Início Site Página 10451

É possível ganhar a guerra sem o melhor soldado e a melhor arma?

0

eternamocidade

O sentimento é diferente. O entusiasmo do público em nada se compara ao que se vê nos jogos do campeonato. O ambiente no estádio contagia adeptos e jogadores. Quando começa o hino, todos se levantam, com um orgulhoso cachecol que pretende mostrar à Europa do futebol que o clube muito fez para merecer estar ali. Entre as oito melhores do velho continente.

Assim se pode descrever a Liga dos Campeões, sem dúvida a melhor e mais entusiasmante competição a nível de clubes. Com os melhores clubes e os melhores jogadores presentes, quem quer ser bem sucedido tem de estar ao seu melhor nível, trazer o seu melhor fato para aquelas noites europeias que acabam sempre por ficar marcadas na memória. Nesta época, tudo isto tem feito parte do quotidiano portista. Sem meias medidas, a equipa entrou para a temporada sem bilhete para a Champions. Em virtude do que aconteceu na época passada, passar pelo Lille era essencial para se conseguir estar na fase de grupos. De forma natural, duas vitórias deram o mote para um percurso que tem sido intocável. Dez jogos, com sete vitórias e três empates, que deixam o FC Porto como a única equipa sem derrotas na competição e com o segundo melhor ataque da prova, apenas ultrapassado pelo… Bayern de Munique. Fazer uma retrospetiva do percurso europeu da equipa de Lopetegui esta época é obrigatoriamente um exercício que nos deixa com um enorme orgulho, bastando para isso recordar as exibições de luxo feitas na Ucrânia, em Bilbau ou no Dragão, frente ao Basileia de Paulo Sousa.

Bem sei que Lille, Shakthar, Atl. Bilbau, BATE Borisov e Basileia não são a nata do futebol europeu e, por isso, o destino que se exigia a um plantel e a uma equipa como a do FC Porto era a de estar presente nos quartos de final da Liga dos Campeões. Ao contrário do que aconteceu em várias ocasiões no campeonato, em que a equipa deu de mão beijada pontos que lhe dariam uma liderança natural por esta altura, na Champions tudo tem sido diferente. Sem receios táticos e sem distrações absurdas, Lopetegui colocou os jogadores a atuarem como verdadeiros veteranos nesta competição.

Estando entre as oito melhores equipas do velho continente, o FC Porto sabia, antes do sorteio dos quartos de final, que, com exceção do Mónaco, toda e qualquer luta em que entrasse na eliminatória seguinte seria uma batalha que só com muito rigor e sofrimento poderia ser superada. E, bom, calhou-nos o Bayern: por esta altura seria difícil pensar em adversário pior para se defrontar. É certo que o Barça tem Neymar, Suárez e Messi; o Real Madrid tem Bale, Ronaldo e Benzema; mas o que distingue este Bayern de todos os outros é o poder coletivo que a equipa demonstra. Liderado pelo melhor treinador do mundo, a equipa posiciona-se em campo como uma verdadeira orquestra. Dando autêntica liberdade tática aos jogadores, Guardiola faz do seu Bayern uma verdadeira casa de máquinas de futebol atrativo, de posse e de controlo, que sufoca os adversários, obrigando-os a jogar em bloco baixo, sem qualquer poder de reação.

1
“Ilusão e ambição” – as palavras de Lopetegui antevendo o confronto diante do Bayern
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

Olhar para este Bayern – para além de jogadores como Robben, Ribéry, Lewandowski, Xabi Alonso, Schweinsteiger, Gotze, Alaba ou Thiago Alcântara – é perceber que existe uma ideia de jogo, trazida por Guardiola de Barcelona para Munique, demonstrando que os jogadores fazem o modelo de jogo mas que o modelo também transforma os jogadores. Sucintamente, é isso que faz do gigante alemão uma das equipas mais temidas da Europa: quem entra numa batalha contra o Bayern, sabe que na maior parte do tempo terá de se sentir desconfortável em campo. Taticamente falando, qualquer adversário que defronte o Bayern sabe que jogar sem bola e aproveitar os seus momentos de jogo são as duas premissas essenciais para derrubar uma equipa cujos pontos fracos são difíceis de apontar. Não existindo nenhuma equipa invencível, obviamente que estes tais pontos fracos existem, sendo que no caso dos alemães isso não é diferente. De qualquer forma, o estilo de posse projetado por Pep faz com que a equipa se una num bloco alto, com os setores interligados entre si numa pressão asfixiante. Jogando como equipa grande, o Bayern nunca se atemoriza e procura sempre controlar todos os momentos.

Por contraditório que isso que possa parecer, penso que este domínio tão absoluto do Bayern durante 362 ou 363 dias do ano faz com que a equipa alemã não tenha a flexibilidade tática para perceber que há adversários que têm poder para contrariar o seu jogo. Não são muitas essas equipas, mas o caso do Real Madrid, nas meias finais da Champions da época passada, é exemplo suficiente para se perceber quão possível é travar este Bayern. Acredito que, na mente da esmagadora maioria dos adeptos do futebol, a eliminatória contra a equipa bávara é uma mera formalidade. A diferença de armas e de poder é tão gritante que qualquer resultado que não o apuramento do Bayern para as meias finais será um desfecho tão ou mais surpreendente do que o título espanhol conquistado pelo Atlético de Madrid na época passada.

Ainda assim, e não foi por acaso que o quis demonstrar, o Bayern tem falhas e pontos que podem ser aproveitados. A eliminatória com o Real Madrid, a Supertaça frente ao B. Dortmund e os jogos da Bundesliga frente a Wolfsburgo e B. Monchengladbach são exemplos que Lopetegui deve compreender. Taticamente, o Bayern é o pior adversário que poderia ter calhado ao FC Porto. Sendo o modelo de jogo do treinador espanhol sustentado na ideia criada por Guardiola em Barcelona, é fácil perceber que, na próxima quarta feira, no Estádio do Dragão, estarão duas equipas à procura da mesma coisa: a bola.

Olhando para o Bayern de Munique, creio que, em termos estratégicos, uma obsessão do FC Porto pela bola nesta eliminatória será a pior coisa que os portistas poderão fazer. Em termos táticos, creio que a única hipótese que pode levar a equipa ao sucesso passa pelo controlo daquilo que é mais importante do que a bola: os espaços. Mais do que querer ser dominador em posse, Lopetegui terá que perceber que, para se derrotar o Bayern, a inteligência mental será o fator determinante. Por isso, saber recuar o bloco e não desposicionar a equipa taticamente – projetando-a para o momento ofensivo através da procura dos melhores espaços na defensiva alemã – será, a meu ver, a chave de que o FC Porto precisa para arrombar o Bayern.

2
O FC Porto é a única equipa que ainda não perdeu na atual edição da Champions
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

Bem sei que dizer é mais fácil do que fazer e que, em largos momentos do jogo, o Bayern vai empurrar o FC Porto para espaços de que a equipa não gosta, obrigando-a a praticar um estilo de jogo de que não é o seu. Realisticamente, creio que é aí que reside o maior desafio de Lopetegui: com uma equipa tão jovem e que está tão habituada a dominar os jogos dentro de portas, como será possível transformar o modelo e fazer deste FC Porto uma equipa taticamente solidária entre setores? Sem Tello – jogador que seria fundamental para aproveitar as transições – e possivelmente sem Jackson – elemento fundamental no arrastar de marcações e nos desequilíbrios na defensiva alemã -, facilmente se chega à conclusão de que a tarefa portista é hercúlea.

É verdade que Alaba, Robben e Ribery serão provavelmente baixas nos bávaros, mas creio que a não presença de Tello e Jackson Martinez serão, à luz da estratégia que Lopetegui teria em mente, muito mais difíceis de colmatar. E isto porque, na máxima força e com uma estratégia adequada, a tarefa portista seria muito mais exequível. Assim, sem o melhor soldado e sem a melhor arma para o contra ataque, serão precisas outras ideias, outras formas para procurar desafiar todas as probabilidades e acreditar, tal como em 1987 no Prater, em Viena, que ainda é possível ao David derrubar o Golias.

Quarta feira, pelas 19h45, lá estarei com os 50 mil que esgotarão o Dragão: com confiança de que é possível chegar mais longe, com esperança de voltar a ver a equipa a trazer o seu melhor fato para a melhor competição. Com esse sentimento diferente, do ambiente contagiante, com o hino que nos prende e com a ansiedade que nos preenche. Assim se descreve a Champions. Agora, só resta ao FC Porto continuar a honrá-la. Eu acredito que é possível.

 

P.S. – O SL Benfica lançou uma campanha nas redes sociais a que deu o nome “colinho”, cujo objetivo é chamar mais famílias aos jogos no Estádio da Luz. No anúncio publicitário, que corre já nas rádios nacionais e que começa a inundar as redes sociais, é percetível que o clube benfiquista procura gozar com Julen Lopetegui, que tem, não raras vezes, alertado para o facto de o Benfica ter sido esta época não raras vezes beneficiado no campeonato.

Mais do que voltar a afirmar o que é óbvio – que o Benfica foi ajudado em algumas partidas, dando-lhe pontos que justificam em parte a sua vantagem pontual no campeonato -, creio que este vídeo deveria ser um argumento para a estrutura portista refletir. Numa fase tão decisiva da época, com campeonato e Champions a serem decididos, acho que a estrutura dos dragões, de dirigentes a jogadores, devia olhar para este vídeo e pensar no que quer para o resto da época. Querendo acreditar que o FC Porto ainda é o clube que sempre foi, espero que este vídeo provocador chegue aos jogadores. E depois, claro, como sempre acontece no futebol, que a resposta a este vídeo e ao campeonato da mentira seja dada em campo. Nunca com vingança, mas sempre com a responsabilidade de uma camisola como a do FC Porto.

Foto de capa: Futebol Clube do Porto

Pressão como alavanca

cab premier league liga inglesa

A pressão exerce sobre nós uma força estranha. Dependendo das personalidades (moldáveis, sempre!) de cada um, pode ser motivadora ou repulsiva. Há quem apenas consiga trabalhar se se vir “apertado” e, depois, cumprir prazos de entrega quando o relógio bate a meia-noite do dia designado e há aqueles que não dispensam a organização e que submetem os referidos trabalhos com muita antecedência depois de planear etapas que lhe permitam trabalhar com tranquilidade.

As primeiras pessoas sentir-se-ão mais aptas a agir no caso de uma emergência, por estarem habituadas à invasão do sentido de urgência, já as segundas poderão sentir mais dificuldade. Ambas se deparam com o famosíssimo dilema “luta ou fuga”. Umas são precavidas, e apesar de atingirem os objectivos tranquilamente, não conseguiram lutar contra uma adversidade inesperada, as outras serão mais flexíveis, ainda que seja preciso “apertar” com elas.

O futebol não escapa a esta analogia. No “nosso mundo” encontram-se inúmeros exemplos do efeito da pressão sobre uma entidade – pessoa ou clube -, que tanto pode cair numa espiral depressiva depois de não conseguir atender à imposição de vitórias levantada por adeptos e direcção como pode ficar motivada com o facto de precisar de vencer e haver margem para melhoria a cada fim-de-semana.

Inglaterra, como não podia deixar de ser, tem exemplos assim. Dentro dos que sucumbem ao poder da pressão, o do Blackpool é o mais flagrante. A equipa milita no segundo escalão (Championship) do país e encontra-se no último lugar, averbando 25 derrotas em 42 jogos disputados, nos quais sofreu 83 golos. Não resistiu à cobrança dos adeptos, e não consegue vencer desde 31 de Janeiro. A descida à League One (terceira divisão inglesa) está consumada.

Dentro dos exemplos positivos (que são muitos), aqueles em que a pressão exerce uma força motivadora, destaca-se o do Crystal Palace. No começo da temporada sabia-se da dificuldade de fazer jus ao legado de Tony Pulis e seus pupilos depois de a equipa ter acabado de subir de divisão e ter assegurado uma Premier League 2013/2014 tranquila, terminando a época num cenário longínquo daquele traçado pelos analistas desportivos.

Desde que a despromoção começou a pairar em Sellhurst Park, a equipa somou 25 pontos. O obreiro foi Alan Pardew.
Fonte: Facebook do Crystal Palace

O Palace começou a época com uma deslocação ao Emirates, tendo perdido de forma natural contra o Arsenal, depois compôs-se, mas acabou por entrar numa sequência de resultados negativos, somando apenas uma vitória entre Outubro de 2014 e Janeiro de 2015, terminando o ano na linha de água. A pressão no início do ano que corre era, portanto, grande. Não que fosse esperado mais desta equipa por parte da imprensa, mas a cobrança dos adeptos era, agora, maior, e a direcção, tendo noção do quanto tinha custado a subir, não quereria voltar a descer. Foi chamado Alan Pardew para substituir o treinador que começara a época, Neil Warnock. A equipa não tinha mudado a sua organização, mas o “mindset” passou a ser outro. Pardew passou a sua habilidade para saber lidar com a pressão para o balneário e todos os “nutrientes” necessários para a enfrentar.

Os resultados são claros como água: traçando uma linha temporal que se inicia na altura em que mudou de treinador e terminando no último fim-de-semana, o Palace é a segunda equipa que mais pontos somou na Premier League (25, atrás do Arsenal, que somou 30).

Tudo começou com o poder de saber lidar com as exigências dos adeptos e direcção, manifestadas nas vitórias sobre o Tottenham, Burnley e Southampton que lhe sucederam, e está agora à vista o que é que esta equipa é capaz de fazer na plenitude das suas capacidades, atravessando uma forma absolutamente fantástica, com quatro vitórias consecutivas, as últimas duas particularmente impressionantes. A primeira em casa, ante o campeão City, onde venceu, justamente, por 2-1, e a segunda no terreno do Sunderland, indo ao Stadium of Light golear os anfitriões por 4-1, exibindo-se a um nível tão alto que o treinador comparou a performance da sua equipa à da selecção brasileira. Yannick Bolasie foi a figura do encontro, apontando 3 golos, mas a segurança e a confiança desta equipa são as verdadeiras razões por detrás do excelente momento que atravessa, tendo a manutenção praticamente assegurada, com 16 pontos para a linha de água quando há 18 para disputar, e estando no 11º lugar em que terminaram a última época. Os Eagles, agora, apontam à superação dessa marca, que parecia uma meta inimaginável há três meses atrás.

Sem pressão e a habilidade de lidar com ela, não se conseguiria conceber um cenário semelhante.

Foto de Capa: Facebook do Crystal Palace

Challenge Cup: Aprender com os erros

0

cab Volei

Uma hora e três minutos foi o tempo que o sonho benfiquista de conquistar a Challenge Cup durou.

Na Luz, era preciso um Benfica que se transcendesse para dar a volta à desvantagem de 3-1 vinda da Sérvia. No país balcânico, o Vojvodina tinha sido mais forte. O Benfica foi sempre uma equipa a correr atrás do prejuízo, só conseguindo equilibrar a partida no único set que ganhou. De resto, os sérvios provaram ser mais fortes.

Agora, num Pavilhão da Luz bastante composto, o Benfica tinha de entrar a ganhar. Vencer o primeiro set era obrigatório para continuar a sonhar. Os encarnados teriam de ganhar por 3-0 ou por 3-1 para empatarem a eliminatória e tentarem vencer a prova. Já o Vojvodina precisava apenas de vencer dois sets para se sagrar vencedor da Challenge Cup.

O primeiro set acabou por ser muito equilibrado. Os sérvios iam à frente no marcador, mas sempre por um ponto ou dois de vantagem. O Benfica voltava a correr atrás do prejuízo, mas ficava no ar a ideia de que era possível vencer este set e dar a volta a eliminatória. Os benfiquistas sonharam ainda mais quando o Benfica conseguiu dar a volta e chegar aos 24-23 depois de estar a perder por 20-23. Mas quando parecia que o Benfica tinha tudo para vencer o primeiro set, a equipa encarnada voltou a cometer os mesmos erros do início da partida, muitas falhas no serviço, o que permitiu aos sérvios dar a volta e vencer por 26-24. Com tudo na mão, o Benfica deixava escapar o primeiro set e bastava perder o segundo para ver o título fugir.

Talvez por ter deixado escapar assim o primeiro set, o Benfica entrou desorientado no segundo. A equipa demorou a encontrar-se e chegou a ter uma desvantagem de seis pontos. As alterações na equipa foram determinantes para o Benfica recuperar e chegar aos dois pontos de desvantagem. Mas mesmo assim não impediu o Vojvodina de vencer o segundo set por 25-21 e calar o Pavilhão da Luz. O sonho tinha acabado, a Challenge Cup já não escaparia aos sérvios, que foram superiores nos dois jogos. Para o Benfica restava agora lutar pelo orgulho e tentar vencer o jogo, por uma questão de honra.

Carregado por um pavilhão que nunca deixou de apoiar os jogadores, o Benfica deu a volta ao resultado. Já sem pressão, tudo saiu bem ao Benfica, que venceu os restantes sets por 25-16, 25-23 e 10-15. A equipa encarnada caía com honra, com os adeptos do Benfica a aplaudirem os atletas pelo esforço. O triunfo da equipa sérvia foi justo, pois foram melhores enquanto se jogou a sério. Ao Benfica faltou não cometer tantos erros, principalmente no serviço. Se as coisas tivessem corrido tão bem como correram depois de a eliminatória estar perdida, o Benfica poderia ter saído campeão.

No entanto, há que dar os parabéns aos atletas do Benfica pelo grande percurso que realizaram na Challenge Cup. Percurso quase imaculado, com apenas uma derrota, na primeira mão da final, honrado a instituição Benfica e o voleibol nacional. Hoje o Benfica é visto de forma diferente no mundo do Voleibol internacional. Aprende-se com os erros e espero que o Benfica tenha aprendido com estes dois jogos. Realçar mais uma vez os adeptos do Benfica, que foram enormes no apoio.

Vit. Setúbal 1-2 Sporting: Entre o processo e o resultado…

escolhi

O processo é o meio pelo qual chegamos ao resultado. O conjunto de princípios que nos aproximam, ou não, dos resultados. O processo é a nossa forma de percorrer. O caminho.  O resultado é apenas o fim. Mas é tudo ao mesmo tempo, porque no futebol – como em qualquer outra modalidade – o que conta é o fim. Mas a que escala devemos olhar? Há mais razões de sobressalto num jogo com processo e sem resultado ou sem processo e com resultado? Dir-me-ão os mais precipitados que, se houve resultado, está tudo bem. Resultado é o fim. Mas, a menos que se trate de uma final ou do último jogo da temporada, há mais resultados para conquistar. E quem apresenta o processo está mais perto de conseguir os próximos resultados do que o contrário. Pela regra básica que nos diz que quem joga bem está mais perto de vencer do que quem joga mal.

Por isso disse a uns amigos sportinguistas, no final do jogo,  que preferi o empate com o Paços a esta vitória sobre o Setúbal.

Disse-o porque considero que dificilmente o Sporting perderá o terceiro lugar ou chegará ao segundo – o que me leva a relativizar a importância do resultado naquele contexto. Mas disse, sobretudo, porque frente ao Paços vi princípios que já há algum tempo tinham desaparecido do conjunto de Alvalade: pressão alta, extremos por dentro, intensidade na procura, etc. Vi, no fundo, um processo capaz de nos conduzir a mais resultados. Hoje, o Sporting voltou a ser uma equipa descaracterizada. De elementos demasiado distantes, de jogo exterior forçado até à exaustão, de bola longa enquanto resultado da falta de linhas de passe próximas. Vi um processo aleatório que gerará, no meu entender, resultados aleatórios. 

O Vit. Setúbal é um conjunto muito inferior ao Sporting. O recente histórico desfavorável dos leões em Setúbal não pode ajudar a menorizar a diferença entre as equipas. Posto isto, não é normal ver nos primeiros 10/15 minutos de encontro a equipa de Alvalade com tantas dificuldades em impor-se no jogo devido a uma pressão forte da equipa da casa. Menos normal se torna, na segunda parte, ver o conjunto leonino a recuar linhas assim que vê a sua vantagem no marcador reduzida a um golo. Se chegou aos golos com bola e linhas subidas, porquê abdicar dos princípios que fizeram surgir a vantagem? Porquê renunciar ao que nos faz ganhar? É esta falta de processo – ou aleatoriedade de processo, se preferirem – que me preocupa.

Hoje, tudo foi demasiado cinzento embora ainda assim um pouco mais luminoso do que no adversário. Por outras palavras, o Sporting não jogou bem mas mesmo assim justificou a vitória mais do que o Setúbal. Pelo meio, Olegário Benquerença fez uma segunda parte mi-se-rá-vel ao expulsar anedoticamente Ewerton e com uma mão cheia de intervenções erradas que retiraram ao Sporting a possibilidade de terminar mais cedo o encontro. Ainda assim, há um mundo de distância entre este Sporting e aquele que, a certa altura, entusiasmou a massa associativa. O mesmo que merecia ter passado a fase de grupos da Liga dos Campeões, que eliminou o Porto da Taça de Portugal ou que em nada ficava a dever – antes pelo contrário! – ao Benfica. E é esse que peço de volta ao Marco Silva. Porque gostava do processo? Não! Pelos resultados que gerava e poderia vir a gerar; que não há mais resultadista do que eu.

A Figura

Suk – Num jogo de poucos destaques, o avançado asiático do Vitória apontou um golaço e provou que foi uma excelente aquisição por parte da equipa sadina. Forte fisicamente, tem potencial para crescer e vir a jogar num colectivo que lhe proporcione algo mais do que esta equipa o faz.

O Fora de Jogo

Olegário Benquerença – Se ainda não viste o lance que origina o segundo amarelo de Ewerton, vai ver. Quando vires, entendes que não preciso de justificar esta escolha.

Foto de capa: FPF

O Melhor do Mundo do Apito – Entrevista com Pedro Proença

entrevistas bola na rede

Pedro Proença é considerado, pela generalidade da crítica, o melhor árbitro português de sempre.  Foi eleito o melhor do século para a Federação Portuguesa de Futebol e apitou as finais da Liga dos Campeões e Campeonato da Europa de Seleções em 2012. Em exclusivo para o nosso site, Pedro Proença abre o jogo e dá a conhecer algumas das suas posições relativas ao campo da arbitragem, ao seu futuro profissional e até pessoal. O Bola na Rede deixa votos de sucesso para o futuro da carreira profissional e agradece a amabilidade e pronta disponibilidade do antigo árbitro português para nos conceder a entrevista.

Arbitragem e Controvérsia:

Bola na Rede: Que imagem pensa ter deixado perante o público português (englobando, logicamente, clubes, desportistas e adeptos)?

Pedro Proença: Estou convicto de que deixei uma imagem de credibilidade, de profissionalismo e de competência, junto de todos os intervenientes no panorama desportivo. A prova disso mesmo foi dada aquando do anúncio do meu abandono da arbitragem, em que árbitros, associações e clubes me deram a honra de estarem presentes, bem como as cerimónias de homenagem ao meu percurso na arbitragem, que tenho recebido, com enorme satisfação, desde então.

BnR: Qual é que foi o momento mais marcante, pela positiva, da sua carreira como árbitro? E pela negativa?

PP: Não tenho um jogo particular que me tenha marcado pela negativa. Óbvio que aqueles que nos correram menos bem, em termos de decisões tomadas enquanto árbitros, foram menos positivos. No entanto, tive a felicidade de ter bastantes momentos marcantes pela positiva. A nível nacional, tive a sorte de arbitrar dezenas de derbys, bem como finais da Taça da Liga e da Taça de Portugal; a nível internacional, o expoente máximo ao dirigir a final da Liga dos Campeões e a final do campeonato da Europa, em 2012.

BnR: Considera-se o melhor árbitro português da história?

PP: Face ao meu curriculum nacional e internacional, penso que deixei, definitivamente, o meu nome na história da arbitragem portuguesa. Aliás, o reconhecimento do meu percurso fica indelevelmente marcado com a presença na final das duas maiores competições do futebol europeu, culminando com a atribuição do prémio de melhor árbitro do mundo em 2012 (algo inédito no futebol português) e, mais recentemente, com o prémio de melhor árbitro português do século, no centenário da Federação Portuguesa de Futebol.

BnR: O que lhe faltou conquistar ao longo da sua carreira?

PP: Penso que não faltou nada. Deixei a arbitragem, orgulhoso do meu trajeto e realizado por tudo o que consegui. Não alteraria o meu percurso! Atingi os objetivos a que me propus, por isso, esta decisão foi tomada em consciência de dever cumprido.

BnR: Era apontado pela generalidade da opinião pública como o favorito a arbitrar a final do Mundial de Clubes. No entanto, isso acabou por não acontecer. Consegue explicar o que se passou? Houve, de facto, pressão por parte da equipa do San Lorenzo?

PP: Não penso ter existido qualquer pressão por parte de quem quer que seja. Neste tipo de competições internacionais, a UEFA e a FIFA selecionam um grupo de árbitros que reúnem um determinado perfil desejado, tendo, por fim, de efetuar uma escolha. No caso em concreto, acabou por ser escolhida uma outra equipa de arbitragem, e eu respeito, como sempre, esse tipo de decisões.

BnR: A recente greve dos árbitros portugueses, que poderá colocar em causa o funcionamento dos últimos jogos da Liga, é reveladora do estado atual da arbitragem portuguesa?

PP: É uma situação que necessita de uma rápida resolução, acima de tudo. Esperemos que não comprometa o normal decorrer das últimas jornadas do campeonato principal. Que possa existir diálogo entre as entidades envolvidas e que os compromissos assumidos sejam honrados, a bem da arbitragem e do futebol português.

Proença anunciou o fim da carreira no início de 2015 e agora procura novos desafios Fonte: FPF
Proença anunciou o fim da carreira no início de 2015 e agora procura novos desafios
Fonte: FPF

O Futuro Profissional:

Bola na Rede: Há uns tempos não fechou a possibilidade de uma futura candidatura à liderança na Liga de Clubes, bem como à APAF. Pode confirmar se essas hipóteses ainda estão nos seus horizontes?

Pedro Proença: Não fecho a porta a nenhuma ideia. Até ao momento, ainda não existe qualquer projeto. Se aparecer e for aliciante, será obviamente analisado. Atualmente, dedico-me exclusivamente à minha carreira enquanto gestor e, desportivamente, estou focado apenas na eleição para o comité de arbitragem da UEFA.

BnR: É adepto confesso do Benfica. Admitiria a possibilidade de, um dia, integrar a estrutura diretiva do clube da Luz?

PP: Não sabemos o dia de amanhã, mas parece-me que muito dificilmente isso aconteceria. Seja na estrutura do Sport Lisboa e Benfica ou em qualquer outro clube.

BnR: O que se vê a fazer pelo futebol português num futuro próximo?

PP: Nesta altura, em termos desportivos, a minha total concentração está dirigida para o comité de arbitragem da UEFA. Se entretanto aparecer algum projeto, certamente terei de o analisar.

Pedro Proença foi eleito o árbitro do século para a FPF Fonte: FPF
Pedro Proença foi eleito o árbitro do século para a FPF
Fonte: FPF

O Plano Pessoal:

Bola na Rede: Quando é que tomou a decisão de ser árbitro de futebol?

Pedro Proença: No momento em que quis conjugar e articular a minha vida académica com a prática de uma atividade desportiva.

BnR: O que é que será mais benéfico para a arbitragem portuguesa: a profissionalização ou uma Academia própria para jovens árbitros?

PP: Esses dois projetos, quer o conceito da profissionalização, quer o da academia de arbitragem, já existem, ainda que numa fase inicial. Tudo o que seja criar condições para termos os melhores árbitros, bem preparados a todos os níveis, será sempre de salutar.

BnR: Tem opinião formada sobre a formação no futebol português? Considera que os clubes portugueses estão a caminhar no sentido correto?

PP: A formação de jogadores em Portugal é, reconhecidamente, uma das melhores do mundo. Exemplo disso são os muitos jogadores portugueses espalhados por campeonatos mundiais, bem como o facto de termos, na nossa história, três jogadores considerados melhores do mundo: Eusébio, Figo e Cristiano Ronaldo.

BnR: O que sentiu quando arbitrou pela última vez um jogo como árbitro profissional?

PP: Um sentimento de dever cumprido e de orgulho neste percurso de 26 anos.

BnR: Sente que, alguma vez, acusou a pressão de um jogo? Em qual?

PP: A pressão de ser competente e fazer o melhor existe em qualquer profissão. Enquanto árbitro, sempre estive ciente da importância das minhas funções dentro de campo e de tudo o que um bom ou menos bom desempenho implicava. Em todo o caso, sempre me preparei do mesmo modo para todos os jogos, com o máximo de empenho e concentração, para que, na eventualidade do erro, pudesse sair do terreno de jogo com a consciência tranquila de que dei o meu melhor.

BnR: Acha que o facto de ter sido nomeado para a final do Europeu de Seleções, bem como para a Liga dos Campeões, em 2012, foi decisivo para adquirir o mediatismo que tem hoje em dia?

PP: Acredito que sim, que possa ter contribuído para esse mediatismo. A presença nas finais dessas duas competições foi, acima de tudo, o reconhecimento do valor da arbitragem portuguesa. Para os jovens árbitros foi também a prova de que, com trabalho e dedicação, é possível atingir um patamar de excelência e alcançarem os seus sonhos.

BnR: Qual o jogo que mais gozo lhe deu arbitrar?

PP: Todos! Obviamente que arbitrar jogos decisivos, finais, é algo sempre marcante. Em todo o caso, para quem tem paixão pelo fenómeno do futebol, poder contribuir para um bom espetáculo, com bons intervenientes, em estádios repletos de adeptos vibrantes, é sempre motivo de regozijo.

BnR: Cumpriu todos os seus sonhos?

PP: Sim, deixei a arbitragem muito realizado. Tive uma carreira recheada de sucessos, fui um privilegiado… Arbitrei alguns dos melhores jogadores do mundo, clubes e seleções, nos estádios mais fantásticos e nas competições mais importantes no futebol mundial.

Entrevista realizada por Mário Cagica Oliveira e Vítor Miguel Gonçalves

Ganhou o do costume – e bem!

cab desportos motorizados

Tal como ele próprio disse ainda antes da corrida, Xangai é de facto um excelente palco para Lewis Hamilton. O inglês conseguiu a quinta pole no circuito chinês e juntou-se assim a nomes como Michael Schumacher ou Ayrton Senna. Mas Hamilton desvalorizou, foi humilde, relembrou que também havia conseguido a pole-position na Malásia, e Vettel acabou por conquistar a vitória. Esperou que a corrida falasse por si. E assim foi.

O piloto britânico controlou a prova do princípio ao fim e não deu espaço ao outro Mercedes, de Nico Rosberg. Sebastian Vettel ficou na terceira posição, e o pódio da qualificação não foi alterado. O outro Ferrari, Kimi Raikkonen, ultrapassou os dois Williams e confirmou o quarto lugar; foi, mais uma vez, “o melhor dos outros todos”. Isto porque o Mundial de F1 2015 está claramente partido, separado entre Hamilton, Rosberg e Vettel, e os “outros”. Dificilmente haverá outros vencedores; arrisco-me até a dizer outros nomes nos pódios, que não estes três.

Voltando à corrida desta manhã, as últimas duas voltas foram cumpridas atrás do safety-car, depois de Max Verstappen (Toro Rosso) ter ficado parado na recta da meta. Mais um motor Renault a ter problemas; a época está difícil para a marca francesa. Com o safety-car em pista, Hamilton tinha já a vitória garantida a duas voltas do final. Pastor Maldonado (Lotus) obteve um feito (negativo…) quase histórico: três GPs, três abandonos. O venezuelano sofreu um toque de Button (McLaren) e não teve condições para continuar em prova.

Já depois do fim da prova, os dois pilotos da Mercedes voltaram a protagonizar um momento pouco bonito. Mais uma vez sem papas na língua, Rosberg acusou o colega de correr com pouca velocidade, pondo em risco o segundo lugar do alemão, que teve Vettel a poucos metros. Lewis Hamilton defendeu-se e disse que não entendia as críticas, que Rosberg até podia tê-lo ultrapassado e não o fez. Hamilton é elegante. Pode até ser egoísta e mau colega, mas nada transparece cá para fora.

Ganhou o do costume. Venha o Bahrain, a 19 de Abril.

Foto de capa: Página de Facebook da Mercedes AMG Petronas

Liverpool: O exemplo de como não fazer

cab premier league liga inglesa

Depois de uma época quase perfeita, o Liverpool começaria a atacar o título novamente esta época; pelo menos, deveria.

Em primeiro lugar, usar a ausência de Suárez como desculpa. É certo que o uruguaio deixou um enorme vazio no ataque de Rodgers, mas deixou também nos cofres de Anfield mais de 80 milhões de euros.

Em segundo lugar, a longa lesão de Sturridge. Depois da tremenda época atacante do ano passado, na primeira metade da época restava apenas Sterling, um jovem que aos 20 anos se viu como abono de família de uma equipa que tinha o título em mente. Muito curto. Se Sturridge e Sterling tivessem jogado juntos todo o campeonato, acredito que a sua história pudesse ter sido um pouco diferente.

Em terceiro lugar, o azar na defesa. As temporadas soberbas de Mignolet no Sunderland, e mesmo a boa estreia no Liverpool, não faziam sequer pensar na possibilidade de este jogador se revelar tão inseguro durante grande parte da temporada. O pior é que a insegurança à sua frente era pior: Lovren está bem longe de valer os mais de 25 milhões de euros pagos pela sua transferência ao Southampton.

Em quarto lugar, a tática dos três centrais e dos três extremos. Foi assim o melhor período da época do Liverpool, mas esta equipa não pode jogar assim. É quase impossível pensar no título da Premier a jogar sem um ponta de lança e com três centrais na defesa, muito menos quando se abdica de um extremo para o meter a jogar no meio: extremos como Sterling, Markovic e Lallana.

Em quinto lugar, o principal problema do falhanço desportivo desta temporada: saber gastar dinheiro. Podemos dizer que o Liverpool sofreu do síndrome Gareth Bale. Lembram-se da primeira época do Tottenham pós-Bale? Com 100 milhões frescos, os responsáveis londrinos preferiram gastar 30 milhões em dois ou três jogadores de qualidade mas que não faziam em nada diferença em relação ao galês. No Liverpool passou-se exactamente a mesma coisa: com os 80 milhões de Suárez, adquiriram Markovic, Balotelli, Rickie Lambert, Lallana, e ainda Origi, que permanece por empréstimo no Lille, pela módica quantia de 94 milhões de euros, ou seja, ficaram tão deficitários em termos de qualidade como em termos financeiros.

Ainda não é desta que o Liverpool vence o campeonato, mas esta pode ter sido uma época muito importante para o clube de Anfield. Espero que o enorme erro que foi esta temporada sirva de exemplo a não seguir e que melhorem daqui em diante. Recuperar o dinheiro gasto vai ser difícil, mas um investimento num jogador de top mundial em vez de um em três ou quatro apenas bons seria uma boa maneira de atacar a época seguinte. Marco Reus é o jogador ideal para substituir Suárez. Goleador e bom a partir da esquerda para o meio, formaria uma tripla atacante de morte com Sturridge no meio e Sterling à direita.

Eu gostava que todos estes erros não existissem mais e que os adeptos do YNWA fizessem finalmente a festa inglesa, mas, tratando-se de um clube que ainda há poucos anos gastou mais de 40 milhões de euros num avançado chamado Andy Carroll, duvido de que consiga voltar ao que foi em 2013/14.

Rio Ave 1-3 FC Porto: Alta concentração

tinta azul em fundo brando pedro nuno silva

Jornada 28 da Liga Portuguesa. O FC Porto viajou até Vila do Conde para defrontar o Rio Ave, equipa que tenta assegurar um lugar na Europa. Havendo muito em jogo para o Porto e menos pressão para o Rio Ave, os Dragões não podiam perder pontos e isso reflectiu-se no terreno de jogo. O Porto simplesmente não deixou o Rio Ave jogar aparecendo os vila-condenses somente a espaços e com pouco perigo.

Onze portista sem surpresas: 4-3-3 habitual, com Casemiro, Oliver e Herrera a compor o trio de meio campo. O Porto controlou o jogo desde o início e procurou sempre a baliza; sem grande circulação de bola na defesa (como acontece por vezes) e com um meio-campo que procurou sempre a verticalidade, várias foram as vezes em que chegou com perigo à baliza dos visitados.

Aos 8’ surgiu um dos lances do jogo, ao ser mal anulado um golo a Brahimi após aproveitar uma bola deixada por Aboubakar – o fiscal de linha, enquadrado com o lance e sem ninguém à frente, viu um fora-de-jogo. Este lance não abrandou o ímpeto portista que, com grande rapidez, chegava perto da área do Rio Ave.  Quaresma e Brahimi iam criando o desequilíbrio individual, especialmente o português que cruzou várias vezes para a área à espera da concretização.

Os corações portistas acalmaram à passagem do minuto 25, quando Quaresma disparou à barra e, na insistência, Danilo (que recuava em posição de fora-de-jogo) foi derrubado na área. O extremo luso converteu a grande penalidade e trouxe alguma justiça ao jogo.

O Porto nunca deixou de ter o controlo do jogo e as transições foram sempre rápidas; apenas alguns passes mal efectuados por Herrera trouxeram calafrios aos azuis e brancos mas nada que a defesa não tenha conseguido resolver. É notório ver que o Porto consegue muitas vezes criar perigo quando perde pouco tempo no processo de construção de jogo. Reflecte, a meu ver, as características dos seus dois médios mais atacantes – Herrera e Oliver – jogadores com técnica e mais fortes no passe e na descoberta de espaços do que propriamente no transporte de bola. Acrescento ainda que é geralmente Herrera a fazer esse papel, que é um jogador um pouco inconstante no acerto do passe, diga-se.

Antes de acabar a primeira parte ainda houve tempo para mais um golo portista. Danilo assinou um golo de belo efeito (literalmente), pontuando uma semana em que foi pai – está em alta o lateral brasileiro.

1
Hernâni marcou o primeiro golo com a camisola dos dragões
Fonte: fcporto.pt

A segunda parte trouxe um Rio Ave um pouco melhor mas que foi inoperante durante os primeiros 15 minutos (excepção feita a um cruzamento de Jebor que saiu perto do poste da baliza de Fabiano). O Porto continuou a controlar o jogo e, essencialmente, a dominar as tentativas de ataque vila-condenses. Só faltou mesmo o 3º golo para materializar o seu ascendente, sendo que oportunidades não faltaram! Aos 64’ saiu Quaresma e entrou Hernâni mas a verdadeira mudança de jogo para os portistas chegou ao minuto 71 com o golo de Tarantini – Danilo e Maicon não eliminaram a ameaça de Zeegelar que cruzou para o remate do médio do Rio Ave.

O Porto tremeu um pouco e Lopetegui (que mais uma vez esteve bem a avaliar o jogo) fez entrar Ruben Neves para o lugar de Brahimi, impedindo que a equipa portista se partisse até porque já não havia a mesma disponibilidade física. O jovem médio ajudou a segurar o meio-campo e a controlar a ameaça visível do Rio Ave e, assim, o Porto nunca deixou de atacar (ou contra-atacar). Num aproveitamento de uma perda de bola do Rio Ave, Aboubakar serviu Hernâni, que fez o 3º portista e colocou um ponto final no jogo. O Rio Ave ainda tentou mas o destino do jogo estava selado.

Boa vitória dos Dragões, com um jogo bem conseguido que podia até ter sido por números mais dilatados. Apesar da agenda ditar um confronto diante do Bayern de Munique, na próxima quarta-feira, foi notória a alta concentração da equipa no encontro de hoje, algo que reflecte dedo do treinador sem dúvida. A perseguição ao líder mantém-se numa altura em que uma competição foi riscada das nossas aspirações e em que a tolerância é zero.

 

A Figura
Danilo – Esteve presente no primeiro golo, marcou o segundo e mais uma vez corre que até cansa ver. Mais um grande jogo do recém-papá.

O Fora-de-jogo
Equipa de Arbitragem – Foi essencialmente o fiscal de linha que esteve mal, até porque aquele lance de Brahimi podia ter tido influência no resultado. Mais tarde não viu que Danilo saiu de posição de fora-de-jogo no lance que originou a grande penalidade.

Foto de capa: fcporto.pt

Benfica 5-1 Académica: Deixem passar o melhor futebol de Portugal

Topo Sul

Sublime. Magnifico. Estes são dois dos vários adjetivos que se podem juntar à vitória do Benfica hoje na Luz frente à Académica de Coimbra. Uma exibição de mão cheia com cinco golos, classe e muita, muita qualidade de jogo. A história da partida conta-se em poucas, mas bonitas palavras. O Benfica dominou, avassalou do princípio ao fim e não deu a mínima hipótese ao adversário de discutir o jogo. A Luz agradeceu e aplaudiu de pé.

À passagem do primeiro quarto de hora já Jardel e Jonas tinham colocado o Benfica na frente do marcador, com dois cabeceamentos certeiros. Por esta altura, já a muralha defensiva da Académica estava derrubada  e era toureada pela magia de Gaitán e companhia. Desde túneis a calcanhares, dava para tudo no teatro de Luz, numa primeira parte de luxo das águias. Tudo isto ainda antes de Lima, numa grande penalidade bem assinalada, fazer o 3-0, resultado com que acabaram os primeiros quarenta e cinco minutos.

Chegou o segundo o tempo com a Luz em êxtase e  o mesmo cenário montado no relvado. Os encarnados voltaram relaxados, mas motivados e prontos para uma segunda parte ao nível da primeiro. Os estudantes, sem chama, só queriam que o jogo acabasse o mais rápido possível, tal a desorientação com que estavam em campo. A velocidade e dinâmica das águias mantiveram-se intactas e o quarto golo surgiu, quando tudo o fazia prever. Jonas marcou o vigésimo terceiro golo da época, após a segunda assistência de André Almeida – a única novidade no onze dos encarnados. Depois mais do mesmo. Entendimentos perfeitos entre laterais e extremos, posse de bola rápida e eficaz, oportunidades de golo de cinco e minutos, a favor do Benfica, a única equipa em campo.

Jonas já leva 24 golos de águia ao peito Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Jonas já leva 24 golos de águia ao peito
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Até final, nota (e que nota!) para momentos emotivos no relvado da Luz : Rafael Lopes, avançado da briosa, marcou o 4-1, quebrou um jejum de vários meses sem marcar e festejou com lágrimas; Jonathan Rodriguez, avançado uruguaio que já se tinha estreado pela equipa B do Benfica, estreou-se pela formação principal para gaudio do público encarnado; Fejsa regressou à competição depois de longos meses de ausência a até marcou um excelente golo, o quinto das águias, estabelecendo o resultado final : 5-1.

Em mais um jogo que vale como uma final, o Benfica voltou a mostrar a pujança da águia, guiado por uma incrível onda vermelha – 50 mil nas bancadas. Mesmo frente a uma Académica ultra defensiva, os encarnados provaram que, em casa, praticam o melhor futebol em Portugal.

A Figura:
Jonas
– Começa a ser incrível o que este senhor está a fazer na sua primeira temporada da águia ao peito. Faz o que lhe pedem: golos e classe. Tem um perfume de luxo e mais de duas dezenas de golos na época.

O Fora-de-jogo:
José Viterbo – Chegou à Luz com estatuto de grande depois de nove jogos sem perder, mas montou uma estratégia de clube muito pequeno. O autocarro cedo avariou e por isso talvez se explique o porquê de a Académica não ter vindo jogar à Luz esta tarde.

As duas rodas na América

0

cab desportos motorizados

Passadas duas semanas do início do campeonato, no Qatar, a classe rainha do motociclismo ruma, este fim-de-semana, às terras do Tio Sam, ou seja, aos EUA. O circuito das Américas, situado em Austin, faz parte do calendário desde 2013 e, segundo as estatísticas, é território de Marc Marquez

Mas antes de esmiuçar o Grande Prémio deste fim-de-semana, recordam-se alguns acontecimentos da corrida do Qatar, até porque pode influenciar o que se passará em Austin.

A Honda, aos comandos de Marc Marquez e Dani Pedrosa, não confirmou o favoritismo, tendo o bicampeão Marquez alcançado, apenas, o quinto lugar na corrida de domingo. Esta posição deveu-se a dois factores: ao erro cometido pelo espanhol logo na primeira volta, que o levou a ter de recuperar algumas posições, e também ao excepcional rendimento da Yamaha, com Valentino Rossi e Jorge Lorenzo, e da Ducati aos comandos de Andrea Dovizioso.

Aliás, o piloto italiano da Yamaha foi o grande vencedor, contrariando deste modo todas as previsões. O próprio disse que a corrida do Qatar tinha sido das melhores da sua carreira. E a verdade é que foi. E foi também a confirmação da vitalidade do «Il Doctore».

1
Em 2014, Marc Marquez dominou no circuito das Américas.
Fonte: redbull.com

A corrida do Qatar já é passado para Marc Marquez e para os outros pilotos, e é hora de rumar ao outro lado do mundo para um circuito onde o espanhol é o claro favorito. Contudo, as condições atmosféricas – e convenhamos que são um factor importante -, mostram-se algo diferentes: a chuva parece querer aparecer e tramar o favoritismo de Marc Marquez, que venceu sempre em Austin… mas em piso seco.

Em 2014, o espanhol dominou durante todo o fim-de-semana: fez o melhor tempo em todas as sessões de treino, conseguiu a pole position, terminou a corrida a mais de quatro segundos de distância para o segundo lugar e estabeleceu o recorde do circuito. Uma autêntica máquina.

Apesar do favoritismo de Marquez, tanto os pilotos da Yamaha como da Ducati estão optimistas, considerando que a superioridade da Honda não será, este ano, tão grande como em 2014. No circuito das Américas, a velocidade será um factor importante, e as máquinas da Yamaha e da Ducati já mostraram que são mais fortes que a HRC no que toca à aceleração em recta.

A verdade é que cada Grande Prémio é um mistério. E nem sempre o favoritismo e as estatísticas se confirmam. Não podemos, porém, esquecer-nos de que o facto de a Yamaha e a Ducati terem voltado a ser competitivas só torna o Mundial mais apelativo e mais emocionante para quem segue as duas rodas. E quiçá para conquistar novos adeptos.

A corrida das Américas começa às 20h00 de Lisboa.

Foto de capa: Página de Facebook de MotoGP