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Todos os olhos a Norte

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Cabeçalho modalidadesChegou uma estrela e de seguida um conjunto de roleplayers de grande qualidade, mas a química não surgia. Um treinador considerado pela crítica como um mestre defensivo, mas a defesa era das piores da liga. Minutos que levavam os jogadores à exaustão. Expetativas que não estavam a ser cumpridas, mais uma vez. E, como por obra do acaso, tudo mudou no espaço de um mês e os olhos do mundo do basquetebol estão postos a norte e focados nos Minnesota Timberwolves.

Mas o acaso não é responsável em nada pelo bom momento da equipa liderada por Tom Thibbodeau. O tempo esse, é o grande culpado por um basquetebol simples, mas eficaz, e por uma defesa que começa a ir de encontro ao que era esperado. A chegada de nomes como Jeff Teague, Taj Gibson ou Jamal Crawford tornariam qualquer equipa mais sólida mas, nenhum deles tem a capacidade para ser um líder. Esse líder, chegou de Chicago e é o homem ideal para levar os lobos ao sucesso. Jimmy Butler é o líder que os Timberwolves precisavam. Discreto, mas eficaz, conhecedor dos métodos de Thibbodeau, Butler consegue ser uma extensão do treinador dentro da quadra de jogo. O terceiro nome ideal para encaixar nos jovens e energéticos Andrew Wiggins e Karl-Anthony Towns. Em Wiggins, pode-se exigir maior eficácia e melhor escolha na hora de atirar ao cesto e, olhando para a estrutura física do jogador, pode e deve melhorar em termos defensivos. Para Towns, o caso defensivo é o mesmo. Mas esta é a questão que deve assustar tudo e todos na liga, sem exceção: as duas jovens estrelas ainda tem muito para crescer, sendo já jogadores de uma qualidade inquestionável. Para suprir esta questão, a experiência e frieza de Jimmy Butler é como disse anteriormente o encaixe perfeito. Teague e Gibson completam um cinco de competência que venceu os últimos doze de quinze jogos realizados.

Jimmy Butler tem sido o líder perfeito para os Minnesota Timberwolves Fonte: NBA
Jimmy Butler tem sido o líder perfeito para os Minnesota Timberwolves
Fonte: NBA

A questão passa então pelo banco dos T-Wolves. Crawford e Dieng são eficazes, trazendo por norma pontes nos dois casos e capacidade defensiva acima da média para o poste senegalês. Tyus Jones tem crescido a olhos vistos e é um bom suplente para Jeff Teague. Bjelica não sendo nada de especial, não é mau de todo. Fica claramente a faltar um small-forward que de facto contribua para esta equipa, não o que as pobres exibições de Shabazz Muhammad ofereceram no início da época e que reduziram a rotação da equipa a nove nomes. Assim, uma troca seria bem-vinda com a chegada de um nome que acrescentasse qualidade e ao mesmo tempo permitisse um maior descanso a Andrew Wiggins e Jimmy Butler. Nomes como Marco Belinelli ou Tyreke Evans podem ser a resposta.

Nos próximos seis jogos, os Timberwolves jogam fora de portas por cinco vezes. Enfrentam equipas como os Houston Rockets, os Toronto Raptors, os LA Clippers, os Trail-Blazers e finalmente, os campeões em título Golden State Warriors. Depois destes jogos será possível ter mais certezas em relação à verdadeira qualidade e possíveis ambições dos lobos. Mas, neste momento, não é totalmente descabido pensar que esta equipa pode chegar às finais de conferência. Os Minnesota Timberwolves começam a assustar, o uivar do lobo é cada vez mais forte à medida que se aproxima do topo da cadeia alimentar da NBA e todos os olhos se viram para norte. A pergunta é: conseguem ficar no topo?

 

Foto de Capa: NBA

A Oprah devia ser sportinguista e gerir o futebol português

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sporting cp cabeçalho 2

Um dos temas mais discutidos internacionalmente é o facto de durante anos e anos muitas mulheres terem sido assediadas por homens, seus superiores hierárquicos, que aproveitando o seu poder associado à posição profissional, conseguiam favores sexuais. Apesar de tudo, elas mantiveram o silêncio, não conseguindo ter a coragem de denunciar todos os abusos que sofriam.

Acontece que, a determinado momento, uma dessas mulheres denunciou o seu caso, o que deu coragem a todas as outras que, ao verem que não eram as únicas com aquele problema, vieram expor algo que até ali as poderia envergonhar ou expor.

Quanto à primeira que tomou a iniciativa, fosse por ter ganho coragem, por não aguentar mais a humilhação, ou porque já não estava dependente daquele homem que a tinha subjugado psicológica e fisicamente, deve ser aplaudida por ter decidido não continuar a ir contra os seus valores e princípios, e ter-se libertado das correntes de medo e vergonha que lhe tinham sido impostas pelo real criminoso.

Bruno de Carvalho foi o primeiro a mostrar provas de "lembranças" a árbitros Fonte: Sporting CP
Bruno de Carvalho foi o primeiro a mostrar provas de “lembranças” a árbitros
Fonte: Sporting CP

Ora, o futebol português vive um pouco sob esse principio. Não quero de forma nenhuma equiparar a gravidade de uma e outra situação, mas o principio de decência, valores, omissão de situações de imposição de uma vontade pelo poder é similar, e ainda estamos à espera que surja o corajoso que se liberte da vergonha de qualquer favor que tenha aceite ou tenha feito, e possa motivar outros a seguir o seu exemplo.

Atenção: Coentrão rima com campeão

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sporting cp cabeçalho 1As recentes exibições do lateral esquerdo leonino Fábio Coentrão não podem passar indiferentes à análise futebolística atual. O vilacondense tem-se apresentado na sua melhor forma neste Sporting 2017-18, entendendo-se na perfeição com o seu “parceiro” na ala esquerda, o argentino Marcos Acuña.

Se, no início da época, todos criticavam a forma física do jogador, hoje parece cada vez mais consensual que o ex-Real Madrid está aí para as curvas. Dá profundidade ao jogo dos leões pela ala esquerda, tendo um pulmão invejável, uma dedicação ao jogo sem limites e boa coordenação técnico-tática. Num sistema de jogo claramente ofensivo como é o da equipa do Sporting, a importância dos laterais e dos extremos é de capital importância no equilíbrio do jogo. E, nesse particular, Coentrão tem estado bem.

Mas nem tudo são rosas neste caxineiro: o lateral apresenta alguma dificuldade na manobra defensiva da equipa. É algo inegável. O jogo contra o Desportivo das Aves foi o corolário disso mesmo: por várias vezes, o extremo direito dos avenses, o experiente Salvador Agra, deixou o lateral leonino, numas ocasiões, pregado ao chão e, noutras ainda, confuso e desorientado. Coentrão terá que ter mais atenção a estes pequenos (grandes) pormenores.

Mas a característica que mais sobressai do lateral esquerdo português é mesmo a sua experiência em campo. E, neste capítulo, a sua passagem pelo Real Madrid não pode ser esquecida. Teve apenas o azar – ou a sorte, dependendo da perspetiva – do Real Madrid contar para essa posição com um dos melhores laterais esquerdos do mundo – o brasileiro Marcelo. E Coentrão não tem culpa de Marcelo ser um jogador de outro planeta.

Pisar um relvado como o Santiago Barnabéu, integrar-se numa equipa de estrelas é algo que não faz só bem ao ego de qualquer um mas dá sobretudo fibra, experiência e maturidade futebolística. Foi o que aconteceu com Fábio Coentrão. Esteve sempre ao lado de campeões. E não é por acaso que Coentrão rima com campeão.

Fábio Coentrão partilhou o balneário com os melhores do Mundo aquando da sua passagem pelo Real Madrid CF Fonte: Facebook Oficial de Fábio Coentrão
Fábio Coentrão partilhou o balneário com os melhores do Mundo aquando da sua passagem pelo Real Madrid CF
Fonte: Facebook Oficial de Fábio Coentrão

A sua experiência está aliada a uma outra característica que o mesmo não nega: o seu sportinguismo. Disse claramente que o Sporting Clube de Portugal sempre foi o clube do seu coração. Apesar disso, representou sempre ao seu melhor nível todos os emblemas que representou, sendo um excelente profissional. Mas quando o coração fala mais alto não há pernas que se cansem nem dores que não passem.

Por fim, as recentes exibições de Fábio Coentrão devem, do meu ponto de vista, despertar a atenção do selecionador Fernando Santos. Afinal de contas, a diabolização que alguns têm feito em torno da sua idade e sobre a sua forma física deve ficar apenas com aqueles que muitos criticam e pouco observam. Fernando Santos tem que olhar para ele como deve ser.

E que pense sobretudo no seguinte: Coentrão rima com campeão.

Foto de Capa: Facebook Oficial de Fábio Coentrão

West Ham United: Do entusiasmo de Bilic à frieza defensiva de Moyes

Cabeçalho Liga Inglesa

Slaven Bilic esteve no comando do West Ham durante, sensivelmente, duas épocas e meia. A perceção que fica é de que o croata passou mais tempo em Londres, tais foram as histórias e as peripécias que Bilic viveu durante o seu trabalho nos Hammers. O treinador croata passou literalmente de herói a vilão na história do clube londrino, depois de uma grande época em 2015/2016, onde finalizou a Liga Inglesa num honroso sétimo lugar e de ter chegado ás meias finais da FA Cup, esperava-se que o West Ham continua-se neste ritmo ascendente, mas a verdade é que depois de atingir o pico em 2015/2016 o clube esteve em queda a partir dai até ao despedimento do croata.

Muitos jornalistas ingleses têm tentado debruçar-se para entender este fenómeno, o que levou a esta queda abrupta do clube londrino depois de uma época positiva? As respostas revelam-se mais complexas do que se pudesse pensar. Em apenas duas épocas a equipa ao comando de Bilic enfrentou problemas como a saída, de maneira pouco amigável, da estrela da equipa, Payet, que era até então o elemento mais importante do esquema tático dos Hammers. Até a mudança do estádio é apontada por muitos adeptos como um fator causal da perda de poderio da equipa nos seus jogos caseiros, tudo isto foi vivido por Bilic e pela sua equipa em menos de dois anos.

O croata que sempre se caracterizou pelo seu entusiasmo na quadra de jogo e pela sua frontalidade e irreverencia viu assim, após uma época de grande sucesso, vários obstáculos serem colocados à sua frente e que se refletiram nos resultados da equipa. Não foi por isso uma surpresa o seu despedimento após uma derrota caseira por 1-4 frente ao Liverpool. O sucessor foi rapidamente apontado pela direção do West Ham: David Moyes.

O treinador escocês que se celebrizou pela sua (longa) estadia em Goodison Park era uma escolha no mínimo arriscada depois dos seus mais recentes trabalhos no Manchester United, Real Sociedad e Sunderland, todos eles marcados pelos fracos resultados obtidos durante o comando de David Moyes.

David Moyes conhecido por optar por um esquema tático que privilegia a consistência defensiva era, portanto, uma antítese daquilo que havia sido o reinado de Slaven Bilic onde o futebol ofensivo que passava sobretudo pelos pés de Payet era uma constante. A verdade é que o treinador escocês não entrou com o pé direito no comando do clube londrino e a equipa demorou a encaixar as mudanças táticas, três derrotas e um empate nos primeiros quatro jogos não seriam certamente aquilo que David Moyes esperaria para este arranque no comando dos Hammers. O primeiro sinal de vivacidade dado pelo West Ham ao comando de David Moyes foi no Etihad Stadium quando a equipa londrina recolheu aos balneários para o intervalo com uma vantagem de 1-0 frente ao primeiro classificado, Manchester City, depois de um golo de Ogbonna.

A equipa do West Ham melhorou defensivamente com David Moyes, mas ainda revela algumas lacunas Fonte: West Ham United FC
A equipa do West Ham melhorou defensivamente com David Moyes, mas ainda revela algumas lacunas
Fonte: West Ham United FC

Mas nem a grande exibição de Adrián, uma das mudanças operadas por Moyes em detrimento de Hart , na baliza do West Ham parou a equipa de Guardiola, fraca exibição defensiva dos Hammers na segunda parte, com uma estratégia única de “estacionar” o autocarro à frente da baliza. Talvez “inspirado” por este jogo Moyes trabalhou durante a semana seguinte o aperfeiçoamento da sua estratégia contra equipas favoritas e conseguiu finalmente a sua primeira vitória ao comando do West Ham, uma vitória caseira frente ao campeão inglês, Chelsea. Ainda assim no final do jogo o treinador escocês não deixou de fazer reparos ao jogo da sua equipa afirmando que a equipa precisa de conseguir produzir mais jogo a meio campo quando há um elemento adicional no setor mais recuado, o West Ham acabou o jogo com uma posse de bola de 31 % e apenas cinco remates.

Os 5 maiores flops do FC Porto: 2013-2018

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Eram jogadores com grande margem para terem sucesso, mas acabaram reduzidos a maiores flops na casa azul e branca. Olhamos para cinco jogadores do FC Porto que não conseguiram singrar no reino do Dragão.

1.

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

Pablo Daniel Osvaldo – Começamos esta lista de flops com um argentino chegou ao Porto para ser alternativa a Aboubakar, mas nunca convenceu. Fez um golo em 12 jogos e ao fim de meio ano o FC Porto rescindiu o contrato. O seu melhor momento no FC Porto foi a entrada na gala dos “Dragões de Ouro” com laço, óculos, anéis e chapéu – o sósia de Johnny Depp encantou na passadeira azul. Depois do FC Porto, foi para o CA Boca Juniors, clube que o dispensou depois de Osvaldo fumar no balneário após um jogo. Atualmente, Pablo Osvaldo está dedicado ao mundo da música.

Mourinho: Melhor que a concorrência

Cabeçalho Liga Inglesa

A recente troca de palavras entre Mourinho e Conte, ao longo de várias conferências de imprensa, mostrou uma faceta do treinador português que não se via há alguns anos: a mestria nos jogos psicológicos. Nas últimas temporadas, Mourinho tem sido um treinador mais discreto, ponderado, longe do perfil agressivo que caracterizava os seus primeiros tempos como técnico. Quando chegou à Premier League, por exemplo, o português usava qualquer comunicação com a imprensa como forma de atingir o adversário. Fosse com acusações, críticas, ou apenas comentários depreciativos, o ex- Chelsea era exímio a perturbar os opositores com as suas palavras, e isso verificou-se no sucesso instantâneo que teve em Inglaterra.

Embora tenham passado, nos últimos anos, vários treinadores polémicos pela Premier League, que até conseguiram ter uma boa relação com a imprensa, a verdade é que Mourinho nunca foi bem aceite pela comunicação social em Inglaterra. Quase sempre retratado como um vilão, o português foi sempre uma figura à parte dos restantes técnicos, e os seus êxitos raramente foram aplaudidos pela crítica.

O atual treinador do Manchester United, no entanto, continua a conseguir interagir com os jornalistas como ninguém no mundo do futebol. É por isso que o recente ataque a Conte é, de certa forma, uma lufada de ar fresco.

Do conflito entre o treinador português e o italiano já quase tudo foi dito. No entanto, dois factos muito importantes parecem ter sido ignorados: o primeiro é que Mourinho tem razão no que disse. Não foi agressivo, nem mal-intencionado. Apenas usou o facto da imprensa de Inglaterra tentar arranjar polémicas entre treinadores para desestabilizar um adversário, o Chelsea, que se começava a aproximar do Manchester United. O segundo é o quanto as palavras do treinador português afetaram Conte e a sua equipa, que, frente ao Leicester, no passado fim-de-semana, somaram o quarto empate consecutivo.

A estratégia de Mourinho resultou, e o mais insólito da situação é o quão fácil foi incomodar o treinador italiano.

 

Conte ficou desestabilizado pelos jogos psicológicos de Mourinho e o Chelsea começou a perder pontos Fonte: Chelsea FC
Conte ficou desestabilizado pelos jogos psicológicos de Mourinho e o Chelsea começou a perder pontos
Fonte: Chelsea FC

O Manchester United está ainda a 12 pontos do primeiro lugar, mas a recente derrota do Manchester City, e a sequência de maus resultados do Chelsea, deixam o clube de Old Trafford numa posição mais confortável: isolado no segundo lugar, e com mais possibilidades de ganhar o título caso haja mais deslizes da equipa de Guardiola.

Mourinho tem tido grande preponderância no desempenho recente do United.

As críticas sucessivas à equipa e a Mourinho, sobretudo devido ao futebol defensivo e pragmático que apresentam, em contraste com o futebol mais atacante do rival City, não deitaram o Manchester United abaixo. Em vez disso, o treinador português usou todas as acusações da imprensa para unir os jogadores, e não hesitou em concentrar as atenções em si e nas suas palavras, deixando que os jornalistas criassem, por si próprios, uma guerra onde ela não existia.

Talvez seja um exagero dizer que o campeonato está relançado, mas há que atribuir mérito aos Reds da cidade de Manchester. A forma como não têm desistido dum campeonato que parecia resolvido é de elogiar. E, agora, Mourinho está na posição que lhe é mais confortável: com imprensa, críticos e comentadores contra ele, mas com um grupo de jogadores que está ao seu lado, e, aparentemente, motivado para continuar a lutar na Premier League.

Mesmo que o seu futebol não agrade, e que, nos últimos anos, tenham surgido treinadores com mais apreço por um futebol ofensivo, não há dúvida que Mourinho continua a ser o melhor do mundo na gestão dum plantel, e na sua motivação para a conquista de objetivos coletivos. Numa equipa como o Manchester United, que ainda vive na sombra da era Ferguson, é muito importante ter um líder que, mais do que se preocupar com bom futebol, consiga que o clube volte a ter uma mentalidade vencedora.

Combativo, determinado, e com tendência para ganhar os jogos mais importantes, o Manchester United tem cada vez mais o cunho pessoal do seu treinador. Mesmo que o futebol não se torne mais exuberante, a continuar assim, o United está no caminho certo para voltar a ganhar campeonatos com regularidade.

Foto de capa: Manchester United FC

Do tamanho da sua mentalidade

Cabeçalho Futebol Nacional

É recorrente falar-se do fosso que existe entre os players da Primeira Divisão. Ele existe e é um aspeto negativo, é certo, não há que o esconder. Mas também não deve ser usado como escudo ou desculpa para quando as coisas não correm assim tão bem e isso não acontece. Os ditos clubes “pequenos” refugiam-se exageradamente neste abrigo que é a luta desigual e sacodem, assim, as responsabilidades dos resultados avolumados.

Muitas vezes questionados pelas opções táticas ou pela utilização de um jogador por outro, os treinadores realçam abusivamente o facto de jogarem “fora”, contra “um candidato ao título muito forte, perante o seu público” e que isso deita por terra quase todas as estratégias delineadas. Tudo isso são verdades inquestionáveis, é certo, mas não são mais que isso e, portanto, devem ser tidas em conta logo na preparação do jogo e não destacadas no final do mesmo como se de uma novidade se tratasse.

Os três “grandes” são sempre retratados como as forças negativas do nosso campeonato e os restantes clubes como os únicos elementos que dignificam o nosso futebol e isso não podia ser mais injusto e incorreto. Quem o afirma e defende deve, porventura, esquecer-se do importantíssimo papel que os três maiores clubes portugueses desempenham na divulgação do nosso futebol quando participam nas competições europeias. Até aí, os “grandes” tem influência. Não fossem os pontos angariados consecutivamente por estes clubes e mais nenhum clube português teria a oportunidade de participar numa prova europeia (caso não alcançasse uma das duas ou três primeiras posições). Nessa altura, ninguém critica o poderio destes clubes nem reconhece que os 6 lugares europeus (agora reduzidos para 4 devido ao fraco rendimento europeu) se devem ao seu trabalho de anos. As recentes participações europeias de CF “Os Belenenses”, FC Arouca ou GD Estoril Praia devem-se, em grande parte, às brilhantes épocas e classificações obtidas pelos seus plantéis, mas deve ter-se em conta que tal não seria possível se os lugares com acesso a provas europeias fossem apenas 2 e não 4 ou 6, como habitual.

O Vitória SC atingiu o máximo europeu em 2008/09, sendo eliminado pelo FC Basel na 3ª pré-eliminatória da UEFA Champions League Fonte: futeboldeataque.blogspot.pt
O Vitória SC atingiu o máximo europeu em 2008/09, chegando à 3ª pré-eliminatória da UEFA Champions League
Fonte: futeboldeataque.blogspot.pt

Mas nem sempre os “grandes” ocupam esses lugares de acesso direto, e é a esse aspeto que os restantes clubes se devem agarrar. Os “grandes” obtiveram esse estatuto devido às sucessivas conquistas e apoios financeiros ao longo dos seus anos de história, mas é isso suficiente para que os outros clubes baixem os braços? Devem esses clubes desistir de roubar pontos aos “grandes”? A resposta é tão óbvia que nem merecia sequer ser questionada. Exemplo disso foi a época do Vitória SC na época 2007/08. Terminou o campeonato no terceiro lugar (53 pontos), a dois e vinte e dois pontos do Sporting CP (2º) e FC Porto (1º), respetivamente, e com mais um que o SL Benfica (4º). A fantástica temporada dos conquistadores levou-os ao ponto mais longínquo que atingiram na Europa; a 3ª pré-eliminatória da UEFA Champions League. Ficaram a dois passos da fase de grupos (2-1 nas duas mãos, favorável para o FC Basel). Todo o mérito deve ser (e foi) endereçado à equipa da cidade berço e com toda a justiça discutiram a passagem à fase de grupos da prova mais importante da UEFA.

A formação mostra o caminho

sl benfica cabeçalho 1O mercado de transferências já mexe e como não podia deixar de ser, o Benfica tenta nesta janela de Janeiro fazer alguns reajustes no plantel. Reajustes não só em compras mas também para potenciar jogadores menos utilizados e aos quais o clube reconhece valor. Uma dessas situações é a de Lisandro Lopez, jogador que acabou de ser emprestado ao Inter de Milão até ao final da presente época, com opção de compra de 9,5 milhões.

Recorde-se que Lisandro foi comprado na época de 12/13 ao Arsenal de Sarandi e, e em quase quatro épocas e meia (com uma de empréstimo ao Getafe), nunca se conseguiu impor de forma consistente no Benfica, onde realizou 54 jogos e marcou seis golos.

Na minha opinião, viveu sempre na sombra de jogadores consagrados, como são Luisão e Jardel, e na ausência destes, muitas vezes não foi a primeira opção, pois Rui Vitória preferia claramente Rúben Dias ou mesmo o Lindelof na altura, situação que causou ao jogador algum descontentamento pois queria jogar mais, o que é perfeitamente natural.

Essa oportunidade surgiu agora com o Inter, um dos maiores clubes italianos. Não tenho dúvidas que para o jogador será um teste muito importante se quer seguir a sua vida em Itália e acredito, até pela pessoa que mostrou ser no Benfica, que vá vingar e merece-o.

No entanto, a saída de Lisandro levanta a questão quanto ao seu substituto, se existe essa opção no Seixal ou se o Benfica irá procurar encontrá-la neste mercado de inverno. Ao que me parece, irá ser promovido à equipa principal o jovem central Francisco Ferreira, que tem tido um excelente desempenho na equipa B dos encarnados.

Fonte: SL Benfica
Fonte: SL Benfica

Parece-me muito credível que seja este o substituto do defesa central mas sabendo também como são as dinâmicas do Benfica no mercado, não me admiraria, caso apareça um excelente negócio, que o clube da Luz avançasse para a aquisição de mais um central. Contudo, essa compra só fará sentido se se pretender um central com um perfil diferente do que já existe, por exemplo, um central mais maduro, com experiência internacional, mas jogadores desses são caros e está visto que o Benfica não quer entrar em loucuras.

Assim e tendo em conta que a forte aposta na formação é o lema deste mandato de Luís Filipe Vieira, a opção poderá muito bem passar por Francisco Ferreira, mais conhecido por Ferro, um jovem de 20 anos, internacional sub-21, com a vantagem de ter sido formado no Benfica e que tem dado nas vistas, tornando-se, esta época, um dos indiscutíveis no centro da defesa de Hélder Cristóvão. Ferro é aliás, o novo capitão após a saída de Rúben Dias, com quem fez dupla antes deste último subir à equipa A. Uma coisa é certa, o rumo está traçado e só interessa conquistar ao pentacampeonato.

Foto de Capa: SL Benfica

 

Watford de Marco Silva a perder o gás

Cabeçalho Liga InglesaComeçou bem o campeonato para o Watford FC, que surpreendera praticamente todos os fãs da Premier League. Marco Silva, conseguiu pegar numa equipa de fim de tabela e criar desafio aos gigantes da liga. Apesar de ter um plantel praticamente desconhecido, o Watford estava com bom equilíbrio técnico e com jogadores altamente motivados, que o diga o Arsenal FC, que perdeu na oitava jornada da Premier League com esta equipa e viu os “hornets” a subirem até ao quarto lugar da tabela classificativa. Quem diria, após uma boa prestação no Hull City FC, Marco Silva muda para o Watford e começa logo a fazer brilharete competindo assim por lugares europeus na mais competitiva liga europeia.

A boa maré parece ter acabado, a meio da época, o Watford parece ter perdido a estrelinha que os encaminhava para bons resultados e está a descer na tabela classificativa da mesma forma que subiu, rápido! Ou a tática maravilha foi descoberta pelos adversários, ou o empenho não é o mesmo ou simplesmente acabou a sorte para Marco Silva? O que quer que seja é bom que acabe e leve esta equipa a “bom porto” novamente.

André Carrillo, jogador do Benfica, está emprestado esta época ao Watford Fonte: Premier League
André Carrillo, jogador do Benfica, está emprestado esta época ao Watford
Fonte: Premier League

Nos últimos dez jogos, o Watford só foi capaz de vencer um, em contrapartida, perdeu sete e não têm sido jogos contra os principais suspeitos, estas últimas derrotas foram com equipas como Burnley, Crystal Palace, Huddersfield Town, Brighton & Hove Albion ou Swansea o que revela que o calendário que se avizinha não vai ser favorável para os “hornets” que são agora a quarta equipa com mais derrotas nesta Premier League.

Esperemos que André Carrillo (Emprestado do SL Benfica) consiga contribuir para que o Watford de Marco Silva surpreenda e acabe nos lugares cimeiros desta liga inglesa. Porque todos gostamos de ver uma equipa teoricamente inferior atingir lugares de destaque, especialmente se essa equipa for comandada por um português.

Foto de Capa: The Sun

Nunca mais chega o dia 30…

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Cabeçalho modalidadesSoube-se no início desta semana a convocatória do selecionador Jorge Braz para a fase final do campeonato europeu, que começa no fim deste mês na capital da Eslovénia, Ljubljana, na Arena Stozice. Face a convocatórias para fases finais anteriores, apenas verificamos uma presença inédita, mas não é uma novidade absoluta pois um dos nossos artistas principais não está apto para competir. Falo do pivot Cardinal, que se magoou na Supertaça em jogo do seu Sporting CP contra o SL Benfica com muita gravidade, tendo inclusivamente que se submeter a uma operação cirúrgica, pelo que a estreia em Europeus ou Mundiais de Tunha, jogador do CF “os Belenenses”, era algo inevitável.

Para além desta meia novidade, os outros 13 elementos não são surpreendentes, com o treinador Jorge Braz a apostar na experiência e na continuidade. Os convocados são os guardiões André Sousa, Bebé e Vítor Hugo, os fixos André Coelho, Fábio Cecílio, João Matos e o bracarense Nilson, os alas Pany Varela, Bruno Coelho, Márcio, Pedro Cary, Ricardinho e Tiago Brito, e finalmente, como pivô, o já referenciado Tunha.

A equipa nacional parte para solo esloveno com o intuito de tentar algo inédito e que seria absolutamente histórico na história do nosso desporto: ser campeão europeu desta modalidade. Numa fase prévia, a equipa das quinas defronta as congéneres da Roménia e da Ucrânia no grupo C. Em meu entender, claro que as nossas adversárias têm muita qualidade, mas outra coisa não seria de esperar numa fase final com as 12 melhores seleções continentais. Mesmo assim, somos os favoritos a passar o grupo em primeiro lugar e a evitar o líder do grupo D, que na teoria deverá ser a Espanha.

São estes os 14 convocados e respetivos clubes Fonte: Proneo Sports
São estes os 14 convocados e respetivos clubes
Fonte: Proneo Sports

A obrigação, de acordo com o nosso timoneiro, é terminar numa posição medalhável, graças ao terceiro lugar que ocupamos atualmente no ranking europeu, e é algo que em meu ver, apesar da pressão que pode causar nos nossos jogadores, já devia ser o discurso habitual há alguns campeonatos europeus. Como uma das equipas com melhores resultados, tirando uma ou outra prestação menos conseguida, partimos para a Eslovénia com o rótulo de candidata às fases mais adiantadas e gostava que fosse este ano que conseguíssemos o tão desejado cetro europeu.

Tudo é possível e aproveito para desejar a maior sorte aos jogadores nacionais, para que a nossa experiência pelo leste da Europa seja gloriosa para o nosso desporto.

Vamos com tudo, por Portugal!

 

Foto de Capa: FPF