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Revista do Mundial’2014 – Croácia

cab croacia mundial'2014

Primeiro jogo do Mundial. O início da festa da Copa em São Paulo com um Brasil vs Croácia. É caso para dizer que tinha que calhar a fava a alguém. A selecção em que todos os jogadores parecem terminar em “ic”, comandada por Niko Kovac, pode ser uma das revelações deste Mundial, desde logo pelos nomes sonantes de jogadores como Modric (Real Madrid), Rakitic (por enquanto no Sevilha), e Mandzukic (Bayern de Munique), num grupo A em que se prevê uma difícil luta pelo 2ºlugar contra México e Camarões (o Brasil, esse, só com uma catástrofe não irá assegurar o 1ºlugar).

Com um apuramento bastante tremido, a Croácia ficou em 2º no Grupo A de Qualificação, a 9 pontos do 1ºlugar, a Bélgica. O play-off foi posteriormente discutido com a modesta Islândia, e a classificação para o Brasil foi apenas concluída no jogo em casa com um resultado de 2-0 (na Islândia tinha-se dado um empate sem golos), um pouco aquém daquilo que seria de esperar.

O que pode dar a Croácia neste Mundial? Um bom futebol de ataque, seguramente, já que os seus três médios criativos (Rakitic, Modric e Kovacic) estão acima da média no panorama mundial e podem dar azo a excelentes exibições em casa de um país conhecido pelo seu “joga bonito”. Desde 1998 (quando ficou em 3º) que a selecção vermelha e branca não passa da primeira fase, e 2014 parece um bom ano para o fazer.

A selecção croata acaba por ter pouca pressão, já que pouca gente acredita numa excelente prestação sua neste Mundial, não aparecendo sequer numa 2ª ou 3ª linha de favoritos. O que se espera, sim, são bons jogos contra México e Camarões, selecções com estilos de jogo muito distintos da Croácia, sendo certo que uma boa exibição na jornada inaugural contra o anfitrião brasileiro, com os olhos de todo o mundo postos na televisão, poderá fazer toda a diferença no seu trajecto.

 OS CONVOCADOS

Guarda-Redes – Stipe Pletikosa (Rostov), Danijel Subasic (Monaco) e Oliver Zelenika (Lokomotiv Zagreb);

Defesas – Darijo Srna (Shakhtar Donetsk), Dejan Lovren (Southampton), Vedran Corluka (Lokomotiv Moscou), Gordon Schildenfeld (Panathinaikos), Danijel Pranjic (Panathinaikos), Domagoj Vida (Dínamo de Kiev), Sime Vrsaljko (Genoa);

Médios – Luka Modric (Real Madrid), Ivan Rakitic (Sevilla), Ognjen Vukojevic (Dínamo de Kiev), Mateo Kovacic (Inter de Milão), Marcelo Brozovic (Dínamo Zagreb), Ivan Mocinic (Rijeka) e Sammir (Getafe);

Atacantes – Mario Mandzukic (Bayern de Munique), Ivica Olic (Wolfsburg), Eduardo da Silva (Shakhtar Donetsk), Nikica Jelavic (Hull City), Ante Rebic (Fiorentina) e Ivan Perisic (Wolfsburg).

A ESTRELA

Modric comandou o Real Madrid a La Decima Fonte: thepfa.com
Luka Modric
Fonte: thepfa.com

O artista da Croácia dá pelo nome de Luka Modric, um médio completo, formado no Dínamo de Zagreb, escola mítica de jogadores balcânicos, mas com uma vertente bastante completa no que toca à dimensão cognitiva. Viu a sua carreira ascender a outros palcos, talvez ao mais combativo da Europa, quando chegou ao Tottenham e à Premier League. Num país onde o futebol perde a táctica e a racionalidade, onde o coração manda mais que a razão e onde os adversários se atrevem a jogar sem coberturas e com constantes desequilíbrios defensivos, Modric adaptou-se, ganhou massa magra, e foi génio em terras de Sua Majestade.

Chegado ao Real Madrid pela mão de José Mourinho, Luka encontrou o famoso duplo pivot da era moderna, serviu de “volante”, mas não serviu o Real. Ainda que o croata não saiba jogar mal, sem grande expressão passou o primeiro ano na capital espanhola abaixo das expectativas.

Emergiu o verdadeiro jogador, puro, criativo quando confrontado com outra dinâmica, outro sistema de jogo. Carlo Ancelloti promoveu um 4-4-2/4-3-3 ao longo da temporada que permitiu ao croata recuperar toda a sua magia, mostrando a capacidade de acelerar o jogo sem correr e de caminhar entre-linhas como só os grandes jogadores sabem. A virtuosidade e a simplicidade do croata são compatíveis com a medalha da Champions que ganhou no passado dia 24 de Maio no Estádio da Luz e que certamente fará dele uma das coqueluches deste Mundial.

O TREINADOR

Niko Kovac Fonte: croatiaweek.com
Niko Kovac
Fonte: croatiaweek.com

Niko Kovac: O treinador croata de 42 anos, que enquanto jogador chegou até a ser capitão da selecção dos Balcãs, assumiu a função de seleccionador nacional em Novembro de 2013 (sendo o seu irmão Robert Kovac o seu adjunto), antes mesmo do derradeiro play-off de acesso ao Mundial contra a Islândia. Quando calçava as chuteiras passou por clubes como Hertha de Berlim, Bayer Leverkusen, Bayern de Munique e Red Bull Salzbug, e quando as retirou treinou apenas o Red Bull Salzburg e a selecção sub-21 croata antes de se impor como seleccionar nacional.

Talvez a experiência enquanto jogador na posição de meio-defensivo – com características que, além de lhe permitir ganhar a bola no meio-campo defensivo, também o possibilitavam de levar a bola no pé para o ataque -, o tenha feito assumir o 4-2-3-1 na selecção croata, com um meio-campo formado por Rakitic (o mais recuado dos três), Modric e Kovacic (com um papel mais livre no ataque), todos jogadores com poucas aptidões defensivas.

O ESQUEMA TÁTICO

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Existem desde logo dois apontamentos a fazer. Em primeiro lugar, Mandzukic não poderá jogar o primeiro jogo do Mundial (contra o Brasil) por estar suspenso, e certamente Jelavic irá assumir o papel de número 9 na estreia da selecção croata.

Em segundo lugar, é uma incógnita como Kovac irá montar o meio-campo croata, já que que nenhum dos 3 supostos titulares (que o treinador utilizou em ambos os jogos do play-off) tem características defensivas, ainda que sejam bastante diferentes entre si. É possível que no jogo contra o Brasil o seleccionar croata ponha em campo um médio defensivo como Vukojevic (actualmente no Dynamo Kiev) de modo a assegurar a solidez defensiva da sua equipa, sendo, no entanto, algo pouco provável já que este, que é o único real médio-defensivo croata, teve apenas 2 minutos de jogo desde que Kovac está no comando técnico.

 

O PONTO FORTE

A criatividade no meio-campo. Não é fácil encontrar um meio-campo neste Mundial com características como as do meio-campo croata. Com a utilização do mais que do provável triângulo formado por Rakitic, Modric e Kovacic, a selecção dos quadrados vermelhos apresenta três médios criativos, playmakers, que, ainda que possa ter algumas deficiências a nível de solidez defensiva, permitem um estilo de jogo atractivo e bastante ofensivo.

Por infelicidade, Niko Kranjcar (Queens Park Rangers), mais um talento croata que poderia fazer parte deste meio-campo criativo, não pode estar presente neste Mundial por se ter lesionado no último mês de Maio.

O PONTO FRACO

A falta de explosão nas alas. Olic (34 anos) e Perisic (25 anos) não são os habituais extremos técnicos e velozes que sozinhos podem decidir um jogo. Se há criatividade que chegue e sobre no meio-campo, nas alas a questão é bem diferente e acaba por ser o principal handicap desta selecção. Resta a possibilidade de Kovacic jogar a extremo no caso de se der a entrada de um médio-defensivo no meio-campo croata.

Saca com altos e baixos

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cab Surf

Depois de um mau começo no Fiji Pro, Saca ganhou finalmente um heat. Mas vamos começar mesmo do início. Cloudbreak acolheu mais uma etapa do WCT e Saca tinha pela frente na primeira ronda o seu grande amigo Adriano de Sousa e o experiente surfista australiano Kai Otton. Com ondas a rondar o metro e meio, Saca deve ter feito a mais fraca prestação desde que eu me lembro. Num limite máximo de 15 ondas por bateria para cada surfista, Tiago Pires apanhou apenas duas ondas e fez um score total de 1,57 pontos em 20 possíveis. Andava portanto perdido o “portuguese tiger”, facilitando assim o caminho aos seus adversários diretos. Adriano de Sousa acabou mesmo por ganhar o heat, com um score total de 11,90 pontos, e Kai Otton ficou na segunda posição, com 10,16 pontos. Sendo assim, os dois últimos classificados são enviados para as repescagens e o primeiro lugar passa automaticamente ao round 3.

O round 2 estava prestes a começar e os nervos começavam a apertar devido à fraca prestação de Tiago no primeiro round. Ia agora ter pela C.J. Hobgood, detentor do título mundial em 2001. Com ondas agora um pouco maiores, Tiago demorou a encontrar-se, mas na sua sétima onda fez um score de 7.77 pontos, com manobras bem explosivas e bem executadas. A acrescentar a esta, fez um 6.10, dando-lhe assim um score bastante razoável, de 13.83 em 20 possíveis. Já C.J. não encontrou as ondas perfeitas, finalizando a bateria com um score de 7.40.

saca
Saca num grande “floater” em cloudbreak
Fonte: surftotal.com

Chegado o round 3, Saca enfrentava agora um dos melhores e mais consistentes surfistas do tour, Taj Burrow. Com bastante vontade de ganhar, Tiago Pires começou bem e fez logo uma onda de 5.17 pontos, que podia ter sido bem melhor se tivesse finalizado a última manobra. Taj ripostou com uma onda com batidas fortes, resultando assim uns 6.17 pontos. Tiago Pires voltou a responder com uma onda que lhe valeu 5.57 pontos. Taj não se deixou ficar para trás e apanhou mais uma onda (5,07 pontos), que somou à sua primeira onda, finalizando a bateria em primeiro lugar com um score total de 11.24 pontos. Tiago Pires ficou bastante perto de chegar ao round 4, mas infelizmente o score de 10,74 não foi suficiente. Acabava assim o sonho português na quinta etapa do WCT.

Gabriel Medina foi o grande protagonista de toda a etapa devido ao foco, concentração e carisma. Com grande notões em quase todas as baterias, o surfista brasileiro chegou à final contra Nat Young e rebentou com a esperança americana. Gab Medina tornou-se assim campeão desta etapa, tal como sucedeu na segunda etapa do WCT, em França. Medina tem agora grandes possibilidades de se tornar campeão mundial, com apenas 21 anos.

Revista do Mundial’2014 – Costa do Marfim

cab costa do marfim mundial'2014

A poucos dias do apito inicial para o seu terceiro Mundial consecutivo, Les Éléphants vêem a edição de 2014 como a sua grande oportunidade para fazer história.

A Costa do Marfim apenas esteve presente em dois Mundiais até agora, precisamente os dois últimos: em 2006 na Alemanha e em 2010 na África do Sul. Curiosamente, em ambos os Campeonatos do Mundo que disputaram, a sorte não lhes foi favorável e o sorteio ditou que ficassem inseridos nos chamados “grupos da morte”: com Argentina, Holanda e Sérvia em 2006 e com Brasil, Portugal e Coreia do Norte em 2010. Em ambos os grupos não foram além do terceiro lugar, ficando sempre pelo caminho nas respectivas provas.

Porém, a história da selecção costa-marfinense não se faz apenas de desaires. Em 1992 venceu a CAN; em 2005 foi medalha de ouro nos Jogos da Francofonia; arrecadou o título da Taça CEDEAO (Campeonato jogado entre os países da África Ocidental) em 1983, 1987 e 1991; e venceu o prestigiado Torneio de Toulon em 2010. Apesar dos vários títulos, principalmente em torneios secundários (apenas uma CAN conquistada), os africanos querem mais e sonham com a melhor campanha africana de sempre em Campeonatos do Mundo.

Existem dois pontos que podem abonar a favor do sonho dos “Elefantes”: o grupo em que estão inseridos e a qualidade inegável do seu sector atacante. Depois de duas edições inseridos em grupos terrivelmente difíceis, no sorteio para 2014 a sorte sorriu aos africanos, ditando que partilhassem o grupo com Colômbia, Grécia e Japão. A Colômbia, a priori ganhará o grupo com mais ou menos dificuldade, embora vá sofrer mais do que o habitual para fazer golos, devido à dura ausência de Radamel Falcao. A Grécia é uma equipa que tem dificuldades contra selecções de menor craveira, tem dificuldades em assumir o jogo e quando é obrigada a isso é-lhe muito difícil vencer uma partida. No que toca ao Japão, não tenho dúvidas de que será o último classificado do grupo – nota-se uma falta de talento crescente, desde os tempos de Nakata.

Posto isto, com jogadores de craveira internacional e qualidades indubitáveis como Drogba, Kalou, Gervinho e os irmãos Kolo e Yaya Touré, penso que está apenas nas mãos (ou nos pés) da Costa do Marfim, poder passar à fase a eliminar do Mundial 2014, disputando o segundo lugar com uma Grécia com poucos argumentos.

OS CONVOCADOS

Guarda-Redes – Boubacar Barry (Lokeren), Sayouba Mandé (Stabaek) e Sylvain Gbohouo (Sewé San Pedro).

Defesas – Kolo Touré (Liverpool), Arthur Boka (Estugarda), Jean-Daniel Akpa Akpro (Toulouse), Serge Aurier (Toulouse), Ousmane Viera Diarrassouba (Caykur Rizespor), Didier Zokora (Trabzonspor), Constant Djakpa (Eintracht Frankfurt) e Bamba Souleymane (Trabzonspor).

Médios – Ismaël Diomandé (Saint-Etienne), Max Gradel (Saint-Etienne), Yaya Touré (Manchester City), Ismaël Cheick Tioté (Newcastle United), Geoffroy Serey Dié (Basileia) e Didier Ya Konan (Hannover 96).

Avançados – Didier Drogba (Galatasaray), Gervinho (Roma), Salomon Kalou (Lille), Wilfried Bony (Swansea), Giovanni Sio (Basileia) e Mathis Bolly (Fortuna Dusseldorf).

Os grandes destaques nesta convocatória vão para a ausência de Lacina Traoré do Everton e principalmente para a ausência de Seydou Doumbia do CSKA de Moscovo.

Outra das surpresas foi a convocatória de Kolo Touré, do Liverpool. O irmão da estrela do Manchester City contraiu malária numa visita a Abidjan (a maior cidade da Costa do Marfim), o que o poderá deixar de fora durante alguns jogos. Mesmo assim, Sabri Lamouchi convocou-o e tem esperança de que este recupere, podendo vir a tomar conta da defesa africana o mais brevemente possível.

A ESTRELA

Didier Drogba Fonte: EuroSport.com
Didier Drogba
Fonte: EuroSport.com

Apesar da presença de Yaya Touré nesta selecção (um dos melhores do mundo na sua posição), o título de estrela terá obrigatoriamente de ir para Didier Drogba. Não vos vou falar das suas qualidades técnicas, pois já as conhecemos há muitos anos. Vou falar-vos de algo mais importante que futebol, algo que traz ainda mais valor a este senhor.

Em clima de guerra civil, que já durava há três anos na Costa do Marfim, Les Éléphants jogavam em 2005 o apuramento para o Mundial da Alemanha, frente ao Sudão. No fim dos 90 minutos, Drogba e companhia acabariam por vencer por 3-1 e garantir a primeira presença num Mundial em toda a sua história. Foi precisamente neste momento que Didier Drogba fez o mais importante discurso da história moderna marfinense. O na altura avançado do Chelsea, filmado por um canal de televisão marfinense, tirou o microfone ao repórter e, com os companheiros ao seu redor, em apenas 76 segundos mudou uma nação: “Cidadãos do Norte, do Sul, do Este e do Oeste: pedimo-vos de joelhos que se perdoem uns aos outros! Um grande país como o nosso não pode render-se ao caos! Abandonem as armas e organizem eleições livres!”. A guerra civil na Costa do Marfim terminou e Didier Drogba foi elevado a herói e salvador.

O intitulado desde então “Elefante da Paz” viria a ser distinguido pela revista Time como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo por ter liderado o processo de reconciliação no seu país. Hoje a Costa do Marfim vive em paz e Drogba é um exemplo para todos, dentro e fora de campo.

O TREINADOR

Sabri Lamouchi Fonte: Naij.com
Sabri Lamouchi
Fonte: Naij.com

Sabri Lamouchi é um treinador e ex-jogador franco-tunisino de 42 anos.

Quem acompanha futebol há alguns anos decerto se lembra deste nome. Jogou em clubes de renome como o Auxerre, Mónaco, Parma, Inter de Milão ou Marselha. Acabaria por terminar a carreira de futebolista em 2009 no Qatar, rendendo-se, assim como muitos outros futebolistas da era moderna, aos “petrodólares” dessa região.

No que toca a competições internacionais – porque é disso que falamos neste artigo – Lamouchi fez parte da convocatória de França para o Campeonato da Europa de 1996, em Inglaterra, no qual a Alemanha saiu vencedora. A maior desilusão da sua carreira acabaria por ser também ao serviço dos bleus: Fez parte do lote dos 28 pré-convocados para o Mundial de 98 em França, acabando por ser um dos preteridos da convocatória final. Esteve, portanto, a um passo de fazer parte da maior selecção e da maior conquista francesa de todos os tempos.

Terminada a sua carreira, esteve afastado das lides futebolísticas durante três anos, assumindo em 2012 o seu primeiro papel enquanto técnico, precisamente como seleccionador nacional da Costa do Marfim. Há dois anos no comando dos “Elefantes”, levou os marfinenses a disputar a CAN 2013, ultrapassando sem dificuldades a fase de grupos no primeiro posto, batendo o Togo, a Tunísia e a Argélia. Nos quartos-de-final da competição acabaria por ser arredado da prova pela Nigéria, que viria a ser campeã africana, ao bater o Burquina Faso na final.

Apontado como um treinador que dá primazia ao futebol rápido e ofensivo, Lamouchi não teve dificuldades em levar a sua selecção a qualificar-se para o Mundial do Brasil, ficando em primeiro lugar no grupo C – juntamente com Marrocos, Tanzânia e Gâmbia – com 4 vitórias, 2 empates e 0 derrotas; 15 golos marcados e 5 sofridos.

Depois de uma fase de qualificação brilhante, e com uma selecção recheada das maiores estrelas africanas, a jogar em grandes clubes europeus, Lamouchi tem uma oportunidade de ouro para elevar as cores africanas como jamais foram elevadas na fase final de um Campeonato do Mundo.

O ESQUEMA TÁTICO

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O PONTO FORTE

O ponto forte desta selecção é sem dúvida os quatro jogadores mais avançados no terreno. Yaya Touré, com as suas arrancadas desconcertantes, no apoio a um tridente composto por Kalou, Drogba e Gervinho, promete causar o pânico nos relvados brasileiros.

Yaya Touré, uma das maiores estrelas do campeão Manchester City, entra para este Mundial no auge da sua carreira. É sem dúvida um dos melhores jogadores do mundo na sua posição. A sua “força bruta”, aliada a uma técnica rara num jogador deste porte, assim como a uma visão de jogo rara no típico jogador africano, pode ser o maior trunfo dos “Elefantes”.

Salomon Kalou foi um dos melhores na fase de qualificação, tendo sido inclusive o melhor marcador com 5 golos. Já Gervinho fez uma época de alta qualidade na Roma, no regresso de Totti e companhia à Champions. Estes dois jogadores, cada um na sua ala, são garantia de alta velocidade e de mil e um cruzamentos para a estrela nacional, Didier Drogba, que com toda a sua força, técnica, faro de golo e experiência dificilmente deixará escapar uma oportunidade de brilhar em Terras de Vera Cruz.

O PONTO FRACO

O ponto fraco da selecção marfinense acaba por ser o oposto do ponto forte: o sector defensivo, incluindo o próprio guarda-redes.

O guarda-redes Barry, dos belgas do Lokeren, é apontado por muitos peritos como um guardião pouco ou nada seguro. É, no entanto, uma situação impossível de resolver, visto que, apesar das suas debilidades, continua a ser o melhor guarda-redes marfinense.

Outra questão, que decerto preocupa Lamouchi, é o sector defensivo dos “Elefantes”. Os laterais são bastante ofensivos, executando as tarefas defensivas com pouca qualidade e eficácia. Não foram definitivamente talhados para defender…

No que toca aos defesas-centrais, Kolo Touré à parte, encontramos defensores muito permeáveis e um pouco desconcentrados. Todas estas dificuldades no sector mais recuado, aliadas ao estado de saúde de Touré, darão, porventura, algumas dores de cabeça ao seleccionador.

Revista do Mundial’2014 – Alemanha

cab alemanha mundial'2014

Neste momento, a Alemanha é possivelmente a selecção mais forte e com mais argumentos para vencer o Mundial. Com soluções de enorme qualidade para todos os sectores do terreno, Joachim Löw tem nesta competição enormes hipóteses de voltar a trazer o título para terras germânicas.

O velho ditado diz que “o futebol são onze contra onze e no final ganha a Alemanha”, mas a verdade é que os alemães já não vencem um Mundial desde 1990, apesar de em 2002 terem perdido na final contra o Brasil por 2-0 – resultado que se repetiu nas meias-finais de 2006 contra a Itália, que se viria a sagrar campeã mundial, e de 2010 contra a Espanha, que viria a vencer o torneio.

Mas o que é que 2014 pode ter de diferente? Acima de tudo, acho esta Alemanha mais jovem em idade, mas mais experiente em termos futebolísticos. Nos últimos 10 anos, por exemplo, tínhamos um Bayern München que, apesar de não vencer sempre o campeonato, era sempre a equipa mais forte e a única com argumentos europeus. Ultimamente apareceu também um extraordinário Borussia Dortmund, que ofereceu a esta selecção jogadores como Hummels, Reus e Götze, apesar deste último representar actualmente a equipa da Baviera. Mas não só. Tivemos um reaproximar de equipas como o Bayer Leverkusen, Schalke 04 e o renascimento do Borussia Monchengladbach.

Quanto à selecção em si, transborda qualidade. Joachim Löw surpreendeu deixando Schmelzer de fora e convocando Durm que já lhe havia ‘roubado’ o lugar no Borussia Dortmund. O treinador pode misturar a já larga experiência de Neuer, Lahm, Mertesacker, Schweinsteiger ou Klose com os jovens talentos irreverentes como o de Reus, Götze, Draxler e Schürrle.

Creio que esta selecção alemã vai ser construída à imagem da sua Bundesliga. Vão jogar rápido na frente mas com a segurança habitual na defesa e tentar sempre tirar partido da sua força física para ganhar os lances divididos. Se Löw conseguir tirar partido das ideias de jogo de Guardiola, da sua posse de bola, e fundir essas mesmas ideias com a garra, vontade e ataque contínuo de Klöpp, Löw tem mesmo tudo para vencer esta Copa – portanto, qualquer resultado que não a vitória final terá um sabor amargo para os alemães.

OS CONVOCADOS

Guarda-redes – Manuel Neuer (Bayern München), Ron-Robert Zieler (Hannover 96) e Roman Weidenfeller (Borussia Dortmund).

Defesas – Matthias Ginter (SC Freiburg), Benedikt Höwedes (Schalke 04), Mats Hummels (Borussia Dortmund), Erik Durm (Borussia Dortmund), Philipp Lahm (Bayern München), Per Mertesacker (Arsenal) e Jérôme Boateng (Bayern München).

Médios – Kevin Grosskreutz (Borussia Dortmund), Sami Khedira (Real Madrid), Bastian Schweinsteiger (Bayern München), Mesut Özil (Arsenal), Julian Draxler (Schalke 04), Toni Kroos (Bayern München), Mario Götze (Bayern München) e Christoph Kramer (Borussia M’gladbach).

Avançados – André Schürrle (Chelsea), Lukas Podolski (Arsenal), Miroslav Klose (Lazio), Thomas Muller (Bayern München) e Marco Reus (Borussia Dortmund).

A ESTRELA

Thomas Müller Fonte: Football Wallpaper
Thomas Müller
Fonte: Football Wallpaper

É extremamente difícil escolher uma estrela para esta equipa. Tem jogadores absolutamente extraordinários para qualquer uma das posições. Na baliza há Neuer, um monstro com todas as qualidades que fazem dele o melhor guarda-redes do mundo. Depois tem à sua frente Hummels, que tem a classe de cortar sem falta e sair a jogar de uma forma incrível e com um passe longo irrepreensível. Ao seu lado tem Mertesacker que fez uma época excelente ao serviço do Arsenal. Do lado direito há Lahm, que, apesar de ter jogado mais no meio-campo esta época, não deixa de ser um dos melhores do Mundo e encontra-se também em excelente forma. No meio-campo temos jogadores que dispensam apresentações como Schweinsteiger, Kroos, Khedira e Özil.

A mesma coisa se passa no ataque, com Reus, Götze, Klose ou Schürrle. Mas, a escolher um jogador, depois da sua enorme época e mesmo sendo um jogador nunca muito valorizado, eu escolho Müller. Vai representar um papel importantíssimo no ataque alemão, podendo aparecer como extremo direito, médio ofensivo ou mesmo ponta-de-lança, e o melhor (ou pior para os adversários) é mesmo a qualidade inegável que tem jogando em qualquer posição do ataque. É rápido, não tem medo de arriscar o remate de longe, tira cruzamentos e passes milimétricos, aparece muito bem em zonas de finalização, sabe defender e é ainda dono de uma técnica soberba. Todas estas qualidades vão fazer dele, para mim, a grande estrela germânica do Mundial 2014.

O TREINADOR

Joachim Löw Fonte: Guardian
Joachim Löw
Fonte: Guardian

Joachim Löw: É, sem dúvida, um excelente treinador. Tem levado a selecção alemã a todas as fases finais e às suas decisões, mas acaba sempre por perder ou nas meias-finais, ou mesmo na final. Ora, claro que isto não é, de todo, um mau trabalho, mas tendo em conta o conjunto de jogadores que tem ao seu dispor, os adeptos alemães têm toda a legitimidade para não pedir menos do que a vitória. Esta é a sua melhor equipa desde que se tornou seleccionador, e poderá mesmo ser este o seu ano.

O ESQUEMA TÁTICO

11 alemanha

O PONTO FORTE

O ponto forte desta equipa é mesmo a rotatividade que a equipa pode ter sem mudar a qualidade da equipa como um todo. No ataque, esta mesma rotatividade vai ser visível, podendo Götze, Muller ou Reus jogar como homem mais adiantado, e Özil jogar tanto no meio como numa faixa. Estas alterações durante o jogo podem dar uma dinâmica atacante diferente de qualquer selecção e irá certamente também confundir as marcações.

O PONTO FRACO

É difícil escolher, mas considerando os onzes habituais da selecção, talvez a ausência de Khedira da equipa principal por ter perdido grande parte da época devido a lesão. Não será algo que se note muito dada a qualidade de Kroos, mas é provável que seja a posição ‘menos’ forte da equipa titular.

O líder da vantagem

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paixaovermelha

Com a confirmação de que Jorge Jesus continuará a ser o nosso treinador, convém tentar perceber o que significa, em termos práticos, a permanência do técnico português. Por muito gasta e badalada que esteja a história, há precisamente um ano, depois da época mais triste de toda a existência do Benfica, poucos (muito poucos mesmo) foram os adeptos que defenderam a continuidade de Jorge Jesus. De entre as inúmeras razões que justificavam a saída de JJ, houve uma que foi repetida várias vezes e era unanimemente utilizada por sócios, críticos e até por outros treinadores de futebol: “Jorge Jesus não tem condições para continuar no Benfica”.

Luís Filipe Vieira, loucamente, achou o oposto. O presidente do clube não teve dúvidas e agiu contra os próprios conselheiros do clube. Arriscou e ganhou. Um ano volvido e, digo eu, entre 90% a 95% (se não mais) da nação benfiquista não só deseja como exige a continuidade do técnico. O futebol é isto. Ora se tem tudo, ora não se tem nada.

Para a próxima época, o Benfica parte com o “tudo”: Campeonato Nacional, Taça de Portugal e Taça da Liga. Mas, mais do que isso, o Benfica avança para a época 2014/2015 com uma clara vantagem sobre os rivais: somos o único dos três grandes que não efetuou uma mudança de treinador.

E isto, caros leitores, é uma vantagem clara, pelo menos a curto prazo. E facilmente entendemos porquê: em agosto, Jorge Jesus terá cinco épocas de Benfica. Marco Silva terá três meses de experiência de Sporting, os mesmos que Lopetegui terá de FC Porto.

Jorge Jesus é um líder por natureza Fonte: dailyrecord.co.uk
Jorge Jesus é um líder por natureza
Fonte: dailyrecord.co.uk

Mas a questão temporal nada significa se não percebermos a sua utilidade prática. Desde a adaptação ao clube, passando pelo conhecimento dos jogadores, pela adaptação da filosofia de jogo e da formação tática, e até aos níveis de interação com os vários departamentos do clube, tudo isto requer uma otimização do treinador e ao treinador. Como é óbvio, existem muitos outros fatores que determinam o sucesso e o insucesso de um técnico de futebol, como ter um plantel equilibrado e altamente competitivo (JJ que o diga). Mas, acredito, a chave de um clube de futebol sempre caminhou paralelamente à competência e qualidade do seu treinador. Não há revolução sem líder. Aliás, aquele outro excelente treinador português que orienta uma equipa de Londres disse, certo dia, que “é preciso ser um verdadeiro líder para se ter êxito no futebol”. Goste-se ou não, JJ já demonstrou que é um líder nato, um comandante. O problema é que é um líder que também perde. E perde de forma estrondosa. Isso assusta, não é verdade?

De tudo o que referi acima, Jorge Jesus tem experiência, envolvência e conhecimento suficiente para que eu possa afirmar que a sua continuidade é, de facto, uma grande vantagem para o Benfica. Não sou adivinho, mas, daqui a um ano, se o Benfica for novamente Campeão Nacional, facilmente direi que foi aqui que se começou a ganhar o campeonato.

Il Giro (di Colombia)!

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ciclistas

Terminou este domingo mais um apaixonante e duríssimo Giro d’Italia. Quando se chega ao final de uma grande prova e se faz o seu balanço, habitualmente encontram-se decepções, revelações e afirmações. O que já não é tão habitual encontrar, numa prova desta dimensão, é um domínio tão grande de ciclistas do mesmo país. “Il Giro d’Italia” significa “Volta à Italia”, mas a verdade é que este ano se poderia ter chamado “O passeio da Colômbia na Itália”. Foi um desempenho avassalador aquele que vimos por parte dos ciclistas colombianos (não só os que representavam a equipa do seu país, mas também os que corriam defendendo as cores de outras equipas).

É verdade que nos últimos anos já se pressentia que algo assim estaria prestes a acontecer: vários jovens ciclistas cafeteros começaram a participar nas mais importantes provas do circuito mundial apresentando desempenhos muito interessantes e dando a sensação de que estava de facto a aparecer uma “geração de ouro”, mas de qualquer forma ninguém estava verdadeiramente preparado para assistir a uma invasão desta natureza por parte da “brigada colombiana”, muito menos numa prova desta magnitude. 4 vitórias em etapas, 1º, 3º e 5º na classificação da camisola azul, 1º e 5º na classificação da camisola branca e, mais importante do que tudo, 1º e 2º na classificação da camisola rosa. Verdadeiramente extraordinário! Nairo Quintana, Rigoberto Uran, Moreno Arredondo, Gomez Chalapud e Sebastian Henao formaram uma constelação colombiana que brilhou bem alto.

Uran e Quintana  Fonte: www.cyclingweekly.co.uk
Miguel Angel Rubiano, campeão colombiano, à conversa com o compatriota Nairo Quintana 
Fonte: roadcycling.com

Partindo para uma análise mais individual, temos de falar do vencedor, o pequeno grande Nairo Quintana. Depois de um segundo lugar no Tour de 2013, agora um primeiro lugar no Giro de 2014. Se levarmos em conta que já conseguiu estes resultados (que a grande maioria dos ciclistas não consegue em toda a carreira) e que tem apenas 24 anos de idade, resta-nos especular que no seu futuro próximo o céu é o limite. Assim o deixem correr. Infelizmente já está confirmada a sua ausência do Tour de 2014 e, compreendendo nós que Valverde é o líder da Movistar e que Quintana já tem um estatuto grande demais dentro da equipa para ir como gregário de luxo, a verdade é que todos os amantes do ciclismo ficam com um enorme amargo de boca por serem privados de ver um dos melhores trepadores da actualidade naquela que é a prova mais mediática do circuito. Seria como ter o Mundial de futebol sem Messi ou Ronaldo. Cada vez que virmos Froome a disparar ataques nas montanhas francesas iremos todos pensar no que faria Quintana se lá estivesse. Nairo Quintana entra assim directamente para a categoria das afirmações da prova. Se ainda restassem algumas dúvidas sobre a sua qualidade, ficaram arrumadas de vez. Depois de uma primeira semana complicada, onde existiu inclusivamente a possiblidade de desistência por motivos de saúde, o pequeno colombiano fez uma reviravolta fantástica, com prestações de alto nível nas etapas de mais dura montanha e ganhando até a crono-escalada, que o consagrou definitivamente como um justíssimo vencedor.

Felizmente na categoria das decepções cabe apenas um nome: Cadel Evans. Para sermos realmente justos, nem é assim uma decepção tão grande. O ciclista australiano conseguiu um lugar no top 10 (8.º mais concretamente) tendo 37 anos, o que na realidade ajuda a cimentar ainda mais o respeito que todos os seguidores do ciclismo têm por ele. No entanto, a verdade é que muitos o consideravam favorito para estar no top 3 quando o Giro terminasse e não foi o caso. Para além disso, não houve um desempenho digno de destaque em nenhuma etapa de montanha – passou sempre por grandes dificuldades para conseguir acompanhar os restantes favoritos. Analizando o talento e a juventude da concorrência, não será previsível que Evans volte a conseguir melhores feitos nas grandes provas que lhe restam na carreira.

Nairo Quintana e Rogoberto Uran - dois colombianos nos dois primeiros postos da classificação geral  Fonte: www.cyclingweekly.co.uk
Rogoberto Uran, Nairo Quintana e Fabio Aru – o pódio final do Giro 2014  teve dois colombianos
Fonte: cyclingweekly.co.uk

No lado mais positivo deste Giro encontramos também as prestações dos jovens que preencheram o top 10, como Kelderman, que conseguiu um impressionante 7º lugar na sua primeira participação em provas desta dimensão, Rafal Majka, que conseguiu a 6º posição, e, acima de tudo, o surpreendente Fabio Aru, que chegou a este Giro para apoiar Scarponi e que com a mudança de planos aproveitou para ser a grande revelação da prova – brilhou na mais alta montanha e terminou num 3º lugar que tem tanto de honroso como de imprevisível à partida.

No cômputo geral, este foi mais um Giro apaixonante. Aquela que é considerada a prova de ciclismo mais dura do mundo apresentou várias reviravoltas que a tornaram imprevisível com o passar dos dias, revelações surpreendentes, etapas épicas em montanhas repletas de neve e com pendentes de inclinação sobre-humanas e até alguma polémica com descidas que estavam neutralizadas, mas que afinal já não estavam. É disso que nós gostamos. Para o ano há mais. Viva il Giro!

O Regresso do Mágico

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Ele é o número 10, e finta com os dois pés; é melhor do que o Pelé, é o Deco Allez Allez”. Esta música vai voltar a ser cantada dia 25 de Julho no Dragão, naquela que é a despedida do melhor jogador que vi jogar no Porto e de um dos melhores números 10 de sempre.

Não quero falar muito sobre o seu talento e a sua carreira. Guardo isso para mais tarde, quando escrever sobre ele na rubrica “Jogadores que Admiro”. Quero deixar apenas umas palavras que façam portistas, portugueses e adeptos de todo o Mundo ter saudades de Deco e vontade de o ver de novo no Dragão daqui a uns meses.

O regresso de Anderson Luis de Sousa ao Porto vem tarde. Há situações em que jogadores voltam aos seus clubes passados muitos anos, mas, dada a sua idade, acabam por desempenhar más exibições e a sua importância resume-se a uma “voz no balneário”. Não acredito que com Deco fosse assim. Porquê? Porque Deco nunca soube jogar mal. Talvez se tivesse voltado a casa depois da sua passagem por Inglaterra houvesse uma bancada com o seu nome ou, pelo menos, mais do que uma estátua sua no museu do Porto.

O sonho de ver Deco de novo de azul e branco nunca passou disso mesmo, de um sonho. A realidade é que ele vai voltar a usar o seu número 10, a camisola que talvez não devesse voltar a ser usada por quaisquer prodígios sul-americanos que vão chegando ao Porto tão rápido como saem. Há que aproveitar cada segundo dos 45 minutos que ele a usar (nos outros 45 minutos vestirá o equipamento do Barcelona) e não os esquecer nunca mais, porque desta vez, serão mesmo os últimos.

Duas Ligas de Campeões no seu palmarés, representando os dois clubes pelos quais vai jogar no próximo dia 25 de Julho Fonte: porta19.com
Duas Ligas de Campeões no seu palmarés, representando os dois clubes pelos quais vai jogar no próximo dia 25 de Julho
Fonte: porta19.com

Voltar a ver grandes glórias do Porto como Baía, Ricardo Carvalho, Jorge Costa e Benni McCarthy no Dragão é um privilégio que todos os portistas irão ter. Oxalá outros nomes como Lucho possam ajudar à festa (sempre foi um sonho para qualquer portista ver Lucho e Deco no mesmo meio-campo) e lembrar ao Porto que isto, sim, é ser Porto, talvez mostrando ao actual plantel azul e branco aquele que é o clube que representam.

É triste pensar que o regresso de Deco não é mais do que a sua despedida. Conotá-lo como ex-jogador portista é um insulto a toda a importância que teve na história do clube. Deco era magia, arte, paixão e criatividade; Deco era um jogador que fazia valer cada cêntimo que um adepto pagava para ver um jogo. Só tenho pena de que as gerações futuras não o possam ver jogar, porque como ele nunca existiu e certamente nunca existirá outro igual.

Deco é não só uma lenda do Porto, como uma lenda de Portugal Fonte: theportugalnews.com/
Deco é não só uma lenda do Porto, como uma lenda de Portugal
Fonte: theportugalnews.com/

O jogo de despedida de Deco não é um adeus, é um obrigado por tudo o que o luso-brasileiro deu ao Porto (e ao Barcelona) e a Portugal. Diz-se que nunca se pode agradar a todos. É mentira. Como poderia alguém não gostar da forma como o mágico jogava? Eu adorava e graças a Deus tenho a oportunidade de o voltar a ver tocar na bola no estádio onde mais foi feliz.

Revista do Mundial’2014 – Itália

cab italia mundial'2014

A squadra azzurra vai ao Brasil em busca do seu quinto Mundial, depois das vitórias em 1934, 1938, 1982 e 2006. Não sendo uma das grandes favoritas, é sempre uma das equipas a ter em conta. As casas de apostas colocam a Itália como a sexta selecção favorita à conquista da mais importante competição ao nível de selecções, atrás de Brasil, Argentina, Alemanha, Espanha e Bélgica. Após a fantástica trajetória da Itália em 2006, que culminou com a conquista da prova, a Itália foi uma das grandes desilusões do último Mundial, em 2010 na África do Sul, conquistando apenas dois pontos e terminando em último lugar no grupo atrás de Paraguai, Eslováquia e Nova Zelândia. O que deveria ter sido um passeio pela fase de grupos tornou-se num pesadelo que levou ao abandono de Marcello Lippi do comando técnico da selecção pela porta pequena.

Cesare Prandelli chega ao Mundial depois de ter conduzido a equipa à final do Euro 2012, em que acabou goleado pela Espanha (4-0), e de ter conquistado o terceiro lugar na Taça das Confederações depois de bater o Uruguai em penaltis (3-2).

A Itália está envolvida no Grupo D, o “grupo da morte” desta fase de grupos, indo desde logo defrontar a Inglaterra, o Uruguai e a Costa Rica. O menor descuido poderá levar a mais um abandono prematuro da competição.

A selecção italiana é bastante equilibrada em todos os sectores e apresenta um misto de juventude e experiência. Por um lado temos jogadores como Buffon, Pirlo e De Rossi, que trazem liderança e experiência, e por outro lado temos jogadores como Balotelli, Insigne e Verratti, que contribuem com a sua irreverência. São, como sempre, uma das equipas a ter em conta e, não acontecendo nada de estranho, deverão alcançar pelo menos os quartos-de-final da competição, pois possuem o talento para isso.

OS CONVOCADOS

Guarda Redes – Gianluigi Buffon (Juventus), Mattia Perin (Genoa), Salvatore Sirigu (Paris Saint-Germain).

Defesas – Ignazio Abate (AC Milan), Andrea Barzagli (Juventus), Leonardo Bonucci (Juventus), Giorgio Chiellini (Juventus), Matteo Darmian (Torino), Mattia De Sciglio (AC Milan), Gabriel Paletta (Parma).

Médios – Alberto Aquilani (Fiorentina), Antonio Candreva (Lazio), Daniele De Rossi (Roma), Claudio Marchisio (Juventus), Thiago Motta (Paris Saint-Germain), Marco Parolo (Parma), Andrea Pirlo (Juventus), Marco Verratti (Paris Saint-Germain).

Avançados – Mario Balotelli (AC Milan), Antonio Cassano (Parma), Alessio Cerci (Torino), Ciro Immobile (Torino), Lorenzo Insigne (Napoli). 

A ESTRELA

Andrea Pirlo Fonte: UEFA
Andrea Pirlo
Fonte: UEFA 

O jogador mais importante da selecção italiana continua a ser o regista Andrea Pirlo. É por ele que passa todo o jogo da equipa – ele é o cérebro do meio-campo italiano. Se Pirlo está num dia mau a Itália decresce bastante em qualidade mas quando está inspirado vê-lo jogar é um hino ao futebol. Ajuda ser o jogador mais inteligente em campo – Pirlo sabe sempre onde estão os seus companheiros. Usando a sua fantástica técnica e os seus passes teleguiados para abrir buracos em qualquer defesa do mundo, contribuindo também activamente nas bolas paradas (pode marcar a qualquer altura de livre, se necessário), é um perigo em qualquer zona do campo. Se lhe derem espaço, ele fará o adversário pagar. Com 35 anos, Pirlo disputa provavelmente a sua última competição com a Itália e quererá com certeza despedir-se em grande. 

O TREINADOR

Cesare Prandelli Fonte: Eurosport
Cesare Prandelli
Fonte: Eurosport

Cesare Prandelli assumiu o comando técnico da Itália em Julho de 2010 e desde aí, nos seus 51 jogos ao comando da selecção a Itália, os transalpinos têm crescido como equipa, com boas prestações no Euro 2012 (finalista vencido) e na Taça das Confederações (terceiro lugar), tendo em ambas as competições perdido contra a Espanha de Del Bosque. Foi juntamente com a Holanda de Van Gaal uma das primeiras selecções a assegurar o passaporte para o Mundial (Brasil não conta por motivos óbvios).

O antigo jogador da Juventus e treinador da Fiorentina, agora com 56 anos, renovou o contrato com a Federação Italiana antes da competição, tal é a confiança nas suas capacidades. Enfrenta agora o maior desafio da sua carreira – tentar guiar a Itália à conquista do penta. Difícil, mas não impossível.

O ESQUEMA TÁTICO

11 italia

Prandelli parece ter-se decidido por um 4-3-3 que a qualquer momento se pode transformar num 3-5-2, se necessário, beneficiando da base da defesa da Juventus (Chiellini-Bonucci-Barzagli) para esta transformação, muitas vezes implementada no decorrer de partidas para alterar resultados. Em qualquer das formações, o jogador-chave é Pirlo. É por ele que passa todo o jogo da Itália – ele recebe a bola desde trás e transporta-a para a frente, pelo que a construção de jogo passa sempre seus pés. Pirlo beneficia da habilidade de De Rossi para compensar qualquer desequilíbrio no sector defensivo. Com a lesão de Montolivo, Prandelli vai ser obrigado a fazer experiências, mas o onze base, estando longe de ser final, deverá consistir em algo como: Buffon na baliza; Abate, Bonucci, Barzagli e Chiellini na defesa (quando a equipa se transforma num 3-5-2, Chiellini deixa de ser lateral e junta-se aos centrais); Pirlo, De Rossi e Marchisio no centro do terreno e Candreva, Cassano e Balotelli no ataque. 

O PONTO FORTE

O ponto forte da equipa italiana é o seu equilíbrio. A defesa e o meio-campo apresentam um bloco sólido e a equipa raramente vacila ou comete erros, sendo bastante cínica na altura de executar e procurando desde logo capitalizar qualquer erro do adversário.

O PONTO FRACO

O ponto fraco é o ataque. A equipa está demasiado dependente dos seus médios criativos. Se jogadores como Pirlo ou Marchisio não conseguirem implementar o seu jogo e abrir espaços, a vida de Balotelli e companhia tornar-se-á bastante complicada. Falta-lhes um “nove” que consiga resolver o jogo por ele – Balotelli fez isso nas meias-finais do Europeu de 2012 contra a Alemanha mas isso foi a excepção e não a regra, infelizmente.

Revista do Mundial’2014 – Chile

cab chile mundial'2014

Depois da presença no França’1998, com Marcelo Salas e Iván Zamorano como principais figuras, o Chile só se estreou em Mundiais no séc. XXI no África do Sul’2010. Marcelo Bielsa conduziu uma selecção recheada de potencial aos oitavos-de-final, perdendo apenas com o Brasil. El Loco é mesmo o nome mais importante da história recente do Chile enquanto nação futebolística. O técnico argentino potenciou o talento que tinha à disposição, conseguiu pôr a equipa a praticar um futebol extremamente positivo (sempre de olhos postos na baliza contrária) e deixou uma base para o futuro. É com essa base, e com um treinador que pretende dar sequência ao trabalho feito por Bielsa, que o Chile se apresenta no Brasil.

O Mundial Sub-20 de 2007 foi o ponto de viragem do futebol chileno. Dessa competição, em que os sul-americanos terminaram no 3º lugar, saíram vários jogadores que vão estar no Brasil. Alexis Sánchez, Arturo Vidal, Mauricio Isla, Gary Medel e Carlos Carmona fizeram parte dessa geração e têm agora o objectivo de melhorar a participação conseguida na África do Sul. Tendo em conta que o Chile está num grupo com as selecções finalistas do último Mundial, a tarefa não será fácil.

O apuramento para o Brasil chegou a estar em perigo. Claudio Borghi, seleccionador que iniciou a fase de qualificação, acumulou maus resultados – somou apenas 12 pontos em 9 jogos – e deixou a equipa no 6º lugar, mas com a chegada de Sampaoli tudo mudou. O técnico argentino, com ideias de jogo bem diferentes das de Borghi (mais próximas das de Bielsa), fez aumentar o nível exibicional da equipa e conquistou 16 pontos em 21 possíveis, apurando o Chile para o segundo Mundial consecutivo.  

OS CONVOCADOS

Guarda-redes – Claudio Bravo (Real Sociedad), Johnny Herrera (Universidad do Chile) e Cristopher Toselli (Universidad Católica).

Defesas – Gary Medel (Cardiff), Gonzalo Jara (Nottingham Forest), José Rojas (Universidad do Chile), Eugenio Mena (Santos), Mauricio Isla (Juventus).

Médios – Jorge Valdivia (Palmeiras), Felipe Gutiérrez (Twente), Jose Pedro Fuenzalida (Colo Colo), Francisco Silva (Osasuna), Arturo Vidal (Juventus), Charles Aránguiz (Internacional), Marcelo Diaz (Basileia), Carlos Carmona (Atalanta) e Miiko Albornoz (Malmö).

Avançados – Alexis Sánchez (Barcelona), Esteban Paredes (Colo Colo), Eduardo Vargas (Valencia), Jean Beausejour (Wigan), Mauricio Pinilla (Cagliari) e Fabián Orellana (Celta).

A ESTRELA 

Alexis e Vidal Fonte: follwr.com
Alexis e Vidal
Fonte: follwr.com

Não há dúvidas sobre quem são os elementos mais influentes na selecção chilena. Alexis Sánchez e Arturo Vidal são dois jogadores fundamentais e o sucesso do conjunto orientado por Jorge Sampaoli dependerá do estado de forma com que aparecerão no Brasil. Do médio da Juventus, um dos mais completos da actualidade, podemos esperar aquilo que demonstra no clube: muita intensidade, uma facilidade tremenda de chegar à área contrária (marcou 5 golos na fase de qualificação) e uma capacidade de desarme e recuperação muito acima da média. A grande questão é perceber se estará no seu melhor, já que ainda se encontra a recuperar de uma cirurgia ao joelho direito. O avançado do Barça, que forma uma dupla mortífera com Vargas, terá nesta competição uma grande oportunidade para provar que é um dos melhores do mundo. Um jogador que pode fazer a diferença a qualquer momento e que, com a sua velocidade vertiginosa e capacidade de finalização, tem tudo para ser um dos destaques do Mundial.

O TREINADOR

Jorge Sampaoli Fonte: lanacional.cl
Jorge Sampaoli
Fonte: lanacional.cl

Jorge Sampaoli é o grande responsável pelo apuramento do Chile. O técnico argentino substituiu Claudio Borghi, que iniciou a qualificação (com resultados muito fracos), e conquistou 16 pontos em 21 possíveis, levando os chilenos ao segundo Mundial consecutivo. Sampaoli, admirador e seguidor da filosofia de Marcelo Bielsa, está a dar continuidade ao trabalho que El Loco tinha desenvolvido, montando uma equipa altamente virada para o ataque. O sistema táctico que utiliza é o 3-4-1-2, com dois alas que fazem todo o corredor e um médio no apoio directo (poderia ser Matias Fernández, mas vai falhar o Mundial) à dupla composta por Vargas e Alexis. 

O ESQUEMA TÁTICO

11 chile

O PONTO FORTE

As transições ofensivas são a principal arma dos chilenos e a dupla Vargas-Alexis destaca-se neste capítulo. A velocidade, explosão e poder de desmarcação dos dois homens mais adiantados da equipa vai certamente fazer estragos. Em organização, o Chile é uma equipa que joga a toda a largura do campo e os dois alas (Isla e Beausejour ou Mena) conseguem dar muita profundidade ao ataque. A facilidade com que Vidal aparece em zonas de finalização é outro ponto forte do conjunto sul-americano.

O PONTO FRACO

A equipa tem enormes fragilidades defensivas. O sector mais recuado é demasiado limitado para um conjunto com tanta qualidade do meio-campo para a frente, e a situação agrava-se pelo facto de Sampaoli optar por um sistema com apenas 3 defesas (sendo que Medel é uma adaptação). Os chilenos desequilibram-se facilmente – o que acaba por ser uma consequência inevitável para uma equipa tão virada para o ataque – e têm muitas dificuldades no controlo da profundidade. As bolas paradas são outro momento do jogo em que os sul-americanos sofrem bastante.

O sorteio não foi simpático para o Chile. Espanha e Holanda são adversárias de respeito e a eliminação de qualquer uma delas na primeira fase seria uma surpresa. No entanto, La Roja sul-americana tem todas as condições de discutir o apuramento. Tem a vantagem de defrontar primeiro a Austrália (em caso de vitória partem à frente de pelo menos uma das selecções europeias) e convém não esquecer o facto de a competição se disputar na América do Sul, o que pode beneficiar os comandados de Sampaoli. Tem, acima de tudo, uma geração em ponto de rebuçado, que já joga junta há bastante tempo e que tem individualidades a actuar nos melhores clubes europeus. Mas, apesar de todos os pontos a favor, é difícil prometer bons resultados num grupo com Espanha e Holanda. A única certeza é a de que o Chile, uma das selecções mais entusiasmantes da actualidade, vai dar espectáculo no Brasil.

Um lugar para a história

cab hoquei

“Antes da partida, disse aos meus jogadores que eram os 50 minutos da nossa vida. Eram os últimos 50 minutos deste campeonato e que podiam valer a conquista do campeonato. Sabíamos que tínhamos que morrer, deixar a pele em campo e foi isso que nós fizemos. Deixámos tudo dentro do ringue.”

Paulo Pereira, treinador do Valongo

Incríveis, fantásticos, enormes. Poderia ter aqui uma lista enorme de adjectivos que mesmo assim seria pouco para descrever os atletas do Valongo. No sábado, não se ganhou apenas um campeonato, mas também entrou-se para a história do hóquei nacional.

Tudo se decidia em Valongo. A cidade do hóquei recebia o jogo decisivo. De um lado, a sensação do campeonato, o Valongo, com uma oportunidade de subir ao Olimpo do hóquei. Do outro, o campeão nacional, Porto, procurava ser bi-campeão e justificar a sua hegemonia no hóquei nacional. Equipas diferentes, ambições iguais.

Os homens da casa começaram melhor. Pressionantes, um livre directo falhado e um golo aos seis minutos, por Nuno Araújo, deram o mote para uma tarde histórica. Valongo na frente e lançado para alcançar esse tão desejado título. Mas o Porto, surpreendido, arregaçou as mangas e meteu mãos à obra. Caio e Ricardo Oliveira deram a volta. Porto estava na frente  (só precisava do empate para ser campeão), mas por pouco tempo. Ainda antes do intervalo, Rafa empatava, sendo o prenúncio de uma tarde de sonho para o jogador.

Rafa teve uma tarde de sonho Fonte: ADValongo.pt
Rafa teve uma tarde de sonho
Fonte: ADValongo.pt

O mesmo protagonista iria colocar o Valongo em vantagem e deixar o pavilhão em festa. Mas o público iria sofrer outro balde água fria, quando Caio voltou a empatar a três golos e a colocar o Porto perto de se sagrar campeão. Mas a festa dos homens do Valongo estava reservada para o fim. Fiéis ao que foi o seu desempenho neste campeonato, os homens da casa nunca desistiram e conseguiram dar a volta ao resultado. Foi um final frenético. Telmo Pinto fez o 4-3 aos 18 minutos; no mesmo minuto, Hélder Nunes falhou o livre directo que daria o empate ao Porto, a juntar a outros dois livres directos dos jogadores do Porto. Já no final, Tó Neves abdicou do guarda-redes para procurar o empate, mas uma bola perdida a meio-campo deu a Rafa a oportunidade de, sozinho, ir para a baliza portista e marcar o 5-3 final. Isto a 13 segundos do fim. O pavilhão foi abaixo.

Os heróis  de Valongo Fonte: ADValongo.pt
Os heróis de Valongo
Fonte: ADValongo.pt

Agora era oficial, o titulo já não escapava. Jogadores a festejar, adeptos a cantar. Um prémio justo para este Valongo. Nunca deixaram de acreditar quando poucos acreditavam, nunca acusaram a pressão. Com um percurso fantástico, onde foi quase sempre líder, com apenas uma derrota em casa, estes atletas mereceram por completo o título de campeão. A cidade do hóquei já merecia.