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Vitória FC 0-6 Sporting CP: Chuta, que ela entra

Tomás da Cunha · 3 min

Vitória FC 0-6 Sporting CP: Chuta, que ela entra
Foto: Sporting CP

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Este leão já não se limita a vencer. Insaciável é a palavra que define o momento do Sporting, perfeição é a que resume o jogo do Bonfim. O principal objectivo – a manutenção da liderança – foi alcançado de forma esmagadora, com uma goleada que confirma a melhoria exibicional a que se tem assistido nas últimas partidas. O Vitória, muito longe do que tem mostrado esta época, foi a vítima que apareceu no caminho, mas esta humilhação não apaga a excelente campanha do conjunto sadino.

Bruno César esteve impressionante na estreia e demonstrou que pode ser um reforço de peso (não, não se trata de uma brincadeira com a forma física do brasileiro). Slimani continua imparável e juntou mais um bis à conta pessoal, mas a exibição de William Carvalho, uma das melhores da temporada, também merece destaque.

O Sporting não teve vida fácil no início do encontro, com a equipa do Vitória a entrar bem na partida, agressiva nos duelos e capaz de impor velocidade através de André Horta, a principal figura dos da casa, e Costinha. Contudo, tal como tinha acontecido na jornada anterior, o golo de Slimani – finalizou de pé esquerdo um cruzamento de Bruno César – teve um efeito muito positivo na equipa leonina, que assumiu totalmente o controlo das operações. O Sporting pôde contar com a melhor versão de William (há quanto tempo não se via uma exibição tão imponente do português), sempre bem posicionado, com facilidade a recuperar e a lançar a transição, e anulou completamente as tentativas de chegada ao ataque por parte do Vitória. Com Suk completamente apagado, o sector ofensivo dos sadinos (que abusou do jogo directo) foi uma nulidade e não incomodou minimamente a defesa verde e branca.

O destaque da primeira parte foi, ainda assim, Bruno César, que, na estreia com o leão ao peito, fez uma assistência, um golo à sua imagem (remate potente com o pé esquerdo) e ainda teve tempo para acrescentar uma série de iniciativas que demonstram que pode vir a ter uma dimensão muito importante na segunda volta. O “chuta-chuta” deve ter agarrado a titularidade para os próximos jogos.

Bruno César não podia ter melhor estreia Fonte: Sporting CP
Bruno César não podia ter melhor estreia
Fonte: Sporting CP

O primeiro remate à baliza por parte do Vitória aconteceu aos 49’ e parecia ser um sinal de que a equipa aparecia para a segunda parte com vontade de alterar o rumo dos acontecimentos, mas o Sporting rapidamente fechou a hipótese de uma possível reacção. E de que maneira. Os leões marcaram 3 golos em pouco tempo (Slimani, João Mário, que subiu de produção na segunda parte, e Bruno César), aproveitando as falhas de uma defensiva sadina que esteve completamente desastrada. A equipa de Quim Machado baixou os braços com o avolumar do resultado (Aquilani também teve tempo para marcar) e o líder do campeonato pôde descansar com bola, já a pensar no jogo com o Braga.

Apesar da qualidade do meio campo e do ataque, cada vez mais entrosados, a segurança do sector defensivo, visível pela ausência de oportunidades do Vitória, voltou a ficar patente. Como se não bastassem os golos marcados pelo Sporting, ainda se festejou o empate do Rio Ave no Dragão e até houve tempo para duas crianças invadirem o relvado e levarem camisolas para casa. Tudo corre bem no reino do leão.

A Figura

Bruno César – Era difícil uma estreia melhor para o “chuta-chuta”. O debute enquanto titular não o intimidou e a exibição que fez no Bonfim deve ter-lhe garantido lugar cativo nas próximas partidas. Para além dos golos e da assistência, demonstrou um excelente entendimento com Bryan Ruiz e Slimani e acrescentou a capacidade de desequilíbrio que se pede a um extremo de um candidato ao título.

O Fora-de-jogo

Suk – A cabeça do sul-coreano pode ter estado em muitos sítios, mas certamente não esteve no Bonfim. Não se viu aquele jogador que foi um dos destaques da primeira volta, fazendo a diferença em muitos jogos com a sua mobilidade, agressividade e qualidade técnica. Mesmo tendo em conta que esteve quase sempre desacompanhado na frente de ataque, pedia-se um Suk mais focado e menos apático naquele que pode ter sido o último jogo com a camisola do Vitória.

Tomás da Cunha

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