Com a nova tática implementada por Rúben Amorim, surgiram alguns aspetos positivos. Porém, realçaram-se, também, algumas lacunas, nomeadamente na construção de jogo. Como referi num outro artigo que escrevi para o Bola na Rede sobre Wendel, os dois médios que atuam na equipa do Sporting CP têm um papel mais preponderante sem bola do que com ela no pé. Os adversários pressionam muito os dois homens do meio campo, obrigando-os a jogar, quase sempre, ao primeiro toque. Desta forma, a formação de Alvalade é obrigada a recorrer às alas, utilizando-as como o principal motor ofensivo da equipa.

No meu ponto de vista, o meio campo é a alma de uma equipa de futebol. É lá que se encontra o equilíbrio (ou falta dele), algo que é decisivo no sucesso (ou insucesso) tático.

Penso que seria benéfico acrescentar um terceiro homem ao meio campo da equipa de Rúben Amorim. Não digo que fosse logo de início, até porque já se viu que o jovem técnico não abdica do 3-4-3, mas sim num cenário em que o Sporting precise de uma mudança de estratégia e alteração nas movimentações. Uma das características negativas que aponto a Rúben Amorim é a falta de adaptabilidade ao jogo. Muitas vezes, o Sporting CP encontra-se neste cenário e o treinador limita-se a trocar os jogadores, mantendo a formação.

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Somando um homem ao meio campo, o Sporting CP teria outro estilo de jogo. Em vez dos três jogadores da frente, teria um mais atrás (estilo número 10) e dois avançados móveis. Jovane poderia dar profundidade no centro do terreno (ou Plata), fugindo para as alas quando necessário; Sporar continuava como avançado trabalhador, servindo o apoio frontal à equipa; enquanto que Vietto ou até mesmo Pedro Gonçalves (nova contratação) desciam no momento da construção e atacavam a área no último terço do campo. A utilização do 3-4-1-2 oferecia outra dinâmica à equipa, algo que poderia baralhar e desequilibrar a formação adversária.

Exemplos de sucesso com táticas semelhantes são o BVB Dortmund e o FC Internazionale Milano. O clube alemão varia entre 3-4-3 e 3-4-1-2, enquanto que o Inter utiliza o 3-5-2. É certo que os dois têm mais do que matéria prima para executar as diferentes formações. Não descartando o facto de o Sporting CP ter um plantel desequilibrado, penso que Rúben Amorim deveria também pensar em mais um plano de jogo para atacar a temporada 2020/2021.

Artigo revisto por Mariana Plácido