Após a vitória sobre as Ilhas Faroé por um expressivo 5-1, no Estádio do Bessa, a selecção nacional deslocou-se à Hungria para um importante encontro nas aspirações face ao apuramento para o Mundial na Rússia do próximo ano. Portugal tentava continuar a perseguição à Suíça e vencer a Hungria era essencial; à selecção da casa, uma possível vitória dar-lhe-ia um novo fôlego nas aspirações de um hipotético play-off.
Perante um infernal estádio, na Arena de Budapeste, com forte apoio Magyar, foi Portugal quem entrou a pressionar alto e a criar claras oportunidades de golo, quer através de cantos, quer em jogo corrido, encostando a selecção húngara às “malhas da baliza”.
Primeira meia hora de jogo marcada por inúmeras ocasiões de golo e maior posse de bola por parte de Portugal, criando muitas dificuldades à Hungria, que só através do contra-ataque criava algum perigo na baliza de Patrício. É de enaltecer que cada corte que os jogadores húngaros faziam a Ronaldo era festejado como se tratasse de um golo. Ao minuto 27, ocorreu o primeiro contratempo para Fernando Santos, quando Fábio Coentrão se ressentiu de um problema muscular e teve de ser substituído por Eliseu. Dois minutos depois, Priskin foi expulso, com vermelho directo, após uma cotovelada a Pepe, que deixou marcas visíveis no rosto do jogador português.
Numa primeira parte completamente inflamada por parte dos adeptos húngaros, sempre que Pepe tocava na bola o público assobiava, Cédric também foi vítima da agressividade excessiva, depois de levar uma cotovelada e ficar a sangrar do rosto, Portugal esteve quase sempre por cima, com destaque para João Mário, que raramente falhou um passe e todo o jogo da equipa passou por ele. A Hungria limitou-se a defender e a festejar os cortes que a equipa fazia ao longo do jogo a Ronaldo e companhia.
Em relação à segunda parte, Portugal entrou com o mesmo sufoco com que acabou a primeira parte e surtiu efeito logo ao minuto 48, com o golo de André Silva, fruto do grande trabalho de João Mário, João Moutinho e Ronaldo para dar ao ponta-de-lança o golo que deu vantagem à equipa das quinas.
A selecção húngara, a perder, preocupou-se em manter uma defesa sólida e em subir a linha defensiva e assegurar um jogo aguerrido que, por vezes, pecava por excesso no contacto físico. No entanto, foram poucas as ocasiões de real perigo, apesar de recorrer constantemente aos passes em rotura e contra-ataque, ainda que desorganizado e de fraca qualidade.
A selecção portuguesa, após inaugurar o marcador, tentou acalmar o jogo, jogar seguro com passes curtos e tentar ampliar a vantagem.
Até final do encontro, tanto Hungria como Portugal mantiveram os seus sistemas tácticos e a vantagem magra, mas preciosa de Portugal, é mais importante do que tudo. Triunfo justo mas que podia ter sido mais dilatado e menos sofrido.
Portugal segue na perseguição à Suíça pelo apuramento directo para o mundial, e cada vez mais se torna fulcral o encontro com a Suíça no Estádio da Luz.
Após a fatídica qualificação, numa autêntica serenata à chuva e com vários períodos de tempo em que a dúvida se mantinha, em que Hamilton alcançou a Pole e tornou-se no piloto com mais Poles de sempre na história da Fórmula 1 com 69, os homens da casa não foram além do quinto e sexto posto, com Raikkonen à frente do alemão, e depois dos homens da Red Bull serem penalizados. Com Stroll, da Williams, a partir da primeira linha, este tornou-se no mais jovem piloto de sempre a partir da primeira linha, e Ocon, da Force India, a alcançar a terceira posição e a escrever história na sua equipa.
Se em Monza, no sábado, o dia e o circuito mais pareciam uma piscina, no domingo, o cenário mudou por completo. Rapidamente se confirmou que a corrida se iria realizar com tempo e piso seco. Um sábado atribulado com muitas surpresas prometia um domingo igualmente animado, mas as previsões erraram por completo. Uma corrida sem história, com poucos pontos de interesse, em que Hamilton partiu na frente e na frente chegou, os Ferrari rapidamente chegaram às terceira e quarta posições; os Red Bull, que partiam do fim da grelha, adoptando uma estratégia mais agressiva também, não tiveram grande dificuldade em chegar aos lugares da frente.
É verdade que Hamilton não se teve que preocupar com nada, partiu à frente e na frente chegou, e todos os outros pilotos atrás dele tiveram trabalho para realizar. Raikkonen, nos instantes iniciais, ainda ultrapassou Bottas e, quando se pensava que o ‘Ice Man’ ia travar para que Vettel conseguisse ultrapassar o Mercedes do finlandês, eis que Bottas ultrapassa no final da primeira volta Raikkonen, ficando à vista a olho nu que a Mercedes tem um maior andamento em recta, ainda que o desempenho puro não seja totalmente justificável. O trabalho de Bottas era chegar à segunda posição e foi feito rapidamente e de forma eficaz e natural. Vettel, quando se coloca na terceira posição, já se encontrava a quase 15s de Bottas e a 20s de Hamilton, ao fim de 17 voltas… Raikkonen teve maior dificuldade para ultrapassar o Force India de Ocon, ainda assim, e ao fim de uma série de voltas, conseguiu ultrapassar. Destaque ainda para Verstappen, que teve logo no início um furo e teve de recorrer à box, estragando mais uma corrida e Grande Prémio em branco.
Hamilton é líder do campeonato pela primeira vez este ano Fonte: F1
No espaço de uma semana entre o Gp da Bélgica e o Gp de Itália, em Monza, a FIA decidiu mudar as regras referentes à quantidade de óleo usado no combustível. Se anteriormente os monolugares só podiam usar até 1,2L por cada 100km, após este Grande Prémio, os motores só podem debitar 0,9L de óleo por cada 100km.
A FIA decidiu aprovar os motores Mercedes que foram desenvolvidos com 1,2L de óleo para as provas restantes da temporada, não havendo igualdade de circunstâncias e a luta pelo título pode muito bem ser influenciada por factores externos aos que interessam. Se a Ferrari tem conseguido gerir com Vettel a liderar o campeonato e a ser mais regular, mesmo não tendo o melhor monolugar do plantel, Hamilton e a Mercedes bem que podem agradecer à FIA esta preciosa ajuda que lhes pode valer o título mundial. Uma alteração das regras a meio do campeonato que em nada veio ajudar o belo espectáculo a que temos assistido este ano de 2017, com dois excelentes pilotos e campeões do mundo.
Ficando apenas a sete Grandes Prémios do final do campeonato do mundo, a Fórmula 1 despediu-se hoje em Monza da Europa, pois a caravana segue para o continente americano e asiático. Despediu-se em grande, os ‘Tifosi’ compareceram em massa (como sempre), neste que é o GP da Ferrari na sua catedral, e festejaram o pódio de Vettel como se de uma vitória se tratasse, demonstrando como é possível amar a scuderia mais antiga da modalidade, que é vista como uma das marcas mais famosas do mundo mesmo sem ganhar. Disto, não há igual nem parecido.
Com a vitória calma de Hamilton, o inglês é o novo líder do campeonato, pela primeira vez este ano, com apenas mais três pontos que Vettel. A luta está para durar até ao último GP, ainda que o benefício da FIA à Mercedes já tenha surtido efeito, espera-se que o equilíbrio entre Ferrari e Mercedes seja saudável e sem factores externos, pois trata-se de uma luta lendária entre dois grandes senhores.
O destaque positivo vai para Ricciardo que, ao partir do 16º lugar, realizando uma partida de trás para a frente, terminou na quarta posição, à frente de Raikkonen. O destaque negativo vai (novamente) para a McLaren, que acabou por ver os seus dois pilotos abandonarem a prova por problemas no motor.
A FIA mudou as regras do jogo, Hamilton é o novo líder e, em Monza, viveu-se um ambiente verdadeiramente de festa, como se de uma vitória da Ferrari se tratasse. Para bem desta grande luta pelo título a que temos assistido, é bom que factores ocultos ou externos sejam postos de parte, e que a luta seja pura até à última curva de Abu Dhabi.
O próximo Grande Prémio realiza-se de 15 a 17 de Setembro, em Singapura.
Nesta época, o Benfica iniciará mais uma caminhada na Fase de Grupos da UEFA Champions League, participando nesta fase da competição pela oitava época consecutiva, e pretenderá continuar a fazer história depois de, na época passada, ter passado a fase de grupos pela segunda vez consecutiva pela primeira vez na sua história.
No entanto, não consigo analisar as possibilidades do Benfica nesta edição da Champions sem antes fazer referência a algo que não me deixa indiferente: à desigualdade cada vez maior que existe na Liga Milionária (e que, cada vez mais, faz jus a esta alcunha).
No formato antigo (Taça dos Campeões Europeus), participavam apenas os campeões nacionais dos respectivos países na competição. Com a mudança de nome e de formato em 1991, os países mais cotados no ranking ganharam o direito de terem mais representantes na competição. A partir da próxima temporada, os quatro países melhor classificados no ranking da UEFA terão direito a ter quatro clubes com entrada direta na Fase de Grupos da Champions.
É por estas e por outras que muitas equipas do passado já não se mantêm no presente. Se formos analisar bem as coisas, o facto de o Benfica ter estado presente no Pote 1 do sorteio é mais um sinal dessa desigualdade. O facto do Pote 1 ser o pote dos campeões é areia para os olhos. Enquanto o Benfica é um pobre campeão, o Pote 2 tem clubes como o Barcelona, o Atlético de Madrid, o PSG e o Manchester United e até mesmo o Pote 3 tem clubes que impõem respeito. Como diria um antigo treinador encarnado, o fair-play é uma treta.
Cada vez mais o lucro se sobrepõe ao fair-play na competição Fonte: Blogue 1904epluribusunum
Mas agora vejamos outra coisa, será que a brutal diferença de orçamentos e esta desigualdade que se vai acentuando cada vez mais significa que teremos de abordar a Liga dos Campeões como uma competição secundária? Nem pensar isso! Porque quando falamos do Sport Lisboa e Benfica, falamos de um clube com reputação e prestígio a nível mundial, falamos de um clube que tem duas Taças dos Campeões no seu museu. Logo, qualquer abordagem leviana à competição, será uma falta de respeito para com a história do clube.
Em relação ao nosso grupo nesta edição da Champions, é certamente um grupo onde temos as nossas hipóteses. Uma das coisas que me agrada, é o facto de termos quatro jogos em casa. Sim, quatro, porque eu estou convencido que em Basileia haverá mais adeptos do Benfica do que do clube da casa no St. Jakob-Park.
No entanto, ao verificar o nosso plantel, cheira-me que infelizmente, nesta época teremos novamente um Benfica de “consumo interno”. Ao contrário da maioria dos Benfiquistas, eu não achava que o Benfica precisava de reforçar mais a defesa (excepto na posição de lateral-direito), mas sim o meio-campo. Creio que necessitávamos de reforçar o miolo com um ou dois jogadores de grande capacidade física, que dessem músculo à equipa. Pois acho que necessitamos de um plantel mais equilibrado entre a componente técnica (que temos de sobra) e a componente física. Na minha opinião, um dos motivos pelo qual o Real Madrid se reafirmou como a melhor equipa do mundo, foi porque Zidane soube encontrar esse equilíbrio ao apostar em jogadores como o Casemiro.
Seja como for, esta equipa estará pronta para as batalhas. Não importa qual for o adversário, teremos de o encarar de frente, sem medo. Os nossos adeptos irão encher as bancadas e esperarão que os jogadores em campo suem a camisola e dignifiquem o símbolo que carregam no peito.
O futebol açoriano continua a ser desvalorizado e pouco visível na geografia do futebol nacional. O CD Santa Clara é, até ao momento, o único clube a disputar competições profissionais. Poucos são aqueles que conhecem mais do que um ou dois clubes açorianos. A verdade é que este desconhecimento acerca do futebol dos Açores é injusto. Nos últimos anos, e pese embora as dificuldades financeiras, os clubes açorianos têm crescido. Que o digam o Operário e o Praiense, que na temporada passada lutou até ao final contra o Leixões pela subida. Esta época, o objetivo volta a ser o mesmo de há muitos anos: colocar mais uma equipa açoriana, a participar no Campeonato de Portugal (CPP), nos campeonatos profissionais.
Para aqueles que não conhecem, o Campeonato de Portugal é uma competição que envolve clubes de norte a sul e ilhas, em que se disputam dois lugares que dão acesso à Segunda Liga.
O Real Massamá foi o grande vencedor da última edição do CPP Fonte: Real SC
Este campeonato é organizado em várias zonas, neste caso cinco, e em que os dois primeiros de cada zona, ficam classificados para uma segunda fase de apuramento que é composta por dois grupos: norte e sul. Os vencedores de cada grupo, já com a subida alcançada, defrontam-se entre si numa final para o apuramento do campeão.
Para além desta hipótese de subida, há também a hipótese de se disputar um playoff com equipas da Segunda Liga, na linha de água, como aconteceu na temporada passada entre Leixões e Praiense e Merelinense e Académico de Viseu. Posto isto, há que dizer que este CPP deverá ser o campeonato mais competitivo em Portugal. São inúmeros os jogos que estas equipas fazem ao longo de uma temporada. O desgaste é imenso e para um clube conseguir a tão almejada subida é preciso muito esforço, muita coerência, muita consistência. Não é fácil competir neste CPP. Há muitas equipas a investir forte nos seus planteis e vemos até que as diferenças entre a segunda divisão e o CPP, já não são tão vincadas, muito por culpa da qualidade que estas equipas têm vindo a alcançar.
Esta temporada, no CPP, temos a representar os Açores, equipas como: Operário, Sporting Ideal, Praiense, Lusitânia e Sporting Guadalupe.
Ainda que não esteja a ser um torneio pródigo em grandes surpresas, têm sido diversos os momentos marcantes do US Open 2017. Como tal, importa colocar os holofotes sobre os destaques (pela positiva e pela negativa) da primeira semana do torneio, bem como começar a olhar para a segunda semana do torneio e vislumbrar o que se poderá esperar da mesma.
Destaques e Previsões do Quadro Feminino
Maria Sharapova tem sido a protagonista das maiores emoções até agora vividas no US Open Fonte: US Open
Maria Sharapova – Qual “cisne negro” num vestido cravejado de cristais Swarovski, a russa é talvez, até ao momento, a figura maior deste US Open. Para além de, contra todas as expetativas (sobretudo pelas recentes lesões que a têm atormentado), estar já na quarta ronda do torneio (usando um estilo de jogo “à Jelena Ostapenko”, de “mata ou morre”, entenda-se, de winner ou erro não forçado), Sharapova eliminou a número dois do ranking mundial, Simona Halep, logo na primeira ronda e, no final, a russa emocionou-se como nunca antes se havia visto em pleno Arthur Ashe Stadium.
Garbiñe Muguruza – A espanhola tem mantido a consistência que vinha apresentando nos torneios anteriormente disputados e, com o seu ténis agressivo e dominador, tem realizado um verdadeiro passeio na primeira semana do US Open (não perdeu ainda um único set). A manter-se o seu nível exibicional, Garbiñe Muguruza continua a afigurar-se como a grande favorita à conquista do torneio. O seu primeiro grande desafio será já na próxima ronda, frente a Petra Kvitova, mas caso vença fica a ideia de que apenas Elina Svitolina parece capaz de dar luta a Muguruza.
Angelique Kerber – É certa que também outras tenistas de grande qualidade (como Caroline Wozniacki, Svetlana Kuznetsova, Dominika Cibulkova ou Jelena Ostapenko), e algumas delas até tidas como fortes candidatas à conquista do US Open (como Simona Halep ou Johanna Konta) foram já eliminadas; porém, é incompreensível a temporada terrível que Angelique Kerber, recém-número um do ranking WTA, tem vindo a realizar. Desta vez o seu carrasco foi Naomi Osaka que, com aparente facilidade, “despachou” a alemã por 6-3 e 6-1. Para Kerber, é tempo de parar para refletir!
André Castro é formado no FC Porto e vai representar o Goztepe, neste temporada, depois de já ter passado pelo Sporting Gijón e Kasimpasa. Aos 29 anos, abre o jogo ao Bola na Rede. Admite jogar em qualquer um dos três grandes portugueses e confessa que guarda alguma mágoa em relação a Paulo Fonseca e Fernando Santos.
Turquia
Bola na Rede (BnR): André Castro, após quatro épocas a alinhar no Kasimpasa SK (onde sempre foi uma peça-chave na equipa), esta época mudou-se para o Goztepe SK. O que significa, no seu percurso futebolístico, esta mudança?
André Castro (AC): Esta mudança para o Goztepe proporcionou-se porque o meu contrato com o Kasimpasa acabou. Eles queriam continuar comigo, mas eu achei que deveria mudar. Fizeram de tudo para me manter lá, mas a proposta do Goztepe SK foi melhor e era um clube que veio da segunda divisão mas que tem um projeto ambicioso, fez várias contratações e pareceu-me que o projeto era mais interessante do que o do Kasimpasa, por isso a minha mudança. Espero que seja dentro do mesmo, em que fiz quatro épocas muito boas e em que, numa época, fiquei na equipa ideal da liga e onde joguei os jogos todos. Foram anos de sucesso e espero continuar a jogar e ajudar o Goztepe.
BnR: Falou-se no interesse do Fenerbahce SK. Confirma? Recebeu convites de Portugal?
AC: Sim, é verdade que houve interesse do Fenerbahce, como também de outra equipa grande turca, mas aqui na Turquia os clubes querem nomes grandes. Embora o Fenerbahce tenha dito que me queria, pediu-me para esperar até ao final do mercado para ver de outras soluções e, caso existissem esses nomes grandes, não me contratavam. Achei que isso não seria bom para mim, porque eu estava livre e se eles me quisessem mesmo escusavam de esperar, bastava quererem. E se eu soubesse que iria ser uma aposta para eles iria com todo o gosto; mas senti que era um interesse que não era aquilo que eu também queria, porque eles queriam e não queriam ao mesmo tempo, assim como outras equipas grandes da Turquia. O Goztepe mostrou mais interesse que as restantes equipas e por isso a minha mudança para aqui.
BnR: Ao seu lado tem companheiros de equipa com passagens por Portugal (e pelo FC Porto), como Beto ou Ghilas. Vê-se como figura de referência para a sua melhor integração no futebol turco, ou são eles quem lhe permitem, em certa medida, “matar saudades de casa”?
AC: Isto de receber o Ghilas, o Beto ou o Scarione, que também esteve comigo no Kasimpasa, é sempre bom. São jogadores que eu já conheço e é sempre bom ter alguns colegas; nós somos uma equipa nova, fizemos cerca de dezasseis contratações e a equipa é toda nova. Temos que começar por algum lado, e espero que sirva para nos unir o máximo possível.
BnR: Até onde pode ir este Goztepe SK na Liga Turca? Vê no clube potencial para conquistas a nível interno ou, individualmente, crê que possa ser um trampolim para umas das equipas ditas “grandes” da Turquia?
AC: O Goztepe este ano tem que pensar na manutenção. É uma equipa que veio da segunda divisão, muita coisa nova, muitos jogadores e até treinador novo. Penso que, para esta época, o mais importante é fazermos um campeonato equilibrado, tentar assegurar a manutenção o mais rápido possível e, a partir do próximo ano e se tudo correr bem, pensar noutras coisas. Mas acredito que, para este ano, seja muito importante a manutenção, até porque esta liga é muito complicada e por isso aponto para conseguir a permanência.
O Goztepe SK é o novo desafio de André Castro Fonte: Goztepe SK
BnR: Acha a liga turca é melhor ou, pelo menos, mais interessante do que a portuguesa?
AC: Penso que os três grandes de Portugal são mais organizados do que as equipas grandes turcas. Mas, em termos da liga, a Turquia tem um campeonato bastante superior ao português, penso eu. Tem melhores jogadores e a nível de dinheiro, então, nem se fala, é mesmo outro mundo. Aqui uma equipa da parte inferior da tabela consegue ir buscar jogadores aos grandes de Portugal. Se virmos a quantidade de jogadores que este ano vieram para a Turquia, como o Nasri que foi para o Antalyaspor, vemos que é uma coisa incrível. Por isso não podemos comparar os campeonatos, a liga turca é muito competitiva e em que os pequenos ganham facilmente aos grandes, não é como em Portugal que Porto e Benfica jogam em casa e que já se saber que vão ganhar, só não se sabe é por quantos. Aqui não acontece isso. Por exemplo, já estou aqui há quatro temporadas e, nos jogos em casa contra o Besiktas, nunca perdi. É uma liga muito competitiva.
BnR: Quais as principais diferenças culturais que encontrou na Turquia?
AC: As diferenças culturais assentam em que o país, em geral, é todo muçulmano. Mas já vivi em Istambul e agora estou noutra cidade muito bonita que é Izmir e não se nota assim nada de diferente, penso que a coisa mais diferente será que eles têm que rezar algumas vezes ao dia e que à sexta-feira vão todos rezar às duas horas da tarde. De resto vive-se muito bem, as pessoas são muito boas e simpáticas e eu gosto muito da Turquia.
BnR: Como é que um jogador lida com um ambiente tão complicado como é o de alguns estádios na Turquia?
AC: O ambiente nos estádios foi outra das razões para eu mudar, porque o Kasimpasa SK é um clube que não tem adeptos porque fica em Istambul, onde os adeptos são todos das equipas grandes. O Goztepe SK é conhecido por ter muitos adeptos e essa foi uma das razões para eu mudar, porque gosto muito de ter o estádio cheio e aqui na Turquia o ambiente nos estádios é espetacular.
BnR: Quais são as diferenças entre os clubes pequenos na Turquia e em Portugal, em termos de estrutura e condições de trabalho?
AC: A diferença é abismal. Eu joguei no Kasimpasa que tinha um centro de treinos tão bom, ou até melhor, do que o do FC Porto ou Benfica. O dinheiro que eles gastam nos centros de treino é incrível, agora o Goztepe também tem um bom centro de treinos. Ou seja, todas as equipas aqui têm centros de treino e com um orçamento muito superior a muitas equipas portuguesas, até mesmo ao SC Braga. E em termos de salários, o FC Porto e o Benfica têm jogadores que ganham menos do que um clube que aqui luta para não descer. Essa é a grande diferença, em termos financeiros a Turquia é muito superior.
Sob um calor intenso na cidade algarvia de Portimão e com uma fraca assistência, jogou-se a segunda fase da Taça da Liga e nenhuma das equipas da Primeira Liga quis ficar prematuramente de fora da competição. De realçar que tanto o Portimonense como o Chaves vinham de derrotas caseiras para o campeonato, e procuravam um novo alento para continuar a temporada.
O jogo no Portimão Estádio começou logo com uma grande penalidade marcada ao minuto 3’ e a favor do clube flaviense; numa falta sobre Davidson, sem margem para qualquer dúvida e que Tiba converteu com toda a naturalidade, e desta forma inaugurou o marcador, tornando o jogo muito mais “arriscado” de parte a parte.
Estava um jogo muito disputado, aguerrido e de contacto físico exagerado em que ambas as equipas tentavam ter o máximo de posse de bola, mas com mais dificuldades para a equipa algarvia, devido à linha defensiva alta dos flavienses. Os Algarvios criavam maior perigo através de bolas paradas, até que Ricardo Pessoa, capitão do Portimonense, decidiu igualar a partida ao minuto 15’, através de um livre directo à entrada da área, pondo justiça no marcador. Em termos de espectáculo, o mesmo encontrava-se bastante interessante, com dois golos no primeiro quarto de hora.
Ainda assim, o exagerado contacto físico deste encontro chegou ao ponto mais alto quando Matheus Pereira, jogador do Sporting emprestado ao Chaves, elevou em demasia o pé acertando no jogador da casa, Pedro Sá, e acabou por ser expulso com vermelho directo ao minuto 18’.
Com a expulsão de Matheus, a equipa da casa conseguiu paulatinamente assumir o controlo do jogo, conseguindo finalmente entrar mais vezes na área contrária e com maior facilidade. De referir que ao minuto 30’ ocorreu uma pausa para os jogadores se refrescarem, tudo devido ao intenso calor que se faz sentir em Portimão.
A caminhar para o final da primeira parte, o Portimonense continuava constantemente a falhar ocasiões fulgurantes de golo, algumas mesmo incríveis, tendo havido também uma expulsão perdoada a Rúben Ferreira do Chaves, devido a um ‘carrinho’ agressivo a cinco minutos do intervalo. Após quatro minutos de descontos e de um jogo muito aceso, onde Dener, no último lance da primeira parte, podia ter feito bem melhor, as equipas regressavam para os balneários.
Shoya Nakajima esteve em grande frente ao GD Chaves Fonte: Domínio de Bola
Em relação à segunda parte, a entrada forte do Portimonense foi consagrada com Paulinho a marcar o 2-1 em que o avançado perfurou a defesa e conseguiu fintar o guarda-redes, corria o minuto 50’. A entrada de Shoya Nakajima veio “transtornar” o jogo atacante da equipa da casa, criando muitas dificuldades à equipa orientada por Luís Castro.
O trio Paulinho, Pires e Shoya foi, para a defesa transmontana, um sufoco ao longo da segunda parte, em que todos os intervenientes (anteriormente referidos) tiveram oportunidades claras de golo, destacamos Shoya que é, sem dúvida, um elemento bastante irreverente, capaz de impulsionar o ataque a qualquer momento.
A equipa flaviense só através do contra-ataque conseguia criar algum perigo e, na defesa, Nuno Coelho “salvou-se” de uma nota negativa. Ainda assim, a verdade é que ao minuto 66’ William introduziu mesmo a bola na baliza algarvia, mas já após o apito do árbitro, após um alegado fora-de-jogo. No entanto, deixando o aviso de que numa bola parada ou de puro contra-ataque poderia igualar a partida.
As intenções do GD Chaves caíram por terra quando Fabrício, num potente remate fora de área, não deu a mínima hipótese a Filipe. O Portimonense marcava assim o 3-1 que ditava a vitória neste encontro, ainda que o esforço algarvio ppudesse ter sido recompensado com a possibilidade de mais golos. O domínio algarvio estendeu-se assim até ao final do encontro, com o Portimonense a jogar com confiança e garra e onde oportunidades para aumentar a vantagem não faltaram. Do lado flaviense, com a expulsão prematura de Matheus, nada se pôde fazer.
Shoya entrou e foi a chave para a vitória da equipa da casa, que ganha assim novo fôlego para o campeonato.
Não foi um bate-boca, mas foi parecido. Joel Rocha, treinador do SL Benfica, começou por afirmar que o Sporting CP era favorito a vencer a Supertaça. Nuno Dias, técnico do Sporting CP, comentou essas declarações «estratégia para aliviar pressão». Esta ‘discussão’, juntamente com a boa moldura humana e sonora sentida no Pavilhão Mário Mexia, contribuiu para que o dérbi se disputasse num clima ainda mais quente do que o calor que se fazia sentir fora das portas do recinto.
O Sporting CP fez jus às palavras do técnico contrário e entrou a mandar no jogo, chegando ao golo inaugural antes dos dois minutos de jogo por Pany Varela, num disparo a meio do meio-campo do SL Benfica.
Os encarnados conseguiram reagir, equilibraram o jogo, mas foi o adversário a ter a oportunidade de dilatar a vantagem, através de uma grande penalidade cometida por Hemni sobre Dieguinho, estavam decorridos 6 minutos e meio de jogo. Diogo, chamado à conversão, falhou, deu moral ao adversário, que aproveitou a “boleia” para igualar o marcador, um minuto depois. Hemni redimiu-se do lance do penalty e, numa jogada que parecia perdida, trabalhou sobre a linha lateral e disparou para o fundo das redes leoninas.
O equilíbrio, refletido no 1-1, foi nota dominante até ao intervalo.
O segundo tempo começou de acordo com o início do primeiro: com o Sporting CP a mandar no jogo e… a desfazer a igualdade. Pedro Cary, aproveitou perda de bola encarnada para, em zona frontal, disparar para o 2-1 com três minutos decorridos no segundo tempo. Desta vez, o SL Benfica não conseguiu reagir tão bem e o Sporting CP esteve mais perto do terceiro que os encarnados do empate. Não contava, porém, que o seu guarda-redes falhasse um passe de forma proibitiva sobre a linha do meio-campo e que Chaguinha aproveitasse para igualar o marcador, num disparo efetuado… à entrada da àrea do SL Benfica.
O Sporting CP, desta vez, não ficou abalado pelo golo encarnado e manteve o domínio de jogo, ameaçou chegar ao golo… e concretizou essa ameaça. Pany Varela, novamente, devolveu a liderança do marcador aos leões. O Benfica tentou contrariá-la, usou guarda-redes avançado, mas não conseguiu evitar deixar escapar o título para o rival.
Num jogo entre duas das melhores equipas de futsal da europa, a vitória sorriu à equipa apontada como favorita pelo… treinador contrário.
O FC Porto tem estado muito bem neste início de época e recomenda-se! Apostando num plantel lowcost, com poucas alterações face ao plantel da época passada (e fracassada) e com os reforços a serem apenas jogadores retornados de empréstimo, poucos adivinhariam um arranque tão positivo e promissor como este da equipa de Sérgio Conceição. Depois de um mercado estranhamente calmo para os lados do dragão, em que as novidades foram escassas, a maioria da massa adepta portista (incluindo eu) associou esta “dormência” no mercado a uma certa passividade e desleixo do FC Porto. Mas não. Errei e admito o erro. O FC Porto está a ter um arranque entusiasmante e, apesar de não ter ganho nada ainda, é motivador ver mudanças profundas no estilo do jogo e finalmente estarmos a jogar mais “à Porto”. Mais raça, mais entrega, mais vontade.
Contudo, não deixo de ficar um pouco desiludido por ver o FC Porto tão inativo e imóvel neste mercado. Para mim, o mercado de transferências é dos momentos mais entusiasmantes de uma época desportiva. O adepto de futebol fica preso de início ao fim, colado ao ecrã até ao último segundo à espera de uma mexida que envolva o seu clube do coração. O mercado no futebol está sempre a bombar e uma simples mexida desencadeia uma série de transferências. Não digo com isto que era necessário, nem obrigatório, contratar para os lados do dragão. A equipa está sólida e estruturada e as recentes exibições provam precisamente isso. Era apenas um “capricho” de um adepto tanto do FC Porto, como do próprio mercado de transferências.
O FC Porto adotou uma política diferente nesta janela de transferências e talvez tenha sido isso que apanhou de surpresa os adeptos portistas. A aposta neste mercado foi a de manter os jogadores com maior procura e a de dar uma “segunda vida” aos jogadores anteriormente emprestados.
Assim sendo, Marega, Ricardo e Hernâni foram os “reforços” improváveis e a permanência de Danilo, Marcano e Aboubakar foi fulcral para que os dragões apresentassem um plantel sólido e competitivo como até agora têm demonstrado.
Danilo foi o jogador mais cobiçado dos dragões com o PSG a ser o clube mais interessado Fonte: FC Porto
Através de uma análise aprofundada ao plantel dos dragões pós-mercado de transferências, podemos verificar que a baliza é um dos setores mais bem entregues, com um Iker Casillas melhor do que nunca e que até agora tem mantido a baliza dos azuis e brancos inviolável. No setor da defesa, o FC Porto manteve no seu plantel Maxi Pereira e Layun que, para mim, eram jogadores excedentários, o primeiro pela elevada folha salarial e o segundo porque face ao escasso tempo que tem jogado podia render ainda algum dinheiro para os cofres do dragão. Sendo assim, os dragões preferiram preterir de Rafa que sai do clube por empréstimo.
Avançando no terreno, para a zona do meio-campo, podemos verificar que é um dos setores com menos opções, apesar de serem de qualidade. Com a “perda” de João Carlos Teixeira e com a saída de Agu, o leque das opções fica mais reduzido e Danilo é a única opção para trinco na equipa de Sérgio Conceição.
Por fim, o ataque do FC Porto perdeu mesmo no último suspiro do mercado, Rui Pedro. O empréstimo do jovem atacante divide os adeptos portistas. Por um lado, é mau para os dragões ficar com apenas três avançados quando jogam num sistema com dois atacantes e numa altura em que Soares ainda recupera de lesão. Por outro lado, é bom o jogador ser emprestado, principalmente a um clube vizinho (Boavista) para que o seu desenvolvimento seja acompanhado de perto e caso ficasse no FC Porto o seu potencial poderia estagnar.
Sem perdas de jogadores de“peso” neste mercado de transferências, o FC Porto é talvez dos três grandes, o que apresenta um plantel mais equilibrado e estruturado. Mantendo as maiores referências do seu núcleo duro, os dragões apostaram no que têm e apostaram bem, sendo essa a principal receita e fator diferenciador para os possíveis sucessos desta época.
Com o fim do mercado de Verão, é altura de olharmos para o planeamento da época e das novidades (ou falta delas) que nos foram apresentadas. Perdeu-se Ederson, Nélson Semedo, Lindelöf e Mitroglou. Ganhou-se Bruno Varela, Mile Svilar, Douglas e Gabigol. Riram-se? Eu também.
O que mais me incomoda neste momento, talvez seja Bruno Varela. Foi questionada a qualidade nele na equipa B, questionei a qualidade dele no Vitória FC e acho inacreditável que este seja o substituto de Ederson. Em que mundo vivemos para um guarda-redes medíocre servir para a baliza do Benfica? Trouxemos um Svliar (menino que gosto de apelidar de Heath Ledger, por razões físicas, claro), acabado de completar 18 anos. Com certeza é uma promessa, mas, com as vendas feitas, o Benfica não precisa de promessas e planos para um futuro, precisa sim de soluções imediatas.
Incomoda-me também olhar para a “lista” de centrais e pensar que rodará sempre entre um Luisão nos seus últimos dias, um Jardel e um Lisandro Lopéz. A juntar a este incómodo, surge ainda um rumor que os encarnados terão rejeitado Garay. A questão financeira surge como principal problema para a SAD encarnada, mas a aparente satisfação com um plantel extremamente limitado do meio campo para trás não pode ser aceite de ânimo leve.
Svilar foi um dos (poucos) reforços do SL Benfica Fonte: SL Benfica
Como em todos os anos, perde-se jogadores, aparecem novos, criticamos e acabamos felizes com o que temos e, não quero desde já, mostrar falta de confiança ou desrespeitar o trabalho daqueles que por aqui andam, mas Douglas ou André Almeida são o suficiente? Bruno Varela é suficiente? E Gabigol? O que veio para cá fazer?
Com mais vendas do que compras e com sectores defensivos muito limitados, seria de esperar uma aposta na formação, mas nem isso temos este ano.
Resta saber se, este planeamento e esta política de mercado, não obrigará a uma mudança em Janeiro. Resta saber se, este planeamento e esta política de mercado, não custará aquilo que todos mais desejam: o penta campeonato.