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Mundial Futebol Praia’15 – A justiça tarda mas não falha

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Ao terceiro dia de competição em Espinho, a primeira grande desilusão para o público português. Na segunda jornada do Grupo A, a seleção nacional foi surpreendida pelo Senegal que acabou por vencer os comandados de Mário Narciso por 5-6. O resultado até pode ser surpreendente mas a verdade é que é totalmente justo. E isso porque, durante todo o encontro, a seleção nacional nunca caminhou de forma segura durante o jogo.

Mesmo tendo chegado à vantagem aos 7 minutos por intermédio de Belchior, a equipa da casa nunca conseguiu ter o jogo minimamente controlado. No ataque, as oportunidades sucediam-se mas a ineficácia era tremenda. Na defesa, as desconcentrações foram mais do que muitas e os erros crassos repetiram-se consecutivamente. Por isso, não foi de estranhar que a equipa senegalesa tenha chegado ao empate ainda antes do primeiro intervalo, por intermédio de Thioune. No segundo período, Portugal mostrou-se a grande nível, apontando três golos (Coimbra, Leo Martins e Alan), contra apenas um da seleção africana, marcado por Kamara. À entrada para o último terço do jogo, o 4-2 no placard parecia suficiente para que Portugal pudesse festejar já este sábado o apuramento para os quartos de final do Mundial. O problema foi que no terceiro período, à semelhança do que havia acontecido no primeiro, a seleção liderada por Mário Narciso cometeu falhas defensivas imperdoáveis num jogo com esta importância. Sempre desconcentrada no processo defensivo, Portugal, mesmo com dois golos de vantagem, nunca conseguiu mostrar em campo o porquê de ser considerada uma das melhores equipas da atualidade. Isso levou a que o Senegal, à medida que o tempo ia correndo, a ganhar cada vez mais confiança, o que se traduziu num aumentar do número de oportunidades junto à baliza de Elinton Andrade.

Depois de várias ameaças, os senegaleses acabaram mesmo por operar a reviravolta no resultado, com os golos de Baldé, Sylla e Boubacar Fall. O Estádio da Praia da Baía estava estupefacto com o que assistia, tamanha era a apatia demonstrada pelos jogadores portugueses. Ainda assim, e na sequência de uma grande penalidade, Belchior, que bisou na partida, ainda deu ténues esperanças ao público da casa, restabelecendo a igualdade a cinco golos. É caso para dizer que foi sol de pouca dura, pois apenas um minuto depois, aos 31, Baldé – a grande figura da partida – bisou na partida, fazendo o sexto e decisivo golo para os senegaleses, que fizeram por merecer uma vitória frente a uma seleção nacional apática.

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Portugal não conseguiu segurar a vantagem no marcador
Fonte: Facebook Seleções Portugal

No primeiro jogo do dia, a Itália venceu, sem grandes dificuldades, a frágil seleção do Omã por 2-4. Mesmo sem deslumbrar, os transalpinos controlaram sempre o ritmo de jogo como mais quiserem, explorando sempre a sua melhor qualidade técnica. Perante um Estádio praticamente cheio, a equipa de Omã, que havia perdido no jogo de estreia por 5-2 frente à Suíça, deixou uma boa imagem e durante muitos momentos conseguiu mesmo equilibrar as rédeas da partida com a seleção comandada por Massimiliano Esposito.

O maior sinal desta boa réplica oferecida pelos asiáticos foi mesmo a vantagem que conseguiram ter durante o primeiro período, fruto do golo aos 7 minutos apontado por Yahya. A vantagem durou pouco e a Itália, ainda antes do final do primeiro período, conseguiu chegar à reviravolta, em virtude de duas bolas jogadas coletivas que terminaram em golos de Emanuelle Zurlo e Marinai.  No segundo tempo, a toada da partida não se modificou, com a Itália sempre expectante e a seleção do Omã a procurar levar a decisão do jogo até aos últimos 12 minutos. Os asiáticos acabaram por ter sucesso, visto que no segundo período apenas houve um golo para cada lado: do lado dos italianos, foi o inevitável Gori a fazer o gosto ao pé; na equipa de Omã, foi a vez de Orami colocar o seu nome na lista de marcadores do Mundial. Com apenas um golo de diferença entre as equipas, o terceiro período acabou por ser um bom espetáculo, com ambas as formações a procurarem o golo. Acabou por ser a mais experiente Itália a conseguir os seus intentos, com Zurlo (repetiu o bis da primeira jornada) a fazer o quarto golo dos transalpinos, colocando a sua seleção nos quartos de final da competição.

Outra das surpresas da tarde aconteceu com a vitória do Japão por 4-3 frente à Argentina, num jogo onde o equilíbrio foi a toada dominante. Sabedora de que uma vitória frente aos nipónicos lhe garantiria o apuramento para os quartos de final do mundial, a seleção albiceleste entrou melhor na partida e foi superior durante o primeiro período, no qual se colocou em vantagem na sequência de um livre direto superiormente marcado por Federico Hilaire. A verdade é que o Japão reagiu muito bem à desvantagem e fez um segundo período absolutamente demolidor, com quatro golos apontados contra apenas um dos sul-americanos. Capitaneada por Ozu Moreira, os japoneses chegaram ao final do segundo tempo com uma vantagem de 4-2 no marcador depois dos golos de Goto (bisou na partida), Matsuo e Oba, contra o intento de Costas, pela seleção argentina.

No terceiro período, os comandados de Marcelo Mendes, empenhados em deixar as contas do grupo A completamente empatadas, conseguiram controlar o ritmo do jogo, deixando apenas a Argentina fazer um golo, por intermédio de Lopez, que se revelou insuficiente para a equipa sul americana. Com duas jornadas completas no grupo A, as quatro seleções estão empatadas com três pontos, sendo que Portugal – por ter a melhor diferença entre golos marcados e sofridos, de 1 positivo – e o Senegal – a equipa com mais golos marcados – são as equipas neste momento nos dois primeiros lugares do grupo. Por isso, uma vitória lusa na última jornada, a disputar na segunda feira, levará os portugueses até à fase a eliminar do Campeonato do Mundo, em Espinho.

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O Japão conseguiu uma importante vitória frente à Argentina
Fonte: Facebook Beach Soccer Fan Page

O último encontro da partida acabou por trazer o jogo menos interessante deste sábado. Ainda assim, esteve quase para acontecer uma surpresa na partida entre a Costa Rica e a Suíça. Depois de uma vitória frente ao Omã, os helvéticos chegavam a esta partida com a certeza de que um triunfo os colocaria na fase seguinte deste campeonato do Mundo. Os costa riquenhos haviam perdido de forma inequívoca por 6-1 frente à Itália e o jogo desta tarde era a última opção de poderem continuar a sonhar com os quartos de final.

A diferença de qualidade entre as seleções foi evidente durante a maior parte do tempo de jogo e por isso não foi de estranhar que, com alguma tranquilidade e normalidade, os suíços tenham chegado até ao minuto 20 a uma vantagem de 3-0, fruto dos golos de Stankovic (excelente golo de chapéu na sequência de um livre direto), Noel Ott (uma das figuras do Mundial até ao momento) e Stephen Leu. Quando tudo parecia bem encaminhado para mais uma vitória tranquila dos suíços, a equipa costa riquenha conseguiu, no espaço de 10 minutos, chegar a um surpreendente empate no marcador, depois dos golos de Mendoza, Adanis e Pacheco. O problema para os comandos de Franklin Zuniga veio apenas 10 segundos depois do golo do empate, quando Borer voltou a colocar as coisas no lugar natural, dando o quarto e decisivo golo aos suíços, que lhes permitiu alcançar o apuramento para os quartos de final.

 

Figura do Dia: Senegal – É certo que em termos de qualidade de jogo o Senegal não é, nem de perto nem de longe, a melhor equipa do mundo de futebol de praia. Ainda assim, a sua entrega física e a capacidade mental que demonstram ao longo do jogo fazem desta uma das seleções mais perigosas nesta competição. Depois de uma derrota amarga frente à Argentina, os africanos conseguiram uma vitória justa frente a Portugal e estão na luta pelo apuramento.

Fora de Jogo: Portugal – É caso para dizer que o que se temia acabou mesmo por acontecer. Depois de um jogo sofrível frente ao Japão, só uma seleção muito mais forte física e taticamente poderia vencer uma equipa tão combativa como a do Senegal. Isso acabou por não acontecer e, apesar de ter produzido alguns bons momentos a espaços, a verdade é que Portugal sai vergado a uma justa derrota frente à equipa africana. Agora, resta vencer a Argentina para chegar a uns quartos de final onde a seleção terá que dar muito mais.

Nota de arrependimento

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“Acalmia”, “serenidade” e “sossego”. Foram estas as palavras que utilizei para caraterizar o defeso do FC Porto. E era algo incontornável… Até há uns dias. A primeira notícia que associou Iker Casillas ao FC Porto foi o ponto de viragem. O marco que sinaliza o “antes” e o “depois” da pré-época azul e branca.

Por isso, está aqui este texto, caro leitor. Linhas que vão servir como nota de arrependimento, face às palavras escritas. A verdade é que a agitação no seio do clube passou do oito aos oitenta no espaço de dois dias. Casillas, Drogba, Llorente… Já para não falar de Maxi, que, face ao arrastamento da sua suposta contratação, ameaça transformar-se num caso típico de silly season.

Mas cada caso é um caso. Começando pela já mais que provável vinda de Iker Casillas para o FC Porto, não posso fugir àquela que, para mim, será a realidade: o guarda-redes da seleção espanhola já não está no seu nível mais elevado, mas a maioria das qualidades continuam intactas. Embora os seus valores salariais sejam elevadíssimos para a conjuntura portuguesa, o retorno desportivo e financeiro acabará por beneficiar os ‘dragões’. É que Iker não vai trazer só prestígio. Vai trazer marcas, sponsors e mais atenção mediática, algo que, mais do que nunca, é (quase) tão importante para um clube de topo como os resultados e os troféus.

Para o lugar de Jackson Martínez, há dois nomes sobre os quais se concentraram os holofotes: Didier Drogba e Fernando Llorente. Sendo que a hipótese Mitrović perdeu força, penso que qualquer um dos dois pontas-de-lança seria um digno substituto do ‘Cha Cha Cha’. Drogba conta com uns assinaláveis 37 anos no documento de identificação, mas é preciso não esquecer que alinhou em 40 partidas pelo Chelsea, na temporada transacta. Já denota alguma dificuldade a nível de movimentos rápidos e velocidade, mas a experiência e conhecimento do jogo contrabalançam essas fragilidades. Llorente entrou recentemente na casa dos 30, e viu o seu espaço na Juventus reduzido, com as chegadas de Dybala, Zaza e Mandžukić. Entre os dois, a aposta mais acertada seria, porventura, o espanhol. Sou um admirador assumido de Drogba, mas, nesta fase, o internacional espanhol pode dar mais garantias competitivas ao FC Porto, ainda que tenha de rever alguns aspetos do seu jogo para encaixar no sistema de Lopetegui.

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Llorente tem vindo a perder espaço na ‘Juve’
Fonte: Página de Facebook de Llorente

O que têm em comum estes três jogadores? Representam um investimento elevado no que toca ao pagamento dos seus serviços. Já não são jovens. O que surge como indicativo da mudança de filosofia que o FC Porto aparenta estar a atravessar. Uma mudança que, de certo modo, se pode considerar necessária. Depois de duas épocas fracassadas, há uma urgência enorme de ganhar e só jogadores consagrados e com estofo de alta competição isso se pode alcançar. O Porto viu o Benfica levar de vencida os dois últimos campeonatos porque lhe faltou experiência e maturidade na hora H. Algo que o Benfica adquiriu nas duas últimas temporadas.

Agora, os adeptos portistas têm que se convencer de uma coisa: para vitórias imediatas, o investimento tem de ser igualmente imediato. E forte. É um all-in que a SAD está a fazer, mas que aproxima muito mais os azuis e brancos dos títulos desejados e necessários. Se estou receoso? Claro. Poucos serão os portistas que não estão. Mas prefiro arriscar e ver o clube partir à frente ou, pelo menos, na mesma linha dos rivais. Portanto, venham os “velhotes” e que se vá o dinheiro. Desta vez, a aposta é na certeza de estar, efetivamente, “sempre preparados”. Na certeza de qualidade que os anos não apagam. E que, decerto, este ano não irá apagar.

Foto de capa: Página de Facebook de Iker Casillas

Mundial Futebol Praia’15 – Surpresa iraniana e perfume canarinho

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É caso para dizer que foi preciso esperar pelo segundo dia de competição para vermos os primeiros grandes jogos no Campeonato do Mundo de Futebol de Praia. De facto, e ao contrário do que havia acontecido esta quinta feira, onde a qualidade não abundou; nesta sexta feira viram-se momentos verdadeiramente fantásticos de futebol.

Aliás, o primeiro jogo do dia trouxe a primeira grande surpresa da competição, com o Irão a vencer a seleção espanhola por 5-6. Antes da competição, Brasil e Espanha eram tidos como os grandes candidatos a qualificarem-se no Grupo C. Ainda assim, e no que diz respeito à seleção iraniana, o treinador brasileiro Marco Otávio já tinha avisado, antes da competição se iniciar, que o Irão podia ser uma das grandes surpresas da competição. Depois de visto o jogo desta tarde contra os espanhóis, é caso para dizer que o técnico brasileiro tinha toda a razão, tendo em conta a qualidade apresentada pelos seus jogadores na partida com a Espanha.

O primeiro período do encontro acabou por mostrar a tónica que se estenderia por todo o encontro: duas equipas de cariz ofensivo à procura da vitória. Por isso, não foi de estranhar a constante alternância de marcador, fruto de vários golos de belo recorte. No final do primeiro período, a Espanha liderava o marcador por 3-2, em virtude dos golos de António, Nico e Llorenç, contra os de Boulokbashi e Mesigar para o Irão. Vice-campeã em 2013, a Espanha, mesmo tendo na maioria do tempo o controlo da bola, teve no Irão um adversário bastante solidário, fazendo da força coletiva a principal arma para equilibrar com a maior qualidade técnica espanhola. Com Kaini expulso logo no início do segundo período, o Irão viu Llorenç desperdiçar uma grande penalidade e, com apenas três jogadores de campo, António “bisar” antes de Boulokbashi, no recomeço, fazer o mesmo. Até ao final do segundo período, ainda havia tempo para um dos mais belos golos do torneio até ao momento, com Mokhtari a restabelecer o empate a quatro golos na sequência de um pontapé de bicicleta.

Com o resultado empatado a quatro, o terceiro período foi um verdadeiro jogo de nervos, em que as oportunidades se repartiram nas duas balizas, com destaque para a exibição do guarda redes iraniano Hosseini, que fez um jogo notável. A Espanha, por intermédio de António (fez um hat-trick), na sequência de um livre direto, ainda chegou à vantagem, mas a maior capacidade de luta do Irão acabou por dar frutos. Com dois golos nos últimos dois minutos do encontro, apontados por Ahmadzadeh (a estrela da equipa) e Mokhtari, a equipa liderada por Marco Otávio consumou mesmo a reviravolta, chegando a uma vitória surpreendente.

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O Irão protagonizou a surpresa do dia
Fonte: Facebook Beach Soccer Fan Page

No segundo jogo do dia, a seleção bicampeã do mundo, vencedora da Liga Europeia e dos primeiros Jogos Europeus, a Rússia, venceu com dificuldade a seleção do Paraguai por 7-5. Apesar do domínio evidenciado ao longo do jogo, a verdade é que os Paraguaios acabaram por surpreender, dando uma excelente réplica que não seria de todo esperada. Aliás, a equipa comandada por Ruben Figueredo começou logo a surpreender quando, nos primeiros cinco minutos, se colocou em vantagem com dois golos apontados por Juan Lopez e Pedro Morán. A seleção russa, capitaneada por Leonov, não sentiu a desvantagem no marcador e acabou por nunca se desposicionar em campo, dando sempre a imagem de que acabaria por chegar à vantagem na partida, tendo em conta a superioridade do seu jogo.

A reviravolta acabou mesmo por acontecer e os russos chegaram com alguma tranquilidade ao 3-2, fruto do bis de Romanov e do golo de Dmitrii Shishin. Apesar disso, o Paraguai nunca virou a cara à luta, e mesmo não tendo tanta qualidade técnica e rigor posicional que os russos, os sul americanos deram a volta ao marcador entre os 16 e os 18 minutos, com os golos de Pedro Morán (bisou na partida) e Wilson Rodriguez, na marcação de uma grande penalidade.

Os russos, correndo o risco de verem o Paraguai fazer uma surpresa ainda maior que a do Irão, foram à procura do prejuízo, e chegaram com naturalidade até ao 7-4 depois dos golos de Shkarin, Shishin (fez um hat trick) e Leonov. Já no último minuto do encontro, o Paraguai reduziu para 7-5, após um forte remate de Pedro Morán, que também bisou na partida. Mesmo sem deslumbrar, a Rússia passou com nota positiva o primeiro teste numa competição onde defende o título mundial, conquistado em 2011 e 2013.

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A Rússia começou da melhor forma o Mundial
Fonte: Facebook Beach Soccer Fan Page

Depois de russos e paraguaios foi a vez do Taiti e Madagáscar subirem ao palco do Campeonato do Mundo para se defrontarem naquele que foi o jogo menos interessante desta sexta feira. Ainda assim, destaque para o forte apoio que quer uma quer outra equipas receberam de um Estádio muito bem composto para os encontros deste dia. O jogo acabou por não começar de forma agradável para a seleção de Madagáscar, uma vez que a viu a organização da prova colocar o hino errado, o que levou a protestos de atletas e adeptos que rapidamente ouviram finalmente o hino de Madagáscar a ser entoado em Espinho.

Apesar do erro inicial, foi mesmo Madagáscar, seleção estreante neste mundial, a entrar da melhor forma na partida. Antes de estarem cumpridos dois minutos de jogo, a equipa comandada pelo francês Claude Barrabe já vencia por 2-0 devido aos golos de Damely e Tina. O jogo começou de forma eletrizante e, até ao primeiro intervalo, ainda se assistiram a mais quatro golos. A seleção do Taiti, quarta classificada no último mundial, restabeleceu-se da entrada em falso na partida e conseguiu chegar ao empate com os golos de Labaste e Tepa. Até ao primeiro intervalo, Madagáscar ainda recuperou a vantagem no marcador, com um golo de Flavien, com Tavanae, logo de seguida, a recolocar o Taiti com os mesmos golos do adversário, levando o jogo para o final do primeiro período com um 3-3.

Nos dois períodos complementares, a toada do encontro foi bastante diferente, com ambas as equipas a provarem o porquê de serem, em teoria, duas das formações mais frágeis em competição. O marcador, aliás, só se mexeu mais uma vez, à passagem do minuto 16, o momento em que Bennett, de grande penalidade, fez o 4-3 para o Taiti. O resultado não se alteraria até final e apesar de não ter feito uma grande exibição, acaba por aceitar-se a vitória do Taiti, tendo em conta a superioridade que demonstraram durante o jogo.

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Bennett fez o golo decisivo para o Taiti
Fonte: Facebook Beach Soccer Fan Page

No último jogo do dia, a arena da Praia da Baía encheu para ver o crónico candidato ao título Brasil. Bem vistas as coisas, as cerca de 3000 pessoas que estiveram no recinto não terão dado o seu tempo por perdido, tendo em conta a excelente exibição rubricada pelo Brasil esta tarde.

Dotados de uma qualidade técnica estupenda, a equipa canarinha passeou classe no jogo contra o México, chegando a uma vitória natural por 5-1. Logo no primeiro minuto de jogo, Rodrigo, após excelente trabalho individual, fez o golo de estreia dos brasileiros no Mundial, partindo ele próprio para uma exibição de grande nível. Ao longo dos três períodos, raramente o México teve capacidade de reação e apenas a pontaria a mais denotada pelo Brasil – enviou várias bolas aos ferros – levou a que a seleção liderada por Ramon Raya não tenha sido goleada de forma ainda mais inequívoca esta tarde. Do lado brasileiro, destaque maior para as exibições de Rodrigo, Bokinha e Jorginho que, apesar da veterania, não raras vezes mostrou dotes técnicos de excelência na Praia da Baía. Com esta vitória, o Brasil chega ao primeiro lugar do grupo C com os mesmos pontos do Irão, sendo que vai defrontar os iranianos na próxima jornada. Igualmente no domingo, a Espanha tem uma verdadeira final contra o México sendo que, no grupo D, temos os jogos Madagáscar vs. Rússia e Taiti vs. Paraguai.

Figura do Dia: Uma surpresa chamada Irão – É certo que o selecionador Marco Otávio havia prometido uma seleção de qualidade, mas a verdade é que, contra a favorita Espanha, poucos eram os que acreditavam que o Irão fosse capaz de fazer o que fez hoje. Tendo sempre noção das suas limitações técnicas, a equipa iraniana fez uma exibição de luxo que contrariou o melhor futebol espanhol. Vitória merecida e caminho aberto para os quartos de final.

Fora de Jogo: Pouca fúria espanhola – Nuestros hermanos chegavam a Espinho com a firme ambição de chegarem a um inédito título mundial. As contas ainda não estão totalmente perdidas, mas a verdade é que a derrota de hoje frente ao Irão deixa os espanhóis com as contas bem complicadas no Grupo C. Ainda assim, depois do que se viu esta sexta feira, será difícil que os comandados de Joaquin Alonso consigam o apuramento para a próxima fase.

Voar bem alto mesmo com medo de aviões

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A 8 de Dezembro de 1987, todo o plantel do Alianza Lima, o maior clube peruano, morreu num acidente aéreo. Entre as vítimas estava o guarda-redes José Gonzáles Ganoza, tio de Paolo Guerrero, que, com apenas 3 anos, estava longe de imaginar que viria a ser um dos melhores jogadores peruanos de sempre, apesar das marcas deixadas por esse dia fatídico. Devido à forma como o tio morreu, Guerrero tem pânico de andar de avião e há mesmo relatos de pilotos que foram obrigados a abortar descolagens devido ao desespero do avançado, que já recebeu tratamento psicológico para tentar ultrapassar o problema. Em 2010 o medo atingiu proporções extremas, com o jogador a falhar quatro voos de regresso à Alemanha, onde representava o Hamburgo. Guerrero terá percebido que, para não ser obrigado a acabar a carreira, teria de se mudar para um clube mais perto de casa.

Aos 31 anos, o peruano é talvez o melhor jogador a actuar no Brasil. Na estreia pelo Flamengo, frente ao Internacional, o avançado marcou um golo e fez uma brilhante assistência na vitória por 2-1 no sempre difícil Beira-Rio, onde os cariocas não venciam há alguns anos. Guerrero não aceitou renovar pelo Corinthians e será a principal estrela do Mengão durante este Brasileirão, transformando uma equipa que não teria grandes ambições numa forte candidata a lutar pelos lugares cimeiros. Mas foi no Timão, outro gigante da América do Sul, que o peruano relançou a carreira e alcançou um estatuto que nunca teve no futebol europeu. Depois de uma fase inicial em que não teve grande impacto, Guerrero assumiu-se como a principal referência da equipa e atingiu um dos pontos altos da carreira quando deu o Mundial de Clubes – título a que os sul-americanos dão muito mais importância do que os europeus – ao Corinthians, marcando o único golo na final contra o Chelsea. As três épocas que passou em São Paulo foram suficientes para se tornar no melhor marcador estrangeiro do clube (superou a marca de Carlos Tévez), ele que nem é um goleador nato.

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Guerrero não podia ter tido melhor estreia
Fonte: Facebook do Flamengo

Em 1923, o uruguaio Pedro Petrone foi o melhor marcador da Copa América. No ano seguinte, repetiu o feito. Foram precisos 91 anos para que outro jogador conseguisse imitar a proeza de ser o melhor marcador em duas edições consecutivas. Era um recorde que parecia impossível de bater, tal a maneira como se prolongou no tempo, mas Paolo Guerrero – que marcou quatro golos, tantos como os de Vargas – aproveitou a prova no Chile para inscrever o seu nome na História da mais antiga competição de selecções do mundo.

O jogador peruano esteve em grande e provou que a Copa América é mesmo a “sua” competição. Já tinha sido um dos melhores em 2011 e este ano voltou a impressionar, levando a sua selecção a repetir um lugar no pódio. É um avançado versátil e que não se define exclusivamente pelos golos, tendo qualidade técnica, visão de jogo e uma capacidade extraordinária de jogar de costas para a baliza. Na equipa de Gareca, que realizou uma Copa América sensacional, faz a diferença não só pelo seu talento mas também pela forma como se entrega, sacrificando-se pelo colectivo. Se não tivesse assinado pelo Flamengo antes da prova, as exibições de Paolo Guerrero teriam certamente despertado o interesse de vários emblemas do futebol europeu. Mas o medo do peruano, que agora faz algumas viagens amarrado à cadeira, provavelmente levaria a que nem sequer pensasse numa proposta vinda do Velho Continente. Como será se o Peru garantir o apuramento para o Mundial de 2018, a disputar na gigantesca Rússia?

Foto de Capa: alagoasweb.com

Pró-Maxi, Anti-Casillas

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A silly season futebolística começou cedo em Portugal. Durante as primeiras semanas do defeso, a surpreendente mudança de Jorge Jesus da Luz para Alvalade centrou todas as atenções mediáticas na Segunda Circular. De facto, poucos imaginavam que o fim de um casamento perfeito entre Jorge Jesus e o Benfica – seis anos, três campeonatos, duas finais europeias, valorização permanente de activos e empatia com os adeptos – terminasse com um mero atravessar de estrada do treinador para a casa do arqui-rival. Pelo meio, Bruno de Carvalho, Marco Silva e a justa causa. Sobre o FC Porto, nada.

Depois disso, deu-se o segundo grande terramoto no mercado nacional, já com o Dragão no epicentro: o anúncio da contratação de Giannelli Imbula ao Marselha por 20 milhões de euros – um valor recorde neste “cantinho à beira-mar plantado” – espalhou estupefação pelos valores envolvidos.

A verdade é que, até ver, o francês é o único estrangeiro a reforçar o meio-campo portista, agora órfão de Casemiro e Óliver: com ele, chegaram Sérgio Oliveira (capitão da selecção vice-campeã europeia de sub-21, formado no clube), André André (antigo capitão do Vitória SC, internacional AA, formado no clube) e Danilo Pereira (antigo capitão do Marítimo, internacional AA), três dos melhores médios do último campeonato nacional, todos eles portugueses. Antes disso já a vinda de Alberto Bueno estava mais do que confirmada. Para já, estes são os reforços apresentados.

Imbula é o reforço mais caro e mais sonante do FC Porto até ao momento. Fonte: Facebook>/i> do FC Porto
Imbula é o reforço mais caro e mais sonante do FC Porto até ao momento.
Fonte: Facebook do FC Porto

Mas parece que há mais bombas a caminho. E novamente no Norte do país. Maxi Pereira está praticamente confirmado no FC Porto – o acordo final com o ex-sub-capitão do Benfica estará para breve e será o desfecho de uma novela que se arrasta desde o período pré-Copa América. Mas não é o único. Entre avanços e recuos, parece que o futuro de Iker Casillas passará efectivamente pelo Dragão. Segundo a mesma imprensa que o dava como “irrevogavelmente” de malas feitas rumo à Invicta, as negociações entre o portero e o Real sofreram ontem algumas complicações, mas hoje a Onda Cero volta a dar o negócio como certo. Tudo somado, ainda não há certezas sobre nada mas em princípio estes dois jogadores vestirão de azul e branco na época que se avizinha.

O possível interesse do FC Porto em Didier Drogba, avançado anteontem pelo Jornal de Notícias e prontamente desmentido pelo empresário (e, porque não, a página de fãs que pede Ronaldinho Gaúcho no FC Porto), ajudou a alimentar o debate no seio da nação portista: vale a pena despender tantos milhões em dois ou três “trintões” consagrados – investimentos que a priori representarão pouco ou nenhum retorno financeiro e que implicam imediato retorno desportivo? Resposta simples, um cliché: depende, cada caso é um caso.

 

IKER CASILLAS

Não há margem para dúvidas: Iker Casillas é um dos melhores guarda-redes do século XXI. Disputou mais de 500 jogos pelo Real Madrid e mais de 160 jogos pela selecção espanhola, vários deles como capitão; no clube foi cinco vezes campeão espanhol, três vezes campeão europeu e uma vez campeão mundial, com La Roja conquistou dois Europeus e um Mundial. O seu currículo vale por si – é indiscutível que já entrou na história do futebol mundial.

No entanto, nos últimos anos da sua carreira tem demonstrado estar já em declínio, apresentando uma falta de consistência que provavelmente nunca se lhe tinha conhecido desde que aos 18/19 anos se assumiu como titular no monstruoso Real Madrid e na poderosa selecção espanhola.

No último ano de Mourinho e no primeiro ano de Ancelotti no Real Madrid, o espanhol deixou de ser indiscutível na baliza dos merengues. Diego Lopez roubou a titularidade ao “deus Iker”, gerando um burburinho tal no país vizinho que Lopez foi expatriado para o AC Milan. É verdade que este ano Casillas superou a concorrência interna do recém-chegado Keylor Navas e que tem merecido a confiança de Del Bosque até agora (mesmo depois de um Mundial desastroso de nuestros hermanos), mas não é menos verdade que Casillas está em fim de ciclo. E, para tornar a coisa mais dramática, é provável que David De Gea consiga, numa questão de meses, “roubar-lhe o lugar” na baliza do Real Madrid e da selecção espanhola.

Dito isto, impõe-se uma pergunta: precisa o FC Porto um guarda-redes? E a resposta, para mim, é clara: não. Nesse sentido, sou levado a crer que pagar um ordenado principesco a Iker Casillas, fazendo dele o mais bem pago do plantel, para reforçar uma posição onde há excedentários e que é ocupada pelo maior símbolo de portismo no balneário do clube (é bom recordar que Helton vai, aos 37 anos, para a sua 11ª época consecutiva de azul e branco e renovou recentemente) dificilmente poderá ser tido um acto de gestão desportiva exemplar.

Andrés Fernandez, Gudiño e Ricardo apresentaram ontem os equipamentos - só um deles deverá ficar  Fonte: Facebook do FC Porto
Andrés Fernandez, Ricardo e Gudiño na apresentação dos equipamentos – só um deles deverá ficar
Fonte: Facebook do FC Porto

Por mais valor acrescentado que Casillas traga à marca FC Porto (é inequívoco que se trata de um trunfo de marketing muito relevante) e ao plantel do clube (contar com Casillas e Helton é sempre melhor do que ter Fabiano e Helton), a contratação de um guarda-redes está longe de dever ser considerada prioritária. Até porque não me parece que, quer dentro do campo quer no balneário, Helton dê menos garantias do que Casillas.

Nem Casillas nem Helton entram no lote dos dez melhores guarda-redes do mundo da actualidade, mas ambos continuam a ser, já em fim de carreira, grandes guarda-redes. Mais do que isso, as grandes mais-valias que Casillas pode trazer ao FC Porto são experiência, maturidade e voz de comando – exactamente as mesmas que Helton, com uma vida “quase” tão longa no Dragão quanto a de Casillas no Santiago Bernabéu, tem de melhor para oferecer ao grupo de trabalho. Desportivamente, equivalem-se.

Iker Casillas chega a “custo zero”, é certo, e o Real Madrid até parece disposto a suportar parte do seu salário. Mas é impossível ignorar um investimento cerca de 10 milhões de euros para ter no plantel um guarda-redes que não é necessário durante duas épocas – uma operação com contornos “galácticos” para a realidade portuguesa, feita numa lógica mais comercial do que desportiva. Reconhecendo que Casillas tem todas as condições para se vir a revelar um jogador importante no FC Porto e que trará outra visibilidade mediática ao clube e à Liga Portuguesa, continuo a achar que Helton merecia mais crédito, mais confiança e mais respeito. Concordo com Secretário: «não é Casillas que vai fazer do FC Porto campeão». Casillas é um luxo, um capricho. Não uma necessidade.

Vinte e cinco anos depois, Casillas deverá dizer adeus ao Santiago Bérnabeu. Fonte: Pierre-Philippe Marcou / AFP
Vinte e cinco anos depois, Casillas deverá dizer adeus ao Santiago Bérnabeu.
Fonte: Pierre-Philippe Marcou / AFP

 

MAXI PEREIRA

Se na baliza do FC Porto há quantidade e qualidade de sobra, na posição de lateral direito havia um grande vazio por preencher – Danilo, que custou mais de 30 milhões de euros ao Real Madrid e foi apresentado ontem por Florentino Pérez, foi dono e senhor do lugar durante três épocas a fio e saiu com o estatuto de um dos líderes de balneário aos 23 anos.

Sendo que nenhum dos jogadores dos quadros do FC Porto tinha condições para assumir a titularidade no imediato – Ricardo tem sido testado na posição, mas nota-se ainda (e sempre?) que esse não é o seu habitat natural; Opare não conta para o totobola e deve permanecer na Turquia; e David Bruno e Victor Garcia, que começaram esta pré-temporada, são evidentemente cartas fora do baralho -, era imperativo atacar o mercado no sentido de encontrar um atleta que entrasse desde logo no onze inicial e que trouxesse a experiência e a força mental que Danilo emprestou à equipa na temporada transacta.

Ora, Maxi encaixa que nem uma luva nesse perfil. O uruguaio, internacional pelo seu país por mais de 100 vezes, jogou mais de 200 jogos ao serviço do Benfica ao longo de oito longas épocas e chega ao FC Porto como bi-campeão nacional. É um futebolista com uma vastíssima experiência, que conhece profundamente o futebol português e que está mais do que adaptado à exigência de jogar num grande clube europeu. Além disso, julgo que a sua tremenda capacidade de luta, o seu espírito guerreiro e a sua permanente dedicação ao jogo e à equipa convencerão os adeptos mais cépticos de que, apesar de ter jogado toda uma vida no Benfica, Maxi é “um jogador à Porto”.

À partida, o risco de esta contratação ser um flop é muito diminuta – trata-se de uma solução fiável, segura e imediata. Fala-se de um contrato de quatro anos e de um salário de quatro milhões brutos por ano, mas não é de descurar a possibilidade de o FC Porto ainda vir a receber algum retorno numa eventual venda de Maxi dentro de dois anos. Nessa altura terá 33 primaveras, mas não será estranho vê-lo suficientemente capaz de brilhar numa qualquer equipa das Américas, das Arábias ou até da China. Em suma, trata-se uma contratação cirúrgica e sensata, que vem colmatar uma lacuna no plantel e que tem o plus de enfraquecer um dos competidores directos pelo título.

Maxi sabe bem o que é equipar de azul  Fonte: lebuteur.com
Maxi sabe bem o que é equipar de azul
Fonte: lebuteur.com

Apesar de tudo, o plantel continua ainda demasiado indefinido e há ainda demasiadas questões por resolver em todos os sectores do terreno. No Dragão vive-se um novo PREC – período de remodelação em curso.

Na baliza, há gente a mais (Andrés Fernandez está definitivamente de saída e o Granada afigura-se como o destino mais provável). Na defesa, é cada vez mais urgente esclarecer a situação de Alex Sandro (renova com promessa de sair para o ano ou é já vendido?), é fundamental acautelar a provável saída de Reyes e não esquecer que tem de haver uma alternativa a Maxi. No meio-campo, há nomes a mais e continua a registar-se uma carência de criativos (chegaram quatro médios, mas Óliver continua sem substituto; admira-me como ainda não surgiram interessados em Herrera; Quintero deve ser emprestado).

No ataque, a provável saída de Quaresma pode ser facilmente compensada com o regresso de Varela ao clube e com a anunciada contratação de Rafa, mas a grande incógnita continua a ser a questão de saber se é nos ombros de Aboubakar que vai recair o peso da herança de Jackson Martínez. Eu diria que o FC Porto precisa de um avançado que assuma essa responsabilidade e que dê espaço ao camaronês para crescer. Por isso cheguei a declarar-me, não há muitas horas, um pró-Drogba convicto. Esse chegaria para ocupar um lugar vazio, tal como Maxi, e não para se sentar no trono do rei, como Casillas.

 

Foto de Capa: Reuters

E os excedentários?

hic sunt dracones

Bato palmas à “silly season” e às belas invenções dos jornais. O mercado de verão deste ano tem sido memorável. Casillas, Maxi Pereira, Lucas Limas, Drogba, Llorente, Rafa, Darder, Mitrovic, Mbemba, Mendy… Quase que podia encher este meu artigo de opinião com nomes associados ao FC Porto. São muitos. Demasiados! Posso confessar-vos que, numa anterior “silly season”, o Dragão viu serem-lhe apontados cerca de 50 jogadores. Ainda bem que não se concretizou! Dava para fazer duas equipas!

E quem fica? Perdão… e os que estão a mais? Ninguém fala neles? É que interessa-me saber o que vão fazer com a quantidade de excedentários que estão no plantel neste momento. Há uma quantidade estúpida de dinheiro investido em jogadores que “não andam nem desandam”. E posso começar já a nomeá-los: Quintero, Reyes, Adrian, Opare, Josué, Kléber e Rolando. São os primeiros nomes que me surgem assim de imediato. Nenhum destes jogadores têm sido mais-valias desportivas na última ou nas últimas épocas. Se não servem aos propósitos do treinador, para onde vão? Vão ficar no plantel a “ocupar espaço”? Vão ficar a treinar à parte?

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Sorridentes… como espero que seja a época para o FC Porto
Fonte: Facebook Oficial FC Porto

Ou vamos, como tem sido normal, deixar tudo para a última? Vamos chegar ao último dia do mercado de transferências a correr atrás deste e daquele clube para saber quem é que quer ficar com este ou aquele jogador? Pior do que isso é chegar a uma altura em que o plantel já deve estar todo definido para mandar alguém embora. Em parcas palavras: não faz sentido. Alguém que se mexa, que faça alguma coisa. Não são só as contratações que interessam mas também quem está a mais. Veja-se um exemplo de sucesso: Carlos Eduardo.

Neste momento há uma grande necessidade de liquidez e de aliviar a massa salarial. Se não conseguirem vender, emprestem. Não vale a pena pagar salários a quem pouco ou nada joga. Por vezes é preciso dar o braço a torcer e admitir o erro. E vender abaixo do preço de compra. Se o futebol fosse uma ciência exata era mais fácil. Mas não é!

Termino citando o “Tribunal do Dragão” numa opinião sobre a contratação de Casillas: “Continua a ser um jogador muito caro? Sim. Como são sempre os melhores do mundo. Mas é melhor a SAD andar a sustentar um Casillas do que andar a pagar por Bolats, Andrés e Ricardos para nunca sequer os utilizar. O problema não são os jogadores caros que rendem. São os baratos que não chegam sequer a ter oportunidade para render.

Mundial Futebol Praia’15 – Madjer desfez os problemas à bomba

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A Praia da Baía encheu para assistir ao primeiro dia do Campeonato do Mundo de Futebol de Praia. No programa desta quinta feira acabou por não haver nenhuma surpresa, com Itália, Portugal, Argentina e Suíça a levarem a melhor nos seus confrontos de estreia.

Relativamente à seleção portuguesa, claramente é caso para dizer que o resultado foi bem melhor do que a exibição. Mesmo contando com o fator público a seu favor, a verdade é que a equipa de Mário Narciso não fez um jogo de encher o olho. O nervosismo pela estreia numa competição deste género sentiu-se, e a coesão defensiva japonesa ao longo de todo o encontro – com Ozu Moreira em destaque – acabou por levar a um menor rendimento da seleção portuguesa. Ainda assim, a equipa anfitriã da competição começou bem a partida, com o capitão Madjer, na sequência de um livre direto, a apontar o primeiro golo de Portugal no Mundial e o único marcado no primeiro período. O segundo acabou por trazer uma seleção mais afoita e rápida na procura pelo golo, muito em virtude da ação de Bê Martins, uma das principais surpresas na seleção nacional. Foi mesmo do jogador do Sp. Braga que saiu o segundo golo de Portugal, depois de um erro do guarda redes japonês. Aos 21 minutos da partida, Madjer, com um excelente remate de pé esquerdo, fez o terceiro golo de partida. Na altura, o Estádio, repleto de adeptos portugueses, pensava que o mais difícil estava feito e que a partida estava totalmente controlada. Esse acabou por ser um erro, pois o Japão reagiu bem e conseguiu reduzir a desvantagem até ao 3-2, fruto dos golos de Haraguchi e Matsuo. O espectro do empate ainda pairou sobre a Baía mas, aos 34 minutos, Alan Cavalcanti acabou por terminar com as dúvidas ao apontar, de pé esquerdo, o golo mais bonito da partida. O 4-2 foi o resultado final de uma exibição descolorida da seleção mas que acabou por conseguir os serviços mínimos, conseguindo os primeiros três pontos no Grupo A do Mundial.

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Madjer apontou dois golos na vitória de Portugal
Fonte: fifa.com

No jogo de abertura do Mundial, Itália e Costa Rica defrontam-se naquele que foi o duelo mais desequilibrado do primeiro dia de competição. Liderados por um magnífico Gabriele Gori, que apontou três dos seis golos italianos, a seleção comandada por Massimiliano Esposito foi sempre melhor ao longo do jogo e raramente deu oportunidades à Costa Rica de se mostrar. Por isso, não foi de estranhar que, apesar dos costa-riquenhos ainda terem chegado ao empate no primeiro tempo por intermédio de Pacheco, os transalpinos tenham dominado sempre as operações. Sem nunca forçar demasiado o ritmo e procurando sempre um gestão equilibrada do plantel, os italianos foram alargando a vantagem com o hat-trick de Gori, o bis de Zurlo e o autogolo de Villegas, chegando a uma vitória natural por 6-1, que lhe permitiu alcançar a liderança do grupo B, com os mesmos pontos da Suíça.

O jogo mais interessante da tarde acabou por ser o Argentina – Senegal. As duas seleções mostraram muita agressividade ao longo do jogo, mesmo que a pontaria não tenha sido a melhor na maioria das vezes. Ainda assim, o marcador foi aberto logo aos cinco minutos por Ibrahima Baldé, depois de uma bela jogada coletiva senegalesa. Os argentinos, teóricos favoritos a acompanharem Portugal rumo aos quartos de final no Grupo A, reagiram à desvantagem e acabaram por chegar até ao 4-1, fruto dos golos de Franceschini, Federico Hilaire, Luciano Sirico e Facundo Menici. Apesar da vantagem confortável, os albicelestes nunca souberam controlar verdadeiramente a partida, em virtude da excelente réplica que os senegaleses foram dando ao longo da partida. Mais forte fisicamente, a equipa africana foi tendo em Fall e Baldé as suas principais referências no jogo ofensivo. O Senegal acabou mesmo por fazer dois golos, reduzindo o marcador para 4-3 já no último minuto da partida, depois dos golos de Baldé (bisou na partida) e Papa Ndour. Apesar da derrota frente aos argentinos, a equipa do Senegal acabou por ser a surpresa do primeiro dia de competição, em virtude da agradável exibição que mostrou aos milhares de adeptos em Espinho. No próximo sábado, Senegal vs. Portugal e Argentina vs. Japão são os encontros de uma segunda jornada que poderá ser decisiva para definir os dois apurados deste grupo para os quartos de final.

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Argentina e Senegal deram um excelente espetáculo
Fonte: Facebook Fifa Beach Soccer World Cup

No último jogo do dia, a Suíça não teve dificuldades em bater o Omã por 5-2, numa partida em que o helvético Noel Ott – um dos melhores jogadores da atualidade – esteve em destaque, ao apontar três dos cinco golos da sua equipa. A equipa suíça cedo mostrou o seu favoritismo logo no primeiro período, marcando três golos e apenas permitindo uma ligeira reação do Omã, que por intermédio de Abdullah chegou a empatar o jogo a um golo. Ainda assim, o 3-1 com que terminou o primeiro tempo era resultado suficiente para que a Suíça se tenha apresentado no segundo período de forma mais tranquila, o que lhe permitiu elevar os níveis de qualidade apresentados. Neste período, a equipa capitaneada por Mo Yaeggy apontou os seus outros dois golos, com Ott a chegar ao hat- trick e Leu a colocar igualmente o seu nome no registo dos marcadores deste campeonato do Mundo de Futebol de Praia. No terceiro e derradeiro período, os suíços rodaram a equipa, baixaram o ritmo e permitiram ao Omã, que pouco fez ao longo do jogo, chegar ao segundo golo, por intermédio de Orami. Com a vitória no primeiro jogo, a Suíça chegou ao segundo lugar do Grupo B, com os mesmos três pontos da seleção italiana mas com uma diferença menor entre golos marcados e sofridos. Na segunda jornada deste grupo, também a ser disputada no próximo sábado, Omã e Itália defrontam-se às 13h, enquanto às 17h30 é a vez de a Suíça encontrar a Costa Rica.

 

Figuras do Dia: Gori e Ott – Foram, sem sombra de dúvidas, as grandes figuras do primeiro dia de competição, ao apontarem três golos cada um. Gori e Ott não defraudaram as expetativas relativamente ao seu valor. São, indiscutivelmente, dois dos melhores jogadores da atualidade e, nesta quinta feira, foram totalmente decisivos para as vitórias de Itália e Suíça.

Fora de Jogo: Stankovic e Belchior – Num jogo da Suíça, não ter um único golo de Stankovic para registo é algo insólito. No caso português, com Belchior, o caso não muda muito de figura. Ainda assim, esses são registos que, depois dos jogos que cada um fez, não são de estranhar, tal foi a apatia com que ambos estiveram no areal da Baía, em Espinho. Dotados de uma qualidade inegável, exige-se mais de duas das maiores figuras da modalidade.

Mundial Futebol Praia’15 – O regresso do Brasil ou o tri da Rússia?

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Para aqueles que raramente acompanham o futebol de praia e que, por isso, não estão bem a par de quem são e do que valem verdadeiramente as equipas que participam neste mundial, fica uma dica prévia: o futebol de praia mudou muito nos últimos anos e, tal como dissemos no texto de antevisão ao grupo de Portugal, não será apenas a equipa brasileira a provocar problemas aos comandados de Mário Narciso. Por isso, acompanhe-nos nesta antevisão aos grupos B, C e D do Campeonato do Mundo de Futebol de Praia 2015.

Grupo B:

Este é um grupo com dois candidatos claros à passagem para os quartos de final. Falamos, pois claro, das seleções da Itália e da Suíça, equipas bem mais fortes que as do Oman e Costa Rica. No que à seleção italiana diz respeito, é caso para dizer que os comandados de Massimiliano Esposito apresentam-se nesta competição como uma das mais sérias candidatas a ganhar a competição. De facto, não deixa de ser interessante acompanhar o percurso recente dos transalpinos, que, depois de um período em que andaram praticamente desaparecidos do panorama da modalidade, voltaram a mostrar-se como uma das melhores formações mundiais. Apesar de nunca terem vencido o Campeonato do Mundo, a Itália já foi finalista em 2008, foi vencedora da Euro Beach Soccer League em 2005 e vem da conquista de uma medalha de prata nos Jogos Europeus de Baku, no Azerbaijão.

Estes são predicados suficientes para se perceber que a equipa italiana chega a Espinho com uma vontade enorme de continuar com os bons resultados e exibições que tem produzido nos últimos meses. No seu plantel, destaque em primeiro lugar para um dos melhores guarda redes do mundo: Spada. De seguida, é importante realçar o papel de alguns “históricos” como Ramaciotti, Palmacci ou Corosiniti, figuras de longa data na seleção italiana. Ainda assim, o destaque maior desta seleção vai para Gabriele Gori, um avançado de 28 anos que atua com a camisola 10 e que é um verdadeiro mágico das areias. É, sem dúvida nenhuma, um dos mais fortes candidatos a ganhar a Bola de Ouro, relativa ao melhor marcador da competição.

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Spada é um dos melhores guarda redes do Mundo
Fonte: italianbeachsoccer.weebly.com

Em relação à seleção suíça, é caso para dizer que, apesar de estar num patamar inferior à Itália, esta pode ser outra das boas surpresas da competição. Comandada por Angelo Schrinzi, ex-jogador de futebol de praia da Suíça, os helvéticos chegam a Espinho depois de um 4.º lugar nos Jogos Europeus (perderam a medalha de bronze frente a Portugal), tendo sido igualmente finalistas no Mundial de 2009 e vencedores da Euro Beach Soccer League em 2012. No que ao seu plantel diz respeito, destaque claro para Valentin Yaeggy, um guarda redes de grande qualidade, Phillip Borer, uma das referências da seleção, e Mo Yaeggy, irmão de Valentin e que possui uma qualidade técnica de remate acima da média. Ainda assim, o destaque maior vai para dois jogadores que têm tudo para brilhar na Praia da Baía. Em primeiro lugar, temos Noel Ott, que, com apenas 21 anos, é considerado uma das maiores promessas do futebol de praia mundial; depois, temos Dejan Stankovic, um avançado de 29 anos com uma capacidade física assombrosa. É, a par de Gori, outro dos candidatos mais fortes ao prémio Bota de Ouro.

Neste grupo, Costa Rica e Omã terão, à partida, poucas ou nenhumas hipóteses de apuramento. Os costa-riquenhos não têm qualquer registo assinalável em termos de classificação em mundiais e, no seu plantel, destaque apenas para Danny Johnson, que poderá surgir como revelação. Relativamente a Omã, foi vencedora dos Jogos Asiáticos em 2008 mas a sua qualidade será manifestamente insuficiente quando comparada com a de italianos e suíços no grupo B.

Grupo C:

A meu ver, o Grupo C é o mais equilibrado da competição. Ainda assim, conta com dois favoritos claros ao apuramento para a fase seguinte: o Brasil e a Espanha, sendo que Irão e México procuram fazer surpresa em Espinho. Falar do Brasil é falar de uma seleção que chega com um registo absolutamente notável à Praia da Baía. Em 17 campeonatos do mundo disputados, o Brasil venceu em 13 ocasiões, o que demonstra bem o poderio da equipa canarinha. Ainda assim, também é importante realçar que o título já foge aos brasileiros desde 2009, quando venceram a Suíça na final por 10-5. Nos últimos dois mundiais, o Brasil foi segundo classificado em 2011 e terceiro em 2013. Por isso, a equipa comandada pelo ex-jogador brasileiro Júnior Negão chega à cidade espinhense com o objetivo de reconquistar o título que lhe foge há seis anos. Para isso, conta com alguns dos melhores jogadores do mundo, como o guarda redes Mao, o veterano Jorginho, Fernando Ddi, que já passou pela equipa do Sporting e ainda Datinha, uma das possíveis revelações da competição. Ainda assim, a grande estrela da companhia é mesmo Bruno Xavier, que, com 30 anos, é porventura o favorito maior ao prémio de melhor jogador do torneio. Digno de um pé direito fabuloso, Xavier é sem dúvida a figura maior brasileira e promete dar espetáculo nas areias portuguesas.

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Bruno Xavier é um dos melhores jogadores da atualidade
Fonte: beachsoccer.com

A candidata maior ao segundo lugar deste grupo é a Espanha. Os nossos vizinhos, comandados pelo histórico Joaquin Alonso, chegam a Espinho sem nenhum mundial conquistado mas com três finais disputadas no seu historial, em 2003, 2004 e 2013. Para além disso, os espanhóis já venceram a Euro Beach Soccer League em cinco ocasiões: 1999, 2000, 2001, 2003 e 2006. É por isso com a esperança em fazer história que nuestros hermanos surgem na Praia da Baía com legítimas aspirações a um lugar de destaque na competição. Para o conseguirem, contam sobretudo com a experiência e qualidade do guarda redes Dona, uma das figuras históricas da seleção nacional espanhola, com 32 anos. Para além do guardião, destaque para os incontornáveis Pajon, António, Juanma e Nico, que oferecem segurança e estabilidade à equipa. Ainda assim, a maior figura desta seleção é mesmo Llorenc, considerado por muitos o sucessor do lendário Emanuel Amarelle, que durante tantos anos foi a figura de proa da seleção espanhola. Llorenç é, sem dúvida, um dos melhores executantes na atualidade e é outro dos fortes candidatos a levar o título de melhor jogador do torneio.

Ainda neste grupo reside uma seleção que, apesar de não ter grande historial, promete muito à partida para este mundial. Referimo-nos ao Irão, uma seleção que, no último mundial de 2013, chegou aos quartos de final da prova, tendo sido eliminada apenas pela bi-campeã do mundo Rússia. Comandados pelo brasileiro Marco Otávio, os Iranianos têm em Mohammad Ahmadzadeh a grande referência da equipa e a principal esperança em conseguirem um bom resultado nas areias de Espinho. A outra equipa deste grupo é o México, uma seleção que em 2007 conseguiu chegar à final do Mundial, tendo perdido no jogo decisivo frente ao Brasil. Com Ramon Raya a liderar a equipa, Saúl Ramirez será muito provavelmente a grande referência mexicana na luta pelo difícil apuramento para os quartos de final do Mundial.

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Llorenç é a grande referência da seleção espanhola
Fonte: FIFA

Grupo D:

O último grupo deste torneio é  porventura o mais desequilibrado dos quatro. E isto porque, ao contrário do que acontece nos restantes três grupos, neste apenas surge um nome como favorito ao apuramento para os quartos de final. Como não podia deixar de ser, é a Rússia que aparece como figura de proa neste emparelhamento, chegando à cidade de Espinho depois de ter vencido os últimos dois mundiais de futebol de praia. É, com grande segurança, talvez a maior favorita a vencer a competição, tendo em conta o verdadeiro luxo com que conta no seu plantel. Liderados pelo experiente Mikhai Likhachev, os russos têm uma das suas principais figuras na baliza, com Andrey Bukhlitskiy a ser um verdadeiro monstro entre os postes.

No restante plantel, destaque para jogadores como Alexey Makarov, Anton Shkarin, Dmitrii Shishin e Shaikov, jogadores com muita tarimba e cuja qualidade técnica e tática é inegável. Ainda assim, a grande referência desta seleção é o capitão Leonov, que, com 35 anos, é o verdadeiro farol desta seleção e um dos prováveis candidatos ao prémio de melhor jogador do torneio. Mais do que os valores individuais que possui, a grande vantagem da equipa soviética é mesmo o forte coletivo que a equipa demonstra nas competições a doer.

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A Rússia é a grande favorita da competição
Fonte: FIFA

Do leque das restantes seleções do grupo, destacamos ainda assim o Taiti, provavelmente a equipa mais apetrechada para seguir com os russos para os quartos de final. Depois de terem alcançado em casa, no último mundial, um histórico 4.º lugar, a seleção comandada por Tehina Rota procura em Espinho dar seguimento à excelente classificação obtida em 2013. Para isso, tem em Li Fung Kuee a sua grande referência e o garante de qualidade à seleção.

De seguida, temos a seleção do Paraguai, que chega pela segunda vez consecutiva a um campeonato do Mundo. Ficaram-se pela fase de grupos no Mundial de 2013 e, por isso, mesmo contando com um espírito incansável – típico das equipas sul-americanas – muito provavelmente não farão grande figura na Praia da Baía. Por último, encontramos a única seleção estreante em competições deste género: Madagáscar. Liderados pelo francês Claude Barrabe, a equipa africana poucas ou nenhumas hipóteses terá de fazer história nesta competição, dada a falta de qualidade e experiência da sua seleção.

Ainda assim, e tal como começámos este texto, facilmente ficamos a perceber que há um lote de cinco/seis equipas que podem lutar por esta competição. Brasil e Rússia são os principais favoritos à vitória final no Mundial, mas seleções como a portuguesa, espanhola, italiana e suíça podem também fazer história na Praia da Baía. Serão 32 jogos de grande intensidade e com qualidade garantida, não fosse o futebol de praia uma das mais espetaculares modalidades. Sol, praia, público e muita festa são os ingredientes que Espinho apresenta ao mundo, a partir desta quinta feira. Só falta é que, no dia 19 de julho, este Campeonato do Mundo termine em beleza e, se possível, com a vitória da nossa seleção!

A Vi(n)da de Bryan

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a norte de alvalade

Bryan Ruiz foi finalmente confirmado como jogador do Sporting para as próximas três épocas. Tudo está bem quando acaba bem, como se costuma dizer, e a verdade é que a chegada do jogador costa-riquenho é um importante marco na mudança da filosofia seguida nos últimos dois anos para o reforço da equipa. Apenas um reforço contratado até ao momento (o guarda-redes Azbe Jug não tem esse estatuto) parece revelar uma cautela criteriosa na escolha das aquisições, contrariando assim um passado recente. Se assim se confirmar não duvido de que, à semelhança do que tantas vezes aqui afirmei, esta é a forma e o método que mais nos aproxima da possibilidade do êxito.

De onde vem Bryan Ruiz?

Provavelmente há muitos adeptos Sportinguistas que ainda se lembram do serpentear de Bryan Ruiz entre os nossos defensores, com a camisola do Twente, numa renhida pré-eliminatória para a Liga dos Campeões que acabaria por nos sorrir. Na altura augurava-se-lhe um futuro radioso que não se chegou a confirmar em plenitude. É isso que torna possível que Ruiz chegue agora até nós a um preço então improvável, mesmo sendo já um trintão (completa 30 anos a 18 de Agosto) quando vestir a nossa camisola.

Mas o jogador, que saiu da Holanda em direcção a Inglaterra à procura do sucesso e reconhecimento, custou então aos cofres do Fulham 10,6 milhões de libras, sem contudo conseguir justificar o investimento. Os 24 golos que havia marcado pelo Twente e que tinham aberto o apetite ao clube inglês depressa deram origem à decepção que redundou no empréstimo ao PSV, sem conseguir recuperar o fulgor anteriormente exibido.

É esse o jogador que agora ingressa no Sporting. Um jogador que ficou aquém do valor potencial, com fama de lhe faltar a adequada atitude competitiva, o que o faz ser inconstante e desaparecer nos momentos decisivos. As dúvidas até se podem justificar pelo trajecto pessoal, mas creio que as suas superiores qualidades técnicas não mereceram uma correspondente gestão de carreira, acabando, como tantas vezes acontece a inúmeros jogadores, a contribuir para a respectiva penumbra. Tem agora no Sporting e nas mãos e cabeça de Jorge Jesus a possibilidade de confirmar que não tem apenas aura, é efectivamente um craque dos pés à cabeça. Isso é perfeitamente possível desde que não aterre a pensar que encontrará facilidades no nosso campeonato.

Quem é então Bryan Ruiz?

Ruiz é um jogador dotado de refinadíssima técnica individual, o que é de certo modo atípico num jogador com quase 1,90m (1,88m). Tem tudo, por isso, para se tornar um menino querido dos adeptos, a quem a sua técnica muitas vezes deliciará. É exímio no último passe, muito bom a executar bolas paradas, quer com intuito de marcar em livres directos, quer a servir os colegas. Na zona frontal à baliza, que consegue alcançar especialmente quando joga sobre a direita e flete para o centro, é letal, por via do seu pé esquerdo, que tanto é capaz de finalizar em força como em supless. Tem também um bastante razoável jogo de cabeça. À semelhança do que já fez no Twente pode ter importância decisiva tanto a criar oportunidades como a concretizá-las.

Onde jogará Ruiz?

O costa-riquenho é um jogador versátil, que tanto pode jogar a “10”, “11” ou até mesmo a “9”, embora esta posição só mesmo como recurso. Como JJ já afirmou que jogará em “4-4-2”, é muito possível que vejamos Bryan jogar na posição “10”, até porque o treinador também já demonstrou gostar de que as alas sejam ocupadas por jogadores velozes e capazes de exercer um permanente vai-vem, o que não serão de todas as melhores características de Ruiz.

Conclusão

O título do post tem uma referência cinéfila que reporta a um filme dos Monty Python, “A vida de Bryan”, cujo protagonista é permanentemente confundido com o Messias. Isso não será com toda a certeza o que devemos esperar de Bryan Ruiz ou mesmo exigir dele. Mas será, desde que haja alguma normalidade, um reforço efectivo do plantel e, correndo bem, um dos nomes incontornáveis do próximo campeonato.

Foto de capa: bryanruizcr.com

O centro das notícias e o centro do problema

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atodososdesportistas

Numa altura em que está por horas a confirmação oficial de que Casillas será o novo e mais sonante reforço do Futebol Clube do Porto, continuamos a não ver resolvida a verdadeira questão central: faixas laterais e um central.

Ninguém tem dúvidas de que Iker Casillas, pese embora as últimas épocas com vários altos e baixos, é um guarda-redes de excelência e, com a sua chegada a Portugal, será de longe o melhor guardião a jogar no nosso campeonato. Mas – existe sempre um “mas” – e Helton? Bem sei que recusar um “Casillas desta vida” é dar um tiro nos pés, embora me custe ver o eterno H1, com uma recta final de época fantástica, ter as taças e jogos de menor risco da Champions como competições destinadas. Mas esse assunto terá de ser resolvido pelo meu Porto, e acredito que não deixarão Helton cair no esquecimento. Quanto a este ponto, estamos resolvidos.

Agora, o que me preocupa e deixa reticente, embora o mercado ainda vá longe do seu término, é a falta de “agressividade” em busca de dois jogadores que possam ser indiscutíveis para as faixas laterais e um defesa-central (de preferência de pé direito) que se assuma como patrão da defesa ao lado de Marcano. Depois da saída de Danilo ainda no decorrer da última época, os responsáveis da SAD portista tiveram mais que tempo para tentar garantir, por exemplo, a contratação de Bruno Peres (Torino), Maike (Cruzeiro), Marcos Rocha (Atlético Mineiro) ou Douglas – todos estes jogadores associados ao clube da Invicta, quer a título definitivo ou a título de empréstimo

Daquilo que conheço dos jogadores, e inclinando-me mais para a política das contratações a título definitivo, os jogadores que mais gostava de ver no meu clube seriam Bruno Peres ou Marcos Rocha: o primeiro já tem experiência na Europa, e quem o viu jogar notou certamente semelhanças a nível de entrosamento ofensivo com Danilo; o segundo, não tendo experiência europeia, tem a seu favor o facto de ser o melhor lateral-direito do “Brasileirão”, demonstrando isso com sucessivos prémios individuais para as equipas do ano daquele campeonato.

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Iker Casillas pode ser a contratação-bomba do Dragão
Fonte: Página de Facebook de Iker Casillas

Sei, porém, que o leitor está a pensar: “então e Maxi?!”. Esta é uma pergunta pertinente à qual respondo que, na minha óptica, Maxi é um “pau de dois bicos”: se, por um lado, tem uma raça e querer fantásticos, por outro lado, tenho a certeza de que no Dragão não gozará da mesma impunidade que sempre teve na Luz, e isso seria o mesmo que tê-lo expulso metade dos jogos de Dragão ao peito. A juntar a isto, os dois milhões que auferirá por época também não me convencem, se bem que, para ir buscar um Diogo Figueiras ou um Pereirinha, prefira Maxi! Caso adapte o seu jogo à realidade da violência permitida em 17 dos 18 estádios do campeonato português, então aí posso ter algum conforto quanto à sua transferência.

Não esqueçamos que a permanência de Alex Sandro também ainda não é certa, e, caso isso não aconteça, LIVREM-ME de Indi ou Reyes a lateral esquerdo! Mas neste caso o “dossier Alex” é menos preocupante, sabendo que necessitaremos sempre de um jogador para a segunda opção (caso o brasileiro se mantenha, coisa que espero).

Mudando a posição mas não deixando de ser preocupante, falta um “centralão” para comandar a defesa azul-e-branca. Marcano, na minha opinião, é o senhor do lado esquerdo da posição central, dada a sua qualidade muito acima da média; já Maicon continua sem me dar aquela tranquilidade que eu sempre indiquei como seu maior defeito: treme muito nos momentos decisivos, nunca sabemos se vai sair a jogar facilmente ou irá complicar. Em suma, é como Fabiano, ex-guarda-redes do nosso plantel. Indi ainda não entrou na realidade da equipa e Reyes continua a mostrar-se “verdinho”. Dado isto, e sabendo que o plantel necessita de pelo menos quatro centrais, estes três fariam parte na certa: Marcano, Indi e Lichnovsky (jovem internacional pelo Chile de enorme margem de progressão). Maicon poderia sair caso surja uma proposta de 8-10 milhões; Reyes seria emprestado e aí teria de entrar um tal quarto elemento, de preferência experiente, que conhecesse a casa e com tarimba internacional. De vários nomes em que podemos pensar, Bruno Alves, Rolando ou Ricardo Costa poderiam perfilar-se como candidatos, mas isso parece-me improvável. Se no caso de Bruno Alves seria o retorno de alguém sempre acarinhado mas cujo salário poderia ser um entrave, no caso de Rolando os recentes problemas com a SAD dificultariam a sua inclusão no plantel. Já Ricardo Costa é sempre uma dúvida, pois não sabemos a forma em que o mesmo se encontra. Ainda assim, preferia ver um português a um estrangeiro, daí os nomes apontados acima.

Para o meio campo, só aceitaria ver chegar Óliver, pois penso que já temos um sector intermediário de enorme força e potencial, onde Imbula será, certamente, o grande motor daquele provável trio.

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Bueno é uma das caras novas no plantel do FC Porto
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

Resta agora pensar no ataque, e as mais recentes notícias surgem a apontar o costa-marfinense Drogba ao ataque dos Dragões. Ao início, como qualquer mortal, achei a notícia completamente ridícula, mas depois de alguma pesquisa e alguns rumores (que não passam disso mesmo) parece que a Samsung, reconhecida marca internacional, poderá estar por trás deste negócio, pois o avançado africano é uma das caras da marca (bem como Casillas) e existem conversações para a mesma ser a nova patrocinadora do Futebol Clube do Porto, o que, a nível de marketing e publicidade, traria muito a ganhar a todas as partes: clube e Samsung.

Quanto a esta notícia, é esperar para ver, embora eu tenha um curioso ponto de vista em relação aos reforços, e existe um em particular que me chama a atenção: Bueno. Desde o ano passado (ainda antes de este ser associado ao Porto), estava a ver jogadores da liga espanhola que eram destaque e comentei com um amigo com quem estudei em Sevilha “quem é este Bueno? As movimentações dele fazem-me lembrar as do mítico Raul!”, ao que ele me respondeu que muita gente em Espanha faz essa associação! Agora, é claramente jogador para jogar em 1-4-4-2, coisa que me parece que será não mais do que uma alternativa. Caso seja para jogar como PL fixo ou numa das linhas, antevejo um final como o de Adrián!

Posto isto, e sabendo que muita tinta ainda vai correr, desejo com calma e serenidade ver o meu plantel cada vez mais definido e sem “erros de casting” no que toca a contratações. Para finalizar, alegra-me ver que o Porto começa a olhar também para a expansão do clube (ainda mais), e isso vê-se com certas contratações que, sem dúvida, fariam entrar muitos milhões em publicidade no clube! Mas o que me interessa, em primeiro, são os títulos, e este ano não perdoo se o meu clube não for campeão!

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto