Quem será o vencedor da Taça da Liga mais estranha de sempre?

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Num formato por eliminatórias “estranhas”, com os quatro primeiros classificados da Primeira Liga Portuguesa 2019/20 a digladiarem-se com adversários teoricamente mais fracos, esta a solução possível para que a Taça de Liga desta época se realizasse em tempos de pandemia, sem sobrecarregar os calendários já apertados de todas as equipas.

Depois de vencerem os seus respetivos jogos, Sporting CP, SL Benfica, FC Porto e SC Braga agendaram a sua presença para Leiria nos entre os dias 16 e 23 de janeiro de 2021, numa “final four” que promete ser emocionante, tal como já aconteceu em anos anteriores.

Como referi, apesar de terem vencido os seus oponentes, não tiveram vida fácil para conseguir o apuramento, especialmente o SL Benfica. De todos, foi o que apanhou o adversário mais complicado – o Vitória SC –, mas também o que jogou pior, dando continuidade a uns meses complicados sob o leme de Jesus. “Leões” e “arsenalistas” cumpriram, enquanto os “dragões” também tiveram algumas dificuldades para bater um excelente FC Paços de Ferreira de Pepa, vencendo apenas pela margem mínima.

Independente dos jogos que vamos poder ver nestes dias, que terão sempre qualidade, penso que neste momento as possibilidades de algum dos intervenientes levaram a taça para casa é precisamente igual, 25% para cada um deles. Se FC Porto e SL Benfica são os dois clubes com maior orçamento e que mais bem-sucedidos têm sido nos últimos anos nas provas nacionais, Sporting CP e SC Braga são para mim quem melhor “joga à bola”.

Pelo primeiro ano desde que está neste formato que a competição não se joga em Braga, ou seja, o clube treinado por Carlos Carvalhal perde aqui a hipotética vantagem caseira, para além de ainda se competir sem a força do público nas bancadas (previsivelmente), devido à Covid-19. Ainda assim, a qualidade com que se exibem e o plantel com muitas e boas soluções para todas as posições, augura coisas positivas para o futuro próximo.

O Sporting CP, não só por estar em primeiro na Primeira Liga Portuguesa, está neste momento a jogar o melhor futebol em Portugal – na minha opinião – logo seguido do SC Braga, pelo que vai atacar este troféu com unhas e dentes. Ruben Amorim é um treinador que sabe o que é vencer este “caneco”: assim o fez enquanto jogador, no SL Benfica, e como treinador, nos bracarenses. Terá plantel com soluções suficientes para fazer a um calendário cheio que terá pela frente no mês de janeiro? O primeiro mês de 2021 vai-nos dar bases para podermos começar a responder a esta questão com mais certezas.

O FC Porto, de Sérgio Conceição, vai tentar vencer pela primeira vez a Taça da Liga, depois de ter chegado à final por duas vezes nos últimos três anos. Após várias épocas a desvalorizar o troféu, agora parece que já lhe atribui importância, algo que deveria ter sido sempre dito com veemência: um clube como o FC Porto entra em todas as competições com a mesma vontade de vencer. Assim o exigem os seus adeptos, seja com as primeiras, segundas ou terceiras linhas.

Por sua vez, o SL Benfica é – tal como em todas as competições em Portugal com excepção da Supertaça Cândido de Oliveira – o clube que mais Taças da Liga tem no seu palmarés, com a grande maioria conquistadas pelo seu atual treinador, Jorge Jesus, durante a sua primeira passagem pelo clube da Luz.

O “mister” disse recentemente que a conversa da qualidade de jogo “é treta”, como aliás faz recorrentemente para desvalorizar as críticas que lhe são dirigidas. Explicou que o SL Benfica é a segunda equipa a jogar melhor em Portugal, porque está em segundo na Primeira Liga Portuguesa, só superada pelo Sporting CP. Se para ele o que os encarnados jogam actualmente é digno de um comentário destes, então as melhorias que espero ver a curto-médio prazo na qualidade de jogo da equipa – especialmente ao nível da transição defensiva, mas também da objetividade do ataque – não devem estar para breve e a equipa vai ter muitas dificuldades contra qualquer um dos adversários. Os adeptos ainda aguardam uma resposta positiva da equipa às ideias do seu novo técnico.

Carlos Ribeiro
Carlos Ribeirohttp://www.bolanarede.pt
Com licenciatura e mestrado em Jornalismo, Comunicação e Cultura, o Carlos é natural de um distrito que, já há muitos anos, não tem clubes de futebol ao mais alto nível: Portalegre. Porém, essa particularidade não o impede de ser um “viciado” na modalidade, que no âmbito nacional, quer no âmbito internacional. Adepto incondicional do Sport Lisboa e Benfica desde que se lembra de gostar do “desporto-rei”.                                                                                                                                                 O Carlos escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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