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Olheiro BnR – Edmond Tapsoba

Edmond Fayçal Tapsoba nasceu a 2 de fevereiro de 1999 em Ouagadougou, a cidade capital do Burquina Faso, nação localizada no interior do Oeste de África.

Após passar pelos escalões de formação de uma das mais afamadas academias do seu país, o Salimata Taséré Football Club (vulgo, Salitas FC), Tapsoba ingressou na Union Sportive de Ouagadougou, um conjunto do principal escalão na hierarquia do futebol burquinês. Posteriormente, no verão de 2017, rumou a Portugal para representar a equipa de juniores do Leixões SC. Ora, depois de se exibir em bom plano na excelente campanha da turma matosinhense – obtenção do segundo lugar na Primeira Fase do Campeonato Nacional da I Divisão da referida categoria -, foi contratado, em janeiro de 2018, pelo Vitória SC.

Um talento que (depressa) conquistou Guimarães:

Depois de concluir a época de 2017/2018 pela formação de sub-19, Tapsoba foi promovido à equipa B, onde rapidamente se impôs, pese embora o facto de se estar a estrear como profissional por terras lusas: 30 jogos e sete golos marcados, sendo, de resto, o segundo atleta que mais minutos somou. Assim, não obstante a temporada globalmente negativa, que culminou com a despromoção do conjunto orientado por Alex ao CNS, o futebolista natural de Ouagadougou emergiu (tal como Yakubu Aziz ou El-Musrati) como uma das revelações da Segunda Liga.

Como joga:

Tapsoba é um defensor de grande envergadura (192 centímetros e 82 quilogramas), caraterística da qual se faz valer, para se superiorizar ao seu adversário no «um para um». No que concerne ao capítulo defensivo, merece destaque a inteligência com que aborda os lances, na medida em que procura (quase sempre) efetuar o desarme de modo a facilitar a construção de jogo por parte da sua equipa. Nota, ainda, para a sua polivalência, uma vez que tanto pode atuar do lado direito, como do lado esquerdo do eixo central da defesa.

Por outro lado, e a nível ofensivo, realce-se a sua notável capacidade de passe (em particular, de longa distância), o seu forte jogo aéreo e, ainda, a sua apetência para marcar grandes penalidades.

A par dos, também africanos, Yakubu Aziz e El-Musrati, Edmond Tapsoba sobressaiu na equipa B e ambiciona, agora, uma oportunidade no plantel treinado por Ivo Vieira
Fonte: 10 Management Ltd.

Um paralelismo com outros Vitorianos:

Ora, cientes da valia e potencial de Edmond, os responsáveis do Vitória optaram, ainda no decurso da época, por prolongar o vínculo que o ligava ao emblema da «Cidade do Berço», com o atleta a ficar resguardado por uma cláusula de rescisão cifrada em 20 milhões de euros.

Por conseguinte, e atendendo a que o jovem defesa de 20 anos tem figurado entre as escolhas de Ivo Vieira nos trabalhos de pré-época do plantel principal, acredito que se esteja perante a de uma política da qual os “Conquistadores” têm vindo a fruir num passado recente: a aposta em jovens valores do futebol africano, que após um curto período de adaptação ao nosso país (normalmente, uma época ao serviço da equipa B) se valorizaram (desportiva e financeiramente) na formação principal, tal como se sucedera com Bernard Mensah, Zungu ou Ghislain Konan.

Foto de Capa: 10 Management Ltd.

Keizer coloca leões no tubo de ensaio

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A pré-época leonina tem sido marcada por exibições ainda distantes da melhor performance física, técnica e tática. Mas, tendo em conta a fase da temporada, trata-se de algo perfeitamente normal. Os jogadores, os modelos táticos e as filosofias de jogo a adotar são, nesta fase, colocadas no tubo de ensaio de Keizer para que o holandês veja qual a melhor solução que daí resultará.

Do ponto de vista coletivo, a equipa tem apresentado algumas debilidades defensivas. Com inícios de jogo em alta rotação, primeiras partes de elevado dinamismo, a equipa perde rendimento nas segundas partes, evidenciando pouca consistência defensiva e, sobretudo, dificuldades na transição ataque-defesa. Mas esta ainda fraca performance defensiva não se deve aos homens mais recuados do terreno, tal como uma análise rápida e desatenta levaria a pensar.

Curiosamente, esta lacuna deve-se à reação leonina à perda da bola, começando precisamente nos homens mais avançados do terreno que, como se sabe, assumem uma função defensiva importantíssima no jogo. O Sporting terá que aprender a pressionar mais forte nas alturas em que está a defender mas não tão forte que comprometa a sua retaguarda. O laboratório de Keizer terá, por isso, que ir testando novas formas de pressionar defensivamente sem comprometer a consistência e o equilíbrio tático da equipa.

Por outro lado, tal como dizia, a equipa verde e branca tem apresentado primeiras partes que revelam claras pretensões ofensivas. A equipa de Keizer apresenta um futebol muito vascularizado, recorrendo aos extremos e à profundidade dos mesmos, um futebol rápido e veloz, ainda que com dificuldades na altura da definição no último terço. Como comandante do processo ofensivo assume-se Bruno Fernandes, o jogador que distribui a bola a seu bel-prazer, vasculando jogo, caminhando com ou sem bola ou até mesmo recuando quando as alternativas ofensivas estão bloqueadas.

No que à sua transferência diz respeito, até ao momento ainda não surgiu uma proposta próxima àquilo que Frederico Varandas pretende para vender o jogador, ou seja, um valor próximo dos 70M€. Solskjaer, treinador do Manchester United, no rescaldo do amigável dos red devils diante do Leeds, deixou claro que o clube de Manchester irá contratar os jogadores certos embora não entrando em loucuras financeiras. Umas declarações que podem muito bem deixar uma mensagem clara aos dirigentes leoninos sobre até que cifras está a formação de Manchester disposta a chegar para contratar o internacional português.

O impasse em torno da saída ou não de Bruno Fernandes de Alvalade está a deixar adeptos e staff numa grande indecisão
Fonte: Sporting CP

O laboratório de Keizer tem ainda experimentado alternativas a Bruno Fernandes. Uma delas passa por Matheus Pereira, testando a possibilidade do talentoso brasileiro ocupar posições semelhantes àquelas que Bruno Fernandes ocupa. Mas, cá para nós, Matheus Pereira joga bem é com a bola corrida, estando muito melhor nas alas onde, aí sim, pode pôr em prática a sua qualidade superlativa no um-para-um e todos os seus dotes técnicos. Quando é puxado para zonas mais interiores, perde a qualidade que o caracteriza.

Eduardo parece-me uma excelente contratação, tem um excelente sentido posicional e está já num patamar de elevada integração com os colegas. Quanto a Luciano Vietto, parece-me um jogador com forte propensão para atuar em zonas centrais do ataque, apesar de iniciar muitas vezes a partir das alas. Foi isso mesmo que assumiu em entrevista ao Record no passado dia 18 de julho, referindo que a sua posição natural é a de segundo avançado, ainda que não tenha excluído completamente a possibilidade de atuar como ala.

Parece-me que o argentino não será um jogador que procure a profundidade, mas antes as zonas interiores onde, aliás, explora de forma bastante pertinente e acutilante o seu portentoso remate. Rafael Camacho, por seu turno, tem atuado no lado esquerdo do ataque, parece-me ser um jogador diferente de Luciano Vietto. É um jogador mais explosivo, procura explorar a sua velocidade nas alas e tem um futebol de maior profundidade.

Uma palavra muito especial para aquilo que se tem visto de Gonzalo Plata. O equatoriano tem estado em grande nível nesta pré-época e, ao que tudo indica, subirá para a equipa principal nesta temporada. Keizer tem olhado para ele com olhos de ver, ele que agora é um jogador mais amadurecido a todos os níveis, fruto da passagem pelos escalões formativos do Sporting CP e pelo excelente Mundial de sub-20 que protagonizou.

Luís Maximiniano, na baliza dos Leões, faz lembrar “São Patrício”: ele próprio já o afirmou e as suas exibições confirmam-no. Subiu esta temporada no escalão de guarda-redes leoninos com a saída de Salin e pode muito bem ser o ano da sua afirmação entre os postes da equipa principal. Renan, também um excelente guarda-redes, que se cuide.

Para terminar, esta pré-época leonina tem tido um elefante na sala: Bruno Fernandes. Por mais que se tente assobiar para o lado, fingir que não se vê, aí está o melhor jogador do no nosso campeonato com a listada verde e branca e, até ao momento, não surgiu uma proposta considerada válida pelo internacional luso. Afinal, Bruno, vai ou fica? Se for, o argentino Thiago Almada, do Vélez Sarsfield, está na calha, aproveitando o protocolo estabelecido entre o Sporting e o Manchester City. Se ficar, estou certo de que será a melhor contratação do campeonato nesta época que se avizinha.

Foto de Capa: Sporting CP

artigo revisto por: Ana Ferreira

Universíadas 2019: Um bronze histórico no basquetebol

Mais uma conquista e que conquista. A equipa feminina de basquetebol que representou Portugal na Universíadas 2019, em Nápoles, conquistou a medalha de bronze. Uma medalha que fica para a história por ter sido a primeira a ser conquistada na modalidade. Certamente, um feito que dificilmente vai ser esquecido.

Foram convocadas 14 jogadoras para disputar esta competição. Mas apenas 12 voaram com a comitiva portuguesa para a cidade de Nápoles. A equipa foi comandada por Ricardo Nascimento (selecionador nacional), José Araújo e Inês Antunes, como team leader.

Ana Granja, Inês Viana, Josephine Filipe, Maianca Umabano e Joana Soeiro repetiram a presença nos convocados, visto que já tinham estado na edição de 2017. As atletas estreantes foram Susana Carvalheira, Bárbara Miranda, Carolina Costa, Ana Carolina Rodrigues, Joana Alves, Laura Ferreira e Maria Kostourkova. Esta foi a equipa que partia para o sul de Itália em busca de algo positivo.

Na Ronda Preliminar, Portugal ficou inserido no Grupo B com a Argentina, Roménia e Rússia. A equipa passou com distinção, visto que venceu os três jogos que disputou.

Emoção houve sempre. Fosse dentro no campo ou no banco onde todas vibravam com o que se passava no jogo
Fonte: FPB
Na primeira jornada contra a equipa sul americana do grupo, as portuguesas venceram por 64-50. Na segunda jornada, Portugal não teve piedade e acabou por ganhar o jogo com 37 pontos de vantagem sob a Roménia (69-32). Na última jornada, seguiu-se a Rússia para decidir quem ficava com o primeiro posto. A equipa lusa ganhou por 75-54 e continuou invicta na competição.

Seguiu-se a fase a eliminar. Portugal encontrou a República Checa nos quartos de final e mais uma vez continuou o seu brilhante percurso nas Universíadas. Uma vitória portuguesa por 60-44, onde tivemos Laura Ferreira em grande destaque na partida ao fazer 26 pontos, 7 ressaltos e 3 assistências. E a equipa portuguesa estava apurada para a meia-final.

As jogadoras portuguesas tiraram uma fotografia com três jovens napolitanos após um jogo da competição
Fonte: FPB

Qualquer que fosse o resultado, Portugal já estava a fazer a melhor prestação de sempre na competição. Até aqui tinha alcançado apenas um sétimo lugar em 1997, na Sicília (Itália) – se não estava destinado então não sei…

Vem aí transferência-bomba de 2019?

Neymar é um dos melhores de sempre e dos poucos que ousa rivalizar com Cristiano Ronaldo e Lionel Messi. Desde que começou a despontar com apenas 16 anos no Santos FC, em 2009, todas as temporadas tem feito mais e melhor. Com uma média verdadeiramente inacreditável, quer de jogos, assistências e golos, o internacional brasileiro de 27 anos, poderia terminar a carreira amanhã, que seria sempre um dos melhores de todos os tempos.

Com a característica ginga brasileira, o extremo tem partido lateral atrás de lateral ao longo da sua carreira, combinando uma capacidade de drible quase inigualável e uma visão de jogo, adquirida ao serviço do FC Barcelona, raramente vista. A verdade, é que é uma máquina e quando focado e espicaçado, ainda mais monstro se torna.

Curiosamente, devido ao estilo despreocupado e arrogante do brasileiro, a comunicação social chama-lhe de “pitéu”. É um alvo fácil de ataque (muito mais que Cristiano ou Messi), sobretudo desde a mudança para o Paris SG, em 2017 por 222 milhões de euros, o internacional tem sido massacrado. Devido ao aumento do número de lesões, aos falhanços na Liga dos Campeões e às polémicas fora das quatro linhas, a imprensa trata Neymar, como se fosse outro qualquer. Polémicas e revistas cor de rosa à parte, estamos a falar num craque, que soma 566 jogos oficiais e 352 golos marcados, com 27 anos…

Em duas épocas pelo Paris SG, Neymar fez 58 jogos e marcou 51 golos                                            Fonte: Paris SG

Pelos vistos, Neymar está de saída do Paris SG, após duas temporadas, onde ganhou tudo em França. Foram épocas desgastantes, porque foi contratado para manter a hegemonia em França, mas também para levar os parisienses à final da Liga dos Campeões e, fruto do acaso, o brasileiro lesionou-se sempre nos arranques das fases a eliminar da competição. Aliás, a sua vida em Paris nunca foi facilitada, sobretudo pelos media, que mandam sempre os seus palpites para o ar e, desde logo, começaram a falar em mau estar com as restantes estrelas do plantel (quando, é sabido, que o brasileiro é sempre um dos mais brincalhões e líderes de balneário), minando o ambiente à volta de Neymar e manipulando a opinião pública.

O brasileiro fartou-se e Tuchel falou abertamente na intenção de sair do jogador. Os dois destinos mais falados (até ao momento) são: regresso ao FC Barcelona; ingresso na constelação de estrelas da Juventus FC.

Desde o início, que os media tentam colocar Cavani e Neymar em lados opostos
Fonte: Paris SG

Quanto ao FC Barcelona, encaixaria que nem uma luva, naturalmente. Os colegas adoram-no, deixou um rasto de golos e exibições absolutamente impressionantes na Catalunha e seria um super reforço no ataque ao tri campeonato e à reconquista do troféu Europeu. Tem sido noticiado que Ousmane Dembélé e Philippe Coutinho foram oferecidos ao Paris SG, mais 40 milhões de euros, e que os franceses recusaram. Para além disso, os problemas ao fisco do brasileiro, poderão impedir o regresso a Espanha, tendo em conta que Neymar se arrisca a ficar sem 35 milhões de euros.

No entanto, nos últimos dias, tem sido noticiado que o pai de Neymar encetou diálogo com responsáveis da Juventus FC. Se a Vecchia Signora já tem um super plantel para conquistar novamente a Serie A e voltar a ser campeão da Europa, se conseguirem juntar a Neymar a Cristiano Ronaldo, Paulo Dybala, Gianluigi Buffon, Leonardo Bonucci, Matthijs de Ligt, Aaron Ramsey, Adrien Rabiot, etc, o mundo parará para ver os jogos da Juve versão 19-20.

Para já, a única verdade é que Neymar é do Paris SG e vai juntar-se agora à pré-época dos campeões de França, após debelada lesão que o afastou da Copa América. Vamos ver o que vai acontecer, sendo que o meu palpite, é a manutenção no Parc des Princes.

Foto de Capa: Paris SG

A importância estratégica do treino na pré-temporada

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Estamos em fase de pré-temporada, onde são lançadas muitas discussões sobre qual será a melhor forma de preparar uma equipa para uma época longa e dura.

Longe vão os tempos em que se privilegiava a preparação física na pré-temporada. Era comum as equipas de futebol irem correr para a mata sem porem os olhos na bola. Isto numa altura em que a preparação física era vista como a base das componentes técnicas e tácticas.

No Benfica, foram célebres os treinos do Jimmy Hagan. O técnico inglês, que representou o clube encarnado entre 1970 e 1973, era um treinador que dava mais importância à preparação física do que à organização da equipa, ficando particularmente conhecido por mandar os jogadores irem correr nas bancadas do velhinho estádio da Luz. Só a chegada de Sven Goran Eriksson, em 1982, ditou uma revolução nos métodos de treino no Benfica e no futebol português. Com o técnico sueco, a bola era um elemento indispensável nos treinos, mesmo nos de preparação física.

Bruno Lage é um treinador que valoriza o treino
Fonte: SL Benfica

Actualmente, vivemos numa era em que há uma nova mentalidade na forma de pensar o treino que pode ser designada de Periodização Táctica, existindo várias metodologias de treino aplicadas no futebol com o objectivo de desenvolver um modelo de jogo. Mas dentro destas metodologias de treino existem vários parâmetros a ser analisados na altura de avaliar quais os métodos de treino que são mais apropriados para a equipa e para a sua forma de jogar.

Primeiro que tudo, há-que ter em conta que a componente física, apesar de deixar de estar em primeiro plano, não deixa de ter a sua importância. Isto porque uma metodologia de treino assente do desenvolvimento de processos de jogo requer capacidade para pensar o jogo e tomar a decisão certa na hora exacta, sendo que a falta de condição física pode condicionar a capacidade de tomada de decisão.

Sendo assim, trabalhando com um treinador como Bruno Lage, que privilegia o futebol positivo, aquilo que se propõe nos treinos de pré-temporada é que se prepare a equipa para a forma como esta joga, ou seja, que se treinem exercícios que privilegiem o modelo de jogo que se pretende implementar: a forma como a equipa ataca, como a equipa defende, como se organiza em campo, etc.

Neste sentido, a preparação física deve ser ajustada ao modelo de jogo. Por exemplo, uma equipa que pressione alto e tenha uma reacção agressiva à perda da bola exige uma preparação física diferente de uma equipa que baixe as linhas em organização defensiva. Posto isto, os jogos na pré-temporada servirão para o treinador avaliar como os jogadores se estão a adaptar ao modelo de jogo que pretende.

Com isto, as conclusões a que se podem chegar é que a importância do treino na pré-temporada é servirá para os jogadores assimilarem os processos do modelo de jogo, ao mesmo tempo que ganham os índices físicos necessários para as exigências da época e dentro daquilo que as suas funções e dinâmicas exigem dentro do modelo de jogo.

Foto de Capa: SL Benfica

Battaglia vs Eduardo: Eu tenho dois amores

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O meio campo do Sporting foi, na época passada, alvo de algumas críticas relativamente à rentabilidade do meio campo, seja em assistências, golos ou oportunidades criadas e tais deficiências têm sido disfarçadas graças ao inevitável Bruno Fernandes, que é o médio mais goleador da Europa, ultrapassando as marcas de jogadores como Alex e Frank Lampard. Mas como neste clube existe sempre o outro lado da moeda, os restantes médios não apresentaram – nem a metade – um rendimento sequer parecido com o do médio criativo leonino.

Mas como o que importa agora é a nova temporada, este artigo servirá para analisar dois jogadores do meio campo que na última época ou não integravam a equipa leonina ou tiveram a infelicidade de ter lesões prolongadas e como tal, se tudo correr bem, irão certamente oferecer mais qualidade ao miolo leonino. Tais jogadores são Rodrigo Battaglia e Eduardo Henrique.

Começando pelo novo reforço, Eduardo é um médio algo subvalorizado porque possui um talento notável para atuar em zonas interiores, porém andava a atuar em equipas de menor reputação e tal facto contribuiu para andar “escondido” no campeonato português, mais precisamente no Belenenses SAD. É um jogador algo semelhante a Fernando, médio defensivo que conta com passagens pelo FC Porto e Manchester City, pois as suas atuações em campo fazem lembrar um “polvo” que está presente em muitas zonas do meio campo e tenta assumir o jogo, criando oportunidades ou com “galgadas” que colocam a bola junto da baliza do adversário com muita rapidez e eficiência.

Como tal, penso que Eduardo foi uma excelente contratação, com um custo baixo tendo em conta a qualidade que tem, mas que terá de ter oportunidades regulares na equipa principal de modo a ambientar-se à pressão e exigência de um clube com a dimensão do Sporting.

Eduardo Henrique, ex-Belenenses SAD, é um dos reforços do Sporting versão 2019/20.
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Falando agora de Battaglia: está no top 3 dos jogadores com mais “pulmão” no meio campo, oferece muita capacidade física e de combate, gosta de transportar a bola em direção à baliza adversária e, devido à sua altura, oferece um jogo aéreo muito bom, o que faz com que o Sporting consiga recuperar muitas bolas “despejadas” de qualquer maneira pelos adversários. Como não jogou a maior parte da época passada, os adeptos ainda têm na memória a sua rescisão e é considerado por alguns como um “mercenário”, mas há muito que o amor à camisola tem vindo a desaparecer e se temos um jogador no plantel, que oferece características específicas e diferentes dos restantes, há que apostar nele. Para além disso, se deixar nos cofres leoninos alguns milhões no final da sua travessia pelo clube, que venham mais mercenários como Battaglia.

Para finalizar, o melhor meio-campo a três que o Sporting possui é composto por Idrissa Doumbia, Wendel/Eduardo e Bruno Fernandes. Tendo em conta todos os factos já enunciados, considero Eduardo Henrique o melhor candidato e certamente que parte na “pole position”, mas se queremos ser campeões temos que contar com todos e Battaglia também irá, certamente, ser fundamental nas aspirações leoninas, tendo todos os requisitos e mais alguns para continuar de leão ao peito.

Foto de Capa: Sporting CP

artigo revisto por: Ana Ferreira

Portugal 4-0 Arménia (sub19): Vitória sem contestação para garantir liderança

Na última jornada do grupo A do Campeonato da Europa de sub19, Portugal, campeão europeu em título (também neste escalão) enfrentou a seleção da “casa”, a Arménia. Com objetivos bastante diferentes, os portugueses entravam em campo com a certeza de que um ponto bastava para carimbar passaporte para as meias-finais da prova, mas para atingir o primeiro lugar estavam ainda dependentes da “vizinha” Espanha, que jogava à mesma hora com a Itália. Os arménios, já eliminados, jogavam para cumprir calendário, mas certamente que, diante do seu público, queriam deixar boa imagem.

A seleção portuguesa entrou dominante, com total controlo da posse de bola e a fazer uma rápida circulação da mesma, tentando também, por vezes, valer-se das combinações nas alas entre defesa lateral, médio interior e extremo para desmontar o “autocarro” arménio de forma mais pensada.

Após boas hipóteses de Tiago Rodrigues e Vitor Ferreira, ambas dentro dos primeiros dez minutos de jogo, foi preciso esperar até aos 27 minutos para ver outra oportunidade de perigo, de novo pertencente à “equipa das quinas”: um livre descaído para a direita, cobrado por Fábio Vieira e sem sofrer qualquer desvio, obriga Melkonyan a defesa apertada, enviando a bola para canto.

Portugal continuou a impor um ritmo elevado na partida e, ao minuto 34, surgiu a recompensa para o duro trabalho: através da conversão de uma grande penalidade conquistada pelo próprio, Vitor Pereira colocou a bola nas redes, mesmo ao centro da baliza. Apesar do claro ascendente português, logo ao minuto 36 a Arménia dispôs de uma oportunidade de ouro para reestabelecer a igualdade, com Celton Biai a fazer uma defesa fantástica a um remate à queima-roupa, disferido por Misakyan.

Até ao intervalo nada de relevante aconteceu, com os jovens lusitanos a manterem o controlo da partida e a tentarem aproveitar o espaço que a equipa arménia dava nas costas da sua defesa. Chegava o descanso e Portugal vencia com justiça, merecendo talvez um maior volume no placar.

Fonte: UEFA

No reatar da partida, Portugal não retirou o “pé do acelerador” e João Mário assinou, ao minuto 49, uma verdadeira obra-prima: o remate inicial, de Vitor Ferreira, ressaltou na defesa da Arménia e o avançado do FC Porto, após um exímio domínio de bola, disferiu um colocadíssimo pontapé que entrou mesmo na “gaveta”, sem hipóteses para o guardião arménio. O resultado avolumava-se mas Portugal não queria parar, pois sabia da importância que cada golo iria ter se fosse necessário desempatar as contas do primeiro lugar do grupo, em caso de igualdade pontual com a Espanha.

As oportunidades continuavam a surgir, mas a pontaria portuguesa parecia estar a ficar desafinada, após Costinha e João Mário falharem duas boas oportunidades já dentro da grande-área adversária. Foi preciso colocar em campo Tiago Gouveia para voltar a mirar a baliza arménia com precisão: ao minuto 68, apenas cinco após ter entrado, o extremo do SL Benfica antecipou-se ao lateral esquerdo da Arménia e deu resposta positiva ao cruzamento de João Mário.

O jogo continuou perigoso para a Arménia, sem que Portugal mostrasse sinais de desaceleração no ritmo que estavam a impor, surgindo o quarto golo lusitano de forma natural. Como Tiago Gouveia não quis ficar atrás do grande golo que João Mário havia apontado, o extremo voltou a “fazer o gosto ao pé”, à passagem do minuto 88’, também com um golo magnífico! Tirou um adversário do caminho e rematou cruzado e colocado, fazendo a bola beijar a malha lateral interior da baliza arménia. Sublime!

Até ao fim do jogo poucas foram as oportunidades que surgiram, com a nossa jovem seleção a saber controlar a posse de bola, pensar o jogo e não entrar em esforços desnecessários, mas sem nunca perder o caudal ofensivo que a caracteriza e que tem evidenciado, em particular, nesta fase final.

Perante a vitória da Espanha sobre a Itália por apenas 2-1, Portugal assegura o primeiro lugar do grupo com sete pontos, os mesmo que “nuestros hermanos” mas com vantagem na diferença de golos, critério de desempate, evitando um confronto com a França nas meias-finais e ficando à espera do dia de amanhã para saber se enfrenta Noruega, República da Irlanda ou República Checa.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:

Portugal: Celton Biai (Francisco Meixedo, 85’); Costinha; Gonçalo Loureiro (Levi Faustino, 85’); Gonçalo Cardoso; Tomás Tavares (Tiago Lopes, 69’); Diogo Capitão; Vitor Ferreira; Fábio Vieira (Rodrigo Fernandes, 63’); Félix Correia (Tiago Gouveia, 63’); João Mário; Tiago Rodrigues.

Arménia: Melkonyan; Oganessian (Samsonyan, 62’); Ghubasaryan;Yeghiazaryan; Khachatryan; Khamoyan; Mkrtchyan; Alaverdyan (Grigoryan, 62’); Petrsoyan (Dermedjan, 72’); Misakyan (Azizyan, 58’); Kurbashyan (Kolozyan, 62’).

A nova crista do velho Galo

O Gil Vicente FC sabe há muito tempo que transitaria diretamente para a Primeira Divisão na época de 2019/20, mas a transição não se afigurava fácil. Primeiro por competir durante um ano inteiro no Campeonato de Portugal, terceiro escalão, e depois por ser uma participação “vazia”, isto é, os jogos que disputou não resultavam em pontos para si ou para os adversários.

Aliando estas duas condicionantes de relevo, os gilistas agiram da forma mais correta, pelo menos à primeira vista. Comandados pelo técnico Nandinho, competiram na série A do Campeonato de Portugal e apostaram, sobretudo, no jovem jogador português. A média de idades do plantel rondou os 20 anos e cerca de 60 porcento da equipa era composta por portugueses. O atleta mais velho era Rui Faria, médio português de 27 anos, que apontou dois golos num total de 29 jogos. O mais novo tinha 17; Fábio Costa, ainda júnior, fez um jogo pela equipa principal.

Além disso, quer os adversários encarassem os jogos com vontade de vencer ou aproveitar para “rodar” jogadores, os “Galos” conseguiram 22 vitórias, quatro empates e oito derrotas. Este registo colocá-los-ia no segundo posto, em igualdade pontual (70) com a AD Fafe, lugar de acesso ao play-off.

O reforço Nogueira em ação na pré-época frente ao Berço SC
Fonte: Gil Vicente FC

Com a primeira parte do problema resolvida, e bem, restava o ataque à permanência nos palcos da Primeira Liga. Para isso, os gilistas não perderam tempo e garantiram à frente da sua turma o experiente técnico Vítor Oliveira. Depois de vencer a Segunda Liga ao serviço do Paços de Ferreira FC, o matosinhense de 65 anos, que dispensa apresentações, anunciou que rumaria a Barcelos para a nova temporada.

De seguida, teve lugar uma verdadeira revolução no plantel. Para a baliza chegou, para já, Bruno Ferreira (ex-Náutico). Para o eixo da defesa chegaram Rúben Fernandes (ex-Portimonense SC), Rodrigão (ex-Atlético MG-B) e Ygor Nogueira (empréstimo do Fluminense). As laterais foram reforçadas por Alex Pinto (empréstimo do SL Benfica), Kellyton (ex-Uberaba SC), Henrique Gomes (ex-SC Covilhã) e Arthur Henrique (ex-Ferroviária FSA). O centro do terreno recebeu nomes como Márcio Meira (ex-CF Armacenenses), João Afonso (ex-Goiás EC), Leo Cordeiro (ex-SC Espinho), Claude Gonçalves (ex- ES Troyes) e William Soares (ex-FC Arouca).

Para as alas, o Gil Vicente FC contratou Lourency (ex-Chapecoense) e Erick (empréstimo SC Braga), enquanto a frente de ataque fica entregue a novos nomes como Sandro Lima (empréstimo Grêmio Anápolis), Samuel Dias (ex-São Bernardo FC) e Petar Petkovski (ex-FK Rabotnicki). São estes, até ao momento, os novos nomes que, a juntar a uma mão de renovações e a outra de jogadores provenientes dos juniores, vão constituir o ataque dos gilistas à manutenção e não só.

O passo seguinte seria tornar o Gil Vicente FC numa força que nunca alcançou. Arredado da Primeira Liga, onde competia desde 2011/12 até descer três épocas depois, o clube da cidade de Barcelos procura alargar o lote de equipas do Minho que participam na principal prova portuguesa. Além de Vitória SC, SC Braga, Moreirense FC e FC Famalicão, também os “Galos” vêm reforçar o peso daquela região portuguesa no panorama do futebol nacional.

Foto de Capa: Gil Vicente FC

 

Rio Ave de Carvalhal: Aposta na formação ou investida no mercado?

A cerca de 20 dias de começar mais uma edição da Primeira Liga, o Rio Ave FC continua a preparar-se para mais uma presença no escalão máximo do futebol nacional, a 12ª consecutiva. Durante estas épocas, o clube vila-condense habituou o adepto de futebol português não-fanático a uma coisa: planteis competitivos e a prática de um futebol atrativo.

Para esta época, António Silva Campos, Presidente do Rio Ave FC, apostou em Carlos Carvalhal, um treinador que tem por hábito colocar as suas equipas a jogar de forma desinibida, atrevida e com propensão para causar surpresas na batalha de “David vs Golias” com os mais poderosos. Posto isto, a fasquia dos seus adeptos é, obviamente, elevada e por isso mesmo, o plantel tem de corresponder da melhor forma à exigência da longa época que se avizinha.

No ano passado, os vila-condenses falharam por pouco a qualificação para a pré-eliminatória da Liga Europa. Com um treinador competente, Daniel Ramos, notou-se claramente uma quebra de rendimento no ataque, que atribuo à saída de Carlos Vinicius para o Mónaco, a meio da época. Estamos a falar de um ponta-de-lança que o Rio Ave FC nunca conseguiu substituir e os números explicam porquê: oito golos em 14 partidas, excluindo Taça de Portugal e Taça da Liga, onde também faturou.

Para além desta lacuna que até agora ainda não foi colmatada – contratou-se o jovem croata Tomislav Strkalj, uma incógnita porque ainda só fez esta pré-época –, houve mais saídas de jogadores importantes, tais como: Fábio Coentrão, Rúben Semedo, Gelson Dala, Wenderson Galeno e Léo Jardim. Para o lugar de Coentrão, já chegou Pedro Amaral (proveniente do Benfica B), Junio – titular indiscutível na lateral direita – ficou a título definitivo e Pawel Kieszek (ex-FCPorto), experiente guarda-redes polaco que já conhece bem o campeonato português, vem para fazer esquecer Léo Jardim, um dos melhores de 2018/19, que deu o encaixe financeiro mais importante ao Rio Ave FC neste defeso: seis milhões de euros.

Rio Ave Sub-23
Fonte: Rio Ave FC

É certo que a procissão ainda vai no adro, mas até agora ainda mais ninguém chegou. Não duvido que ainda vá acontecer alguma entrada importante, talvez até por empréstimo de algum dos grandes, mas Carlos Carvalhal parece querer apostar na juventude da equipa de Sub-23. Na Liga Revelação de 2018/19, os vila-condenses terminaram a fase “regular” do campeonato em primeiro lugar, à frente de SL Benfica e Sporting CP. Depois acabariam por não vencer no play-off de apuramento do campeão, mas o “sumo” que se pode extrair desta questão é que a formação do Rio Ave está bem e recomenda-se!

Para já, na pré-época, a jovem equipa que o ex-timoneiro do Swansea e do Sheffield Wednesday está a construir conta com a presença de Costinha (lateral direito), Carlos Alves (guarda-redes), Joca (médio), Vitó (médio), Leandro (avançado) Zé Domingos (avançado), e Jaime Pinto (avançado). Nada mais, nada menos que sete jogadores que subiram de escalão! Ronan David e Murilo Oliveira, ambos avançados, já foram aparecendo na “equipa A” durante o ano passado, mas foram muito pouco utilizados, daí não os incluir nestas contas.

Se vão ficar no plantel principal ou não, apenas o futuro o dirá. Neste momento, o que estes números nos dizem é que a aposta na formação não é apenas um “cliché” do futebol moderno e o seu lado mais “romântico”, mas sim uma realidade a que cada vez mais equipas continuam a recorrer para conciliar com algumas contratações cirúrgicas, poupando no investimento e procurando potenciar talento.

Foto de Capa: Rio Ave FC

Carlos Vinícius realiza o sonho e reforça o Benfica!

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Carlos Vinícius é o quinto reforço do SL Benfica para atacar a temporada 2019/2020! Aos 24 anos, foi contratado em definitivo ao Nápoles por 17 milhões de euros. Assinou contrato por cinco temporadas, até 2024, com a cláusula de rescisão fixada em 100 milhões, informou o clube à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

O ponta de lança brasileiro regressa a Portugal, depois de ter representado o Real SC (2017/2018) e o Rio Ave FC (2018/2019), antes de ser emprestado ao Monaco, onde jogava até se mudar de novo para o futebol português.

Formado no Santos e no Palmeiras, iniciou a carreira profissional em 2016 no também clube brasileiro Caldense. Antes de chegar a Portugal por empréstimo, representou o Grémio Anápolis em 2017. Nesse percurso, começou por chamar as primeiras atenções. Até concretizar, em julho desse ano, o sonho de jogar na Europa! Ao serviço do Real SC, na Segunda Liga, o camisola 95 – número que partilhou no Nápoles e Rio Ave – foi o segundo melhor marcador da competição com 19 golos, tendo apontado mais um na Taça da Liga. Totalizou 39 jogos. Mas não foi suficiente para salvar o clube da descida de divisão (terminou na última posição).

Seguiu-se o Nápoles. Fez a pré-temporada e saiu de imediato. Não vingou. Foi de novo emprestado, desta vez ao Rio Ave, onde na Primeira Liga, adquiriu os minutos e a experiência que precisava. Num patamar de maior exigência, foi o melhor marcador dos vila-condenses em toda a época, com 14 golos em 20 partidas. Três deles aos três grandes, curiosamente!

As boas prestações e o destaque que mostrou levaram-no, em janeiro, para o Monaco, onde cumpriu a segunda metade da época. E, de novo, emprestado pelo Nápoles! Pela terceira vez na curta e já promissora carreira! Com o regressado Leonardo Jardim no comando, estreou a camisola 11 e foi utilizado por 16 vezes. Continuou a marcar golos. Desta vez, foram mais dois.

No final da época, o mercado de transferências coincidiu com o namoro com o Benfica, onde chega na segunda metade de julho. Em declarações à BTV, Vinícius afirma que é “um sonho realizado”. Por se tratar da terceira temporada em Portugal, mostra-se conhecedor da realidade que vai encontrar. Já conhece o inferno da Luz enquanto adversário e desta vez irá vivê-lo enquanto jogador das águias. Esta consciencialização torna-se um fator importante para se adaptar ao campeão em título, onde pretende ser mais um para ajudar a cumprir os títulos e os objetivos para a nova temporada.

Com um contrato de cinco épocas, Carlos Vinícius quer continuar a vencer, ao mesmo tempo que vive o sonho de representar o Benfica
Fonte: SL Benfica

Quem já privou com Carlos Vinícius aponta-lhe caraterísticas que podem ser mais-valias para um clube grande como o Benfica: além da potência muscular, aliada à forte estrutura (1,90 cm e 86 kg), tem vindo a transformar a capacidade de remate, pressiona e desequilibra bem, é explosivo e agressivo, domina o um para um, o controlo e a progressão com bola. Daí resultaram muitos dos golos que marcou ao longo da carreira.

Como já foi referido, é ponta de lança, embora começasse por jogar a médio centro no Brasil. Mas as caraterísticas que apresentava assemelhavam-se mais a um homem forte no ataque, pela forma habilidosa como ganhava a bola e arrancava para a baliza, deixando os oponentes para trás.

Constitui uma aposta de futuro e o valor que o Benfica pagou por ele, bem como a cláusula de rescisão, provam isso mesmo. Como é óbvio, a pressão não podia ser maior. Sendo um clube campeão, cujos objetivos passam por revalidar os títulos e ganhar outros tantos, as expetativas são muitas. Por isso, para um reforço, a adaptação tem de ser mais rápida. O que não duvido, dado o método de trabalho de Bruno Lage e restante equipa técnica. A este nível, adequa-se ao sistema tático do setubalense, que privilegia o ataque organizado, que resulta na maior parte das vezes em contra-ataque e/ou ataque rápido. Sendo ponta de lança, Vinícius mais facilmente pende para um dos corredores, onde habitualmente recupera as bolas e estabelece um trajeto rápido para chegar às redes adversárias. O Benfica pode e certamente vai explorar essa vertente, que Vinícius irá intensificar sempre que for chamado.

Mas não nos esqueçamos da forte concorrência para a posição, onde existem mais três opções para um, eventualmente dois lugares no onze-tipo (Seferovic, Raul de Tomas e Cádiz – que deve ser emprestado), o que pode influenciar o tempo e a forma de utilização. Ao que tudo indica, o brasileiro será a terceira opção no ataque, sendo mais provável o espanhol e o suíço alinharem de início. A não ser, no entanto, que Lage adapte Vinícius para segundo avançado ou para um dos corredores, visto que também se sente confortável nessa posição. Se o mercado significar as saídas de Cervi, Zivkovic e eventualmente Jota, sobrarão Caio Lucas, Pizzi, Rafa e Chiquinho. E, mesmo assim, a concorrência volta a ser forte!

É certo que, com Lage, os jogadores têm utilização regular desde que o provem nos treinos. A chegada de Vinícius significa isso mesmo: a prova de que realmente vai constituir um ponto forte no Benfica. Caso contrário, voltará a não vingar e os 17 milhões poderão significar uma perda significativa de dinheiro quando se trata de uma aposta que, sendo de futuro, é para aplicar de imediato. Mas sou positivo e acredito que Carlos Vinícius será uma grande mais valia para o Benfica versão 2019/2020. Tem é de fazer por isso! E o trajeto, esse, não será nada fácil!

Foto de Capa: SL Benfica