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CD Aves 2-2 CD Santa Clara (8-7 G.P.): Calor trai açorianos

Redação BnR · 7 min

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O CD Aves segue em frente na Taça da Liga depois de eliminar o CD Santa Clara nas grandes penalidades. (8-7 g.p.)

O futebol voltou à Vila das Aves num sábado de sol e calor. Ainda na ressaca da conquista da Taça de Portugal, era muita a euforia sentida nos arredores do estádio. Poucas caras novas do lado do CD Aves: no 11 inicial, só Beunardeau e Bura nunca tinham representado o clube em jogos oficiais. Do lado do CD Santa Clara, recém promovidos à primeira liga, estrearam-se João Lucas, Patrick, Bruno Lamas e Zé Manuel.

A “fome de bola” dos adeptos avenses não parecia ser partilhada pelos atletas da equipa. Alguma desorganização no meio-campo e pressa no processo de construção de jogo permitiu ao Santa Clara agarrar o jogo desde início. Era dos pés de Bruno Lamas que vinham as melhores iniciativas ofensivas dos açorianos.

Ao minuto 10, Jorge Fellipe marca um grande golo, mas na baliza errada. O defesa, reincidente neste tipo de lance (na época anterior marcou vários golos na própria baliza), tentava atrasar a bola para o guarda-redes avense e assim libertar-se da pressão alta dos açorianos, mas acabou por desviar demasiado a bola de Bernardeau. A bola já só parou dentro da baliza. Rapidamente vários colegas de equipa foram consolar o defesa brasileiro.

O CD Aves procurou rapidamente corrigir o golo sofrido mas a pressa foi sempre inimiga da perfeição para a equipa da casa. A ansiedade era percetível e os erros permitiam ao CD Santa Clara partir apanhar os avenses em contra-pé.

E assim iam os insulares construindo as suas jogadas de perigo. Ao minuto 17, uma boa ação ofensiva de Santana deixou Rodrigo Soares nas covas. O avançado dos insulares disparou forte para defesa de Bernardeau. No ressalto Bruno Lamas não foi capaz de fazer o segundo da partida.

Na segunda oportunidade que teve, Santana já não perdoou. Uma bola longa fez com que o avançado do CD Santa Clara tivesse espaço e tempo para fazer o 0-2 no estádio do CD Aves.

José Mota, insatisfeito com a insegurança no meio campo, tirou Bura e colocou o experiente Braga. Do outro lado, a equipa de João Henriques ia reduzindo o ritmo frenético que havia colocado no jogo.

Nesta altura o CD Aves ia crescendo no jogo. O primeiro arrepio na espinha de Marco veio ao minuto 40. A velocidade de Amilton permitiu que deixasse Lucas para trás e ficasse em boa posição para colocar a bola em Derley que esperava na grande área. O cruzamento saiu mal ao avançado brasileiro.

O Santa Clara respondeu quase imediatamente: Zé Manuel surgiu isolado na cara de Beunardeau mas o remate saiu muito torto ao extremo português. Ao desperdício enorme dos açorianos seguiu-se um daqueles lances que podia ter corrido o mundo caso a bola tivesse entrado. Derley tentou imitar o golo de Cristiano Ronaldo à Hungria no Euro 2016 mas Marco estava atento e fez uma grande defesa.

Ao cair do pano, Derley esteve novamente perto do golo. O remate do avançado brasileiro passou a centímetros da baliza açoriana. Na ida para os balneários os adeptos avenses iam cantando o nome do ex-SL Benfica, respondendo à sua subida de rendimento desde o início da partida.

A partida teve que seguir para o desempate por grandes penalidades
Fonte: Bola na Rede

A segunda parte começou tal como acabou a primeira: com o CD Aves por cima. E assim seria durante toda a segunda metade. José Mota fez entrar Defendi para o lugar de Diego Galo, e foi mesmo o central que deu o primeiro sinal de perigo. Na sequência de um canto cobrado por Rodrigo na direita do ataque, Defendi cabeceou para uma boa defesa de Marco, em cima da linha de golo.

Aos 54 minutos foi a vez de Derley ameaçar a baliza do Santa Clara. Depois de dois bons momentos no final do primeiro tempo, o avançado voltou a obrigar Marco a mostrar serviço e o guarda-redes conseguiu mesmo evitar o 1-2. Dois minutos depois Jorge Fellipe também apareceu na área adversária com perigo, mas o cabeceamento saiu por cima.

Com os avenses claramente mais fortes no ataque, o golo acabou por surgir ao minuto 63. Amilton fez o cruzamento atrasado para a entrada da área onde surge Nildo que, mais em jeito do que em força, fez o golo e reduziu a desvantagem no marcador.

O Santa Clara, claramente em ritmo mais baixo do que o que apresentou na primeira parte, ia tentando gerir a vantagem, forçando várias paragens no jogo. O CD Aves procurava restabelecer a igualdade e, aos 75 minutos, equipa e adeptos ficaram a pedir grande penalidade por falta sobre Derley, já dentro da grande área. O árbitro nada assinalou e mandou seguir a partida.

A concretizar o assalto à baliza açoriana apareceu Braga. Depois de um grande trabalho individual de Rodrigo na direita do ataque, o defesa cruzou para Braga que, da zona de penálti, fez o 2-2.

Praticamente sem incomodar Beunardeau durante o segundo tempo, o Santa Clara reagiu ao empate avense e quase concretizou o 2-3. Na cobrança de um livre, Bruno Lamas enviou a bola à trave, já a três minutos dos 90.

Dentro dos cinco minutos de compensação dados pelo árbitro Iancu Vasilica o CD Aves carregou no ataque, mas não conseguiu evitar a decisão do jogo através das grandes penalidades.

Foram precisos 20 penáltis para definir o vencedor. As equipas insistiam em não desfazer o empate e quando uma falhava, a outra imitava. No fim acabou por ser Beunardeau o herói, ao defender o penálti de Lucas, o último jogador de campo escolhido para bater.

O CD Aves segue em frente na Taça da Liga e vai disputar a fase de grupos da competição.

Onzes iniciais:


CD Aves: Beunardeau; Rodrigo, Diego Galo (Defendi 45′), Jorge Fellipe, Nelson Lenho (Elhouni 67′); Nildo Petrolina, Vitor Gomes, Bura (Braga 28’), Amilton; Fariña e Derley.

CD Santa Clara: Marco; Patrick (Rui Silva 80′), Kaio, Accioly, Lucas; Pacheco (Diogo Santos 77′), Rashid, Bruno Lamas; Santana, Zé Manuel (Pineda 69′) e Stephens.

A FIGURA:

Fonte: CD Aves

Braga – A entrada de Braga, ainda na primeira parte, foi fundamental para o desenrolar da partida. Fez com que o CD Aves fosse mais tranquilo e eficiente na construção de jogo. O golo que assinou foi um merecido prémio para o principal obreiro da passagem dos avenses à próxima fase da competição.

O FORA DE JOGO:

Fonte: CD Aves

Jorge Fellipe – O central tem aparecido com a pontaria afinada, mas para a baliza errada. Novamente com um autogolo, Jorge Fellipe comprometeu a equipa e deixou-a em desvantagem praticamente no início da partida. Na primeira parte foi muito sentida a instabilidade do central, que ainda assim apareceu melhor e mais seguro para o segundo tempo.

CONFERÊNCIA BnR:

 

CD Aves

BnR: O CD Aves entrou precipitado e desorganizado, principalmente no meio-campo, e o José Mota optou por fazer entrar Braga ainda na primeira parte, o que acabou por dar mais eficiência ao processo de construção de jogo do CD Aves. Sente que essa alteração foi a chave para vencer este jogo?

José Mota: Sim, claro que mudou. O treinador está para ver o que pode melhorar. O Braga é um jogador mais tranquilo, que nos deu mais organização de jogo. Mas a verdade é que a equipa mudou o chip. Foi a mentalidade que mudou, perceberam que algo tinha que ser feito. Mas foram todos. A entrada do Braga melhorou, em termos de jogo, mas não foi porque o Bura estava mal, a equipa estava mal. Ainda bem que a entrada do Braga melhorou, mas a verdade é que foi a equipa que mudou. O que estávamos a fazer não estava a corresponder ao que pretendíamos.

Outras respostas: “Este calor perturbou o espetáculo. A minha equipa entrou algo desconcentrada, com displicência na forma de jogar. A partir dos 20 o CD Aves foi melhor, dominou o jogo, poderíamos ter diminuído a vantagem nos primeiros 45 minutos. Nos segundos foi só o Aves que quis jogar”.

“Merecíamos ter passado nos 90 minutos. As quebras de ritmo, o jogo pautado, as entradas do massagista para auxiliar os jogadores do Santa Clara perturbaram o jogo”.

 

CD Santa Clara

BnR: Tendo em conta as indicações que o Santa Clara deixou hoje aqui, quais são as expectativas para o arranque da época, agora com o regresso à Primeira Liga?

João Henriques – “A equipa correspondeu na plenitude ao que tínhamos preparado, aquilo em que nós vimos trabalhando para a construção desta equipa. Uma equipa que apresentou aqui um futebol já muito agradável para esta fase da época, portanto é uma equipa que está em construção e que está a preparar-se para o difícil embate que é a primeira liga. Obviamente que ainda não estamos numa fase óptima, ainda é cedo, não conseguimos manter o mesmo ritmo e qualidade apresentada da primeira para a segunda parte mas estamos descansados e confiantes com o que fizemos porque já é um pouco da imagem do que o Santa Clara vai ser durante a época. “

Outras respostas:

“O Santa Clara foi a melhor equipa em campo”

“Vou tentar ser diplomático (…) o CD Aves teve o vento a favor”

(sobre a polémica fora das quatro linhas em que o Santa Clara está envolvido) “Estamos muito focados sobre aquilo que é a nossa tarefa”

 

Rescaldo com opinião de Joana Quintas e Luís Rocha

Foto de Capa: Bola na Rede

 

 

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