Publicidade

Um Desporto Além do Muro

João Pedro Maltez · 2 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

16 de novembro de 2019. Duas Ligas dos Campeões. Um clube. Cinco judocas.

Jorge Fonseca, João Fernando, Kherlen Ganbold, João Martinho e Nikoloz Sherazadishvili são os nomes dos atletas do Sporting CP que conquistaram a segunda Liga dos Campeões de Judo consecutiva. É, sem margem para dúvidas, um sucesso desportivo de relevo, que merece o devido destaque e a sua inapagável página na história do clube na modalidade desportiva de judo.

Mas existem outros acontecimentos merecedores de destaque nos anais da história do judo e, acima de tudo, do desporto nacional. 17 de novembro de 2019. No dia seguinte à vitória masculina sportinguista, uma das judocas da equipa feminina do SL Benfica, Telma Monteiro, apesar da derrota da sua equipa na Liga dos Campeões, publicou uma mensagem, na sua rede social Instagram, na qual, depois de todo o apoio que dá à restante equipa de judo, finaliza a mesma dando os seus parabéns à equipa masculina de judo do Sporting CP pela vitória alcançada no dia anterior.

Parece pouco? Sim, parece. Mas é muito e tem um significado que não pode ser contornado. É este o exemplo duma atleta do chamado “eterno rival” e que pode e deve ser replicado, não só dentro da modalidade, mas em todas as demais, incluindo, e sobretudo, no futebol. Um pequeno gesto numa rede social que, apesar de ser apenas mais uma publicação entre tantas, tem um significado incontornável.

Uma imagem que se repete um ano depois
Fonte: Sporting CP

Num país, e num mundo, onde vários muros persistem em manter-se erguidos, são gestos como este que amolecem as barreiras que sectorizam a sociedade, que transformam as mentalidades, que esmorecem as amarras das trincheiras pré-concebidas, criadas ao longo do tempo sem que ninguém as conteste, sobre as quais ninguém questiona e em relação às quais pouco ou nada se faz.

9 de novembro de 2019, celebraram-se os trinta anos da queda de um muro que dividiu a Europa e também o Mundo. Passados oito dias dessa data, podemos assinalar um momento que, apesar de poder não ter força para destruir as bancadas inamovíveis do clubismo desmedido, certamente promove a congregação de todos em volta dos verdadeiros valores do desporto.

Numa época em que se multiplicam os esforços pela defesa da integridade e do chamado fair-play desportivo, é tempo de dar palco a pequenos episódios em que a verdadeira essência do desporto é enaltecida pelos seus principais protagonistas, os seus atletas.

O ato de uma atleta olímpica, detentora de uma das 24 medalhas conquistadas por Portugal, tem que ser objeto do seu destaque merecido, como um exemplo a seguir e a replicar por todos os demais atletas das mais diferentes modalidades desportivas, a começar pelo futebol, os seus agentes e adeptos, de forma a que, em pequenos passos, se possa construir um desporto nacional com níveis de desenvolvimento e de racionalidade similares aos que coexistem na Europa e no mundo.

Ao Sporting CP em particular, e ao desporto nacional em geral, resta agradecer à Telma Monteiro pela mensagem de parabéns enviada, que, como uma lufada de ar fresco na névoa de clivagem que persiste em existir entre clubes, conseguiu dar o exemplo a várias gerações. Resta aguardar que o exemplo seja seguido por todos aqueles que do mesmo foram testemunhas.

Foto de Capa: Sporting CP

Artigo revisto por Joana Mendes

João Pedro Maltez

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Torreense ‘Til I Die On The Beach

O Sunderland é uma das equipas mais românticas desta edição da Europa League. Não pelo futebol, mais próximo da ideia genérica do futebol inglês e britânico e pouco dado a estéticas e modernidades, mas pela história de um clube tradicional que, aos olhos de todo o mundo, desceu à 3.ª Divisão, fez o caminho das trevas e, à primeira, garantiu o acesso às competições europeias. Nesta caminhada, a série «Sunderland ‘Til I Die» ajudou o clube do Nordeste de Inglaterra a tornar-se mais global, solidarizando e sensibilizando adeptos de todo o mundo. No que toca a ter as ruas do seu lado, há poucos clubes mais bem posicionados do que o Sunderland. Um deles, ainda assim, é o Torreense. Por mais que seja interessante olhar para lá do óbvio, não nos podemos esquecer, em qualquer análise, que a competição para o emblema de Torres Vedras é altamente desigual. Enquanto se debela com um arranque de época delicado na Segunda Liga, o Torreense vai usando a Europa League como uma diversão cada vez mais competitiva, como uma montra de luxo para se publicitar enquanto clube e como uma recompensa merecida a um feito extraordinário. Este carinho natural para com o outsider roubou algum do protagonismo à primeira deslocação europeia do Sunderland em 53 anos. E, mais do que os dados lançados antes do jogo, o rumo dos 90 minutos ajuda a ganhar um sentimento de identificação com o Torreense.

Diogo Ribeiro · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.