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Casa Pia AC 2-0 Boavista FC: Gansos bicaram pantera e voaram para os grupos

Miguel Ferreira de Araújo · 5 min

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O Casa Pia AC está pela primeira vez na fase de grupos da Taça da Liga e logo depois de eliminar o oitavo classificado da última edição da Liga Portuguesa! Sob o olhar esverdeado do pinhal que cobre a lateral oposta à bancada central, os recém-promovidos à Segunda Liga não precisaram de ir ao convento da vila que lhes serve de casa até outubro – mês em que se perspetiva que as obras no Estádio Pina Manique estejam concluídas – para levar de vencida uma equipa do Boavista FC que não conseguiu contrariar a organização da equipa comandada por Luís Loureiro.

A uma semana da estreia nos respetivos campeonatos, Casa Pia e Boavista entravam para esta fase da competição com os olhos postos nos grupos dos quais podiam fazer parte se conseguissem levar de vencido o seu oponente. Do lado dos da “casa”, apenas duas mexidas em relação ao 11 que bateu o Vilafranquense no último domingo: o capitão Carlitos deu lugar a Abel Pereira e Martim Maia, jogador que chegou esta época emprestado pelo Rio Ave FC, substituiu o criativo Mateus. Já o Boavista entrou em campo com o meio-campo quase reformulado, em comparação com o último jogo frente ao CD Tondela, com Fábio Espinho e Obiora a ocuparem os lugares entre a linha defensiva e atacante, juntamente com Rafael Costa; na defesa, Dulanto substituiu o veterano Ricardo Costa.

A tarde soalheira colaborou com as centenas de adeptos que se deslocaram ao Parque Desportivo Municipal de Mafra, cenário idílico que acolheu uma moldura humana respeitável e que se fazia ouvir de um lado ao outro do relvado, acudindo ao repto deixado pelos timoneiros dos dois clubes nas conferências de antevisão a este embate.

O encontro, que se iniciou numa toada morna, viu uma equipa do Boavista tentar assumir a posse desde cedo, mas com bastantes dificuldades a desmontar a organização defensiva do Casa Pia. Yusupha ia sendo o jogador mais atrevido dos axadrezados, procurando repetidamente ganhar as costas à defesa casapiana e foi numa dessas ocasiões que atirou por cima da baliza de Rafael Marques, à passagem do minuto dez. O Casa Pia equilibrou e ia procurando manter a bola o mais longe possível da sua baliza, utilizando, para isso, as novas regras do pontapé de baliza, posicionado os dois centrais em largura na linha do guarda-redes e subindo em bloco o resto da equipa, batendo longo para o espaço central vago entre a defesa do Boavista obrigada a estar baixa e o meio-campo que era obrigado a subir para dar cobertura aos dois centrais que ficavam na grande área adversária.

Casa bem composta em Mafra
Fonte: Bola na Rede

A troca de extremos do Boavista, a meio do primeiro tempo, não surtiu efeito e os gansos iam-se sentindo cada vez mais confortáveis com bola. Em processo defensivo, 4-4-2 clássico; em organização ofensiva, formavam uma linha de três na retaguarda, com David Rosa a ocupar o espaço vago deixado por Martim Maia, que fletia para o interior, onde viria a fazer a diferença.

As oportunidades iam-se sucedendo para ambos os lados mas o intervalo chegou antes do placard se alterar.

A segunda parte trouxe, no entanto, o que a primeira tinha deixado a desejar: o golo. Segundos após o apito para o início do segundo tempo, Martim Maia chamou a si a convicção de que podia ser herói no primeiro jogo a titular e, ajudado por um pequeno sopro do vento que se fazia sentir no estádio, contrariou a lógica e inaugurou o marcador em Mafra.

As panteras não se fizeram rogadas e, atiçadas pelos seus adeptos, foram para cima da muralha preta e branca, que se ia desdobrando à velocidade da luz em perigosos contra-ataques e foi numa dessas situações que o Casa Pia chegou ao segundo golo: saída rápida de pressão e bola lançada para Jean que, acabado de entrar, correu com a bola vários metros e serviu com mestria o irrequieto Kenidy, que só teve de desviar o esférico de Bracali.

O resultado manteve-se até ao derradeiro apito e o Casa Pia tombou o gigante Adamastor, honrando a cruz que os seus jogadores traziam ao lado do coração de guerreiros.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

Casa Pia AC: Rafael, Simão, P. Machado, A. Pereira, J. Coito, Kikas (Jean 57’), Roncatto (Carlitos 87’), Wilson Kenidy, J. Ribeiro (Joel 63’), D. Rosa e Martim

Boavista FC: Bracali, Obiora, Talocha, G. Sauer, F. Espinho (Mateus 52’), Yusupha, Dulanto, Edu Machado, Rafael Costa (52’), Neris e Heri (Paulinho 68’)

A FIGURA

Fonte: Casa Pia AC

Wilson Kenidy – Um autêntico diabo à solta para a defensiva boavisteira. O avançado luso-angolano, de 26 anos, foi o cabo dos trabalhos para quem tinha como intenção marcá-lo, pois fez da sua mobilidade na frente de ataque do Casa Pia o principal foco dos problemas axadrezados. Qual satélite em órbita do planeta Roncatto, tanto baixava para receber, como caía na linha para segurar a bola ou ir para cima da defesa. Demonstrou frieza na execução do segundo golo, perante Bracali.

O FORA DE JOGO

Fonte: Boavista FC

Boavista FC – Pede-se mais, muito mais, a uma equipa que está habituada à mais alta-roda do futebol português. Raramente conseguiu sair a jogar e fez do chuveirinho a sua arma de eleição no ataque à baliza de Rafael Marques. Há seis jogos consecutivos sem balançar as redes adversárias, a pressão sobre Lito Vidigal e a sua equipa vai aumentando.

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Casa Pia AC

BnR: Boa tarde, mister. Parabéns. Por falar em jogadores novos, hoje foi possível ver Martim Maia no lugar que pertenceu a Mateus no último jogo [frente ao Vilafranquense]. Sem querer individualizar, no processo ofensivo – linha de três lá atrás e subida de David Rosa – o Martim aparecia várias vezes como interior a fazer a diferença: em que lugar entende que este jogador pode render mais?

Luís Loureiro: Prefiro não individualizar. Preparámos este jogo segundo uma estratégia, porque conhecíamos a equipa do Boavista. Analisámos e preparámo-nos de acordo com aquelas que são as características dos nossos jogadores e penso que estes interpretaram bem o que queria, pois controlámos o jogo. Temos uma equipa forte e competente, recheada de jogadores que estão sempre preparados para jogar.

Outras respostas:

«O resultado final espelha aquilo que se passou em campo».

«Vestimos o fato-macaco quando foi preciso, mas também tivemos qualidade quando foi preciso».

Boavista FC

BnR: Boa tarde, mister. Falou em oportunidades criadas mas a verdade é que é o sexto jogo consecutivo sem marcar. Consegue identificar alguma lacuna no processo ofensivo da equipa ou justifica estes dados meramente com azar?

Lito Vidigal: Identificam-se muitas coisas. Vínhamos a pensar que íamos fazer o quinto jogo consecutivo a vencer [jogos oficiais] e, se tivéssemos ganho hoje, tê-lo-íamos conseguido e dávamos continuidade a esse bom momento. Agora temos de analisar e perceber o que fizemos bem e mal. Quando se ganha não está tudo bem, mas quando se perde também não está tudo mal.

Outras respostas:

«Tivemos três ou quatro oportunidades que podíamos ter concretizado».

«Faltou mais agressividade e entendermos o jogo».

«É uma competição que nos interessava continuar».

Foto de Capa: Bola na Rede

artigo revisto por: Ana Ferreira

Miguel Ferreira de Araújo

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