiados para dentro das balizas adversárias. Assim de cabeça e sem recorrer ao Youtube, lembro-me de golos fantásticos em Alvalade frente ao FC Porto e ao Real Madrid. Contudo, o que recordo com mais saudade foram os dois golos que apontou em Vidal Pinheiro, no jogo que confirmou o título de 1999/2000.  O brasileiro marcou uma era no Sporting e tocou-me de uma forma especial, pois foi um dos primeiros super herois que eu vi utilizar o manto verde e branco.

9º – Número 31

Fonte: vavel.com
Fonte: vavel.com

Liedson da Silva Muniz, ou Levezinho para os sportinguistas. Foi este o avançado que fez balançar as redes adversárias em Portugal durante oito épocas com a camisola leonina. Fez mais de uma centena de golos e venceu duas Supertaças e duas Taças de Portugal com a camisola do Sporting.

Foi por duas vezes o melhor marcador do campeonato nacional e ainda é o melhor marcador do Sporting nas competições europeias e o estrangeiro com mais golos apontados pelos “leões”, apesar de ainda se ter naturalizado português anos mais tarde. Só por isto, Liedson já tinha tudo para ser um verdadeiro ídolo dos “leões”. Além de todos estes atributos, ainda juntava uma especial apetência para marcar ao Benfica (conforme podemos comprovar na foto utilizada) e fazer a cabeça em água a Luisão, que se tornava pó de cada vez que defrontava o Levezinho.

Tornou-se mítico um cartaz em Alvalade que tinha a inscrição “Liedson Resolve”, em honra ao avançado que marcou uma geração em Alvalade. Fosse de cabeça, pé direito ou esquerdo, Liedson marcou golos de todas as maneiras e feitios em Alvalade.

8º – Número 25

Fonte: Forum SCP
Fonte: Forum SCP

Aqui começamos com as camisolas que me fazem recordar mais que um jogador marcante com a camisola leonina. Os últimos dois títulos de campeão nacional do Sporting, os únicos que eu vi, tiveram dois jogadores muito importantes a envergar este número: Ivone de Franceschi em 99/2000 e João Vieira Pinto em 2001/02.

O italiano apenas esteve uma época em Alvalade, a melhor da sua carreira. Veio emprestado pelos transalpinos do Veneza e viveu o seu melhor ano em Portugal. A sua contratação, ainda que por empréstimo, foi uma das poucas coisas positivas feitas por Giuseppe Materazzi o técnico também italiano que começou essa temporada nos comandos da equipa principal dos “leões”.

O outro protagonista, o que vemos na imagem, dispensa apresentações. Depois de ser capitão do SL Benfica, veio para o Sporting e formou uma das duplas mais temíveis de que tenho memória com o brasileiro Mário Jardel. JVP foi campeão e ainda ganhou uma Taça de Portugal e uma Supertaça nas quatro temporadas que efetuou de leão ao peito. Era um jogador consagrado e bastante dotado tecnicamente. Ainda marcou 32 golos pelo Sporting Clube de Portugal.

7º – Número 11

Fonte: Fórum SCP
Fonte: Fórum SCP

Este número é aquele que tem mais protagonistas a carregar consigo história do Sporting. Atualmente, é o “bombeiro” Bruno César que a ostenta, e tenho muito orgulho nisso. Sempre admirei B.César como jogador, mesmo na altura em que jogava no Benfica. O seu potente remate e a polivalência e excelente leitura que mostra ter no jogo fazem dele um jogador imprescindível para Jorge Jesus no atual plantel.

Ainda assim, desde que me lembro, existem mais três jogadores com boas memórias a ostentar este número na camisola: Beto Acosta, Rodrigo Tello e Diego Capel. O argentino foi o “matador” que ajudou a pôr fim ao jejum de dezoito anos sem ganhar um campeonato, em 2000. Depois de uma primeira época em Portugal, Acosta marcou 45 golos nas duas temporadas seguintes, tendo sido peça fulcral para a conquista de um campeonato e de uma Supertaça. Quando saiu, deu lugar a outra lenda, Mário Jardel.

Rodrigo Tello, um esquerdino chileno, foi o seu sucessor na utilização deste número. Em 2000/01, foi a contratação mais cara da história do Sporting CP até àquela época. Entre épocas regulares e espírito de sacrifício pelo clube, destaca-se um golo monumental que deu uma vitória em pleno Estádio do Dragão. Por fim, Diego Capel, o pequeno espanhol que foi um dos jogadores mais empolgantes que vi jogar, no verdadeiro sentido da palavra. O “Futre Espanhol” teve azar, pois esteve em Alvalade na era de Godinho Lopes, e nada mais viu a não ser um clube a arruinar-se. Contudo, era um dos melhores jogadores do plantel nos anos em que cá esteve e foi um dos principais alicerces da campanha europeia do Sporting em 2011/12, que terminou nas meias finais. Atualmente está a jogar no Anderlecht, da Bélgica. Tenho pena que Capel não tenha encontrado um Sporting mais estável, onde pudesse mostrar todo o futebol que tem nas pernas.

6º – Número 10

Fonte: Forum SCP
Fonte: Forum SCP

A camisola 10, a par da que tem o número 7, é das mais cobiçadas e idolatradas no futebol, a nível mundial. Contudo, no Sporting, são números quase amaldiçoados devido às lesões e aos insucessos dos jogadores que as têm vestido. Contudo, tenho de destacar este número, em homenagem a dois jogadores: Ricardo Sá Pinto e o utilizador atual, Bryan Ruiz.

Sá Pinto foi um histórico capitão leonino. O “Coração de Leão” teve duas passagens como jogador em Alvalade,e também já foi diretor desportivo e treinador, tendo sido o treinador na campanha europeia de 2011/12, acima citada no texto de Capel. Como jogador, Sá Pinto teve de lutar contra várias lesões, mas foi um jogador que sempre mostrou aquilo que tem faltado ultimamente aos jogadores leoninos: esforço, dedicação e devoção para conseguir, um dia, chegar à glória. Depois de ter saído em 1997 para a Real Sociedad, Ricardo voltou para conseguir finalmente ser campeão pelo seu clube, em 2001/02. Saiu do Sporting em 2005/06, quando já era capitão e uma das figuras do universo leonino. Depois dele, lembro-me de mais três bons jogadores com esta camisola: os saudosos Simon Vukcevic e Fredy Montero (espero que se aborreça rápido da China para voltar a Alvalade), e o destacado Bryan Ruiz.

O costarriquenho é o dono da camisola 10 na atualidade, e bem a merece. O seu futebol é de camisola 10, um futebol perfumado, artístico. Não existem diferenças entre um maestro que pega numa batuta e um Bryan Ruiz que pega numa bola. É um jogador simplesmente fantástico.

5º- Número 22

Fonte: Forum SCP
Fonte: Forum SCP

O Sporting tem estipulado o número 12 como o número dos adeptos. Daí não haver nenhum jogador a vestir a camisola com esse número. O 22 parece ser o número da garra. Isto porque, nos últimos anos, tivemos dois grandes sportinguistas a utilizar esta camisola: Beto e Marcelo Boeck.

O português esteve nos dois últimos campeonatos, formando duplas irrepreensíveis com André Cruz ou Phil Babb, por exemplo. Contudo, a primeia dupla que me lembro foi com Marco Aurélio. O próprio Beto diz que aprendeu muito com o brasileiro que foi seu colega em Alvalade, entre 1996 e 1999. Aliás, foi a jogar ao seu lado que se afirmou no Sporting. Ganhou dois Prémios Stromp e um Leão de Prata, o que prova o carisma que tinha e o afeto que o clube também teve, e continua a ter, por ele. Beto era um central duro e bem dotado tecnicamente, o que possibilitou que apontasse vários golos, fosse de cabeça ou através de livres diretos. Beto será sempre um dos grandes capitães da história do Sporting.

Mais recentemente, tivemos Marcelo Boeck, um guarda redes que veio do Marítimo e, apesar de nunca ter sido muito utilizado, conseguiu ficar no coração de muitos sportinguistas. Na memória fica a forma como Marcelo sempre viveu os jogos e como se impôs o balneário de Alvalade. Apesar de não ter nascido sportinguista, nem sequer português, Boeck soube aprender o que é o Sporting e será, com certeza, aclamado caso volte um dia a Alvalade, seja como jogador, seja para integrar a estrutura técnica no futuro. Marcelo será sempre um adepto sportinguista.

4º – Número 9

Fonte: Sporting CP
Fonte: Sporting CP

O número 9 é sempre associado ao goleador, ao matador que faz levantar as bancadas do estádio. O Sporting teve alguns números 9 de relevo durante os últimos vinte anos. Aqui vou destacar três nomes: Ivaylo Iordanov, Ricky Van Wolfswinkel e Islam Slimani.

O búlgaro foi capitão do Sporting e uma das principais figuras do clube na década de 90. Marcou mais de setenta golos com a camisola leonina e ainda foi campeão nacional em 2000, tendo sido ele a colocar o cachecol do Sporting no leão da estátua do Marquês de Pombal, em Lisboa.. Contudo, a sua tarde de glória aconteceu a 10 de junho de 1995, quando marcou os dois golos com que o Sporting derrotou o Marítimo na final da Taça de Portugal, que já fugia ao clube há treze anos. Iordanov também venceu um Prémio Stromp.

Mais tarde, tivemos Ricky Van Wolfswinkel, um avançado holandês, franzino mas muito lutador. Fez parte do plantel nos anos mais negros da história do clube, mas, ainda assim, conseguiu apontar 45 golos em apenas duas temporadas, o que é uma média bem satisfatória, tendo em conta o percurso do clube enquanto o holandês cá esteve.

Por fim, Islam Slimani. O argelino, que foi um dos negócios mais rentáveis da história do clube, tem um percurso de carreira que personifica aquilo que é o lema do Sporting. Com esforço, dedicação e muita devoção, conseguiu chegar à glória de uma carreira em altos voos. Chegou como um avançado muito limitado tecnicamente, mas que tinha uma inegável capacidade no jogo aéreo. A sua capacidade de trabalho e as aprendizagens que retirou do trabalho com Leonardo Jardim, Marco Silva e Jorge Jesus, fizeram com que se tornasse num dos pontas de lança mais cobiçados do mundo. Marcou mais de 50 golos pelo Sporting, 31 deles apenas na última temporada. Atualmente, a maioria dos adeptos sportinguistas desejam secretamente que o argelino se dê mal em Leicester, para ver ser ele volta à casa que o acolheu e viu crescer de forma exponencial.

3º – Número 14

Fonte: Sporting CP
Fonte: Sporting CP

Juntos, com Adrien Silva a jogar com eles, talvez formassem um dos melhores trios de meio-campo da história do futebol português. Falo de Matías Fernández e William Carvalho. Ambos jogaram com o 14 nas costas e fizeram com que eu passasse a gostar ainda mais deste número. De recordar, para os mais distraídos, que o 14 é também a bola verde e branca do snooker, o que faz com que seja um número sempre acarinhado pelos sportinguistas.

Matías Fernández, sobre quem já escrevi há umas semanas atrás na rubrica Jogadores Que Admiro, foi mais um, juntamente com Capel e Wolfswinkel que passou em Alvalade numa fase negra do clube e não pôde mostrar, com todo o esplendor, a quantidade industrial de futebol que tem nos pés. Matías, chileno que veio do Villarreal para o Sporting, esteve apenas três épocas em Alvalade, tendo realizado mais de cem jogos com o leão rampante ao peito, tendo deixado saudades nos adeptos leoninos.

Desde o reinado de Leonardo Jardim para cá, o número 14 é propriedade de William Carvalho, o “Panzer Tranquilo” que é dono e senhor do meio-campo mais recuado do Sporting. Depois de ter estado emprestado na Bélgica, William voltou e afirmou-se em definitivo na equipa verde e branca. É pretendido por vários dos gigantes do futebol europeu, mas até agora tem permanecido em Alvalade. Já é um dos subcapitães de equipa e é uma das principais referências da formação leonina.

2º – Número 23

Fonte: Sporting CP
Fonte: Sporting CP

Adrien Silva e Rui Jorge são os protagonistas deste número e desta camisola. Dois jogadores que personificam a raça leonina no seu máximo e que são duas enciclopédias de futebol, em formatos distintos.

Começo pelo atual selecionador nacional de sub 21. Formado no FC Porto, o antigo lateral esquerdo jogou durante sete anos no Sporting, onde foi campeão em 2000 e 2002. Foi dono e senhor da lateral esquerda da defesa durante essas sete temporadas e foi um jogador que sempre suou a camisola pelo clube, que nunca virava a cara à luta e era sempre um daqueles jogadores com quem os treinadores podiam sempre contar.

Já Adrien Silva é o atual capitão do clube e quase dispensa apresentações. A atual quebra de forma da equipa principal está ligada à sua ausência por lesão. Ele é a garantia de alta rotação naquele meio-campo, joga como poucos em situações de “caos” no meio-campo e tem uma leitura de jogo bastante acima da média. Esteve para sair no verão passado para Leicester, mas em boa hora ficou. Se o Sporting quer ser campeão esta época, a presença de Adrien Silva é absolutamente imprecindível e isso diz tudo.

1º – Número 1

Fonte: Sporting CP
Fonte: Sporting CP

A posição de guarda redes sempre foi uma das que me fascinou mais no desporto, em particular no futebol. O guarda redes é o ser solitário que pode passar noventa minutos sem fazer nada de relevante, mas depois vê-se com a difícil tarefa de ter de segurar uma vantagem nos descontos de uma partida, às vezes no único lance em que é chamado a intervir.

No Sporting, tivemos nos últimos vinte anos, dois enormes guarda redes a envergar esta camisola: Peter Schmeichel e Rui Patrício. O dinamarquês, o “Grande Gigante” como me habituei a chamá-lo, foi o melhor guarda redes que vi jogar em toda a minha vida. Já o admirava dos pequenos resumos que via do Manchester United e ainda hoje me perco em vários vídeos de defesas suas no Youtube. Nem quis acreditar quando noticiaram que ele, campeão europeu pelo Manchester United, viria reforçar o Sporting. Era um guarda redes sempre destemido, que tinha uma grande classe e uma liderança absoluta sobre os seus defesas. A sua experiência e enorme segurança foram dois trunfos importantíssimos para o título conquistado em 1999/2000.

Atualmente, temos o melhor guarda redes português, melhor do último Europeu de seleções e um dos melhores do mundo, conforme fica comprovado pela sua presença entre os trinta nomeados para a Bola de Ouro. Rui Patrício, que se estreou pelo Sporting com um penálti defendido nos Barreiros, é uma das maiores referências do Sporting neste século, um dos melhores guarda redes da história do clube, equiparado a nomes como João Azevedo, Joaquim Carvalho, Vítor Damas ou o supracitado Peter Schmeichel. Já venceu o Prémio Stromp e o prémio Leões Honoris Sporting, o que prova bem a sua importância dentro do clube. Talvez seja, dos que vi jogar, o jogador com mais amor ao Sporting. Foi criticado pelos adeptos e apenas respondeu com trabalho, foi a principal figura do Sporting na altura em que era preciso segurar a equipa nos piores anos da sua história e é um dos capitães, sendo respeitado por todos no balneário. É o jogador que está há mais tempo de forma consecutiva na equipa principal e é, para mim, a maior referência do Sporting atual.

Foto de capa: Sporting Memória

 

Diogo Janeiro Oliveira

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