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CD Nacional 2-1 Boavista FC: Festival de golos para abrir a época

Marco António Milho · 4 min

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Numa partida em que se jogava a continuidade na Taça da Liga Portuguesa, CD Nacional e Boavista FC davam, na Choupana, o arranque oficial da temporada, sob a ameaçadora presença de um velho conhecido. Pontualmente, lá aparecia o nevoeiro, mas, em plena época dos típicos arraiais madeirenses, os poucos adeptos que compareceram no estádio foram presenteados com um verdadeiro festival de golos.

Depois de uma época em que se sagrara campeão da Segunda Liga, o Nacional aparecia com grandes expectativas e vontade de recuperar o seu lugar entre os grandes. De igual modo, o Boavista, reavivado com Jorge Simão, apresentava alguns reforços interessantes, com o objetivo de lutar por uma posição na metade superior do campeonato.

Em campo, alvinegros e axadrezados começaram equilibrados, dividindo as despesas ofensivas, que ainda assim, pareciam mais assertivas do lado forasteiro, apostado em abrir cedo o marcador. Os homens da casa, contudo, não se mostravam tímidos e foi mesmo o conjunto insular o primeiro a fazer balançar as redes, quando Witi recebeu a bola, ainda de fora da grande área, e atirou a fulminar Helton. O guarda-redes brasileiro ainda tocou o esférico, mas o esforço foi insuficiente para negar um belo golo ao extremo moçambicano.

Após o tento, o Boavista começou a ganhar algum ascendente, mas pertenciam, mesmo assim, as melhores oportunidades aos madeirenses. O Nacional mantinha o núcleo duro da época transata, que redundou no regresso aos palcos maiores do futebol português, e demonstrava, por isso mesmo, maior entrosamento, apesar da evidente, mas já espectável, falta de ritmo.

O setor mais recuado do Boavista, sobretudo no eixo, deixou transparecer alguma inexperiência e falta de entrosamento
Fonte: Bola na Rede

O Boavista, por seu turno, tinha mais dificuldades, com uma série de jogadores que denotavam ainda alguma falta de adaptação à equipa, casos mais evidentes os de Neris, Raphael ou Falcone. A equipa de Jorge Simão deixava transparecer, de resto, vários problemas nas transições e na coordenação do seu jogo ofensivo.

Ao intervalo, a justiça do resultado não merecia grande contestação, e os primeiros minutos do segundo tempo pareciam evidenciar apenas mais do mesmo. Um Nacional mais coeso, que comandava, à sua maneira, o rumo do jogo, e espreitava ainda o segundo golo.

Foi, por isso, um pouco contra a corrente, que aos 58’, Fábio Espinho demonstrou classe e sangue frio, com uma ‘chapelada’ que tornou a nivelar o marcador.

Não durou muito tempo, contudo, já que a resposta nacionalista foi à letra e não se fez tardar. Cinco minutos depois, Rochez, assinou o seu golo, também a levantar a bola sobre o adiantado Helton, depois de um passe excecional de Mauro Cerqueira.

Nos últimos dez minutos, o conjunto boavisteiro ainda assustou, com um par de boas ocasiões de perigo, mas valeu Daniel Guimarães, que se mostrou por igual número de vezes, com defesas assertivas e providenciais. Apesar das investidas da formação portuense, os insulares souberam manter a vantagem e garantiram a presença na fase de grupos da Taça da Liga. Embora por vezes nem parecesse, face ao jogo interessante, foi mesmo um encontro de arranque da temporada, que ficou, de forma indiscutível, marcado pelos golos que coloriram o espetáculo.

Onzes iniciais:

CD Nacional: Daniel Guimarães; Nuno Campos, Arthur, Diogo Coelho, Mauro Cerqueira; Jota, Vítor Gonçalves, Alhassan, João Camacho; Witi e Rochez

Boavista FC: Helton; Carraça, Neris, Raphael, Talocha; Idris, David Simão, Rochinha (Mateus, 46’), Rafael Costa, Fábio Espinho e Falcone

A FIGURA:

Fonte: Bola na Rede

Witi – O extremo assinou aquela que foi, sem grande margem para dúvidas, a sua melhor exibição com a camisola alvinegra. Depois de uma temporada em que começou a sua afirmação na turma insular, o jovem moçambicano marcou um golo bonito e importante, numa fase ainda prematura do encontro, e ao longo do jogo notou-se a confiança que o remate certeiro lhe conferiu.

O FORA DE JOGO:

Fonte: Boavista FC

Neris e Raphael – A duas semanas do início do campeonato, a dupla de centrais do Boavista revelou-se ainda pouco madura. Jorge Simão pode ter aqui uma verdadeira dor de cabeça, sobretudo para substituir Rossi, que foi um autêntico esteio do eixo defensivo durante a época passada. Ainda é cedo, mas as falhas evidenciadas deixam transparecer que ainda há muito trabalho a fazer para montar uma muralha consistente no conjunto axadrezado.

CONFERÊNCIA BnR:

 

Boavista FC

BnR: Como avalia este jogo de arranque de época do Boavista?

Jorge Simão: É um momento duro porque determina a saída da Taça da Liga, mas tem de ser um momento para aproveitarmos para refletir e melhorar. As nossas ambições passam por fazer uma campanha semelhante ou, se possível melhorar o que fizemos no ano passado. Antes do golo do Nacional estivemos por cima do jogo, embora nos faltasse acutilância.

 

CD Nacional

BnR: Quão importante foi manter a base da época passada para conseguir já este arranque fluído?

Costinha: É muito importante ter uma base sólida, ainda para mais quando na época passada sempre disse que a minha equipa tinha jogadores de grande qualidade. Não o dizia só para motivá-los. Fiquei satisfeito com o empenho deles, ainda para mais num jogo de início de época, e contra uma equipa como o Boavista, bem orientada, com um futebol direto e de contacto.

Foto de Capa: Bola na Rede

Marco António Milho

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