Depois de termos dado a conhecer o que devem os adeptos esperar da divisão do Pacífico, passamos para o outro lado dos Estados Unidos, com a divisão do Atlântico. Os vencedores do Este na fase regular da temporada passada, Boston Celtics, reforçaram-se, Nets, Knicks e 76ers continuam a tentar crescer e os Raptors procuram dar o passo seguinte no desenvolvimento da sua equipa.
A equipa com maior impacto no mercado deste verão foi a de Boston. Os Celtics conseguiram Gordon Hayward e, apesar de não terem trocado por Paul George ou Jimmy Butler, a espera compensou-os com a chegada de Kyrie Irving, por troca com Thomas, Crowder e Zizic. Será que isto chega para destronar os Cavs? Talvez não. Mesmo que a tendência desta equipa seja melhorar ao longo do tempo, não vejo sequer uma revalidação do título da fase regular. Principalmente porque LeBron deverá ter um daqueles anos para mostrar que ainda é o melhor da liga. E ainda porque os Celtics perderam os seus dois melhores defensores do cinco inicial (Bradley e Crowder), há ainda a ausência de um poste dominador debaixo do cesto e o banco da equipa não é muito extenso. Haverá, claro, esperança no rápido desenvolvimento de Jaylen Brown, Terry Rozier e Jayson Tatum, para além do fator-estrela de Kyrie Irving e Gordon Hayward, porém parece faltar ainda qualquer coisa para realmente perturbar os Cavaliers.
Mbappé, para minha surpresa, abandonou o Mónaco ainda nesta última janela de transferências. Sobre esse assunto, o que posso dizer, abertamente, é que, pouco antes desta mesma ação negocial se ter concretizado, admirava veemente a continuidade do jovem no clube do principado. O clube que escolhera, entre deles que provocavam muito mais entusiasmo e vontade de ingressar de imediato na sua escola de formação, foi o Mónaco, que não era, claramente, nada comparável ao sucesso e boa reputação de clubes na altura interessados nesse miúdo chamado Kylian.
Esperava que o agora adulto Kylian Mbappé fosse capaz de tomar a decisão que tinha tido outrora, e resistir ao assédio quase pornográfico realizado ao jogador, praticamente, durante todo o Verão. Assédio esse que não se prendia unicamente ao proveniente da capital francesa, mas por uma teia de indivíduos ligados ao desenlace da transferência em si. Sejam eles jogadores, amigos, e ainda os verdadeiros amigos. Reconheço que é muito difícil resistir e rejeitar qualquer uma das últimas propostas que o agente do muito promissor avançado recebeu, ainda mais na conjuntura atual a nível de mercado, em que inúmeros interesses pessoais/cooperativos se associam, de uma maneira ou de outra, a este processo negocial. Ter um miúdo de 18 anos, quase literalmente, nas suas mãos, reúne muita divergência, muita licitação, elevadas quantias.
A quantia, nesta cerimónia contratual, chegou aos 180 milhões de euros, mas toda a burocracia que impede a aristocracia abastada e ao mesmo tempo responsável pela direção dos clubes, onde injetam capital próprio no projeto do clube. Para o ano é que chegará. Por agora, no papel, fica carimbado com a situação a regime de empréstimo, não de aquisição. Mesmo assim, o sucesso desportivo, cobre o investimento efetuado, e ainda dá lucro. A venda de camisolas, por parte dos clubes, rende muito mais do que se imagina. Daí saírem novos modelos da camisola oficial do clube todos os anos, para não falar das alternativas, ou 3º kit, T-shirts oficiais personalizadas, e ainda as réplicas. E o dinheiro, bem, sai mais limpo…
Terá Mbappé um substituto à altura no Mónaco? Fonte: Okdiario.com
Pese a minha preferência em Leonardo Jardim para continuar a trabalhar este diamante em bruto que, com a missão de “carregar a equipa às costas”, pelo menos ser nele depositada toda a esperança principalmente em circunstâncias de aperto. Uma equipa que iria trabalhar, incansavelmente, para que tivesse o espaço suficiente para fazer os seus malabarismos e, do nada, sacar uma valente cavalgada em direção à baliza, conseguindo ir ultrapassando os obstáculos, algumas vezes de uma forma um tanto atabalhoada, mas eficaz. Tantas bolas este homem entregava, na cara do guarda redes, ao colega em melhores condições; outras em que tinha a confiança no pico, e atirava ele mesmo. Um grande jogador e tão jovem. E agora com o 10, que lhe ficava tão bem naquelas cores, entendia-se esplendidamente com Falcao, formavam uma dupla temível. Que agora enfrentou o seu término. Volta a usar o “seu” 29, que a título de curiosidade, é um número negro para o futebol português.
Vai para o PSG com uma grande equipa à sua espera. E outra vedeta, também jovem, mas já com experiência. Embora a sua experiência não se compare à de Neymar, o francês já demonstrou que sabe lidar com a pressão. Desfará rapidamente qualquer dúvida que exista em relação à sua qualidade. Recorde-se, inclusivamente, a situação em que se deparou quando ainda nem sequer atuava na equipa principal do Mónaco. Tecnicamente, exigiu, por via do seu agente, mais minutos, a titularidade. O seu pai foi abordado pelos media a respeito do assunto em causa, e também não se acanhou na hora de prestar as declarações. Muita confiança este jovem Kylian. Sou um grande fã, e confesso que apenas não fico extasiado com esta aquisição devido ao teor tão “cheat”, parece batota quando alguns clubes se superam a outros por força financeira. Fora isso, que grande aquisição! O projeto parisiense vai além de Neymar. A título de empréstimo (era a única maneira de escapar ao “fairplay” financeiro impingido pela UEFA), chega ao PSG, uma potência a curto prazo. Se já não o é.
Com Cavani, Pastore, Draxler, Neymar elegíveis para a frente de ataque, creio que é claramente percetível que os três eleitos para as posições em questão, sempre que aptos, serão N, M e C. Serão elas as três letras constituintes da próxima grande sigla do futebol mundial? Tem tudo para ser. Não imagino sequer como poderá não o ser. Sou sincero.
Apesar da desilusão em ver Mbappé ir para o tubarão francês, não estou insatisfeito, mas sim em pulgas de ver estas equipas em ação. Tanto o descaradamente desfalcado, desarmado Mónaco; bem como este mais do que bem munido Paris, reúnem toda a minha atenção esta época. Destas lutas David Golias, à imagem do que o Bayern faz com o Dortmund, dá gosto de ver, o desfecho muitas vezes surpreende. Da equipa brilhante montada por Nasser Al Khelaifi, o detentor da Oryx Qatar Sports Investments, que para além deste cargo, tem ainda o privilégio de pertencer à família real do Qatar; à equipa do principado monegasco, que agora sem Germain, tem obrigatoriamente de evitar ou superar perdas de jogadores lá da frente, que com esta saída à última da hora se tornam ainda mais indesejáveis. Enquanto o trabalho de Unai Emery é um luxo; o de Leonardo Jardim é o oposto disso. No final de contas saberemos quem irá alcançar algo ainda mais importante do que luxúria. Algo imaterial, mas intemporal…
Desporto ou lazer, certo é que os eSports ou desportos electrónicos vieram para ficar. E não se limitam a ficar. Crescem. Muito! Estamos a longas distâncias dos primórdios da competição electrónica, com eventos pelo puro “bragging right” ou por prémios simbólicos. Embora imaturo quando comparado com as estruturas dos desportos tradicionais, o mundo dos eSports caminhou para uma profissionalização ainda em fase de ajuste. Há contratos, ordenados, prémios de jogo, valores de passes… Ainda recentemente, e na senda da sua vitória no The International 7 que os catapultou para o topo das equipas que mais dinheiro angariaram de sempre, o co-CEO dos Team Liquid afirmou que alguns dos seus jogadores auferem de um salário entre os 100.000 e os 200.000 dólares anuais.
A questão, pertinente, que muitos colocam é: “De onde vem este dinheiro”? E outras perguntas poderiam ser feitas, como “Porquê?” ou “Até quando?”. Pois bem, como aqui abordámos há umas semanas, a instituição de um videojogo como esport pode (e cada vez mais é esse o caso) partir de um planeamento orientado para tal por parte da empresa responsável pelo seu desenvolvimento. É uma maneira de prolongar o período de exposição e rentabilização. Em busca desse período extenso de rentabilização há, então, algum investimento que, por vezes, é levado a cabo pelos responsáveis pelo desenvolvimento. A ideia é dar um objectivo à massa de jogadores, fazê-la crescer e organizar-se de forma competitiva. Eventualmente, ir reduzindo o investimento e colher apenas os frutos dos investimentos passados.
As receitas do mundo dos eSports continuam a crescer Fonte: Newzoo / Esportsinsider
Essa é, então, a primeira fonte do dinheiro que surge nos eSports. Aquela que faz com que o jogo ganhe massa crítica. Jogadores a trazerem mais jogadores. Jogadores a organizarem, participarem e assistirem a eventos. A segunda parte daí e é provavelmente a maior fonte de dinheiro do desporto, transversalmente: a publicidade.
Os eSports são terreno fértil para campanhas publicitárias. Mais do que fértil até, são o terreno ideal. O mercado coloca filtros a si mesmo. É preciso ter o equipamento, é preciso ter o jogo, é preciso ter melhores acessórios e melhor hardware… Essas barreiras de entrada permitem com que o levantamento feito ao público afecto aos eSports revele uma faixa sócio-económica relativamente bem definida. O grau de dificuldade do jogo colabora também com uma faixa etária. É, portanto, possível categorizar com bastante acuidade os diferentes estratos e agir sobre eles enquanto push de marcas, bens e serviços. E sendo que vivemos naquela que é conhecida como a Era da Informação, esta vai sendo obtida e catalogada em eventos e transmissões dos mesmos.
Edcarlos – Chegou em 2007, assinou por quatro anos, mas no segundo foi logo emprestado. Não deixou saudades a ninguém. A quantidade de vezes que comprometeu a equipa fez com que ninguém o quisesse ver por perto.
A janela de transferências encerrou à meia noite da passada quinta feira e, com isso, o prazo para o FC Porto inscrever novos jogadores (exceptuando jogadores sem clube) chegou, igualmente, ao fim.
Estes dois meses de mercado trazem à tona três conclusões ou confirmações principais: 1. A situação financeira do clube é, ao que parece, bem mais preocupante do que se pensava. 2. O FC Porto tinha, nos seus quadros, um conjuntos de jogadores de enorme qualidade que estavam a ser desaproveitados. 3. O FC Porto parte para a nova época com um plantel substancialmente mais carenciado do que o dos dois rivais de Lisboa.
Foi um período de mercado que terá ficado aquém das expectativas dos portistas mas que acaba por ser um mal menor quando se verifica que a espinha dorsal da equipa que terminou a época 16/17 se mantém no seu essencial. Não foi preciso ou não terá sido possível chegar aos tais 100M€ em vendas, relevando-se apenas as alienações dos passes de André Silva (38M€), Rúben Neves (18M€) e Bruno Martins Indi (8M€), sendo que apenas o jovem ponta de lança português era um titular da equipa e que o central holandês nem sequer fazia parte do plantel que esteve às ordens de Nuno Espírito Santo.
Quanto a entradas e como tem sido badalado um pouco por toda a opinião pública e publicada regista-se somente a chegada de Vaná Alves (guarda-redes oriundo do Feirense) que terá custado qualquer coisa como 1M€ e a inscrição de alguns jovens desconhecidos para a generalidade dos adeptos e que deverão alinhar pela equipa B. Assim o principal e melhor reforço do clube terá sido mesmo Sérgio Conceição.
Sérgio Conceição entrou com o pé direito na Liga Fonte: FC Porto
Retomando as conclusões abordadas no começo do presente artigo, começa a parecer evidente que a SAD portista vive, atualmente, com a corda no pescoço e sem qualquer tipo de margem de manobra e capacidade negocial no mercado. É público que Sérgio Conceição esperava a chegada de novos jogadores (prioridade dada a um avançado e a um médio) e que a administração do clube batalhou, sem sucesso, até aos últimos minutos de dia 31 para oferecer ao treinador, pelo menos, um jogador do seu agrado. Todas as ofertas foram recusadas e a contenção imperou na hora de chegar a outros valores. Uns chamar-lhe-ão gestão responsável, outros, mais atentos, olharão para tal facto como consequência primordial de uma gestão irresponsável e danosa.
Mas não é hora de dividir, é tempo de convergir e unir esforços. O treinador e os adeptos terão que se contentar com um leque de jogadores que é rico em qualidade mas pobre em quantidade. Parece, a menos que alguns jogadores se revelem, esta época, bem acima do esperado, um plantel substancialmente mais curto do que o dos principais rivais, sendo que, no entanto, contém um conjunto de jogadores, nomeadamente os onze mais utilizados (com Soares no lugar de Marega), com enorme categoria e, possivelmente, suficiente para consumo interno.
Portanto, as questões física e disciplinar desempenharão, a meu ver, um papel decisivo na época do FC Porto e deverão ser geridas com pinças pelo corpo técnico.
Por fim, ressalvar o meritório trabalho da SAD na redução de custos e da massa salarial com a rescisão de contrato com mais de 15 atletas e os regressos de alguns emprestados, com Aboubakar, Marega, Hernâni ou Diego Reyes à cabeça, que prometem vir a ser tremendamente úteis no desenrolar da época desportiva.
Findo o mercado, segue-se uma longa, exigente e fundamental época desportiva e, como tal, não quero deixar de concluir este artigo de balanço do mesmo com um apelo à união e competência de todos os envolvidos no dia-a-dia do clube para que possamos, finalmente, estar na Avenida dos Aliados, na Alameda do Dragão e um pouco por todo o mundo a festejar o tão ambicionado título de campeão nacional.
Após a Volta a Portugal, a temporada ciclística nacional praticamente termina. Sem provas de relevo internas e pouca vontade e disponibilidade financeira para correr no estrangeiro, não há segundas hipóteses para os que falharam nem oportunidades para aproveitar a boa forma dos que brilharam na Grandíssima.
Este cenário atesta bem que, apesar das melhorias dos últimos anos, o panorama do ciclismo português continua frágil e a precisar de um maior investimento, já que um calendário anual com competição apenas entre fevereiro e agosto é manifestamente curto para dar ao pelotão os quilómetros necessários para que este consiga evoluir e subir de nível.
Assim, restam os circuitos de final de temporada para admirar os ciclistas e equipas lusas na ressaca da Volta. Tratam-se de provas com parca importância mediática e de curta extensão que assentam, como o nome revela, em circuitos locais, em parte à imagem dos criteriums que se realizam no norte da Europa, mas com maior espírito competitivo.
Ainda durante a Volta, deu-se o Circuito da Curia, apenas para Sub23, em que a Miranda – Mortágua dominou, fazendo a dobradinha com Jorge Magalhães a vencer à frente do campeão nacional Sub23, Francisco Campos.
Já com os Elites em prova, o Circuito do Bombarral viu João Matias aproveitar a boa forma da Volta para vencer. No dia seguinte, foi Domingos Gonçalves a levantar os braços no Circuito de S. Bernardo.
O jovem Ivo Oliveira, da americana Axeon, venceu por duas vezes Fonte: Federação Portuguesa de Ciclismo/João Fonseca
Luís Gomes, que na Volta esteve na discussão da classificação da Juventude, venceu em Navarros num circuito mais acidentado. Na Póvoa da Galega, foi outro jovem que levou a vitória, o prodígio da pista Ivo Oliveira, que representa a equipa americana Axeon.
No fim de semana do término da “Rota dos Circuitos” tivemos dois repetentes, João Matias ganhou na Malveira e Ivo Oliveira na Moita.
Os circuitos propiciam um tipo de ciclismo diferente, mais animado, ofensivo e próximo do público, não há dúvida de que são uma mais valia e uma forma apropriada de encerrar a época em festa, mas deixam a nu o quão curto é o calendário nacional. Talvez seja tempo de se trabalhar no sentido de criar mais competitividade e avançar para a existência de uma ou duas provas marcantes no período pós-Volta.
Na edição de domingo do DN12 destaque para a derrota de Portugal na estreia no campeonato do mundo contra a Argentina, os resultados da primeira jornada, o calendário de amanhã, e ainda algumas notas rápidas sobre outras modalidades.
Foto de Capa: FIRS – Federation Internationale Roller Sports
Quando foi colocado no radar de interesse do Sporting, os mais cépticos riram-se. Pareceu que nem a sua origem clubística impunha respeito, e embora não seja critério para garantir a qualidade futura, pode pelo menos defini-la e sustentar a sua concreta existência. No fundo, para se jogar uma vez no Barcelona é preciso ser-se bom. Eis uma Verdade Universal da História, e que esteve ao alcance de Jeremy Mathieu. O flanqueador que se fez central, usufruindo das suas competências físicas, secundarizando a sua velocidade, embora às vezes ela apareça para nos colocar o coração aos saltos.
Numa entrevista recente, o Treinador Vitor Oliveira – o especialista nas subidas das equipas da Segunda Liga Portuguesa – disse que para se ter uma equipa competitiva, era essencial uma grande dupla de defesas centrais. De certeza que Vitor Oliveira não foi o descobridor desta teoria, mas impressiona-me a sua habilidade para criar e inventar duplas de centrais, todos os anos, em equipas diferentes. Nas últimas épocas sempre me assustou a instabilidade defensiva do Sporting, e sempre me questionei se desta é que iríamos acertar na combinação perfeita. A chegada de Sebastián Coates tirou-nos um peso de cima e a Jorge Jesus também. Faltava o outro. Paulo Oliveira não conseguiu, Rúben Semedo esteve perto. Douglas não chegou a aparecer sequer. É natural que seja com alegria que eu e os restantes Sportinguistas constatamos que esta aventura pela busca do Central Perfeito pode estar a chegar ao fim.
Mathieu já conquistou as bancadas de Alvalade Fonte: Sporting CP
Quando a fase de negociações terminou, o gigante Francês chegou a Alcochete para fazer treinos à experiência. Era esta a condição para finalizar a contratação. Então os cépticos regressaram, outra vez rindo, como se um jogador do Barcelona viesse ao Sporting fazer treinos de captação, como se faz com as crianças que aspiram a ser futebolistas. Começava também a ronda de opiniões e apostas, que se dividiam entre a permanência ou a dispensa de Mathieu. Ganhou a primeira. A disponibilidade física existia, e o talento também. Tudo em consonância com os números que vinha registando na Catalunha: quase 100 jogos ao serviço do Barcelona e um currículo internacional invejável em todas as competições maiores no Futebol. As boas indicações na pré-época animaram e perspetivaram a garantia de uma titularidade cada vez mais indiscutível. Escrevi, num artigo relativamente recente, que parte do sucesso de Mathieu dependeria do seu entendimento com Sebastián Coates. Quero aproveitar, desde já, para agradecer a ambos por terem prestado atenção ao meu apelo, e ao dos restantes milhões de Sportinguistas.
Finalmente. Finalmente as coisas parecem estar a correr bem. Já havia uma certa saudade desta definição de Patronato Defensivo que qualquer grande equipa deve possuir. Ser Patrão de uma defesa é um estatuto tramado, muitas vezes porque obriga a ser Patrão de nós próprios, como acontece naqueles lances apertados que Mathieu resolve com calma e paciência, dando continuidade ao jogo como se pedisse para ficarmos tranquilos, porque está tudo resolvido e por aqui não passa nada. E nem todos os Centrais conseguem dizer-nos isto.
Givalido Vieira de Souza, um desconhecido brasileiro a jogar no Japão, é contratado pelo FC Porto. Grande parte dos portistas foi apanhada de surpresa com esta contratação – a maioria esperava um nome sonante. Hulk era uma verdadeira incógnita para os milhões de dragões espalhados pelo mundo; como era possível gastar tanto dinheiro num jogador que ninguém conhecia? Foram 5,5 milhões de euros numa fase inicial, que se transformaram em 19 já depois de toda a gente se ter rendido ao poder do Incrível.
Hulk revelou-se um jogador ímpar em Portugal: técnica, força e velocidade num só jogador, algo que nos habituámos a ver apenas em campeonatos mais competitivos. A importância do então número 12 portista era tal que foi a primeira vítima de um polvo ainda em crescimento, que agora envergonha o futebol português, que aproveitou uma emboscada montada pelo Benfica no túnel da Luz para o suspender por quatro meses. Recorde-se que o castigo do brasileiro foi posteriormente reduzido para três jogos, quando este havia já cumprido 17! Depois de Hulk regressar, o FC Porto não mais perdeu.
Fonte: Templo do Dragão
A qualidade do talentoso canhoto não tinha par em Portugal e só o conseguiam segurar quando não jogava. Era a principal figura do campeonato português e, sem surpresa, acabou transferido para o Zenit num negócio avaliado em 60 milhões de euros. Para trás ficaram quatro campeonatos, três Taças de Portugal, três Supertaças, uma Liga Europa, 170 jogos, e 78 golos de Dragão ao peito.
O Incrível ganhou ainda um lugar na História do FC Porto, assim como um lugar no Museu e na melhor equipa de sempre do clube. Além disso, deixou muitas saudades a todos os portistas que não mais viram um extremo com aquela qualidade a jogar de azul e branco.
Finalmente a janela de transferências fechou e acredito que, apesar de tudo, ainda muitos estão “nervosos” com a decisão que irá sair da FIFA, em breve, relativamente à venda de Adrien Silva.
A estrutura técnica, jogadores e os adeptos finalmente podem respirar e quem de direito pode começar a (finalmente) montar a equipa para o ataque ao título de campeão nacional. Uma coisa ficou na certeza dos adeptos: o Sporting Clube de Portugal está mais forte que nunca, sendo fiel aos seus princípios e não vende ao desbarato, tendo uma enorme vontade de lutar para ser campeão nacional, procurando manter os seus melhores jogadores com vista ao ataque ao título.
Ficou também uma certeza de ter uma boa primeira equipa e uma boa equipa alternativa para resolver eventuais problemas táticos ou ao nível físico com lesões. São diferentes jogadores no plantel que preenchem diferentes necessidades táticas. Hoje Jorge Jesus tem plantel para dar e vender ao nível de soluções. Tem jogadores novos misturados com a experiência internacional de outros, tem uns mais rápidos e outros mais técnicos, tem jogadores para resolver individualmente e outros que são grandes soluções para o jogo de e em equipa. Tem um marcador de livres (finalmente), tem jogadores que já estão na montra mundial e outros que estão a dar o litro para entrarem na equipa. Enquanto adepto do Sporting, hoje tenho a certeza que estamos nocaminho certo. Pode não resultar, podemos não conseguir ganhar, mas tenho a certeza que estamos a tentar.
Rui Patrício tem tudo para elevar o Sporting de Empresa a Instituição. Uma empresa pensa somente no lucro, uma instituição está suportada em valores e princípios. Fonte: Camarote Leonino
Também tenho a certeza que muito se vai escrever nos próximos dias sobre o “futuro” do Sporting. Que o William vai ficar contrariado no plantel, que os leões vão perder oportunidades de negócio que não vão voltar a existir, que a estrutura de Alvalade corta as pernas aos jogadores e não os deixa evoluir. Mas está na altura de o Sporting não ser uma mera empresa e tornar-se uma grande instituição. O negócio é importante, mas os valores e os pilares estruturais do Clube são o mais importante. É fundamental ter jogadores chave que se tornem elementos fulcrais no clube e se tornem referências a nível mundial. Exemplos como Maldini, Totti e outros, cada vez são mais raros no mundo do futebol e é importante até nisso marcar a diferença. Rui Patrício tem todas as condições para entrar nesse reduzido lote.
Está na altura de mudar a política do Sporting e fazer bons negócios com quem não serve e manter na equipa quem verdadeiramente faça a diferença. As vendas de alguns jogadores que não tinham espaço no plantel por valores “médios” fazem com que se garanta uma estabilidade financeira nunca antes vista.
O meu aplauso para quem está a coordenar esta política. E nunca mais é “segunda-feira” para saber (finalmente) com quem se conta.