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Revista do Mundial’2014 – Equador

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Do outro lado do Atlântico, banhada pelo Pacífico, uma pequena nação acredita que a passagem à próxima fase do Mundial é difícil, sim… mas possível. A selecção do Equador vai marcar presença no Brasil depois de Reinaldo Rueda – o responsável pela qualificação das Honduras para o Mundial de 2010 – ter liderado Caicedo e companhia naquela foi apenas a terceira qualificação da história equatoriana para o Mundial da FIFA. Chegar até aqui foi já um feito, mas agora quer-se mais.

Inserido no grupo E, o Equador terá de enfrentar de enfrentar França, Suíça e – guess what – Honduras para garantir o seu lugar ao sol e passar à próxima fase. A tarefa não se adivinha fácil e o primeiro jogo, contra a Suíça, em Brasília, será determinante para as ambições da selecção do Equador. A equipa, bastante inexperiente na competição mas com alguns jogadores interessantes, terá de se voltar eventualmente para o nome mais sonante do futebol equatoriano – Antonio Valencia. Com o extremo do Manchester United ao seu melhor nível e alguma disciplina táctica, o conjunto veloz do Equador poderá mesmo surpreender e carimbar a passagem à próxima fase.

Num grupo que muitos dizem ter sido feito de propósito para a França passar – deixo ao critério do leitor a importância do factor Platini – a selecção do Equador terá inúmeras dificuldades, mas a passagem é mais do que uma mera ilusão ou um sonho. Honduras será, à partida, um oponente fácil, e, ainda que a Suíça tenha conseguido uma classificação exemplar, não há qualquer garantia de que consiga manter o mesmo nível na fase final do Mundial. Por fim, há a selecção francesa, com aquele que é de longe o melhor conjunto do grupo, mas com a pressão de vencer toda do seu lado – convém não esquecer as prestações deploráveis que fez nas últimas competições de selecções, em particular no Mundial de 2010.

Pessoalmente, acredito que tudo dependerá da forma como o Equador se vai apresentar logo na primeira partida diante da Suíça. Com muito esforço e alguma sorte à mistura, o Equador pode mesmo passar o grupo e seguir em frente. À partida, não se perspectiva um percurso longo para a equipa neste Mundial – resta ver se Caicedo… ou tarde.

OS CONVOCADOS

Guarda-redes – Maximo Banguera (Barcelona-Equador), Adrian Bone (El Nacional) e Alexander Dominguez (LDU).

Defesas – Gabriel Achilier (Emelec), Walter Ayovi (Pachuca), Oscar Bagui (Emelec), Frickson Erazo (Flamengo), Jorge Guagua (Emelec), Juan Carlos Paredes (Barcelona-Equador) e Cristian Ramirez (Fortuna Dusseldorf).

Médios – Segundo Castillo (Al Hilal), Carlos Gruezo (Estugarda), Renato Ibarra (Vitesse), Fidel Martinez (Tijuana), Cristian Noboa (Dinamo Moscovo), Pedro Quinonez (Emelec), Luis Saritama (Barcelona-Equador) e Antonio Valencia (Manchester United).

Avançados – Jaime Ayovi (Tijuana), Felipe Caicedo (Al-Jazira), Jefferson Montero (Morelia), Joao Rojas (Cruz Azul), Enner Valencia (Pachuca) e Armando Wila (Universidad Catolica).

A ESTRELA

Antonio Valencia Fonte: lainfo.es
Antonio Valencia
Fonte: lainfo.es

Aos 28 anos de idade, Antonio Valencia é sem qualquer dúvida o nome mais sonante da equipa equatoriana. Tendo não só a qualidade mas também a experiência que tanto falta aos seus conterrâneos, chega ao Mundial com a responsabilidade de impor o seu jogo nos palcos brasileiros. Esta última época do Manchester United foi um flop de proporções épicas, com a equipa a ressentir-se tremendamente da saída do histórico Sir Alex Ferguson. Ainda assim, Valencia tem de estar ao seu melhor nível no Brasil para que o Equador possa fazer uma boa prestação.

Acusado de ser irregular, mas com atributos de ser o típico jogador “abre-latas” quando está nos seus dias, Valencia terá mesmo de ter vários dias assim para liderar a selecção equatoriana em busca de algo mais. O capitão do Equador terá de servir os atacantes, impor uma pressão defensiva constante, desequilibrar nas alas e ainda construir jogo. Num conjunto que tem na velocidade a sua maior arma, Valencia terá pela frente três jogos de muito esforço e não se pode dar ao luxo de falhar nos momentos cruciais se quiser sonhar em ir mais longe. As expectativas são baixas, o que pode dar-lhe a liberdade que precisa para mostrar no Brasil aquilo que verdadeiramente vale. Até porque o Mundial é uma oportunidade de ouro para mostrar aos críticos que, não obstante os falhanços clubísticos da última temporada, “Santo Antonio” ainda não se acabou.

O TREINADOR

Reinaldo Rueda Fonte: latri.ec
Reinaldo Rueda
Fonte: latri.ec

Depois de três anos à frente da modesta selecção das Honduras em que conseguiu a verdadeira proeza da qualificação para o Mundial de 2010, o treinador colombiano Reinaldo Rueda prepara-se para mais um grande desafio, desta vez ao leme da selecção do Equador. Rueda e a sua equipa foram invencíveis a jogar em casa – sete vitórias e um empate em Quito – mas sofreram bastante nas deslocações, com evidente destaque para a pesada derrota em Buenos Aires por quatro bolas a zero.

As excelentes prestações caseiras valeram ao técnico a qualificação para o Mundial, que a equipa dedicou de imediato ao ex-companheiro Christian “Chucho” Benítez (o avançado faleceu no ano passado vitima de um ataque cardíaco). O jogador estará certamente no imaginário dos equatorianos quando a bola começar a rolar no Brasil. Rueda é um treinador com provas dadas a nível de selecção, e o seu casamento com o Equador tem tudo para ser feliz. Ainda que a selecção das Honduras não tenha marcado qualquer golo no Mundial de 2010, o agora treinador do Equador já demonstrou que lida bem com a posição de underdog e pode voltar a surpreender.

O ESQUEMA TÁTICO

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O PONTO FORTE

O trio ofensivo. Numa selecção em que a falta de qualidade em várias posições é um problema sério, o Equador terá de apostar num futebol rápido e agressivo com grande pendor atacante. Um meio-campo com experiência, ainda que não a este nível, terá de conseguir fazer chegar a bola aos três homens da frente – Antonio Valencia, Jefferson Montero e Caicedo – para que estes consigam criar desequilíbrios em lances individuais. O antigo ponta-de-lança do Sporting está, de resto, muito mais maduro do que quando passou por Portugal e terá de se fazer valer da sua imponência física e da capacidade de explosão para arrastar defesas e permitir entrar em combinações com os dois extremos. Ainda que o Equador alinhe frequentemente em 4- 4- 2, este trio de jogadores é o maior argumento da selecção para disputar pontos no grupo E do Mundial.

O PONTO FRACO

A defesa. Basta olhar para os nomes que compõem a defesa do Equador para perceber que por aqui não anda nenhum atleta de gabarito mundial. Ainda que rápidos e aguerridos, os jogadores defensivos do Equador são mesmo o calcanhar de Aquiles da equipa, que é demasiado permissiva na altura de defender e de pressionar o adversário. Além disso, o treinador Reinaldo Rueda parece ainda não ter decidido qual o conjunto defensivo que mais garantias lhe oferece, dado que experimentou vários alinhamentos diferentes nos jogos amigáveis e de qualificação. A defesa do Equador pode ter alguma experiência vinda de muitos anos de futebol, mas já se sabe que no mata-mata que é o Mundial não há margem para erros. Só com muita concentração, disciplina e entreajuda é que a defesa equatoriana se livrará de ficar em maus lençóis no Brasil.

Revista Mundial’2014 – Argentina

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Temos de recuar até 1986 e à mão de Deus do lendário Maradona para darmos de caras com o último Mundial conquistado pela Argentina. Desde então, a selecção alviceleste conquistou o título olímpico em 2004 e 2008, mas a Copa do Mundo teima em fugir-lhe. Com adeptos conhecidos por toda a parte pela sua paixão ao jogo, muitas vezes a selecção deixa-se levar por esse espírito e claudica nos momentos cruciais. No Mundial’2010, por exemplo, foi humilhada com um 0x4 diante da fortíssima Alemanha de Joachim Low. Aí, Maradona era o seleccionador, e os argentinos jogavam mais com o coração do que propriamente com a razão.

Pode este ser finalmente o ano das pampas? Não creio que tal possa acontecer. Alejandro Sabella insiste num estilo de jogo pouco adaptado ao fabuloso conjunto de jogadores de que dispõe e muito dependente do talento individual, apesar de esse haver em sobra nesta selecção. É certo que o apuramento foi conseguido de forma relativamente tranquila, com a Argentina a alcançar o primeiro lugar. Mas, se olharmos para os números desta fase de qualificação, salta à vista o facto de terem alcançado apenas nove vitórias em 16 jogos: pouco mais de 50%, portanto. Estes dados negativos ganham ainda mais importância se nos lembrarmos da ausência do Brasil destas contas…

Muito do possível sucesso argentino neste Mundial dependerá do momento de forma das suas principais estrelas atacantes. Como é sabido, Messi teve uma temporada complicada em termos físicos, e de Kun Aguero podemos dizer o mesmo, apesar da boa época que realizou no Manchester City. Di María teve um ano soberbo no Real Madrid mas jogando numa posição diferente daquela que Sabella lhe dá em campo. Em Espanha, Ancelotti recuou Di María, vendo (e muito bem) nele a capacidade de aceleração do jogo dos merengues desde muito perto da linha de meio-campo. Na selecção, Sabella “cola” Angelito à linha numa zona mais adiantada do terreno e acaba por perder algumas das suas mais-valias. O desequilíbrio de qualidade entre os sectores atacante e defensivo é por demais evidente, e estará aí o maior obstáculo à caminhada argentina. Enzo Pérez seria uma excelente solução para um possível equilíbrio na equipa, mas não acredito que Sabella ceda às suas ideias predefinidas. Fernando Gago deverá ser o escolhido para preencher o lado direito do meio-campo.

É difícil de traçar um limite a esta selecção, porque quem tem jogadores como Messi, Di María, Aguero ou Lavezzi pode sempre sonhar. No entanto, na defesa, este nível de qualidade apenas é acompanhado por Garay e Zabaleta, e isso poderá ser fatal. No grupo com Irão, Nigéria e Bósnia, a Argentina não deverá ter grandes dificuldades, mas os maiores desafios estarão reservados para fases mais adiantadas da competição, quando estas debilidades no momento defensivo do jogo porventura vierem ao de cima. No equilíbrio entre o ataque de luxo e a defesa mediana estará o segredo alviceleste.

 OS CONVOCADOS

Guarda-redes: Sergio Romero (Sampdoria/Itália), Mariano Andújar (Catania/Itália) e Agustin Orion (Boca Juniors);

Defesas: Pablo Zabaleta (Manchester City/Inglaterra), Federico Fernandez (Napoles/Itália), Ezequiel Garay (Benfica/PORTUGAL), Marcos Rojo (Sporting/PORTUGAL), Hugo Campagnaro (Inter Milão/Itália), Martin Demichelis (Manchester City/Inglaterra), José Basanta (Monterrey/México);

Médios: Javier Mascherano (Barcelona/Espanha), Fernando Gago (Boca Juniors), Lucas Biglia (Lazio/Itália), Augusto Fernandez (Celta Vigo/Espanha), Ricky Alvarez (Inter de Milão/Itália), Angel Di María (Real Madrid/Espanha), Maxi RodrÍguez (Newell’s Old Boys), Enzo Perez (Benfica/PORTUGAL);

Avançados: Lionel Messi (Barcelona/Espanha), Gonzalo Higuaín (Nápoles/Itália), Sergio Aguero (Manchester City/Inglaterra), Rodrigo Palacio (Inter Milão/Itália) e Ezequiel Lavezzi (PSG/França)

A ESTRELA

Lionel Messi Fonte: MSN
Lionel Messi
Fonte: MSN

Inevitavelmente, Lionel Messi é a figura maior da selecção das pampas e nele recaem os maiores sonhos argentinos. A temporada menos conseguida no Barcelona levantou algumas dúvidas em relação à condição do astro, mas é de crer que Messi dê uma resposta à altura do seu talento. Muitos dizem que, para poder ser comparado a Maradona, Messi tem de levar a Argentina ao topo do Mundo. 2014 é mais uma oportunidade.

O TREINADOR

Alejandro Sabella Fonte: depuntin.net
Alejandro Sabella
Fonte: depuntin.net

Sem deslumbrar, Alejandro Sabella tem levado a água ao seu moinho. Assumiu o cargo em Julho de 2011, após as experiências falhadas de Maradona e Sergio Batista, e um dos grandes méritos de Sabella tem sido a notória melhoria das exibições de Messi. A este facto não será alheia a atribuição da braçadeira de capitão ao astro do Barcelona. A tentativa de rejuvenescimento – principalmente do sector defensivo – tem complicado a estabilização das ideias da equipa.

Como treinador, Sabella apenas tem um título no currículo, com a conquista da Libertadores pelo Estudiantes, em 2009.

 O ESQUEMA TÁTICO

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É nesta espécie de losango de Sabella que reside o grande problema desta Argentina. A colocação de Gago a fechar o corredor direito pretende dar uma maior liberdade à criatividade de Messi e às subidas de Zabaleta pelo flanco. No entanto, o jogador do Boca Juniors é lento sem bola e pouco criativo na sua posse e isto desequilibra a equipa. Do lado esquerdo, Di María tem total liberdade atacante, já que Rojo não se destaca pela qualidade do seu jogo ofensivo e restringe-se mais às acções defensivas. A disposição táctica não está errada de todo e a ideia de Sabella é compreensível, mas a opção por Enzo Pérez em detrimento de Gago traria muito mais criatividade e capacidade de pressão à equipa. Resta saber se o talento individual das pampas é superior ao marasmo táctico em que estão envolvidos.

O PONTO FORTE

O sector atacante é, sem dúvida, onde residem as maiores esperanças dos argentinos. Para nos apercebermos da vasta quantidade e qualidade de que Sabella dispõe no ataque, basta lembrarmo-nos da decisão – criticável – de não levar Carlos Tévez ao Mundial. Mas a técnica, imprevisibilidade e velocidade de Messi, Di María, Aguero ou Higuaín é capaz de causar estragos em qualquer defesa adversária.

O PONTO FRACO

A diferença de qualidade do ataque para a defesa é tremenda. O momento defensivo do jogo é a grande dor de cabeça para Sabella. Como já referi anteriormente, apenas Garay e Zabaleta se apresentam como jogadores de qualidade mundial neste sector. Rojo fez uma boa temporada a central, mas na alviceleste será lateral-esquerdo. Fernández, jogador do Nápoles, que faz dupla com Garay, é algo limitado, e Romero não traz muita segurança entre os postes. 

Carta Aberta a: Cristiano Ronaldo

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Aproveito este tempo “mundialista” para escrever a alguém que, durante os últimos anos, provou que o futebol não é só alegria e que para alegrar o público é preciso muito esforço, carinho, dedicação e entrega: Cristiano Ronaldo.

Sim, Ele não é Messi (e nem me venham com a treta da discussão do costume!); sim, Ele não é Maradona; sim, Ele não é sequer argentino… Mas também nenhum destes dois é Cristiano Ronaldo, e isso orgulha-me! Temos alguém genuíno naquilo que é o seu jogo, temos alguém que nunca seguiu o jogo de ninguém e agora, cada vez mais, tem os seus próprios seguidores! Mas isso é um aparte… Cristiano Ronaldo é o jogador mais trabalhador do mundo, é o jogador que mais gosta de futebol e que mais ambiciona ser não o maior, mas sim o melhor! Porquê? Porque é o primeiro a chegar ao centro de treinos e o último a sair; porque no final de cada sessão fica a bater os seus famosos “tomawaks” até estes saírem na perfeição; porque abdica de muita coisa que o dinheiro não pode comprar para ser aquilo que é.

Arrogante, dizem uns. Sabem o que eu digo? Um arrogante não ajuda as pessoas mais necessitadas como ele o faz (veja-se agora o exemplo do menino espanhol que, se não fosse CR7, não sobreviveria; ou até mesmo o rapaz que invadiu o campo e Cristiano escreveu ao juiz nos EUA para não o sancionar…), e estes gestos valem mais do que mil palavras.

É um português, e um português que, dentro daquilo que faz, deixa orgulhosos todos os portugueses! Por termos o melhor do mundo, por termos o melhor da história do futebol!

Agora, de forma mais pessoal, vou tratar-te por TU, Cristiano. Como português orgulhoso que sou e teu fã incondicional, venho pedir-te que, no auge da tua carreira, depois de centenas e centenas de jogos repartidos entre Sporting, Manchester, Real Madrid e Selecção com um número estupidamente absurdo de golos marcados de todas as maneiras e feitios (“até de coxinha marquei”, dizias tu numa entrevista depois de um glorioso ano em Manchester), possas assumir que, neste Mundial, serás o nº1 de 20 milhões de portugueses, serás a nossa grande esperança e o nosso grande alívio, no bom e no mau. Estamos casados com a selecção, “na alegria e na tristeza, na vitória e na derrota… Até que a morte nos separe!”.

Cristiano Ronaldo é a estrela de Portugal Fonte: footballdream.pt
Cristiano Ronaldo é a estrela de Portugal
Fonte: footballdream.pt

Espero ver-te a “deslizar sobre os adversários”, tal manteiga a barrar no pão; espero ver-te fazer vibrar as redes jogo após jogo; espero ver-te a ser um jogador liberto de tarefas defensivas para, nos últimos 30 metros, fazeres a diferença de que tanto precisamos. Estou com uma grande fé em ti, Cristiano. E sei que se por alguma coincidência cósmica as minhas palavras chegarem até ti, não serão uma pressão, mas sim mais um motivo de motivação!

Nunca te esqueças de que tens as nossas quinas ao peito, de que carregas toda uma história de glória deste “pequeno grande” país, a que, apesar de todas as adversidades, eu me orgulho de pertencer. E terás, primeiramente, 270 minutos (repartidos por três jogos) para nos colocares na segunda fase, e alcançarmos o objectivo número 1. Depois (“depois vem sempre o depois”, já dizia Manuel Cruz…) continuaremos a escalar até ao topo, estou esperançoso!

“Os homens não se veem nas vitórias, veem-se na derrotas, na forma como se levantam”, e tu já nos demonstraste que te sabes levantar, erguer a cabeça e ser… Cristiano Ronaldo!

É emocionante poder escrever sobre ti, porque, aos 28 anos, consegues ser uma inspiração para milhões de crianças por este mundo, consegues ser humilde mesmo “não sabendo quanto dinheiro tens no banco”, consegues sorrir quando te ironizam os “sargentões”, consegues aguentar-te quando te chamam “irresponsável” por quereres ajudar o teu clube, consegues ser melhor do que tudo e todos no universo do futebol. Porquê? Porque fora das quatro linhas és e serás sempre melhor do que os que se dizem “melhores do mundo”.

Tu Estás Aqui! Fonte: Svenska Dagbladet
Tu Estás Aqui!
Fonte: Svenska Dagbladet

Posso contar contigo (eu e mais 19,999,999) para levares o nome de Portugal mais alto do que o Cristo Rei, Cristiano?

Revista Mundial´2014 – Holanda

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Holanda, selecção com eterno futebol sedutor, selecção que normalmente apaixona os adeptos de futebol, selecção que é a actual vice-campeã mundial. De facto, é de esperar sempre, e neste Mundial 2014 não deverá ser excepção, uma equipa a produzir um futebol ofensivo e envolvente, em que o dinamismo ofensivo acaba por ser a grande arma da “laranja mecânica”. Contudo, do meio-campo para trás são notórias as lacunas no seio da formação, e sendo assim é complicado encarar a fase final deste Campeonato do Mundo com o optimismo doutros anos, até porque na memória dos adeptos holandeses ainda está o autêntico fiasco que foi a participação no Euro 2012, em que a selecção europeia se viu mergulhada num mar de equívocos, despedindo-se do Europeu sem honra nem glória na fase de grupos, após ser completamente abatida por Portugal.

De há dois anos para cá, porém, várias coisas mudaram. Desde logo, uma mudança de seleccionador. E que mudança! Louis Van Gaal, reputadíssimo técnico holandês, regressou ao comando técnico da selecção do seu país. E a verdade é que o laureado treinador (que a partir da próxima época estará ao serviço do Manchester United) colocou a “sua” Holanda a passear na fase de qualificação, com nove vitórias e um empate, em 10 jogos. Todavia, não devemos ter apenas como base a qualificação para o Mundial, visto que por norma a Holanda arrasa nos apuramentos para as fases finais.

Sonhar é sempre legítimo, e os holandeses sabem-no bem, mas algumas carências no grupo de trabalho, aliadas ao facto de a Holanda estar inserida num grupo bastante forte, em que terá pela frente uma toda-poderosa Espanha e um fortíssimo Chile (não será de esperar grande coisa da Austrália), fazem com que esta selecção esteja longe de entrar nas cogitações das casas de apostas quanto a um possível brilharete neste Campeonato do Mundo.

OS CONVOCADOS

Guarda-redes: Jasper Cillessen (Ajax), Tim Krul (Newcaste United/Inglaterra) e Michel Vorm (Swansea City/Inglaterra);

Defesas: Daley Blind (Ajax), Daryl Janmaat (Feyenoord), Terrence Kongolo (Feyenoord), Bruno Martins Indi (Feyenoord), Joël Veltman (Ajax), Paul Verhaegh (Augsburgo/Alemanha), Ron Vlaar (Aston Villa/Inglaterra) e Stefan De Vrij (Feyenoord);

Médios: Jordy Clasie (Feyenoord), Leroy Fer (Norwich City/Inglaterra), Jonathan De Guzman (Swansea City/Inglaterra), Nigel de Jong (AC Milan/Itália), Wesley Sneijder (Galatasaray/Turquia) e Georginio Wijnaldum (PSV Eindhoven);

Avançados: Memphis Depay (PSV Eindhoven), Klaas-Jan Huntelaar (Schalke 04/Alemanha), Dirk Kuyt (Fenerbahçe/Turquia), Jeremain Lens (Dinamo Kiev/Ucrânia), Robin van Persie (Manchester United/Inglaterra) e Arjen Robben (Bayern München/Alemanha).

A ESTRELA

Arjen Robben, autêntico craque Fonte: gazetaesportiva.net
Arjen Robben, autêntico craque
Fonte: gazetaesportiva.net

Arjen Robben é a grande figura desta selecção. Soberbo extremo, que voltou a realizar uma época de grande nível no Bayern de Munique, Robben é um desequilibrador nato, capaz de destroçar qualquer sector defensivo. É sobre este jogador de 30 anos que recaem grande parte das esperanças dos adeptos holandeses, visto que Robben carrila como poucos o jogo pelo flanco, sendo fortíssimo nas diagonais, e fazendo quase o que quer com o seu pé esquerdo, tanto a rematar como a cruzar.

Veremos como chegará este craque à fase final, depois de mais uma temporada desgastante e sabendo-se como as lesões, normalmente, o perseguem.

O TREINADOR

Louis Van Gaal Fonte: ESPN
Louis Van Gaal
Fonte: ESPN

Louis Van Gaal, técnico de grande nomeada com 62 anos de idade, que a partir da próxima temporada será o treinador do Manchester United, recolocou a Holanda no caminho das boas exibições, depois do calamitoso Euro 2012. Com uma campanha quase imaculada na fase de qualificação, Van Gaal voltou a reconciliar a nação holandesa com a sua selecção.

Muito metódico e organizado, sempre fiel aos seus princípios, Van Gaal já não tem nada a provar no futebol. Quer se goste ou não do estilo, a verdade é que o experiente treinador será sempre recordado pelo incrível trabalho no Ajax, em meados dos anos 90, e também pelos tempos de sucesso no Barcelona, com José Mourinho como adjunto.

O ESQUEMA TÁTICO

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Com a Holanda organizada num sistema táctico pouco vulgar, o 5-3-2 de Van Gaal surge como uma alternativa pensada em função das lesões de Strootman e Van der Vaart. Na frente, o repentismo de Robben, Sneijder e Van Persie é a grande arma desta selecção. Este esquema táctico requer laterais rápidos, com capacidade defensiva e atacante, mas tendo em conta os jogadores que Van Gaal tem ao seu dispor para essa posição, não é assim tão certo que a Holanda consiga a profundidade e consistência necessárias nos corredores laterais.

 O PONTO FORTE

O trio Robben-Snejder-Van Persie é do outro mundo e qualquer equipa que tenha este tridente ofensivo só pode dar-se por feliz. De facto, certamente que não será por estes homens que alguma coisa poderá correr mal à Holanda. Técnica admirável, grande cultura táctica, repentismo absoluto, entre outras qualidades, fazem com que estes três jogadores se tornem nos mais fantasistas e desequilibradores num conjunto holandês que tem algumas falhas.

O PONTO FRACO

Um reduto defensivo mediano, para não ir um pouco mais longe, pode ser o tendão de Aquiles desta selecção. Com o luso-holandês Bruno Indi como uma das opções de Van Gaal para a defensiva da equipa, a Holanda terá de se unir em termos de defesa da sua baliza, porque não existem dúvidas de que há muita inexperiência entre os defesas da Laranja Mecânica. Quase todos eles alinham no campeonato holandês, que manifestamente está longe de ser uma prova em que as defesas sejam propriamente de betão, e isso pode valer alguns dissabores a uma equipa que apresenta uma diferença enorme entre sectores, quando comparamos, essencialmente, a defesa com o ataque. Em suma, poucos duvidarão de que esta Holanda não tenha capacidade para marcar vários golos na fase final do Mundial, mas também são poucos aqueles que acreditam numa defesa imaculada, ainda para mais nos desafios frente à Espanha e ao Chile.

Camisa “8”

Depois de 50 anos sem conquistar uma única Premier League, os adeptos do Chelsea deixaram de sonhar. Porque, conforme se lhes apresentava, o destino parecia ter algo contra eles, e a taça que certifica o seu detentor como o maior do reino de Inglaterra parecia não querer meter os pés na sala de trófeus de Stamford Bridge. Os blues já não conseguiam deixar-se levar pela ilusão, porque esta lhes parecia má conselheira e só lhes trouxe amargo de boca.

O dia 30 de Abril de 2005 não foi diferente. É certo que a mente de cada um dos adeptos blues fervilhava ao pensar que o jogo daquela tarde poderia resultar na matança de um borrego cheio de barbas e pêlos brancos (cinco décadas) e que uma vitória bastava para experimentarem a alegria que os seus antepassados tiveram. 11 pontos era a diferença para o 2º classificado (Arsenal) e 12 eram os pontos em disputa, mas o jogo era fora e o adversário tinha na defesa nomes conceituadíssimos como Fernando Hierro, Vincent Candela ou o experiente Jaaskelainen e na frente prodígios como Jay Jay Okocha e El Hadji Diouf…  Para além disso, parecia que aquele dia era uma partida que o destino quis pregar a quem já tanta ilusão criara mas que nada produzira senão lágrimas de desgosto.

O jogo começou, e a equipa parecia descaracterizada. Subitamente insegura de si, como que não merecendo a glória que se avizinhava. A agressividade desnecessária (uma amarelo logo aos cinco minutos) e as hesitações impensáveis de uma defesa que até então se revelara ser um porto seguro eram a prova maior desse desconforto que foi aumentando e se arrastou até ao final da primeira parte, encerrada com um teimoso 0-0. Esperava-se uma revolução à saída dos balneários, mas tal não aconteceu. Parecia não haver comunhão de ideias, uma desorganização ofensiva que impedia os blues de criarem perigo e que prolongou o pensamento de um sonho que nunca viria…

… até que, numa bola pontapeada pelo guarda-redes dos blues a partir da àrea do Chelsea, ganha a meio-campo pelo distintamente loiro da equipa e que caprichosamente sobrou para o número 8 após cabeceamento do ponta-de-lança, os sonhos começaram a parecer possíveis outra vez. Os adeptos levantaram-se das cadeiras impulsionados por um tomo de ilusão que, surpresa, ainda restava. Ele ganhou na raça a um dos mais conhecidos defesas do futebol mundial (Vincent Candela), tirou outro adversário do caminho e, carregando no seu pé direito a força do sacrifício de 50 anos de equipas diferentes, das lágrimas de crianças pelas derrotas da sua equipa, da frustração de todos os que muito viveram mas nada viram o seu querido clube conquistar, disparou para o fundo das redes contrárias. 1-0.

Lampard celebra o golo que marcou o início da era mais gloriosa do Chelsea Fonte: AP/Dailymail
Lampard celebra o golo que marcou o início da era mais gloriosa do Chelsea
Fonte: AP/Dailymail

O tempo passara devagar a partir daí e parecia que, a qualquer momento, o sonho que afinal voltara a existir na mente dos adeptos do Chelsea poderia desmoronar-se como tantas vezes acontecera no passado… Mas, 16 minutos volvidos, outra vez o número 8, vindo de trás com uma velocidade impulsionada por toda uma crença renovada de milhares de adeptos, isolado perante o guardião contrário, fintou-o e só teve de encostar para confirmar o fim e o ínicio. O fim do conformismo, da proibição de sonhar, da frustração, da tristeza, da desilusão, da derrota. O início da euforia, das conquistas, do sonho, da ilusão, da vitória.

Começou-se a sonhar em Stamford Bridge a partir daí. Esse fora o primeiro de muitos canecos que viriam a “calhar” na sala de troféus do estádio até hoje, volvidos 9 anos… e tudo graças ao pé direito do número 8. Frank Lampard. Um nome e um número que pertencem juntos, casados pelo Chelsea.

A história dos blues mudou naquela altura em que o futuro capitão visara as redes do Reebok Stadium. Começou uma nova era, a mais gloriosa do Chelsea, e Lampard, com toda uma disponibilidade e entrega que só foram limitadas pelo desgaste dos anos, foi a figura central.

No dia em que anuncia o fim de uma ligação tão bonita e histórica para o mundo do futebol como foi a dele com os blues, é justo recordar os dois golos apontados ao Bolton, que começaram a lenda da camisa azul com o número 8, cravada no coração de cada adepto de futebol.

O Regresso do Campeão

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O Campeão voltou… e o título não escapou. O Atlético Ouriense voltou a sagrar-se campeão nacional de futebol feminino, depois de uma vitória caseira frente ao Clube Albergaria por 3 a 1. Os golos de Manaus (1) e Diana Silva (2) foram o culminar de um objectivo há muito seguido. Em dia de eleições europeias a equipa de Ourém – agora bicampeã – garantiu também a presença nos playoffs para a Champions Feminina do próximo ano. Depois de uma longa e muy disputada temporada, a festa voltou a ser vermelha.

Atlético Ouriense em festa após a conquista do campeonato pela segunda época consecutiva. Fonte: Nuno Abreu / Notícias de Ourém
Atlético Ouriense em festa após a conquista do campeonato pela segunda época consecutiva.

Fonte: Nuno Abreu / Notícias de Ourém

Uma longa estrada rumo ao bi

Muito antes do apito inicial, as atletas de Ourém sabiam que estavam obrigadas a ganhar para garantir o título de campeão. A vitória absolutamente fulcral por uma bola a zero sobre o A-dos-Francos na jornada anterior catapultou o Atlético Ouriense para o topo do campeonato, que havia sido liderado pela equipa das Caldas da Rainha praticamente desde o seu começo. Apenas um ponto separava as duas equipas à entrada da sexta e última jornada da fase de apuramento de campeão do campeonato nacional de futebol feminino, mas nem sempre assim o foi.

Ao longo da época 13/14 que agora chega ao fim, muitos foram os obstáculos e adversidades que as atletas de Ourém tiveram de enfrentar. Depois de terem sido eliminadas dos playoffs de acesso à Liga dos Campeões (a passagem é um feito ainda por atingir por uma equipa portuguesa), as campeãs em título fizeram jus à condição e tiveram um início de temporada fulminante, com bom futebol e vitórias expressivas. À sexta jornada da fase regular encontram o A-dos-Francos, equipa recém-promovida que, à semelhança do campeão, mantinha um registo de 5 vitórias em 5 jogos até ao momento. As jogadoras das Caldas saem vencedoras da primeira batalha, e iniciam assim a sua longa liderança no topo do campeonato nacional.

Mas a guerra ainda só há pouco havia começado, e o pior estava para vir. Duas jornadas depois, é o Clube Futebol Benfica que dita a segunda derrota do Ouriense. Numa fase regular de 10 equipas (18 jornadas) e extremamente aguerrida, o Atlético Ouriense somou 7 vitórias e duas derrotas na primeira volta, seguindo em segundo com 21 pontos, menos três do que o primeiro. Depois disso, a equipa orientada por Mauro Moderno voltou a perder por três vezes. A última, novamente com o Clube Futebol Benfica, foi devastadora para as ambições da equipa – cinco a zero, o que deixava o Ouriense a 9 pontos do líder, A-dos-Francos, e remetia a equipa para o quarto lugar, o último de acesso a fase de apuramento de campeão. Era agora mais do claro que algo não estava bem. Desinspirada, a equipa não era a mesma que havia destronado o 1º Dezembro um ano antes, e a revalidação do título começava a fugir a largos passos. Era preciso fazer alguma coisa, e rápido.

A derrota por 5 a 0 em Benfica foi um verdadeiro ponto de viragem para a equipa de Ourém Fonte: futebolfemininoportugal.com
A derrota por 5 a 0 em Benfica foi um verdadeiro ponto de viragem para a equipa de Ourém.

Fonte: futebolfemininoportugal.com

Após o desaire em Benfica, Mauro Moderno abandona o comando técnico da equipa. Marco Ramos, treinador das camadas jovens do clube com provas dadas e conhecedor da estrutura do Ouriense, é o substituto. A fase de apuramento de campeão estava apenas a duas jornadas de distância. A situação não era fácil. Em Ourém receava-se que a equipa já fosse tarde demais para um ataque bem-sucedido ao título, com Clube de Futebol Benfica fortíssimo na parte final da fase regular, um Albergaria sempre perigoso e um A-dos-Francos que teimava em não sair da frente do campeonato.

Mas o campeão em título mostrou as suas verdadeiras cores. Sob a liderança de Marco Ramos e com um espírito renovado, o Atlético Ouriense carimbou a passagem à final da Taça de Portugal feminina, a jogar-se dia 7 de Junho no Jamor, e entrou fortíssimo na fase de apuramento do campeão nacional. Depois de ter batido em casa o A-dos-Francos por 1 a 0 e ter finalmente passado para a frente da classificação, seguia-se o jogo da derradeira decisão, desta vez contra o Clube Albergaria. Com o A-dos-Francos a ter de fazer uma complicada deslocação ao terreno do Clube Futebol Benfica, o tão ansiado título estava agora à distância de uma vitória. Era o tudo ou nada, e as jogadoras de Ourém sabiam-no.

O Campeão Voltou

Obrigadas a ganhar para assegurarem o título, o Atlético Ouriense entrou em campo ciente de que ainda nada estava garantido. Organizadas no 4-4-2 losango que tanto as caracterizou ao longo da temporada, as campeãs em título mostraram rapidamente ao que vieram, com Manaus a abrir o marcador logo aos 5 minutos de jogo. A avançada cabo-verdiana, que assinou grandes exibições na recta final da temporada, rematou de ângulo apertado e rapidamente pôs o Ouriense bem colocado para a renovação do título de campeão nacional. Aos 22 minutos, balde de água fria para os que já contavam com uma calma vitória das atletas de Ourém – Andreia Norton empata a contenda para o Albergaria com um potente cabeceamento no coração da área. Ao intervalo, tudo empatado. A ansiedade começava a apoderar-se da equipa do Ouriense, que tinha 45 minutos para garantir o bicampeonato. No segundo tempo, Diana Silva foi a heroína da tarde depois de ter assinado dois golos de belo efeito “à ponta-de-lança”, como se diz na gíria.

Diana Silva rubricou uma excelente exibição na segunda parte do encontro, tendo sido a autora dos dois golos que deram a vitória à equipa de Ourém Fonte: Nuno Abreu / Notícias de Ourém
Diana Silva rubricou uma excelente exibição na segunda parte do encontro, tendo sido a autora dos dois golos que deram a vitória à equipa de Ourém.

Fonte: Nuno Abreu / Notícias de Ourém

A avançada internacional por Portugal, de apenas 18 anos, foi responsável por um belo chapéu na sequência de um canto aos 66 minutos e mostrou uma frieza aterradora ao finalizar uma jogada de contra-ataque aos 79. No final, até podiam ter perdido (o A-dos-Francos perdeu por 2 a 0 em casa do Clube Futebol Benfica), mas vale a pena ver e rever os melhores momentos do jogo que consagrou o Atlético Ouriense como campeão nacional de futebol feminino pela segunda vez consecutiva. E como no futebol é sempre melhor ver do que ler, deixo o leitor com a reportagem que o tvfatima.com fez do jogo entre Ouriense e Albergaria.

A festa que se seguiu foi imensa. Num clima de euforia e felicidade, a equipa e os adeptos do Ouriense celebraram intensamente a conquista do campeonato depois de uma época longa e muito disputada. Logo após o final do jogo o treinador Marco Ramos, um dos grandes responsáveis pela revalidação do título, revelou ao Bola na Rede estar orgulhoso pela conquista e enalteceu o esforço das jogadoras do Ouriense.

Bola na Rede – Marco Ramos, treinador do Atlético Ouriense by Rui Miguel Pereira on Mixcloud

Também ao Bola na Rede, e em pleno clima de festa, a capitã Ana Valinho relembra a excelente prestação da equipa na segunda fase do campeonato e prevê uma final difícil no Jamor frente ao Clube Futebol Benfica.

Bola na Rede – Ana Valinho, capitã do Atlético Ouriense by Rui Miguel Pereira on Mixcloud

De todos os gritos e cânticos entoados durante a festa do bi – e acreditem que foram muitos e vociferados a alto e bom som – houve um em particular que se destacou: “ O Campeão não Morreu, o Campeão não Morreu!” Pessoalmente, e depois de ter acompanhado a temporada do Ouriense desde o início, diria mais. Não só não morreu, como está vivo e recomenda-se. Depois da euforia, a próxima paragem é o Jamor, com a Taça de Portugal e a dobradinha em mente. Espera-se um grande encontro entre estas duas equipas para fechar com chave de ouro aquela que foi uma das temporadas mais bem disputadas do Futebol Feminino Nacional. Quanto ao Campeão, perdão, Bicampeão, está de volta e mais forte do que nunca. Em apenas 3 épocas a equipa feminina do Atlético Ouriense conseguiu a promoção para o escalão principal, venceu-o em ano de estreia e consolida agora a sua posição com boas hipóteses de levar também a taça. Se a direcção do clube mantiver a aposta no futebol feminino nos anos que se seguem, quem sabe até onde esta equipa poderá chegar. Afinal, a qualificação para a Champions é já daqui a uns meses…

Logo após o apito final, o treinador Marco Ramos é levantado pelas jogadoras que celebram a conquista)  Fonte: Nuno Abreu / Notícias de Ourém
Logo após o apito final, o treinador Marco Ramos é levantado pelas jogadoras que celebram a conquista.

Fonte: Nuno Abreu / Notícias de Ourém

Revista do Mundial’2014 – Costa Rica

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16 jogos, 8 vitórias, 4 empates, 4 derrotas, 27 golos marcados e 12 sofridos. Foi este o registo da Costa Rica na fase de qualificação da CONCACAF, suficiente para a selecção se consagrar como a defesa menos batida da quarta fase de qualificação (os melhores emblemas daquela região do globo participam apenas nas duas últimas). Aproveitando o facto de terem encontrado uma débil selecção do México, os “Ticos” – uma das alcunhas da equipa costa-riquenha – carimbaram o apuramento directo a duas jornadas do fim.

Tendo participado pela primeira vez num Campeonato do Mundo em 1990 (oitavos-de-final, a sua melhor classificação), a Costa Rica fará a terceira aparição nos últimos 4 mundiais (2002, 2006 e este ano). Concluiu o apuramento no segundo posto com 18 pontos, a quatro dos EUA e com um de vantagem sobre as Honduras. Ao longo da caminhada para o Brasil, os resultados mais sonantes foram as vitórias caseiras contra os EUA e contra o México (3-1 e 2-1, respectivamente). Actualmente, a “tricolor” ocupa o 34º posto no ranking da FIFA.

O país

A Costa Rica é uma das nações mais estáveis e desenvolvidas da América Latina. O país fica localizado entre a Nicarágua e o Panamá, numa zona particularmente montanhosa e florestada. Tem cerca de 4,5 milhões de habitantes e a sua capital é San José. Independente face a Espanha desde 1821, a Costa Rica possui uma democracia parlamentar consolidada desde há largas décadas, realidade apenas importunada pela curta ditadura de Federico Tinoco (1917-19) e pela guerra civil de 1948. Findo esse raro conflito, a Constituição determinou o fim das Forças Armadas nacionais, fazendo da Costa Rica um dos poucos países sem exército a nível mundial. Até Maio passado, a presidência estava a cargo de uma mulher.

Pontos de contacto com Portugal

Há três: são eles Randolph Galloway, Guilherme Farinha e os Jogos Olímpicos de 2004. O treinador inglês foi seleccionador da Costa Rica por breves momentos em 1946, passando mais tarde pelo Sporting (onde conquistou o tri-campeonato entre 1951 e 1953) e pelo V. Guimarães; Farinha é um treinador português radicado na Costa Rica, onde treina o Carmelita, tendo também conquistado o bi-campeonato com o Alajuelense; por último, nas Olimpíadas de Atenas, as selecções sub-23 portuguesa e costa-riquenha defrontaram-se na fase de grupos, jogo que resultou num incrível 4-2 favorável aos americanos. Umaña, Junior Díaz (do lado costa-riquenho), Bruno Alves, Ricardo Costa, Raul Meireles, Hugo Almeida e Cristiano Ronaldo (por Portugal) são os atletas comuns às selecções de 2004 e de agora.

Expectativa para o Mundial

Sejamos sinceros: de entre as 32 finalistas, a Costa Rica é, muito provavelmente, a selecção com menos hipóteses de passar a fase de grupos. Não só devido ao leque limitado de opções à disposição do seleccionador, mas também pelo facto de ter tido o azar de calhar no chamado “grupo da morte”. Os “Ticos” irão defrontar, por esta ordem, o Uruguai, a Itália e a Inglaterra – três selecções campeãs do Mundo que se mantêm muito fortes e que têm legítimas aspirações de chegar longe na prova. Ainda assim, se tivesse de apostar, diria que os dois adversários contra quem a Costa Rica pode conseguir pontos (mas nunca a vitória…) são a Itália e a Inglaterra, embora seja muito complicado. E o facto de Álvaro Saborío, o melhor marcador na fase de qualificação (8 golos), ter contraído uma lesão que o afastará do Brasil também não ajuda.

Mas a ausência do defesa-esquerdo do Everton Bryan Oviedo, igualmente por lesão, é a que mais preocupa. O dinâmico lateral poderia emprestar à equipa a qualidade e a experiência de futebol europeu – características que, desta forma, são da responsabilidade de jogadores como o guarda-redes Keylor Navas (Levante), o lateral-esquerdo Junior Díaz (Mainz), o médio Christian Bolaños (Copenhaga), o avançado Joel Campbell (Olympiakos) ou o craque Bryan Ruiz (PSV). No futebol não costuma haver certezas, mas neste grupo D há duas verdades (quase) absolutas: uma delas, incontornável, é que pelo menos uma das três selecções mais fortes irá soçobrar logo nos grupos; a outra, praticamente certa, é que a Costa Rica não conseguirá o apuramento para a fase seguinte. Contudo, os jogadores estarão conscientes das dificuldades e, mais do que ninguém, decerto também desejosos de que os jogos comecem, porque a oportunidade de disputar a competição mais importante do planeta não surge mais de um par de vezes na vida de um futebolista.

OS CONVOCADOS

Guarda-redes: Keylor Navas (Levante/ESP), Patrick Pemberton (Alajuelense/CRC) e Daniel Cambronero (Herediano/CRC)

Defesas: Johnny Acosta (Alajuelense/CRC), Giancarlo Gonzalez (Columbus Crew/EUA), Michael Umaña (Saprissa/CRC), Oscar Duarte (Club Brugge/BEL), Waylon Francis (Columbus Crew/EUA), Heiner Mora (Saprissa/CRC), Junior Diaz (Mainz 05/ALE), Cristian Gamboa (Rosenborg/NOR) e Roy Miller (New York Red Bulls/EUA)

Médios: Celso Borges (AIK/SUE), Christian Bolanõs (Copenhaga/DIN), Esteban Granados (Herediano/CRC), Michael Barrantes (Aalesund/NOR), Yeltsin Tejeda (Saprissa/CRC), Diego Calvo (Valerenga/NOR) e Jose Miguel Cubero (Herediano/CRC)

Avançados: Bryan Ruiz (PSV/HOL), Joel Campbell (Olympiakos/GRE), Randall Brenes (Cartaginés/CRC) e Marco Ureña (Kuban Krasnodar/RUS)

A ESTRELA

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Bryan Ruiz, estrela e capitão dos “Ticos”
Fonte: bryanruizcr.com

Poucos jogadores com 1,88m e um físico imponente tratam a bola como Bryan Ruiz. Em tempos associado ao Benfica e presente na lista de craques que Paulo Futre apresentou no célebre discurso da candidatura de Dias Ferreira à presidência do Sporting, o médio-atacante agora no PSV é, sem qualquer dúvida, o jogador em que os costa-riquenhos depositam mais esperanças. O seu futebol técnico, perfumado e esclarecido foi sendo aprimorado ao longo dos tempos, garantindo-lhe a presença no primeiro Mundial aos 28 anos. Na era pós-Paulo Wanchope (tido como o melhor futebolista que a Costa Rica alguma vez produziu), é Bryan Ruiz quem assume a batuta e dá substância às palavras partilhadas por um país inteiro, que estarão inscritas no autocarro da equipa: “A minha paixão é o futebol, a minha força é o meu povo, o meu orgulho é a Costa Rica”.

O TREINADOR

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Jorge Luis Pinto
Fonte: Zerozero

No comando da equipa desde 2011, Jorge Luis Pinto foi capaz, ao contrário do que tinha acontecido na sua primeira experiência enquanto seleccionador da Costa Rica (em 2004/2005, sem sucesso), de montar um grupo sólido e que conseguisse unir o país à sua volta. Aos 61 anos, o treinador colombiano, que falhou a qualificação para o Mundial 2010 com o seu país, tem em mãos aquela que será provavelmente a melhor geração de sempre de jogadores costa-riquenhos e também a que tem maior experiência europeia. Ainda assim, era difícil ter tido mais azar no sorteio do grupo. Para tentar contrariar a superioridade evidente dos adversários, Pinto precisará, antes de mais, de fazer duas coisas: corrigir a defesa de bolas paradas e tornar a equipa mais compacta, intensa e solidária, nomeadamente procedendo a uma aproximação dos sectores entre si quando não tem a posse da bola.

O ESQUEMA TÁTICO

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O seleccionador deve apostar num 3-4-2-1 que, na prática, se transformará num 5-2-2-1: os alas não deverão subir muito, ainda para mais tendo em conta a ausência de Oviedo (Junior Díaz, jogador de cariz mais defensivo, deverá ocupar o seu lugar). No entanto, se se apresentar sem um pivot defensivo declarado, a equipa pode perder algum equilíbrio no sector recuado e expor em demasia os frágeis centrais. É exactamente por isso que o jovem trinco Yeltsin Tejeda tem vindo a ganhar importância na “tricolor”, uma vez que tanto Christian Bolaños (também fez vários jogos no meio) como Celso Borges não costumam ajudar muito a defender. Aliás, a equipa mantém por norma uma distância considerável entre sectores, o que não facilita as coisas na hora de proteger a baliza. Por outro lado, um meio-campo com apenas dois homens na zona central permitirá à Costa Rica colocar mais opções no ataque – no fim de contas, sem golos marcados não há vitórias. Lá na frente, a irreverência de Joel Campbell (veloz e difícil de marcar, gosta de cair nas alas e de abrir espaço para os companheiros) poderá permitir as entradas de Bryan Ruiz e de Bolaños, ou até mesmo de Borges. A Costa Rica privilegiará certamente um modelo de contra-ataque.

O PONTO FORTE: FIABILIDADE ENTRE OS POSTES

Keylor Navas, o melhor guarda-redes da Liga Espanhola em 2013/2014 Fonte: Liga BBVA
Keylor Navas, o melhor guarda-redes da Liga Espanhola em 2013/2014
Fonte: Liga BBVA

Após duas temporadas em que praticamente não jogou, o guarda-redes do Levante Keylor Navas agarrou a oportunidade no início da época e foi escolhido pela Liga BBVA como o melhor guardião do campeonato espanhol, à frente de nomes como Victor Valdés, Thibaut Courtois ou Diego López. Um dos principais responsáveis pela época tranquila que a equipa valenciana realizou (10º lugar), Navas é possuidor de uma elasticidade e de uma bravura notáveis que o podem projectar para voos mais altos já no próximo período de transferências. Com a cotação em alta, o dono das redes costa-riquenhas também foi importante em vários jogos da fase de qualificação.

Nota também para Christian Bolaños (tecnicista e um dos jogadores mais esclarecidos), Bryan Ruiz (inteligência e virtuosismo de nível internacional) e Joel Campbell (esteve no Olympiakos por empréstimo do Arsenal e é a maior promessa da Costa Rica), que serão os homens mais adiantados e devem ser igualmente tidos em conta. É curioso constatar que os dois últimos teriam, muito provavelmente, lugar na frente de ataque da selecção portuguesa…

O PONTO FRACO: SOLIDEZ DO EIXO DEFENSIVO

Não obstante a qualidade na baliza, o sector mais recuado dos “Ticos” é a prova de como o futebol não é só estatística: apesar de ter sido o conjunto menos batido da última ronda da fase de qualificação (7 golos sofridos, menos um do que os EUA), a Costa Rica sempre denotou bastantes dificuldades em manter uma defesa sólida e organizada, nomeadamente nas bolas paradas. A falta de tarimba europeia dos defensores é uma realidade (jogam quase todos no campeonato local ou nos EUA), pelo que não é difícil adivinhar que o esquema com três centrais que Pinto montou tem como objectivo tentar disfarçar as debilidades no sector mais recuado. Resta saber se, mesmo a jogar em superioridade numérica face aos ataques, a defesa costa-riquenha vai conseguir manter a concentração exigida. Qualquer surpresa que esta selecção queira fazer no Brasil terá de sustentar-se numa retaguarda consistente, algo que parece não existir. E dificilmente Keylor Navas conseguirá defender tudo…

Liverpool versão 2.0

A época 2013/2014 foi um sonho para os reds. Não disputaram nenhuma competição europeia nem conquistaram nenhum título, mas voltaram a sonhar. Sonharam que podiam voltar a vencer a Premier League e a estar entre os grandes. No fim, falharam. Mas todo o trabalho não pode ser esquecido. O ponto alto? O regresso assegurado do Liverpool à Liga dos Campeões na próxima época. Ah! E a legitimidade de continuar a sonhar.

Com uma equipa jovem liderada pelo veterano Steven Gerrard, os pupilos de Brendan Rodgers foram a surpresa da Premier League na época transacta. Mas terão sido apenas a equipa surpresa ou terá sido o regresso à luta pelos títulos? Há muito que o Liverpool era afastado como candidato a vencer a Liga Inglesa, estabelecendo como objectivos a classificação para a Liga dos Campeões e a conquista de uma taça nacional. Algo manifestamente insuficiente para um clube com um passado glorioso como o do Liverpool. Mas o cenário mudou. Brendan Rodgers contratou os jogadores certos e incutiu-lhes uma cultura táctica de excelência. Tirou o melhor de cada um deles e conseguiu colocar o Liverpool na disputa pelo título até ao final do campeonato, acabando por ser distinguido com o prémio de Treinador do Ano.

Os reds terminaram em segundo e qualificaram-se para a Liga dos Campeões. Mas como vai ser a próxima época? Os residentes de Anfield estarão com imensas expectativas para a época que se avizinha. A tarefa não será fácil. Agora, há que juntar às provas nacionais uma competição europeia em que, com toda a certeza, o Liverpool quererá fazer boa figura e recuperar o seu prestígio. Rodgers mantém-se, o que é muito bom para trazer estabilidade ao clube. Mas Suaréz, um dos grandes motores da equipa – inclusive, galardoado com a Bota de Ouro -, poderá sair. Para além da possível saída do uruguaio, o capitão, Steven Gerrard, começa a vacilar. A idade começa a pesar e não se sabe até que ponto ele poderá continuar a actuar ao mais alto nível. Contratações têm de ser feitas para que o Liverpool possa manter o rendimento e, por fim, presentear os adeptos com os títulos que tanto desejam.

Gerrard e Rodgers são dois pilares fundamentais que se mantêm para a próxima época Fonte: Sky Sports
Gerrard e Rodgers são dois pilares fundamentais que se mantêm para a próxima época
Fonte: Sky Sports

Os reds têm legitimidade para sonhar. Mas há que manter os pés nos chão. Uma equipa campeã não se constrói da noite para o dia. Há que introduzir alguma maturidade no plantel – jogadores mais experientes, para incutir disciplina e rigor aos jovens talentos. Brendan Rodgers tem todos os ingredientes para (re)colocar o Liverpool entre os grandes. Especialmente, caso se verifique a saída de Suaréz, com o orçamento que terá. O calendário será mais pesado. Um maior número de soluções é necessário. Assim, com uma boa gestão ao longo da época, com o apoio dos incansáveis adeptos e com a mesma sede de vencer, penso que o Liverpool poderá manter-se no topo na próxima época.

Gerrard, apesar da idade, conseguirá com certeza transmitir a paixão pelo clube e ir, assim, atrás da medalha que tanto deseja: a da Premier League. Há que começar a delinear a próxima época e estabelecer objectivos concretizáveis, que possam dar bases a este Liverpool de ambições renovadas. Na minha opinião, na próxima época vamos ter de novo o Liverpool entre os habituais candidatos ao título e ainda podemos esperar uma boa campanha europeia de uma equipa que regressa à Champions de orgulho ferido e com vontade de fazer todo um público esquecer estes anos de ausência.

Revista do Mundial’2014 – Bélgica

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A selecção da Bélgica disputou o seu primeiro jogo a 1 de Maio de 1904, tendo empatado 3-3 com a sua congénere francesa. Em 1906 foi apelidada de Red Devils (“diabos vermelhos”) pelo jornalista Pierre Walckiers, depois de uma vitória por 3-2 sobre a Holanda, em Roterdão. O ouro olímpico obtido em 1920 é um marco do seu percurso. No entanto, esta não é uma selecção de top internacional – volta à fase final de uma grande competição 12 anos depois (teve a última participação em 2002). A selecção belga esteve presente em 11 Campeonatos do Mundo, sendo que entre 1982 e 2002 participou em 6 edições consecutivas, tendo alcançado a sua melhor classificação (4º lugar) no Mundial de 1986, no México. Em termos de Campeonatos da Europa, já obteve um 2º lugar (1980, em Itália) e um 3º lugar (1972, na Bélgica). A década de 80 constituiu uma fase de grande prestígio internacional – uma geração de jogadores onde pontificavam, por exemplo, Eric Gerets, Jean Marie Pfaff ou Frank Vercauteren esteve em destaque. Actualmente, encontra-se posicionada em 12º lugar no ranking FIFA, mas o apuramento para esta fase final alcançado de forma categórica concedeu-lhe o estatuto de cabeça-de-série para o sorteio. Integra o grupo H, juntamente com a Argélia, a Rússia e a Coreia do Sul.

O seleccionador da Bélgica, Marc Wilmots, divulgou a 13 de maio de 2014 a lista de 24 jogadores pré-convocados para o Campeonato do Mundo de 2014. Até 2 de junho, terá que ser enviada a lista final de 23. Não há grandes surpresas nesta lista final, já que se contém os jogadores que foram habitualmente utilizados durante o apuramento. Salienta-se a inclusão de 4 guarda-redes, por prevenção, uma vez que Casteels e Proto se encontram em fases adiantadas de recuperação de lesões graves. Também se destaca o interesse do seleccionador em renovar a equipa, ao colocar dois jovens avançados de 19 anos, Divock Origi, do Lille, e Adnan Januzaj, do Manchester United. O primeiro para substituir, por lesão, o excelente avançado do Aston Villa, Christian Banteke, titular indiscutível desta selecção. Já o segundo, Januzaj, foi mesmo o caso mais mediático, uma vez que optou por representar a Bélgica, país onde nasceu, mesmo sendo filho de pais albaneses e kosovares e tendo sido também sondado para representar a Inglaterra (embora, neste caso, tivesse de esperar até 2017 para cumprir as regras da federação que obrigam a um período de residência de cinco anos em Terras de Sua Majestade).

OS CONVOCADOS (Pré-Convocatória de 24 elementos – a ser reduzida em breve)

Guarda-redes: Thibaut Courtois (Atlético Madrid/Esp), Simon Mignolet (Liverpool/Ing), Silvio Proto (Anderlecht) e Koen Casteels (Hoffenheim/Ale).

Defesas: Vincent Kompany (Manchester City/Ing), Thomas Vermaelen (Arsenal/Ing), Jan Vertonghen (Tottenham/Ing), Toby Alderweireld (Atlético Madrid/Esp), Daniel van Buyten (Bayern Munique/Ale), Nicolas Lombaerts (Zenit São Petersburgo/Rus), Anthony Vanden Borre (Anderlecht) e Laurent Ciman (Standard Liege).

Médios: Marouane Fellaini (Manchester United/Ing), Axel Witsel (Zenit São Petersburgo/Rus), Steven Defour (FC Porto/Por), Moussa Dembelé (Tottenham/Ing), Kevin de Bruyne (Wolfsburgo/Ale) e Nacer Chadli (Tottenham/Ing).

Avançados: Romelu Lukaku (Everton/Ing), Eden Hazard (Chelsea/Ing), Dries Mertens (Nápoles/Ita), Adnan Januzaj (Manchester United/Ing), Kevin Mirallas (Everton/Ing) e Divock Origi (Lille/Fra). 

A ESTRELA

Eden Hazard Fonte: Daily Record
Eden Hazard
Fonte: Daily Record

Podem identificar-se várias figuras na equipa – desde a classe do central e capitão de equipa Kompany (um dos esteios do campeão em Inglaterra, Manchester City, e um dos melhores centrais do mundo), passando pela capacidade física e de pressing dos médios Witsel, Dembélé e Fellaini (autênticos motores desta seleção), até à irreverência, imprevisibilidade e qualidade dos jovens avançados Lukaku, Januzaj ou Hazard. Centro a minha atenção neste último, especialmente depois dos comentários do técnico do Chelsea, José Mourinho (“um dos jogadores mais bem pagos do plantel deve render mais e ser mais consistente”). Este poderá ter sido o rastilho para Hazard querer dar uma resposta à altura no Campeonato do Mundo do Brasil. É um extremo jovem, inteligente, com larga margem de progressão, rápido, explosivo, muito evoluído tecnicamente, forte no um contra um, garantindo a posse de bola ou criando desequilíbrios através de combinações ou de passes de ruptura em acções individuais. Consegue aliar o talento à objectividade no último terço do campo, finalizando com qualidade e distinguindo-se como melhor marcador do Chelsea na época que agora terminou. Tem vindo, também, a melhorar a sua participação na organização defensiva da equipa, colocando as suas capacidades individuais ao serviço do colectivo, conferindo-lhe a dimensão de estrela nesta selecção. Foi distinguido pela Associação de Jogadores Profissionais de Inglaterra como o jogador jovem do ano. 

O TREINADOR

Marc Wilmots Fonte: Fox Sports
Marc Wilmots
Fonte: Fox Sports

Marc Wilmots: tem 45 anos de idade e fez carreira como jogador de futebol, avançado, especialmente na Alemanha, onde representou durante vários anos o Schalke 04, clube onde terminou a sua carreira e onde se sagrou campeão, tendo também vencido a Liga Europa. Como internacional representou a sua selecção por 70 vezes, tendo participado em 4 Campeonatos do Mundo de Futebol – o último em 2002 (organizado por Coreia e Japão) -, tendo capitaneado a sua selecção com 33 anos de idade na última participação da Bélgica em Campeonatos do Mundo de Futebol. É, portanto, uma figura emblemática do futebol belga da década de 1990. Começou a sua carreira de treinador no Schalke 04, tendo assumido o cargo de selecionador nacional em 2012, depois de 3 anos como treinador adjunto e pode dizer-se que é um dos responsáveis pela renovação do futebol belga.

A seleção belga organiza o seu modelo de jogo num 4-2-3-1 assente numa defesa de 4 jogadores experientes e seguros e um meio-campo de combate, com dois médios com características mais defensivas e três médios ofensivos com muita qualidade, a que se junta um avançado jovem e possante, conferindo velocidade e irreverência ao seu ataque. A capacidade técnico-táctica dos seus jogadores, especialmente do meio-campo para a frente, também lhe permite abordar o jogo num 4-4-2, colocando Witsel e Fellaini como médios mais recuados e dando a Hazard e De Bruyne ou Mirallas a responsabilidade de fechar os corredores laterais do meio-campo, com dois pontas-de-lança bastante móveis como são Lukaku e Mertens.

O ESQUEMA TÁTICO

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O PONTO FORTE

A experiência de grande parte dos seus jogadores nas melhores ligas de futebol (especialmente na Premier League e na Bundesliga), é a grande mais-valia desta selecção, que conjuga a maturidade, especialmente no sector mais recuado, com a capacidade física e qualidade técnica dos seus jovens jogadores do meio-campo para a frente. É uma equipa segura a defender e com grande capacidade de pressão no meio-campo adversário. Apresenta semelhanças com o estilo de jogo da selecção holandesa, com um futebol envolvente, assente na posse de bola e no domínio do jogo, dando protagonismo aos seus excelentes médios e avançados.

 O PONTO FRACO

A irreverência e a juventude poderão ser, no entanto, um ponto fraco da equipa no processo ofensivo. Não apresentam nenhum avançado experiente e consagrado. Por outro lado, a ausência de laterais ofensivos pode condicionar o desenvolvimento do seu futebol, especialmente nos jogos com equipas à partida menos fortes (equipas fechadas, com marcação muito apertada sobre os avançados), o que acontece logo na fase de grupos.

Uma excelente campanha de apuramento (8V, 2E, 0D, com 18 golos marcados e apenas 4 sofridos; 26 pontos em 30 possíveis e com 9 pontos de vantagem sobre o segundo classificado) justifica que esta seja uma selecção a ter em conta – esta geração já é considerada a melhor de sempre do futebol belga. É constituída por jovens futebolistas com grande qualidade, a jogar nos melhores clubes europeus, aos quais se juntam alguns jogadores com grande experiência (entre eles, Daniel Van Buyten, Vincent Kompany, Thomas Vermaelen ou Jan Vertonghen) que transmitem segurança desde a retaguarda e dá liberdade aos mais novos para espalharem o perfume do seu futebol ofensivo.

Tendo na fase de grupos um conjunto de equipas que parecem acessíveis (Rússia, Argélia e Coreia do Sul), tem boas perspectivas de apuramento para os oitavos-de-final, em princípio ocupando com a Rússia uma das duas vagas. O previsível apuramento para os oitavos de final faz desta selecção, como de todas as outras que chegarem a esta fase a eliminar, uma das potenciais candidatas ao pódio. O percurso dependerá muito da qualidade dos adversários que forem encontrando – recordo que se a Bélgica passar a fase de grupos vai encontrar uma selecção proveniente do grupo de Portugal -, mas também da gestão emocional e física dos jogadores na sucessão de jogos que terão pela frente. Parece certo que a maturidade desta selecção surgirá no próximo Campeonato da Europa (2016) ou no próximo Campeonato do Mundo (2018); no entanto, uma boa prestação já nesta edição não surpreenderá ninguém.

Revista do Mundial’2014 – Japão

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Certo dia, Ricardo Garrido, colunista do Brasil Post, escreveu que “a vida é um longo intervalo de quatro anos entre as Copas do Mundo”. Se assim for, o Japão apenas nasceu em 1998 mas, a partir daí, tem somado interessantes episódios… Quando a selecção japonesa desembarcar no Brasil, estará prestes a carimbar a quinta presença num Campeonato do Mundo. E de forma consecutiva, o que, além de assinalável, atesta a evolução do desporto-rei por bandas orientais – em 1998 e 2006, os “samurais” quedaram-se pela fase de grupos, tendo, em 2002 e em 2010, chegado aos oitavos-de-final.

Depois disso, e fora do contexto Mundial, mas já com Alberto Zaccheroni ao leme, venceram a Taça Asiática, em 2011, e o East Asian Football Championship, em 2013, prova em que foram apenas utilizados jogadores a competir no campeonato japonês. A fase de qualificação para o Brasil’2014 foi tranquila: entrando apenas em competição na terceira fase da zona asiática, o Japão qualificou-se em 2º lugar, perfazendo 10 pontos em 6 jogos (só atrás do Uzbequistão), e já ulteriormente, na quarta fase, em 8 partidas, amealhou 17 pontos (ficando à frente da Austrália), tendo, ainda, o mérito de ter sido a primeira nação a garantir a presença em terras de Vera Cruz.

É indesmentível – no que ao futebol diz respeito – que a realidade nipónica tem evoluído de forma considerável. A isso não pode ser alheio o facto de ter tido a possibilidade de acolher a ‘Copa do Mundo’, em 2002, em parceria com a Coreia do Sul. A organização desse certame catapultou a modalidade enquanto espectáculo, gerou a angariação de novos públicos e, por consequência, transformou meros curiosos em verdadeiros fãs da modalidade. Mais do que isso, atentando apenas para o interior das quatro linhas, não deixa de ser assinalável que um país cuja liga profissional (J-League) apenas fora criada em 1993 e de cujo lote de convocados em 2002 apenas constavam quatro elementos que competiam externamente, tenha conseguido crescer ao ponto de, hoje, ter inúmeros craques a competir nos melhores campeonatos do mundo e granjeie um respeito que fora conquistado a pulso – mesmo que o 47º lugar no ranking FIFA não se coadune com a real valia deste conjunto.

De facto, quem tiver assistido à última Taça das Confederações, em 2013, no Brasil, não poderá ter deixado de se sentir atraído pelo futebol positivo e rendilhado que a selecção nipónica apresentou. É certo que, para a história, ficarão, indesmentivelmente, os números – três derrotas frente a Brasil (3-0), Itália (4-3) e México (2-1); porém, para os fãs e amantes do jogo, sobra a certeza de uma equipa com excelentes executantes (designadamente ao nível do meio-campo) e que, com bola, se sente imensamente confortável. Tratando-a sempre bem, diga-se.

OS CONVOCADOS

Guarda-redes – Eiji Kawashima (Standard de Liège), Shusaku Nishikawa (Urawa Reds) e Shuichi Gonda (FC Tóquio).

Defesas – Yasuyuki Konno (Gamba Osaka), Masahiko Inoha (Jubilo Iwata), Maya Yoshida (Southampton), Yuto Nagatomo (Inter), Masato Morishige (FC Tokyo), Atsuto Uchida (Schalke 04), Gotoku Sakai (Estugarda) e Hiroki Sakai (Hannover 96).

Médios – Yasuhito Endo (Gamba Osaka), Makoto Hasebe (Nuremberg), Toshihiro Aoyama (Sanfrecce Hiroshima), Hotaru Yamaguchi (Cerezo Osaka), Keisuke Honda (Milan), Shinji Kagawa (Manchester United) e Hiroshi Kiyotake (Nuremberga).

Avançados – Shinji Okazaki (1. FSV Mainz 05), Yoichiro Kakitani (Cerezo Osaka), Manabu Saito (Yokohama Marinos), Yuya Osako (1860 Munique) e Yoshito Okubo (Kawasaki Frontale).

A ESTRELA

Keisuke Honda
Fonte: zimbio.com

A selecção japonesa não tem nenhum jogador do outro mundo. Porém, tudo o que de bom conseguir vai depender da tríade Honda-Kagawa-Okazaki. Se estes três estiverem em dia ‘sim’ qualquer adversário se arriscará a passar mal – pela vertigem, pela imprevisibilidade, pela inteligência nos movimentos e pela qualidade técnica que os três, individual e colectivamente, têm em doses acima da média. De todo em todo, jogando mais pelo centro ou pela esquerda, Keisuke Honda apresenta potencial para ser a figura mais proeminente da equipa: capacidade de desequilíbrio, visão de jogo, irreverência e poder de finalização não faltam. Se a tudo isto o número 10 do AC Milan e 4 dos ‘Samurais’ aliar consistência e plena entrega, o Japão pode sorrir no Mundial.

O TREINADOR

Alberto Zaccheroni
Fonte: thestar.com

Quando pegou na equipa nipónica, em 2010, o primeiro impulso de Alberto Zaccheroni foi implementar o (seu preferido) 3-4-3. Com isto se diz tudo: ‘Zach’ não é o habitual técnico italiano, com um pensamento cauteloso ou com laivos de catenaccio; ao invés, gosta que as suas equipas joguem com os olhos postos na frente, e este Japão, para o bem e para o mal, é o exemplo acabado disso mesmo – o treinador italiano, por ter criado uma selecção competitiva e que joga um futebol apaixonante, é, hoje, admiradíssimo pelo povo japonês. Aos 61 anos, depois de ter passado por Udinese, AC Milan (por quem venceu a Serie A, em 1999/2000), Lazio, Inter e Juventus, vai estrear-se num Mundial.

O ESQUEMA TÁTICO

O PONTO FORTE

A tríade Honda-Kagawa-Okazaki, que simboliza na perfeição o futebol rápido e atraente do Japão, com velocidade, qualidade técnica e trocas posicionais constantes; o meio-campo que, com Endo e Hasebe, é sólido e sabe fazer chegar a bola aos homens que podem desequilibrar; os laterais Uchida e Nagatomo, que se incorporam facilmente no processo ofensivo, dando grande largura ao jogo japonês.

O PONTO FRACO

A inconsistência e insegurança defensivas patentes em erros clamorosos transformados em golos, como aconteceu na última Taça das Confederações, diante de Itália e México, e no amigável frente à Holanda no fim de 2013; a imensa dificuldade ao nível do jogo aéreo, evidente nos inúmeros golos sofridos fruto de cabeceamentos (principalmente em bolas paradas); a falta de verdadeiras soluções alternativas, mormente ao nível dos elementos do meio-campo.

 

Incorporado no grupo C, juntamente com Colômbia, Costa do Marfim e Grécia, o Japão estará claramente na luta pelo apuramento. Sendo uma equipa excitante, com a capacidade de se metamorfosear dentro do próprio jogo e repleta de individualidades interessantes (Okazaki, por exemplo, chega num excelente momento de forma), pode almejar, num dia bom, a vencer qualquer adversário. Todavia, terá também saber de olhar para ela própria, dotar-se de um verdadeiro killer instinct – que, muitas vezes, lhe tem faltado e atraiçoado – e, jogando com o jogo, utilizar a posse de bola de forma mais racional e eficiente.

Zaccheroni já traçou o objectivo e esse passa, nas suas palavras, por apresentar uma equipa de futebol atraente, sem estabelecer até onde poderão ir os seus pupilos. ‘Zach’ esperará que os jogadores tenham crescido com os erros cometidos em momentos passados para, pensando jogo a jogo e encarnando o slogan escolhido para o Mundial – “Samurais, é a altura de lutar” –, o Japão, no Brasil, se transformar na mais bela surpresa da Copa.