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O fim de uma era em Dortmund

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Chegou o momento que todos, há uns meses atrás, pensariam não acontecer num futuro tão próximo e que deixará o futebol alemão mais pobre. É o fim de uma era na Vestfália. Jürgen Klopp anunciou emotivamente, em conferência de imprensa, que abandonará o comando técnico do Borussia Dortmund no final desta época. Dá-se, assim, o divórcio de um “casamento” que durou sete anos.

“Kloppo” chegou a Dortmund na temporada 2007/08, proveniente do Mainz 05, e desde então conseguiu reconduzir, após um período conturbado, este gigante europeu de novo à glória e ribalta, não só alemã, mas também europeia, e aos títulos. Pôs em causa o poderio do gigante Bayern de Munique, ao conquistar duas Bundesligas consecutivas (2010/11, 2011/12), três Supertaças e uma Taça da Alemanha. Em contornos europeus, a surpreendente e triunfante caminhada da equipa na edição de 2012/13 da Liga dos Campeões apenas terminou na final da competição, na qual foram derrotados pelos rivais de Munique – que venceram a Bundesliga, a taça e a Champions nesse ano.

O carismático treinador alemão ficou conhecido por conseguir fazer o “impossível” com o pouco que tinha. Não que tivesse pouca qualidade no plantel, mas devido à situação financeira e estrutural do clube, que não proporcionava contratações sonantes, teve que primar pelo desenvolvimento de jovens atletas, tanto da formação como vindos de outros emblemas ainda em tenra idade. E a verdade é que, ainda assim, teve sucesso e fez desses jovens alguns dos melhores jogadores de hoje em dia em todo o planeta. A sua filosofia em muito contribuiu para isso.

Primando sempre por um futebol atrativo, Klopp construiu a imagem de um treinador apaixonado e efusivo pelo desporto-rei, que vive intensamente todos os momentos das partidas, festeja os golos com os jogadores, ri, esbraceja e expressa toda a sua emoção para dentro das “quatro linhas”. Não centra apenas a sua atenção no rigor tático e técnico, mas foca-se primordialmente em termos motivacionais, algo que revela ser determinante para o sucesso individual e coletivo dentro de campo. Potenciou o futebol de alto nível de alguns dos melhores jogadores de hoje em dia, como Mats Hummels, Mario Götze, Robert Lewandowski, Nuri Sahin, Ilkay Gündogan, Shinji Kagawa e, claro, Marco Reus.

O carismático treinador reconduziu o Dortmund aos títulos Fonte: Facebook do Dortmund
O carismático treinador reconduziu o Dortmund aos títulos
Fonte: Facebook do Dortmund

Os elogios fizeram-se sentir, até que Klopp ressuscitou a “febre amarela”. Os adeptos responderam à evolução da equipa e, nos dias que correm, nenhuma partida no Westfalenstadion conta com cadeiras vazias. O Dortmund pode afirmar que é um dos clubes com os melhores aficionados do mundo, pois é algo que se pode comprovar todos os fins de semana.

Porém, nem tudo é um conto de fadas. E nesta época isso é visível. O futebol do Borussia perdeu encanto, os golos deixaram de surgir tão naturalmente e a bola começou a entrar com elevada frequência na baliza “amarela”. O clube, que já chegou a estar na zona de despromoção do campeonato alemão, segue, de momento, em décimo lugar, algo que não se revê nos objetivos traçados para a equipa. Afastados da Liga dos Campeões nos oitavos de final, a única réstia de esperança passa por uma vitória na Taça da Alemanha, na qual não terá, decerto, tarefa fácil, pois disputará a meia-final da competição com o Bayern de Munique.

Devido à fraca prestação na presente época, Klopp avançou e, em conjunto com a direção do histórico emblema, decidiu que já não era o treinador de que o Dortmund necessitava para voltar aos triunfos e que estava na altura de rumar a outras paragens. “Sempre disse que no momento em que achasse que já não seria o treinador perfeito para este extraordinário clube, o diria. Acredito plenamente que esta é a decisão certa. Ninguém tem de agradecer-me. Ambos os lados investiram muito e tiraram muitos proveitos”, foram as palavras do alemão, que nunca será esquecido pelos dirigentes e pelos jogadores que vestiram o amarelo e preto.

O que se seguirá para Klopp? Ainda não há certezas. O carismático treinador já fez saber que não pretende parar nem tirar um ano “sabático” fora do futebol e Inglaterra alinha-se como destino mais provável para o seu futuro – Arsenal e Manchester City, a viverem tempos menos felizes, são os emblemas mais falados pela imprensa internacional. Certo é que a liga alemã vai perder algo do seu encanto com a saída do técnico de 47 anos. Auf wiedersehen, Jürgen, a Bundesliga sentirá a tua falta!

Foto de capa: Facebook do Dortmund

Olheiro BnR: Matheus

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No que diz respeito às balizas, têm sido algumas as boas surpresas na edição 2014/15 do campeonato nacional, ainda que uma das mais emblemáticas more no Minho, no Sporting de Braga, mais concretamente o jovem brasileiro Matheus, de 23 anos.

Contratado ao América Mineiro a troco de 2,4 milhões de euros, o promissor “keeper” rapidamente se assumiu como a primeira escolha de Sérgio Conceição para a baliza arsenalista, prometendo, num futuro próximo, rechear os cofres bracarenses, até porque o salto para um emblema com outros pergaminhos não deverá tardar.

Produto das escolas do América Mineiro

Matheus Lima Magalhães nasceu a 19 de Julho de 1992 em Minas Gerais, Brasil, e só conheceu um clube no seu país natal, mais concretamente, o América Mineiro, que representou desde as camadas jovens até ao Verão de 2014, altura em que se transferiu para o Sporting de Braga.

Nesse clube de Minas Gerais, e apenas contabilizando os jogos que efectuou como sénior, ou seja, entre 2012 e 2014, Matheus somou um total de 66 partidos, isto entre Série B do campeonato brasileiro (segunda divisão), Taça do Brasil e campeonato mineiro.

Impacto imediato no Braga

Chegando a Portugal sem sequer ter feito um único jogo no principal campeonato do seu Brasil natal, pensou-se que Matheus poderia precisar de algum tempo para se impor no Sporting de Braga, mas a verdade é que o jovem de 23 anos rapidamente conquistou o seu espaço, deixando para trás a concorrência do russo Kritciuk.

Ao todo, afinal, são já 20 os jogos como titular no principal campeonato português, sendo que a crítica, na sua esmagadora generalidade, não tem poupado elogios a um “keeper” de quem já se diz começar a espreitar uma oportunidade na principal selecção brasileira.

Matheus impôs-se rapidamente em Braga Fonte: Facebook do Sporting Clube de Braga
Matheus impôs-se rapidamente em Braga
Fonte: Facebook do Sporting Clube de Braga

Enche a baliza

Matheus é um possante guarda-redes de 190 cm e 84 kg, características físicas que, aliadas ao seu excelente posicionamento entre os postes, permitem-lhe encurtar de forma decisiva a baliza e dominar todo o espaço aéreo, onde se mostra especialmente eficaz ao nível dos cruzamentos.

Com uma maturidade bastante acentuada para a tenra idade, o “keeper” brasileiro mostra-se ainda muito forte nas saídas aos pés dos adversários, em lances de um contra um, assim como no jogo de pés, aspecto onde é claramente um dos melhores da Liga.

Certo é que, aos 23 anos, Matheus tem ainda uma larga margem de progressão, que servirá, essencialmente, para aprimorar ainda mais os seus talentos, sendo que a natural e expectável evolução das suas qualidades poderá mesmo catapultá-lo para um clube de topo do Velho Continente.

Foto de capa: Facebook do Sporting Clube de Braga

Porto 3-1 Bayern Munique: A ilusão também serve para reescrever a história

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Gary Lineker, numa das frases mais célebres da história do futebol europeu, dizia que “no futebol são 11 contra 11 e no fim ganham os alemães”. Muito provavelmente, o avançado inglês não seria um predestinado, e a sua frase era apenas uma evidência acerca da superioridade que a seleção e as equipas germânicas têm tido no futebol europeu e mundial. Falar nos quatro títulos mundiais da seleção alemã e nas cinco ligas dos campeões ganhas pelo Bayern de Munique são premissas suficientes para se perceber onde se metia o FC Porto.

Como havia dito no meu texto no último domingo, a tarefa portista era hercúlea. No mundo de futebol, a única dúvida que pairava acerca desta eliminatória residia nos números da goleada alemã. Do outro lado, estava a “pequena” equipa do FC Porto, daquele país que, para muitos, não passa de uma província espanhola ou da cauda da Europa. Para a esmagadora maioria dos portistas, a esperança num apuramento era meramente utópica. A diferença entre as equipas é tão evidente que sonhar com a presença nas meias finais era praticamente um sacrilégio.

Também por isso é que a vitória de hoje soube tão bem. Soube tão bem ver os alemães a passearem-se pela cidade do Porto e a preverem uma goleada do Bayern. Soube tão bem olhar para as redes sociais e perceber que, em Portugal, já se fazia o funeral prévio à equipa de Lopetegui. Tudo isto soube tão bem que as minhas palavras serão sempre curtas para demonstrar o orgulho e a felicidade por tão grande feito conquistado pelo FC Porto. Nas bancadas do Dragão, 50 mil almas encheram-se de fé e, com uma coreografia a todos os níveis brilhante – recordando as glórias europeias portistas e exigindo respeito pelo clube -, era um estádio cheio que puxava e queria empurrar a equipa de Lopetegui para algo impossível.

Como escrevi no Bola na Rede, para poder sonhar com o apuramento, o FC Porto, mais do que tudo o resto, tinha de saber usar aquilo que é mais importante: a cabeça. O aspeto mental e a inteligência tática eram essenciais para manter a chama do dragão acesa. Por isso, a equipa sabe que não podia esbanjar as oportunidades que lhe surgissem e que, de quando em vez, tinha de colocar o Bayern em espaços que não os seus, obrigando-os a jogar taticamente de forma desprotegida. No onze inicial, a surpresa da inclusão de Jackson Martinez, cinco semanas após a lesão em Braga, era um argumento mais para tentar criar perigo na defensiva alemã. Do lado dos bávaros, Pep Guardiola preferiu não colocar o sistema 3x5x2 em campo, deixando Badstuber no banco e entregando o jogo ofensivo a Thiago Alcântara.

Jackson regressou após lesão e apontou o terceiro golo dos dragões Fonte: Facebook do FC Porto
Jackson regressou após lesão e apontou o terceiro golo dos dragões
Fonte: Facebook do FC Porto

Depois, veio o melhor: os primeiros 15 minutos do FC Porto. Com uma entrada avassaladora, diante de um Bayern que ia dando tiros nos pés, a equipa portista entrou como ninguém esperava que pudesse acontecer. Com um bloco alto, sempre na pressão à primeira fase de construção alemã, o FC Porto foi conseguindo bloquear Xabi Alonso e Lahm, os motores da sala de máquinas tática de Guardiola. Empurrada para espaços e para problemas a que não está habituada, a equipa do Bayern foi obrigada a errar pelo FC Porto. Também por isso não foi de estranhar que, em tão pouco tempo, dois erros defensivos tenham sido tão comprometedores para os germânicos. Logo aos três minutos, Jackson ganhou a bola a Boateng, ficando isolado perante Neuer, que derrubou o avançado colombiano e por isso deveria ter levado o cartão vermelho. Velasco Carballo assim não o quis, e, perante o gigante alemão pela frente, Ricardo Quaresma partiu para bola e decidiu dar a primeira estocada na estratégia alemã.

O Dragão explodiu e mal sabia que, apenas sete minutos depois, novo erro alemão haveria de colocar o FC Porto a vencer por 2×0. Agora, havia sido a vez de Quaresma aproveitar o erro de Dante e, perante Neuer, fazer a sua famosa trivela para marcar o segundo golo portista. Com um resultado tão improvável quanto justo, dada a entrada demolidora portista, Guardiola alterou aquilo que tinha planeado. Obviamente que o controlo da bola esteve sempre lá e não raras vezes o FC Porto foi obrigado no primeiro tempo a jogar no seu último terço de terreno.

A circulação de bola foi mais rápida e os médios jogaram de forma mais prática, procurando envolver Gotze, Muller e Lewandowski no jogo ofensivo. O FC Porto, com dois golos de vantagem na bagagem, viu-se obrigado a recuar o bloco e a entrar no espaço tático indesejado perante uma equipa como o Bayern de Munique. À medida que os minutos iam passando, o bloco portista ia recuando e eram cada vez mais os jogadores que o Bayern colocava no seu processo ofensivo. Por isso, não foi de estranhar que, aos 28 minutos, os bávaros tenham mesmo chegado ao golo, com Thiago Alcântara a dar excelente sequência ao cruzamento de Jerome Boateng. Com o golo alemão, até ao apito para o descanso, o FC Porto voltou a subir no terreno e, por Alex Sandro e Casemiro, a estar próximo de fazer o terceiro golo na partida.

No regresso dos balneários, voltou a entrada forte e autoritária do FC Porto. Ainda assim, e ao contrário do primeiro tempo, em que a estratégia de Lopetegui procurava sobretudo aproveitar o erro contrário, no segundo tempo a equipa foi mais astuta e dinâmica na busca pelo último terço de terreno. Ao obrigar o Bayern a recuar e invariavelmente a falhar passes na sua primeira zona de construção, o FC Porto foi ganhando confiança nos primeiros minutos do segundo tempo. Também por isso, o golo cheirava no Dragão e só não aconteceu mesmo porque Neuer, à passagem da hora de jogo, negou de forma soberba o golo a Herrera. Ainda assim, apenas cinco minutos depois, o melhor guarda redes do mundo foi incapaz de suster a desmarcação e a arrancada de Jackson, que, apesar de não estar na melhor forma física, foi capaz de fazer o que melhor sabe, marcando o terceiro golo para a equipa portista.

Até final do encontro, o Bayern bem tentou reduzir a desvantagem mas raramente conseguiu criar perigo para a baliza de Fabiano. Com uma defensiva solidária e um meio campo batalhador, o FC Porto foi conseguindo sustentar o ímpeto germânico e, de quando em vez, ameaçar o último reduto do Bayern. Como ponto negativo, mais do que o golo alemão, foram os amarelos a Danilo e Alex Sandro, que os deixam fora do jogo de Munique. Com dois golos de vantagem e sem os dois laterais disponíveis, o FC Porto chegará à Baviera na próxima semana com a esperança de que é possível chegar às meias finais. Mesmo contra todas as probabilidades, a exibição desta noite foi mais uma prova de que, mais do que a estatística ou o poder teórico, a ambição também consegue reescrever a história. A tarefa não será fácil mas, por esta noite, o FC Porto mereceu o direito a sonhar. E, claro, sempre com ilusão.

A Figura:
Quaresma –
Vive claramente um dos melhores momentos da carreira. Sempre disponível defensiva e ofensivamente, foi um verdadeiro quebra cabeças para a defensiva germânica. Os dois golos coroam uma exibição de luxo do Harry Potter.

O Fora-de-jogo:
Amarelos a Danilo e Alex Sandro –
Mais do que o golo de Thiago Alcântara, a pior notícia para o FC Porto é a ausência dos seus dois laterais para a segunda volta. A sua importância é essencial e será preciso quase um milagre para a equipa resistir sem duas das suas peças mais importantes no jogo da segunda mão, em Munique. 

Jogadores que Admiro #35 – Andrea Pirlo

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Andrea Pirlo: nome de craque, ídolo, maestro, talento puro, lenda. O italiano conta já com 35 anos, mas a classe e a qualidade com que o perfume do seu futebol ainda deslumbra os relvados por onde passa fazem prever que o pendurar das botas se encontra longínquo. E o futebol agradece, pois não está preparado para perder um jogador desta dimensão.

A cumprir a sua quarta época ao serviço da Juventus, atual tricampeã de Itália, após uma longa passagem pelo rival AC Milan e, até, pelo Inter de Milão, conta com um palmarés invejável aos olhos de muitos. Um Campeonato do Mundo de Clubes, duas Ligas dos Campeões, outras tantas Supertaças Europeias, cinco campeonatos italianos, entre outros títulos, constam da lista de conquistas da carreira de Pirlo. Venceu, também, pela sua seleção, o Campeonato do Mundo de 2006, na Alemanha, e um Campeonato da Europa Sub-21 em 2000. Sem dúvida, um jogador galardoado ao mais alto nível.

Pirlo fez uso da sua inteligência para adaptar o seu futebol à medida que os anos por si iam passando, o que o faz permanecer a um alto nível em idade tão avançada no que concerne a um jogador centro-campista. Embora a velocidade física não seja um atributo que o caracterize, é, sim, a velocidade de pensamento, que a experiência adquirida através da vasta carreira veio engrandecer, que o define como um dos jogadores mais letais no que ao capítulo do passe e da leitura de jogo diz respeito.

A inteligência é uma das principais características de Andrea Pirlo Foto: Juventus FC
A inteligência é uma das principais características de Andrea Pirlo
Foto: Juventus FC

Tal como já foi feita referência, é o autêntico mestre dos passes: a qualidade que demonstra, seja em passes curtos ou longos, coloca-o a um nível a que ainda nenhum outro nos habituou. Alia a tal dom uma tremenda visão de jogo, que lhe permite gerir o ritmo das partidas a seu bel-prazer. Sempre disponível para receber prontamente a bola dos seus colegas e movê-la na melhor direção, é um verdadeiro maestro de uma equipa. É um regalo para os olhos vê-lo dentro de campo na construção de jogadas de ataque perfeitas.

A liderança e o caráter que evidencia dentro das quatro linhas têm vindo a permitir aos jogadores mais jovens que atuam a seu lado adquirirem conhecimento e experiência junto de um dos melhores de sempre, que detém uma vasta influência no seio do grupo da vecchia signora.

Pirlo já deu muito, bastante até, ao futebol, e para agrado de todos promete dar ainda mais. Aos 35 anos, a elevada qualidade de jogo e classe que espalha pela Europa fora é de um gabarito a que poucos conseguirão chegar. É com enorme felicidade que encaro o facto de ainda ser possível observar este maestro italiano ao mais alto nível. Que o seja por muitos mais anos!

Foto de Capa: Juventus FC

 

Abdicar para ganhar

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a minha eternidade

O Futebol Clube do Porto recebe esta quarta-feira o Bayern de Munique, no Dragão, para os quartos-de-final da Liga dos Campeões. O clube alemão treinado por Pep Guardiola é uma das melhores equipas do mundo, apenas ladeado (na minha óptica) pelo Barcelona.

As duas formações enfrentam algumas baixas para este desafio europeu que poderão condicionar os respectivos plantéis. Pelo lado dos dragões não estarão em campo Tello, por lesão, e Marcano, devido a castigo. Jackson, apesar de convocado, não tem treinado com bola nas últimas semanas e não deverá, portanto, jogar de início; no máximo, poderá eventualmente ser opção nos minutos finais do jogo. Neste enquadramento, os azuis e brancos deverão actuar no seu sistema usual (4x3x3), com Fabiano nas redes; Alex Sandro, Indi, Maicon e Danilo na defesa; Casemiro, como pivot defensivo, será coadjuvado pelos interiores Herrera e Óliver no meio campo; Brahimi, Quaresma e Aboubakar formarão o trio mais ofensivo. O colosso alemão irá ter de lidar positivamente com a contrariedade das inúmeras baixas a cargo do seu departamento médico. Entre os indisponíveis está Mehdi Benatia (defesa), David Alaba (que de lateral passou a médio centro), Javi Martínez (trinco posicional e equilibrador) e Schweinsteiger (jogador que melhor une os dois momentos no meio campo: recuperação/construção). Juntando a esta razia, os dois mais ilustres ausentes são os dois criativos/velocistas/finalizadores Robben e Ribéry, que dão uma qualidade suprema à equipa, atribuindo-lhe uma aura de quase imbatibilidade.

Independentemente destas limitações na preparação do jogo, o gigante alemão irá apresentar um onze temível, escalonado numa estrutura de 4x3x3. Manuel Neuer na baliza, Dante e Boateng (centrais), Bernat na lateral esquerda e Rafinha na direita; no meio-campo deverão alinhar Xabi Alonso, Lahm e Thiago Alcântara; como três homens mais avançados, Guardiola deverá lançar de início Mario Götze, Thomas Müller e Robert Lewandowski. Como sistema alternativo, o espanhol poderá utilizar também um 5x3x2, com três centrais e os laterais muito adiantados, entrando Badstuber para central (saindo Lahm do sector intermediário). Se for este o esqueleto inicial, Götze deverá recuar para médio, deixando Müller e Lewandowski soltos perto do golo.

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Herrera foi um dos portistas elogiado por Pep Guardiola
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

Apesar de ser uma equipa com pouquíssimos pontos fracos, os dragões poderão ferir o Bayern de Munique em alguns momentos. Será importante identificar zonas de pressão ou jogadores específicos para roubar a bola e aproveitar a exposição alta da equipa bávara, que abre, devido a uma predisposição excessivamente ofensiva, espaço nas suas costas. Os centrais (não tão hábeis) saem a jogar desde trás e sobem, em várias ocasiões, com a bola controlada para lá do terreno adversário. A dupla de centrais deve ser pressionada ou as suas opções antecipadas pelos avançados portuenses. Xabi Alonso deverá ser alvo de uma marcação individual alternada entre os dois médios interiores (Óliver e Herrera), visto que é o jogador mais habilitado para o início de construção do Bayern, não só no precioso passe curto, mas também no teleguiado lançamento longo (se este jogador for anulado, todo o processo colectivo de posse perde discernimento). Os laterais alemães participam em todos os momentos do ataque posicional, permitindo a abertura em posse no momento ofensivo. Visto que Müller e Götze deverão procurar movimentos interiores e apoios entre linhas, a profundidade deverá ficar a cargo dos dois laterais incansáveis e de técnica apurada. Mesmo assim, julgo que o Porto deverá tentar condicionar o Bayern a lateralizar o jogo e deixar que a bola caia preferencialmente nestes dois jogadores (Bernat e Rafina), não se desgarrando na ocupação da zona central, nevrálgica para condicionar o jogo interior apoiado e combinações em tabela e em diagonais (o ponto mais temível dos alemães).

Julgo que o Porto se pode superiorizar nos momentos de recuperação de bola a meio campo, visto que tem um trio de médios fisicamente mais apto do que o do seu concorrente: Xabi, Lahm e Thiago, jogadores excepcionais no passe curto, mas algo macios e pouco rápidos em processo defensivo. A ausência de Tello (importante para uma invasão do espaço em velocidade) e a de Jackson (exímio em combinações mas também predisposto e competente como primeiro defesa a sair em pressão) serão difíceis de contornar. O posicionamento defensivo alto da defesa bávara poderá ser aproveitado com uma nuance de movimentação por parte do trio de avançados portista. Seria interessante ver Quaresma executar movimentos interiores, abrindo espaço nas faixas a Brahimi e Aboubakar. Assim, o Mustang seria mais um na batalha pelo miolo e, também, em momento de recuperação de bola, poderia executar um último passe letal, solicitando diagonais aproveitando o espaço vago lateral/central oferecido pelos alemães.

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FC Porto ou Bayern – só há lugar para um nas meias-finais
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

Julen Lopetegui e os seus comandados deverão ter a noção de que vão passar a maior parte do jogo sem o contacto com a bola (algo inédito esta temporada). À “superioridade autista” de Guardiola, excessivamente ego centrada no seu estilo e modelo, o técnico basco terá de opor uma abordagem mais condicionada, empreendendo uma contra-estratégia que altere alguns princípios de jogo. Para discutir a eliminatória, os dragões, mesmo que não adoptem uma postura receosa e de contra-ataque, baixando excessivamente linhas e esticando longo na frente, terão de abdicar da sua tradicional troca de bola circular entre os defesas e o seu guarda-redes. Em vez de chegar à baliza contrária com “20 passes”, o Porto poderá iniciar uma construção apoiada e curta, embora não possa sair a jogar de forma pausada e tranquilamente pensada (como tem sido apanágio esta época). Basta o Bayern ganhar uma bola na primeira fase de construção para fazer golo; como tal, os azuis e brancos devem ter a humildade de alterar este seu princípio (sem alterar a filosofia). Não existindo “jogos perfeitos”, para ganhar, o Porto terá de fazer uma “partida sem falhas”.

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto

Atlético 0-0 Real Madrid: perdoar para depois sofrer

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Ao sétimo derby madrileno da temporada, e após a suprema humilhação (4-0) imposta pelo Atlético ao Real em Fevereiro passado, interessava hoje perceber de que forma o actual campeão europeu se apresentaria no Vicente Calderón.  Os merengues não batem o pé ao rival da cidade desde a final da passada temporada e mesmo aí precisaram do tempo-extra para o fazer. Sabendo-se de antemão de todos estes factos e da inteligente forma como Simeone consegue colocar o Real no “colete de forças” colchonero, a tarefa não parecia ser nada fácil para Ancelotti e os seus jogadores.

No entanto, foi um Real Madrid ferido no orgulho e de “cara lavada” que iniciou a partida e controlou todo o primeiro tempo. Com as presenças de James e Modric (que diferente é o Real com e sem o croata…) ao lado de Kroos no miolo do terreno, a equipa blanca é capaz de uma circulação de bola com muito mais qualidade, critério e a toda a largura do campo. Foi por aí que o Real foi “desmontando” a habitual excelente ocupação de espaços da equipa de Simeone e, assim, impôr o seu jogo em campo colchonero, já que, na primeira parte, o Atlético nunca foi capaz de suster as investidas do rival.

Porém, se há arte que o Atlético de Simeone é capaz de dominar é a do saber sofrer quando o desenrolar do jogo assim o impõe. O nulo ao intervalo não era, de forma alguma, o espelho daquilo que se passava em campo e o Atlético bem o podia agradecer a Oblak, que, definitivamente, agarrou o lugar e começa a demonstrar o porquê de o Atlético ter aberto os cordões à bolsa por um dos futuros melhores guarda-redes do mundo.

Respondeu o Atlético na segunda metade, apesar de o jogo ter baixado consideravelmente de ritmo e, consequentemente, de qualidade. O Real não mais encontrou capacidade para se chegar à baliza de Oblak com o perigo com que o fizera no primeiro tempo e o jogo acabou por se colocar mais ao jeito da equipa da casa.Entre quezílias, duelos físicos e choradinhos em redor do árbitro, o tempo foi-se arrastando e ninguém foi capaz de desamarrar o empate sem golos. Acabou o Real encostado às cordas, fruto de um derradeiro mas ineficaz assalto da equipa da casa à baliza de Casillas. Pior resultado para o Real, que, com as oportunidades de golo que foi criando, tinha de sair do Calderón com um resultado mais vantajoso.

O nulo é um resultado altamente perigoso para os blancos, ainda para mais sabendo do cinismo que este Atlético é capaz de emprestar ao jogo. E exemplos de sucesso passado de Simeone no Bernabéu não faltam…

A Figura:

Oblak – O guarda-redes esloveno agarrou a titularidade e demonstrou hoje porque é um guarda-redes de eleição. Negou por diversas vezes o golo à equipa do Real

O Fora-de-jogo:

Real perdulário – Uma equipa com jogadores com a qualidade de Ronaldo, Bale, Benzema ou James não pode falhar 4 ou 5 oportunidades de golo claras em jogos como este. Veremos se não lhes custa a eliminatória

Foto de capa: Facebook da Champions League

Bulgária – A tarefa hercúlea de Ivaylo Petev

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Apesar de não ser uma presença constante nos grandes palcos do futebol europeu e mundial (especialmente durante a última década), a Bulgária já deu muito à modalidade, quer pelos seus clubes, quer através das suas outrora talentosas selecções nacionais. Faz seguramente parte da memória de todos nós a grande equipa búlgara que participou no Mundial de Futebol de 1994 nos EUA, da qual faziam parte jogadores extraordinários como Hristo Stoichkov, Krassimir Balakov, Yordan Lechkov, Borislav Mihaylov e Emil Kostadinov, entre outros.

Pela mão do lendário Dimitar Penev, tio do antigo internacional búlgaro Lyuboslav Penev, a selecção do leste da Europa, que começou como um pária (uma vez que havia apenas conseguido o apuramento no último jogo da fase de qualificação, a expensas da selecção francesa e com dois golos do nosso bem conhecido Emil Kostadinov), atingiu as meias-finais do torneio deixando para trás a Alemanha e caindo apenas aos pés de uma Itália liderada pelo virtuoso número 10 azzurri, Roberto Baggio.

A “Geração de Ouro”, como viria a ficar conhecida essa talentosa equipa, e os tempos de prosperidade do futebol búlgaro foram perdendo tenacidade e o fulgor que lhe haviam assegurado um lugar de destaque entre as potências do futebol mundial e, aos poucos, tudo se desvaneceu. As constantes mudanças de treinador e dos responsáveis pelo futebol búlgaro, associadas aos graves problemas de ordem financeira e social que o país atravessou e dos quais, diga-se de passagem, ainda não se libertou, condenaram o outrora poderoso futebol búlgaro a uma mediocridade arrepiante quer a nível nacional, quer no panorama além fronteiras.

Após ter falhado mais uma vez a presença no Mundial de futebol do passado Verão, a federação búlgara entendeu que deveria continuar a depositar confiança no seu treinador Lyuboslav Penev, que, apesar de ter feito um trabalho relativamente positivo na campanha de qualificação para o Mundial do Brasil, vinha já a perder o controlo da equipa há algum tempo e, em simultâneo, a sua relação com os jogadores estava também longe de ser a melhor.

Contudo, um empate embaraçoso em Sófia contra o modesto conjunto de Malta foi a machadada final no reinado de Lubo Penev à frente da selecção búlgara. Após esse jogo, que teve lugar em Novembro do ano passado e que deixou a Bulgária em muito maus lençóis no seu caminho rumo ao apuramento para o próximo Europeu de Futebol, a federação búlgara decidiu substituir o antigo goleador por um homem, de seu nome Ivaylo Petev, com um currículo bem mais modesto enquanto jogador profissional, mas que parece ter trazido um novo ânimo e alento àquela selecção dos Balcãs.

Ivaylo Petev – o homem responsável por reconstruir uma nova Geração de Ouro no futebol búlgaro Fonte: Facebook de Ivaylo Petev
Ivaylo Petev – o homem responsável por reconstruir uma nova Geração de Ouro no futebol búlgaro
Fonte: Facebook de Ivaylo Petev

Petev, um antigo médio que fez grande parte da sua carreira ao serviço do Litex Lovech, encontrou no papel de treinador a sua verdadeira vocação e, apesar de ser ainda bastante jovem (39 anos), conta já com um excelente palmarés, do qual fazem parte dois campeonatos búlgaros, uma supertaça e uma taça da Bulgária, enquanto comandante do Ludogorets Razgrad. O homem que trouxe o outrora desconhecido Ludogorets da segunda divisão para as luzes da ribalta foi humilhado por alguns adeptos do Levski Sofia, quando, em 2013, o director desportivo da equipa e antiga estrela do futebol búlgaro, Nasko Sirakov, o apresentou à comunicação social como novo treinador do clube, tendo sido praticamente “obrigado” a despir a camisola do Levski por alguns adeptos altamente descontrolados, que irromperam pela conferência de imprensa. Apesar de tudo o que lhe aconteceu, Petev é agora o responsável por trazer a Bulgária de volta aos grandes palcos do futebol europeu e mundial.

Nos dois jogos em que orientou a selecção búlgara, Ivaylo Petev não se saiu mal; pelo contrário, conseguiu um empate frente à Roménia e outro frente à tão aclamada Itália de Antonio Conte. Foi precisamente nesse jogo contra a squadra azzurra que esta “nova e revigorada” Bulgária puxou pelos galões e, após uma primeira parte de luxo, durante a qual o versátil avançado do Kuban Krasnodar (e possivelmente o melhor futebolista búlgaro da actualidade), Ivelin Popov, colocou a selecção italiana em sentido. Contudo, os comandados de Petev acabaram por consentir o empate nos últimos dez minutos da partida.

Ivaylo Petev, que, ao serviço do AEL Limassol, fez tremer o poderoso Zenit de André Villas-Boas durante a fase de qualificação para a Liga dos Campeões no início desta temporada, tem agora uma tarefa hercúlea nas mãos e vai seguramente necessitar de algum tempo para olear a máquina búlgara, que a morosidade do tempo enferrujou. Para completar essa tarefa com sucesso, Petev contará com o talento dos seus jogadores, que incluem o acima referido Ivelin Popov, Nikolay Mihaylov (filho do antigo guarda-redes búlgaro que passou pelo Belenenses e que esteve em grande nível no Mundial de 1994), Vladimir Gadzhev (médio centro de excelente qualidade e actual capitão do Levski) ou ainda Georgi Milanov, um jovem prodígio que faz actualmente parte dos quadros do CSKA Moscovo; contudo, e com alguma urgência, Petev precisa de trazer sangue novo para a equipa, de forma a levar a cabo a tão aclamada e necessária renovação que nunca chegou sequer a ser feita.

O tempo não volta para trás e jogadores com a genialidade de Georgi Asparuhov, Hristo Stoichkov ou Dimitar Berbatov não aparecem todos os dias, mas, num país que já deu tanto ao futebol, Ivaylo Petev, que já provou ser um treinador bastante capaz, irá certamente encontrar matéria prima para voltar a colocar a Bulgária, a curto ou a médio prazo, no lugar de destaque que esta merece.

Foto de Capa: Facebook dedicado ao futebol búlgaro

UFC Fight Night 64: Gonzaga vs Cro Cop II – A redenção de Cro Cop

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Este UFC Fight Night, em Cracóvia, não estava destinado a ser bem sucedido. Apesar do combate principal ser entre dois históricos do MMA, pouco mais atraía neste cartaz. Nem o desfecho mais “desejado”, a redenção de Cro Cop, aumentou a excitação em torno do evento que, por falta de combates significativos no que toca a rankings e títulos das respectivas divisões, conquisto mais bocejos que aplausos. O facto de acontecer entre o Fight Night 63, encabeçado por Chad Mendes e Ricardo Lamas, e o Fight Night 65, protagonizado por Lyoto Machida e Luke Rockhold, dois importantíssimos nomes da categoria de Peso Médio, retirou-lhe a aura que a UFC pretendia.

O primeiro combate da noite foi, sem dúvida, um dos mais interessantes e relevantes do cartaz principal. Joanne Calderwood, a número 6 do ranking de Peso Palha feminino, e Maryna Moroz, estreante, procuraram fazer-se notar à UFC e à campeã Joanna Jedrzejczyk, que assistia das bancadas. Ambas estavam invictas à partida para o combate. Este decorreu de forma rápida: Maryna entrou agressiva e não mostrou medo do jogo em pé de Calderwood. Conseguiu, aliás, impor os seus strikes, encostando Calderwood à rede. Esta fechou um clinch, que foi contra atacado por Moroz, levando a adversária para a guarda e fechando, quase de imediato. Ao tentar fugir, Calderwood acabou por dar mais alavanca a Moroz, que aproveitou e obrigou a sua adversária a desistir aos 90 segundos da primeira ronda. Nos festejos, Moroz dirigiu-se à campeã e fez um gesto de cinto à volta da cintura. Moroz merece já uma oportunidade pelo título? Certamente que não, mas a divisão acabou de se tornar mais interessante.

Após a sua vitória sobre Calderwood, Maryna Moroz (na foto) prontamente desafiou a campeã Joanna Jedrzejczyk. Antevê-se um combate pelo título?  Fonte: UFC
Após a sua vitória sobre Calderwood, Maryna Moroz (na foto) prontamente desafiou a campeã Joanna Jedrzejczyk. Antevê-se um combate pelo título?
Fonte: UFC

O segundo combate foi um dos que mais bocejos arrancou ao público. Os meio médios Pawel Pawlak e Sheldon Westcott protagonizaram um combate com um teor bastante técnico e que decorreu junto à rede, durante a maior parte do tempo. À parte uma projecção e alguns golpes por parte de Pawlak, pouco mais se passou. Na segunda ronda, mais do mesmo, pelo que o árbitro por duas vezes teve de mandar os lutadores para o centro do octógono. À segunda, Pawlak percebeu a mensagem e mostrou-se mais agressivo. Levou a luta para o chão e castigou Sheldon a partir dos cem quilos. O polaco entrou com o mesmo espírito, mas a luta acabou por voltar para a rede. Westcott ficou fatigado e Pawlak aproveitou para levar a luta para o chão, novamente, e castigar mais um bocado Sheldon, que se limitou a aguentar até ao final. Vitória fácil, por decisão unânime, mas não vistosa para Pawel Pawlak. Terá de fazer melhor se ambiciona destacar-se nos rankings da UFC.

Num cartaz principal de apenas quatro lutas, o co-evento principal teve como protagonistas o número 9 do ranking de Peso Meio Pesado, Jimi Manuwa, que vinha de uma derrota contra Alexander Gustafsson, e um ícone dos desportos de combate polacos, Jan Blachowicz. Manuwa, apesar de Jan ter tido alguns rasgos, esteve sempre no controlo da luta. Ao longo das três rondas procurou sempre estar no centro do octógono, encurtando os espaços ao seu adversário. Fez uso dos seus fortes pontapés para desgastar o polaco e conseguir alguns pontos do júri. Na ultima ronda, Jan ainda assustou Manuwa com um pontapé alto, mas este rapidamente recuperou o controlo da luta, conseguindo algumas boas sequências e abrandando o ritmo através do clinch. No final, Manuwa venceu, justamente, por decisão unânime. Foi uma boa resposta à primeira derrota da carreira.

À altura do evento principal havia a sensação de que as coisas não iriam correr bem para Cro Cop. Este não era o mesmo desde a derrota no primeiro combate contra Gonzaga, derrota essa que veio por via de um pontapé alto, mesmo ao estilo do croata. Foi humilhante, sem dúvida. Cro Cop nunca teve muito sucesso na UFC, pelo que acabou dispensado em 2011. Fez mais algumas lutas em circuitos asiáticos, vencendo a maior parte delas – sem a espectacularidade de outros tempos, no entanto. Apesar de tudo, valeram-lhe um retorno à UFC e uma tão desejada desforra contra Gonzaga, número 14 do ranking de Peso Pesado, que lhe atirou a carreira para o seu momento mais baixo.

Cro Cop (por baixo) precisou de sofrer muito às mãos de Gonzaga (por cima) até conseguir arrancar uma vitória, na terceira ronda Fonte: UFC
Cro Cop (por baixo) precisou de sofrer muito às mãos de Gonzaga (por cima) até conseguir arrancar uma vitória, na terceira ronda
Fonte: UFC

Aos 40 anos, Cro Cop mostrou que ainda existe dentro dele algo semelhante aos tempos da Pride. Gonzaga castigou a lenda do MMA na primeira ronda, com destaque para a luta no chão, onde quase fechou uma chave de perna e acabou por terminar a ronda a desferir cotoveladas certeiras. Na segunda esquerda viu-se mais do dominador Gonzaga e o mesmo Cro Cop passivo. Mais uma vez, a maior parte do castigo a Cro Cop deu-se no chão. Para além das tentativas de submissão, Gonzaga desferiu feios golpes a Cro Cop, que terminou a segunda ronda com um visível e profundo golpe no sobrolho.

Foi na terceira ronda que o cenário mudou. Nesta ronda Gonzaga entrou mais lento, levou o combate para a rede e tentou a projecção. Após a falha, desferiu uma joelhada ao corpo de Cro Cop, mas deu-lhe espaço para conseguir a primeira grande sequência, que culminou numa cotovelada que abalou Gonzaga. Ainda que a risco, Cro Cop mandou-se para a guarda de Gonzaga, ignorando o seu poderio a nível de Jiu Jitsu, para trabalhar no ground and pound. Após alguns golpes, conseguiu passar a guarda e, do controlo lateral, desferir alguns socos martelo que obrigaram o árbitro a parar a luta, dada a incapacidade de defesa por parte de Gonzaga. Não foi a vingança, a redenção com que Cro Cop certamente sonhou (a vitória mais saborosa seria, de certeza, através do clássico pontapé alto), mas serviu para terminar o pesadelo de oito anos.

É certo que, com eventos destes, a UFC procura potenciar novos mercados, pelo que aposta em lutadores locais e de alto perfil para a cidade ou país em questão. Tem, no entanto, de ter em atenção que, com um evento principal deste calibre, um reviver de um clássico, o apoio dado pelas lutas que o precedem tem de ser mais forte, algo que não se consegue com lutas que pouco ou nada alteram no panorama dito principal da UFC. Fica, pois, a sensação de que Cro Cop e Gonzaga mereciam um palco maior.

Segue-se, já este Domingo, dia 19, o Fight Night 65, encabeçado por Lyoto Machida e Luke Rockhold. Fiquem atentos à análise no Bola na Rede.

Foto de Capa: UFC

Jogo Interior #8 – A excelência do simples – É complicado…

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Sempre me fascinou o estudo e a compreensão da excelência: principalmente da excelência no Desporto em geral, e a do futebol e do futsal em específico. Já escrevi algumas coisas acerca da excelência mas é uma temática sobre a qual sei, com certeza absoluta, que nunca irei escrever tudo o que há para escrever. Assim como o CR7 tem a certeza de que nunca fará todas as fintas ou golos que há para fazer. Ou o Manuel Neuer tem a certeza de que nunca fará todas as defesas que há para fazer. Ou o Roger Federer tem a certeza de que nunca conseguirá todos os ases que há para conseguir. Ou mesmo o José Mourinho terá a certeza de que nunca ganhará todas as competições que haverá para ganhar.

Tem isto a ver com a excelência? Saber que seremos sempre uma obra inacabada e que haverá sempre tanto para aprender, e também para ensinar, é um dos caminhos que nos impulsiona para a excelência. Uma insatisfação positiva move-nos nesse sentido e sentimo-nos bem com isso; podemos é não percebê-lo. Dentro dessa insatisfação cabem todas as satisfações do mundo enquanto mestres executantes da tarefa para a qual estamos vocacionados. Ser treinador, atleta ou dirigente e trabalhar no Desporto, muitas vezes quase por carolice, outras vezes até profissionalmente, deverá ser uma missão.

O Desporto é uma escola onde nós recebemos sempre mais do que aquilo que damos, mesmo sendo treinadores. É uma escola de vida. Nesta escola de vida aprendemos tudo mas principalmente aprendemos que nunca iremos aprender tudo o que existe para aprender… Existe, principalmente para os treinadores, uma visão de que aquilo em que trabalham é muito complexo. Inclusive nos cursos de formação de treinadores aprendemos que devemos trabalhar com os nossos atletas partindo do simples para o mais complexo. Em conversas com muitos colegas treinadores algumas vezes ouço a expressão “é complicado”, quando se referem ou à sua equipa, ou à sua classificação, ou aos seus resultados. O que todos parecem não perceber é que aquilo em que pensamos é o que dizemos, mas quase sempre acreditamos naquilo que pensamos. Isto é um grande erro. Não devemos acreditar em tudo o que pensamos. Isso é estúpido. Constantemente criamos crenças limitadoras e desnecessárias, que nos condicionam nas nossas actividades e relacionamentos. E complicamos. Por vezes muito.

Uma vez, julgo que num seminário de futebol em que estive presente, o mister Manuel Cajuda lançou uma frase de que nunca mais me esquecerei:

“Se é tão simples complicar, para quê simplificar?”

Óbvio que é uma ironia. Uma excelente ironia que remete para a nossa grande capacidade de complicar ou de gostar mais do complexo porque é o que dá “pica”. É natural que exista uma fase das nossas vidas em que temos uma maior orientação para o complexo, o elaborado, o estruturado, o organizado. No entanto, numa era em que todos trabalham, quer no desporto, quer noutra profissão, quer mesmo na família e nas relações, em complexidade, porque a realidade actual é mais intrincada, veloz e carregada de pressa, na minha perspectiva quem acaba por se tornar excelente é quem faz do simples a sua arte. Quem utiliza o complexo para chegar ao simples e ter sucesso a partir daí. Aqui é natural que ao leitor surja o pensamento: “Xiii! Isso é complicado!”.

Fonte: DR
Fonte: DR

Há uns tempos estive numa formação com o Seleccionador Nacional de Futsal Jorge Braz e o mister Paulo Tavares (treinador do SC Braga), que alertaram para algo que está a acontecer há já algum tempo e de que eles se têm vindo a aperceber, inclusive com a regular chamada de novos jogadores à selecção, quer A, quer sub-19. Estes atletas entendem muito bem o jogo, os princípios gerais, as metodologias de treino, os modelos, as tácticas, etc., mas na execução têm défice em princípios mais básicos. A que conclusões chegaram, e que podem parecer espantosas para muitos, sendo estes factos até transversais às outras modalidades?

Desde o nível mais básico ou elementar de desempenho, ou seja, desde os 10/11 anos, a maior concentração de atenção e foco do treinador vai para (partindo do princípio de que, tal como abordado num artigo anterior, o foco não é nos resultados) os processos tácticos, descurando um pouco os processos técnicos individuais. Claro que os atletas vão crescendo perante o jogo, podendo até ser talentosos e entendê-los, mas quando chegam ao nível de especialização, mais precisamente ao nível de alta competição internacional, não conseguem ganhar competições porque o grau de preparação é ainda inferior ao de outras selecções.

A exemplar referência ao básico, ao simples, aqui, vai ao encontro do que escrevi anteriormente. Só conseguiremos ser excelentes, por exemplo, vencendo um campeonato europeu ou mundial, em qualquer modalidade, quando entendermos que o que é complexo está dependente do que é simples, e que é preciso primeiro, desde cedo, trabalhar o simples até quase à perfeição. É esse simples individual perfeito que fará com que o complexo, que apesar de tudo é natural e existe em tudo, seja de longe mais consistente e evolua de forma a que nos tornemos excelentes.

Por isso, quando nos ensinam a trabalhar do mais simples para o mais complexo, devemos reflectir sobre se não estaremos a dedicar pouco tempo e poucos recursos ao simples e fundamental, dando mais importância àquilo que é mais elaborado e que achamos que dá mais “pica”… É complicado!

Foto de capa: Mirror.co.uk

ABC ganha, Benfica perde, mas final portuguesa é possível

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As duas equipas portuguesas presentes nas meias-finais da Challenge Cup tiveram sortes diferentes nos jogos deste fim-de-semana, mas os resultados deixam em aberto a possibilidade de uma inédita final lusitana numa prova internacional de andebol, neste caso na terceira prova de clubes mais importante da Europa, cujo troféu apenas uma equipa portuguesa já ergueu (o Sporting, em 2010).

ABC vence Stord e está bem posicionado para chegar à final

O ABC de Braga ganhou este sábado aos noruegueses do Stord por 25-18 e, no próximo domingo, desloca-se à Noruega para gerir a vantagem de sete golos e tentar chegar pela segunda vez na sua história a uma final da Challenge Cup.

Com o pavilhão Flávio Sá Leite, em Braga, perto da lotação esgotada, o ABC acusou o peso da responsabilidade de uma meia-final europeia e começou mal o jogo. Os minhotos construíram bem o processo ofensivo, mas a baixa eficácia na finalização fez com que o Stord, uma equipa que, apesar de ser oriunda de um país apaixonado por esta modalidade, tem pouca experiência em competições europeias, fosse a espaços tomando o comando do marcador.

Sem querer tirar mérito ao 6-0 compacto dos noruegueses, o maior responsável pelo facto de o Stord ainda poder sonhar com o apuramento para final é o seu guarda-redes Thomas Aagard, que fez uma excelente exibição e mais de duas dezenas de defesas, muitas em momentos-chave do jogo que poderiam ter catapultado o ABC para um resultado mais dilatado e algumas de um grau de dificuldade máximo (impediu, por exemplo, ao longo do jogo, quatro ou cinco golos em situações de um para zero).

Na primeira parte a equipa da casa desperdiçou demasiadas oportunidades de golo, muitas em contra-ataque, aproveitando os incontáveis turnovers do Stord. A formação nórdica apresentou um ataque muito macio (apenas nove golos marcados em cada parte), que muito raramente solicitava o pivô. Em vez disso, privilegiavam o remate exterior (muitos deles nem sequer chegavam à baliza de Humberto Gomes, uma vez que batiam no bloco), pelo que os bracarenses nunca tiverem de mostrar o quão bem sabem defender, qualidade, aliás, que, na minha opinião, foi decisiva para a vitória frente ao FC Porto na final da Taça de Portugal e também na vitória diante do Sporting no terceiro jogo das meias-finais do campeonato nacional.

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O mítico Pavilhão Flávio Sá Leite foi palco de mais uma boa exibição europeia do ABC

A primeira metade da partida terminou com vantagem de três golos para o ABC (12-9), com destaque do lado da equipa da casa para as boas exibições do central Hugo Rocha e do extremo direito David Tavares, ex-Benfica, e do lado dos visitantes para a prestação de Morten Christensen (que terminou o jogo com quase metade dos golos da equipa, sete) e do conflituoso Jesper Traberg.

Os minhotos foram os primeiros a marcar nos segundos 30 minutos, mas um parcial de 4-0 do Stord colocou no placard uma igualdade a 13 que não exprimia o que tinha sido o jogo, dada a evidente superioridade da equipa portuguesa. O empate durou pouco, uma vez que aos 45 minutos de jogo o ABC já vencia por 21-15, depois de um parcial de seis golos sem resposta que impediram qualquer reação da equipa norueguesa. O Stord acabaria por marcar apenas mais três golos até ao fim, e os minhotos, empurrados pelo espetacular apoio do público, dilataram a vantagem para sete pontos, diferença que acaba por ser escassa se atentarmos na diferença de qualidade entre as duas equipas.

Na segunda metade brilharam os Nunos no ABC, com Nuno Grilo, apesar de algo perdulário da marca de sete metros, a terminar a partida com quatro golos, os mesmos de Nuno Rebelo, que confirma assim o potencial que muitos críticos lhe atribuem para crescer. Nota negativa apenas para a equipa de arbitragem russa, que aplicou muitas vezes de forma incorreta a lei do jogo passivo e anulou, mal, um golo magnífico a David Tavares.

Benfica sai derrotado da Roménia mas eliminatória é recuperável

O Odorhei, da Roménia, venceu esta tarde o Benfica em casa por 31-29 e vai deslocar-se a Lisboa no domingo com uma curta vantagem na eliminatória, que o Benfica tem capacidade para anular e, assim, atingir a final da Challenge Cup. O jogo não teve transmissão televisiva mas, segundo informação do site da Federação Europeia de Andebol, ao intervalo os romenos venciam por um golo (16-15).

O Benfica, que vinha de uma eliminação nas meias-finais do campeonato português frente ao FC Porto, teve no jogo de hoje António Areia como o seu melhor artilheiro, com oito golos, seguido do espanhol Javier Borragan Fernandez (seis golos). Do lado da formação da casa, destaque para o georgiano Vladimir Rusia, que terminou a partida com oito golos, e ainda para o romeno Chike Osita Onyejekwe (sete golos).

Caso uma destas duas equipas portuguesas consiga vencer esta competição, na próxima época o quinto classificado da liga nacional terá uma vaga na Taça Challenge, mantendo-se o lugar na Liga dos Campeões para o campeão português e uma vaga na Taça EHF para o vice-campeão.

Fotos: Facebook oficial do ABC de Braga