Ora, não sendo eu um profundo conhecedor da selecção iraniana, farei os possíveis para deleitar os mais ávidos fãs do país orientado pelo nosso bem conhecido Carlos Queiroz. Numa qualificação sofrida, a turma de Queiroz estava obrigada a não falhar nos últimos três jogos… e não o fez: conseguiu somar três vitórias, duas pela margem mínima, colocando em delírio os mais de 65 milhões de pessoas que tomaram as ruas de assalto para os festejos.
Não sendo um país amplamente conhecido pelo seu futebol, o Irão parte para este Mundial do Brasil completamente sem pressão. Num grupo relativamente difícil – com Argentina, Bósnia Herzegovina e Nigéria – o sonho de passar pela primeira vez da fase de grupos parece um tanto ou quanto distante. Contudo, os iranianos acreditam que podem fazer uma gracinha com Queiroz ao leme, mal-amado aquando da passagem pela turma das Quinas. O português acredita que pode ter uma prestação que orgulhe a nação. Sem praticar um futebol brilhante na fase de qualificação, o Irão tem que elevar o seu nível de jogo se pretende levar de vencida qualquer das equipas do seu grupo. Se, de facto, sonham com a passagem à fase seguinte, o primeiro jogo frente à Nigéria poderá provar-se decisivo.
A nação iraniana deposita as esperanças da tal gracinha no ponta-de-lança Reza Ghoochannejhad (Gucci), que provou ser decisivo na qualificação com três golos nos três jogos da morte. É unânime que Queiroz fez um bom trabalho com a selecção da antiga Pérsia. Contudo, nem tudo foram rosas para o treinador português, que durante a qualificação teve de descartar o seu guarda-redes titular por alegados problemas pessoais – Queiroz afirmou numa entrevista à FIFA que foi uma decisão complicada mas necessária para que pudesse transmitir a mensagem de que nenhum jogador está acima da equipa. Resta saber se o colectivo de Queiroz está à altura desta competição, sendo que o historial não favorece os iranianos – somam apenas uma vitória (histórica) sobre os EUA por 2-1 e dois empates contra a Escócia e Angola em Mundiais. De resto, só derrotas.
OS CONVOCADOS (24 elementos)
Guarda-redes: Daniel Davari (Eintracht Braunschweig/Ale), Rahman Ahmadi (Sepahan Isfahan) e Alireza Haqiqi (Sporting de Covilhã/Por).
Defesas: Hossein Mâhini (Persepolis), Jalal Hosseini (Persepolis), Ehsan Hajsafi (Sepahan Isfahan), Amir Hossein Sadeghi (Esteghlal), Hashem Beykzadeh (Esteghlal), Khosroo Heidari (Esteghlal), Ahmad Alenemeh (Naft Tehran), Mohammad Reza Khanzadeh* (Zob-Ahan Isfahan), Pejman Montazeri (Umm Salal SC/Qat) e Steven Beitashour (Vancouver Whitecaps FC/Can).
(*chamado de prevenção, em virtude da lesão de Beykzadeh)
A ESTRELA
Javad Nekounam Fonte: Footballerpics.com
Com a saída de Mahdavikia, Javad Nekounam ocupou o seu lugar e assumiu a mesma preponderância no onze iraniano. Embora seja Gucci o marcador de serviço, Nekounam é uma espécie de talismã para esta selecção e é o principal motor de jogo da equipa – marca golos importantes com alguma regularidade e é um jogador de grandes momentos.
O TREINADOR
Carlos Queiroz Fonte: Getty Images
Depois de uma campanha desapontante ao leme da selecção portuguesa, marcada por problemas entre jogadores e treinador, assumiu este desafio de treinar o Irão e até agora não tem desiludido. Incutiu nos jogadores uma noção táctica não verificada até então e evoluiu imenso os processos defensivos da equipa.
O ESQUEMA TÁTICO
O PONTO FORTE
A solidez defensiva desta equipa iraniana é algo a ter em conta: em 16 jogos na fase de qualificação conseguiram evitar que as suas redes balanceassem por 10 ocasiões. 10 jogos sem sofrer golos é obra. Veremos se conseguem manter a concentração na defesa no Brasil.
O PONTO FRACO
Se a defesa é ponto forte, o ataque é o pólo oposto – dependem demasiado da inspiração de Gucci nos momentos decisivos, e, se querem sonhar, têm de concretizar melhor.
É arriscado, sim. Dado o historial desta rubrica e a minha recente entrada na equipa do Bola na Rede, escolher um jogador como Philippe Coutinho (de apenas 21 anos e ainda no começo da sua carreira) para o meu primeiro Jogadores que Admiro é sem qualquer dúvida um começo ousado.
Porquê Coutinho e não outro? Porquê agora e com que ‘bases’? São estas algumas das perguntas a que tentarei responder nós próximos parágrafos, enunciando da melhor forma possível os factores que levaram o jovem brasileiro ao topo do futebol mundial de camisola vermelha ao peito em pleno Anfield Road.
Não fosse o ‘resgate’ de um grande do futebol mundial e a história de Philippe Coutinho poderia ser bem diferente. Desvalorizado num Inter de Milão que precisava de talento, apesar de em 2010 o então presidente Maximo Moratti o ter apontado como o “futuro do clube!”, o médio ofensivo foi ‘deixado’ para o Espanyol e viu depois o renovado Liverpool de Brendan Rodgers apostar no seu talento, que se viria a revelar fundamental no ataque ao tão desejado (e quase obtido) título na Premier League. Vamos a números: criou 70 oportunidades de golo na Liga Inglesa (34 só em 2014), marcou 7 golos (a que se adiciona 1 na taça) e fez 7 assistências.
Coutinho é o novo “menino bonito” de Anfield Fonte: football365.com
Apesar da tenra idade, Coutinho faz parte de um restrito lote de jogadores que impressiona pelo exímio domínio de bola e pela capacidade de reação e pela magia com que encanta todas as testemunhas do encontro. Coloquem-se estas condições a um jogador perante bancadas vazias ou num campeonato de países de segunda linha e de pouco valerá. Mas Philippe fá-lo em Anfield Road, todas as semanas lotado e sob um memorável “Walk On, Walk On, With Hope, In Your Heart”. Philippe fá-lo na Premier League, frente aos melhores do mundo, com os melhores do mundo: é que, mesmo com jogadores como Luís Suarez, Daniel Sturridge ou Steven Gerrard (todos eles bem mais velhos e experientes) no mesmo lado do campo, consegue ainda assim destacar-se.
Sem querer entrar no mundo das previsões, imagine-se onde estará o jogador brasileiro daqui a cinco, seis, sete anos. Com toda uma carreira pela frente e já por dentro da estrutura base do clube de Liverpool. Coutinho disputará a Champions League em 2014/2015, tendo aqui mais uma oportunidade de brilhar pela Europa fora.
Mundial em casa mas… na televisão
É uma triste e inconformável realidade: Philippe Coutinho fará parte de um restrito lote de jogadores que se encontram na inexplicável categoria de ausentes do Mundial de Futebol 2014. Terá como companhia Kaká, um dos jogadores mais experientes e adorado pelos adeptos canarinhos. Mas se Kaká leva já 32 anos às costas e está longe dos seus melhores dias, Coutinho nasceu para o futebol há pouco mais de um par de anos e poderia vir a ser sangue fundamental para o Brasil.
Seria sangue obrigatório, a meu ver, mas Scolari assim não o entendeu. E que não me interpretem mal – todo o plantel da equipa da casa é uma autêntica ameaça, mas com Coutinho a música seria outra. Os tambores marcariam o ritmo a que avançaria no campo e combinaria com Hulk e Neymar de ambos os lados até colocar a bola em Fred. Muitos ‘Gooooooool’ seriam gritados por sua causa.
Se Filipão não o quis, Anfield continuará a apoiá-lo incansavelmente sempre que vestir de vermelho . Afinal, You’ll Never Walk Alone.
Fugir dos traumas é algo inútil. Mais tarde ou mais cedo, eles voltam para nos atormentar. Assim, é melhor aceitar a sua existência do que negar que algo que nos transtornou. Como aquele dia em que um cabeceamento letal que tapou a boca a 10 milhões de vozes eufóricas e prontas a celebrar a primeira conquista do seu país. Charisteas marcou, de forma indelével, a longa história futebolística do nosso país e a Grécia vencia o Europeu que supostamente seria nosso. Como portugueses, seria inútil recalcar essa memória. Pelo contrário, deve ser essa a nossa fonte de inspiração, o balde de tinta que iremos usar para escrever uma história ainda mais bonita, começando na imposição da derrota a quem nos fez chorar. Não por se tratar de uma vingança, mas sim para aprendermos a lidar com a imagem mais triste de toda a história dos encontros da nossa seleção.
Sem o auxílio de Cristiano Ronaldo mas cientes do que significava um duelo com os gregos, o onze português montado por Paulo Bento num 4x4x2 com algumas opções menos regulares (Eduardo, Ricardo Costa, André Almeida, William Carvalho, Varela e Éder foram as novidades) entrou em campo encarnando o espírito de quem estava disposto a lutar contra os demónios que os deuses gregos deixaram cá plantados há coisa de dez anos atrás, com Éder e Nani ao leme de um grupo aparentemente disposto a vestir a pele de caça-fantasmas, estando ambos nas três ocasiões de perigo (Éder, primeiro, Bruno Alves e Ricardo Costa depois) que a seleção conseguiu criar junto das redes gregas nos primeiros sete (!) minutos, todas através da exploração do jogo àereo grego.
A situação não piorou desde aí para os gregos (em máxima força, entrando com o onze inicial que muito provavelmente vai começar o Mundial), mas manteve-se a toada de domínio luso, beneficiando de algum desacerto adversário na bola longa (recurso mais utilizado pelos helénicos na tentativa de visar as redes nacionais) e da postura expectante adoptado pelos orientados por Fernando Santos, que iam cedendo perante uma frente de ataque bastante dinâmica e que beneficiou das incursões dos alas (Varela e Nani) para o centro. Também aa mobilidade dos dois pontas-de-lança (Éder e Hélder Postiga) ajudou a trazer o jogo para a zona ofensiva de Portugal.
Porém, a superioridade nacional não foi capitalizada em golos, e a partir da meia hora de jogo pareceu começar a notar-se algum cansaço na exploração da muralha grega. Não se baixaram os braços mas foi notório o maior distanciamento e entre os jogadores da frente e uma inspiração decrescente que se traduziu na falta de produtividade nacional até ao intervalo, tornando o último quarto-de-hora da primeira parte um autêntico festival de bocejos.
Nani foi o melhor jogador do lado português Fonte: ASF
No regresso dos balneários, Paulo Bento trocou de guarda-redes (entrou Beto) e de ponta-de-lança (Postiga deu lugar a Hugo Almeida), mas foi noutra alteração tática que esteve alicerçada uma mudança de atitude dos jogadores portugueses face aos últimos quinze minutos da primeira parte– maior apoio dos laterais no processo ofensivo. André Almeida apoiou Varela quando solicitado e João Pereira fez com Nani uma dupla bastante perigosa no flanco direito, o que se traduziu num jogo mais “elétrico”, disputado ainda mais encostado à baliza grega. Contudo, não houve consequências de maior no resultado e, mais uma vez, pareceu ser de sol de pouca dura a vontade dos jogadores portugueses, voltando o jogo a cair num espetáculo enfadonho que ia sendo cada vez mais propício a bocejos…
… até aparecerem Gekas e Fetfatzidis. Os jogadores gregos que substituiram as referências Samaras e Mitroglu, dotaram o jogo de maior velocidade, explorando um aparente desgaste do meio-campo português (William Carvalho, por exemplo, queixou-se de cãibras), mesmo reforçado por Rúben Amorim (substituiu Éder, fazendo a seleção regressar ao habitual 4x3x3). Gekas deu maior virtuosismo ao ataque grego e Fetfatzidis, assente na garra e na crença, beneficiou da passividade de André Almeida para causar a situação de maior perigo para as redes portuguesas.
Os gregos galvanizaram-se e o jogo terminou partido, com tempo para mais duas situações de perigo para ambos os lados – Beto saiu em falso, e a bola quase sobrava para um jogador grego, não fosse a intervenção de Ricardo Costa, autor de um cruzamento-remate já nos descontos, que terminou na trave.
A ausência de Cristiano Ronaldo, João Moutinho ou Pepe não justifica uma exibição tão pálida da seleção nacional perante uma equipa grega que não é superior à espécie de Portugal B que Paulo Bento levou para o relvado do Jamor.
Seria de esperar mais garra, mais atitude, não só por se tratar de um jogo que muito dizia a todos os amantes da seleção portuguesa, entre eles Eusébio e Mário Coluna “a ver” o encontro (foram colocadas imagens gigantes dos dois colossos do futebol nacional ocupando bancadas opostas), mas também para se alterarem as probabilidades de utilização de cada um dos jogadores previsivelmente menos utilizados por Paulo Bento no Mundial 2014.
Uma de duas coisas é certa: ou ficou provada a pouca profundidade da equipa nacional ou é urgente a mudança de atitude nos nosso jogadores.
A Figura
Num jogo a “preto-e-branco”, sobressairia sempre que soubesse pintar. E Nani foi um deles. O extremo do Manchester United foi o jogador que mais desequilíbrios provocou no ataque nacional, destoando da inércia e da apatia dos seus companheiros.
Sempre que tocava na bola, sentia-se um certo frenesim vindo das bancadas e que não eram da exclusiva responsabilidade da popularidade do craque.
O Fora-de-Jogo
A falta de atitude portuguesa foi por demais evidente, tornando o jogo bastante amorfo (por ser a equipa que, previsivelmente, mandaria no jogo), ao ponto de o dotar de maior eficácia que um comprimido para dormir.
No último Campeonato do Mundo na África do Sul, a Grécia qualificou-se, ganhou apenas um jogo e foi prontamente eliminada da competição na primeira ronda. E, no entanto, foi a equipa grega com mais sucesso em fases finais da história dos Mundiais. Desde que participa em fases finais de campeonatos do mundo, a Grécia nunca se conseguiu impôr. Em 1994, na sua primeira aparição, não marcou um único golo e perdeu os três jogos na fase de grupos, tendo registado um goal average de 10-0. Desde sempre, a Grécia nunca teve grandes estrelas no seu plantel, mas, mesmo assim, conseguiu ganhar o Campeonato Europeu de 2004, batendo o anfitrião, Portugal, por 2 vezes. Esta equipa, hoje em dia, é ainda muito forte a nível defensivo e até convém relembrar as palavras do selecionador alemão, Joachim Löw, antes de defrontar os gregos, em que afirmava que enfrentar a seleção de Fernando Santos era como “comer pedra”.
A Grécia estará no grupo C do campeonato com a Costa do Marfim, Colômbia e Japão, sendo provavelmente o mais equilibrado de todos. O estilo defensivo dos gregos poderá mesmo vir a ser determinante para seguir em frente para as fases a eliminar da competição, nas quais poderá encontrar a Itália ou a Inglaterra, seleções essas que não devem meter medo à equipa da Grécia. Os gregos estão bem classificados no ranking da FIFA e o seu lugar no top-10 de seleções só foi alcançado graças a muito trabalho e muitas vitórias.
Para o treinador da Grécia, Fernando Santos, que irá abandonar a equipa no final do campeonato, a meta é muito clara: “O primeiro objetivo é passar a fase de grupos. Depois logo se verá“, referiu o técnico português, que, em 2012, levou a Grécia aos quartos-de-final do Campeonato Europeu: “Não vamos ao Brasil passar férias. Esta é a nossa terceira aparição num campeonato do mundo e queremos seguir em frente pela primeira vez“.
O experiente treinador português, quando anunciou os 23 convocados para o Brasil, apresentou algumas surpresas no lote de escolhidos. Desde logo nas escolhas do médio Panayiotis Tachtsidis e do guarda-redes Panayiotis Glykos, em detrimento de nomes como o avançado Stefanos Athanasiadis e o defesa Avraam Papadopoulos. E fez ainda questão de realçar a importância de jogadores experientes como Loukas Vyntra e Kostas Katsouranis.
Os outros 5 membros retirados da primeira lista de 30 pré-convocados, para além de Athanasiadis e Avraam Papadopoulos foram Alexandros Tzorvas, Nikos Karabelas, Costas Fortounis, Dimitris Papadopoulos e Nikos Karelis. Para além destas ausências, por lesão, Fernando Santos ficou ainda privado de utilizar o defesa central do Schalke 04 Kyriakos Papadopoulos, devido a lesão.
O avançado do Fulham Kostas Mitroglou, apelidade carinhosamente pelos adeptos como “Mitrogoal”, é a grande figura da equipa. Marcou 3 dos 4 golos da Grécia frente à Roménia, no playoff de apuramento, e, antes de se ter transferido para o Fulham, era o homem-golo do Olympiakos.
O “Pistolero” marcou 41 golos em 84 presenças pela equipa grega e tornou-se no primeiro jogador da Grécia a marcar um hat-trick na Liga dos Campeões, em outubro de 2013, frente ao Anderlecht. Na temporada de 2013-2014 marcou 17 golos em 19 presenças pelo Olympiakos, ajudando-os a sagrarem-se campeões novamente.
Mitroglou assinou um contrato de 4 anos e meio com o Fulham, em janeiro deste ano, numa verba de aproximadamente 12 milhões de euros. No então, e infelizmente para o jogador, sofreu um grave lesão no joelho, que lhe tem limitado as presenças na equipa inglesa.
Relativamente ao seu desempenho na seleção, Mitroglou tem sido aposta regular de Fernando Santos até hoje, muito embora só tenha conseguido marcar um golo na fase de grupos (o que se deve em grande parte ao esquema algo conservador do treinador português). No entanto, o avançado do Fulham é muito importante a segurar a bola e a fazer a ligação entre o meio-campo e o ataque da Grécia.
Desde 2009, altura em que se estreou pela Grécia, Mitroglou já somou 28 internacionalizações, tendo feito o gosto ao pé por 8 vezes. E, numa equipa tão direcionada para o coletivo, Mitroglou tem sido um dos elementos mais consistentes no plantel.
O TREINADOR
Fernando Santos Fonte: Getty Images
O treinador português Fernando Santos transformou uma equipa condenada, que vivia do sucesso alcançado no Europeu de 2004, numa seleção coesa e de presenças habituais nas fases finais das competições de seleções. Desde 2010, quando pegou na equipa, Santos tem um registo positivo impressionante de 24 vitórias, 13 empates e apenas 5 derrotas, sendo que dois desses desaires foram em jogos amigáveis em que usou jogadores mais jovens e inexperientes.
Fernando Santos esteve, inclusivamente, invicto nos primeiros 15 meses enquanto selecionador, feito que lhe permitiu qualificar-se facilmente para o Euro’2012 (onde perdeu, como já foi referido, para a Alemanha nos quartos-de-final).
O treinador português tem feito a sua carreira entre Portugal e a Grécia, tendo já passado por vários clubes como o FC Porto, Benfica, Sporting, AEK, Panathinaikos e PAOK de Salónica.
Apesar de não ter muitos títulos na sua carreira, Fernando Santos ficou conhecido na Grécia por salvar equipas que estavam em graves dificuldades financeiras e desportivas. O mesmo se aplicou ao seu trabalho na seleção grega, em que pegou na equipa, depois da fraca campanha no Mundial’2010 e colocou-a a jogar bom futebol e a ter resultados positivos.
Ele conseguiu manter o estilo sólido a nível defensivo do seu antecessor, Otto Rehhagel, mas imprimiu na equipa algumas mudanças inovadoras e ao seu estilo, como o investimento em jovens de qualidade e que já mereciam uma oportunidade, bem como a aposta recorrente em 3 avançados. Os fãs adoram-no e ele adora os gregos.
“Nunca senti nada assim. Os gregos acolheram-me como um deles”, referiu Fernando Santos, logo após a qualificação para o Mundial. Os jogadores festejaram com ele, ele chorou e falou para a comunicação social, em grego, pela primeira vez.
O ESQUEMA TÁTICO
Apesar de Fernando Santos alterar o alinhamento da equipa durante certos jogos, o 4-3-3 é o seu esquema tático preferido, tal como a titularidade de Orestis Karnezis entre os postes e todo o setor defensivo. No meio-campo, sim, é que residem as principais dúvidas.
Kostas Katsouranis e o médio Yannis Maniatis aparecem como favoritos para ocupar duas das três posições disponíveis no centro do terreno. A outra vaga é talvez a maior incógnita, pese embora o facto de Alexandros Tziolis levar alguma vantagem em relação ao experiente Karagounis e a Andreas Samaris.
Na frente de ataque, Dimitris Salpingidis foi um dos principais responsáveis pelo vitória da Grécia no playoff frente à Roménia, a par do já referido Kostas Mitroglou. E, claro, é impossível imaginar esta equipa da grécia sem o poderoso Yorgos Samaras.
O PONTO FORTE
Provavelmente nenhuma outra equipa do Mundial apresenta um espírito coletivo tão forte quanto o da Grécia. Desde 2004, quando levantou o troféu, que a Grécia consegue aliar uma defesa sólida e um grupo de jogadores bastante disciplinados, que funcionam como uma máquina perfeitamente oleada e em ótimas condições.
A defesa continua muito forte e nem o estilo de jogo mais aventureiro de Fernando Santos, em relação a Otto Renhagel, fez cair essa característica. Na qualificação para o Mundial’2014, a Grécia apenas sofreu 4 golos na fase de grupo, apesar de ter implementado um sistema de rotatividade na sua defesa por 4 ocasiões. E três desses golos foram sofridos na derrota com a Bósnia (3-1), o que quer dizer que a Grécia sofreu apenas um golo nos outros 9 jogos. No entanto, é necessário que a equipa saiba balancear melhor a sua defesa com um ataque mortífero, de modo a ter condições para ultrapassar a fase de grupos.
O PONTO FRACO
Num grupo que inclui a Colômbia, Japão e a Costa do Marfim, a defesa da Grécia terá a sua quota parte de trabalho normal para cumprir e tentar, ao mesmo tempo, explorar as melhores ocasiões para marcar. A grande dificuldade desta equipa é mesmo a falta de uma filosofia atacante, que dificultará bastante a tarefa dos gregos para vencer os encontros. A maior esperança da Grécia é mesmo contar com uma defesa forte e um Mitroglou recuperado e em boa forma física.
Falar do basquetebol masculino português neste momento é quase o mesmo que falar no Benfica. Os encarnados dominam a seu bel-prazer esta modalidade e, tal como nos últimos anos, não tiveram qualquer adversário à sua altura.
Apenas duas derrotas durante os 30 jogos de toda a temporada e o tricampeonato (ganho frente ao Vitória de Guimarães por 3-0): é este o resumo de mais uma época das águias, que, desde o fim do Porto, nunca tiveram um adversário à altura num campeonato português, que vive nas ruas da amargura pela falta de interesse mediático que tem, assim como a falta de competitividade pelo título.
Temos um Benfica que investe muito quando comparado com os restantes clubes e que, com isto, parte sempre como principal favorito para o titulo. Este panorama pode mudar um pouco na próxima temporada visto que o Porto voltará com o nome “Dragon Force”. Os azuis e brancos venceram este ano a Proliga (segundo escalão português) e contam com um plantel de muita qualidade, constituído na sua grande maioria por jovens jogadores portugueses e que é um projeto com muito futuro, comandado pelo ex-selecionador português, o espanhol Moncho Lopez.
Moncho Lopez é muito reconhecido entre o mundo azul e branco Fonte: ASF e FPB (cabeçalho)
Mas será o próximo ano mais competitivo? A não ser que o investimento na equipa do Dragon Force seja avultado, não me parece. Nenhuma equipa tem neste momento qualidade para competir com o Benfica. Mas se as águias são fortes demais para o campeonato português, são fracas para a Europa. Tanto que não participam nas provas europeias desde a temporada 2010/2011, por não valer a pena o investimento feito. Apesar disso, Carlos Lisboa – treinador do Benfica – já veio dizer que pretende voltar na próxima temporada, por ser a única forma de os seus jogadores se desenvolverem.
Depois de uma época em que o Benfica ganhou tudo o que havia a ganhar (Supertaça, Taça Hugo Santos, Taça de Portugal e Campeonato), será que consegue repetir o feito na próxima temporada? Ainda é muito cedo para se poder responder com certeza a esta pergunta, mas, se nada de estranho acontecer, quase posso dizer que sim.
“Dragões no coração, dragões no relvado“. Assim se apresentará o autocarro da Bósnia e Herzegovina, rumo ao país maravilhoso, na primeira aparição desta seleção numa fase final do Campeonato do Mundo. Independente da Jugoslávia desde 1994, a Bósnia aparece nesta competição depois de ter estado à porta do Mundial 2010 e do Euro 2012, onde apenas não esteve presente, se bem se recorda, por obra da Seleção Nacional portuguesa. Com a eliminação nesses dois play-offs de acesso a grandes competições, a seleção bósnia continuava sem obter o seu grande objetivo: o de estar presente numa prova deste nível. Em 2014, finalmente o momento dos Dragões chegou, após uma fase de qualificação a roçar a perfeição. Presente no grupo G da fase de qualificação para o Mundial 2014, os comandados de Safet Susic desde cedo mostraram para aquilo que vinham, e qual era o seu único objetivo: chegar ao Brasil. No seu grupo de apuramento, as seleções da Grécia e da Eslováquia eram as grandes adversárias na luta pela qualificação, pois Lituânia, Letónia e Liechtenstein, que completavam o grupo, pareciam não ter armas para lutar pelo apuramento. Depois de duas vitórias iniciais frente a Liechtenstein por 1-8 e a Letónia por 4-1, o empate conseguido na deslocação ao Georgios Karaiskakis frente à seleção de Fernando Santos permitiu à Bósnia sonhar com o 1.º lugar do grupo. Nos restantes 7 jogos de qualificação, os bósnios fizeram 18 pontos em 21 possíveis, quebrando apenas na partida em casa frente à Eslováquia, onde perderam por 0-1. Ainda assim, e em virtude da vantagem no confronto direto em relação aos gregos, os “Dragões” conseguiram alcançar o 1.º lugar do seu grupo e assim o apuramento direto para o Campeonato do Mundo, com 25 pontos, os mesmos que a equipa grega conseguiu.
Com o sorteio para a Copa, a Bósnia ficou a conhecer os seus adversários na sua primeira presença numa competição deste género: Argentina, Nigéria e Irão. O grupo, que conta com a favorita azul-celeste à conquista do primeiro lugar do grupo e com a teoricamente frágil seleção iraniana, faz com os bósnios tenham, em tese, na seleção nigeriana a seleção concorrente ao apuramento para os oitavos de final. Apesar da inexperiência neste tipo de competições, à Bósnia é possível acreditar que no Mundial de estreia a presença nos oitavos-de-final pode ser uma realidade. Esta fábrica de golos bósnia, que levou a seleção na fase de qualificação a atingir a marca dos 30 golos marcados, tornando-se a quarta seleção mais concretizadora no velho continente, leva aos bósnios a acreditar numa surpresa em terras de Vera Cruz. Ao longo da qualificação, Susic colocou a equipa a jogar num 4x4x2 losango, com o ataque entregue à temível dupla Edin Dzeko/Vedad Ibisevic, com Misimovic a aparecer nas costas dos dois avançados.
Numa competição curta como é um Campeonato do Mundo, onde os jogos são definidos ao detalhe, esta forte capacidade ofensiva é sem dúvida a grande arma desta seleção bósnia. Olhando para a retaguarda da equipa, e apesar de ter sido a segunda melhor defesa do seu grupo de qualificação, com apenas 6 golos sofridos em 10 jogos realizados, o momento de recuperação defensiva é aquele que gera maior dúvida nesta equipa. Na sala de máquinas de Susic, que conta com Medunjanin no vértice mais recuado, com Lulic e Pjanic a funcionarem como médios interiores, a Bósnia parece ser uma equipa que lida mal com o momento de perda da bola, muito em virtude da forte capacidade ofensiva de Lulic e Pjanic, que se incorporam de forma intensa no momento ofensivo.
Por isso mesmo, será interessante perceber a disponibilidade tática dos quatro médios bósnios para auxiliarem no momento de pressão o quarteto defensivo totalmente composto por jogadores que atuam na Bundesliga: Mujdza, lateral direito (atua no Friburgo); Bicakcic, central (atua no E. Braunchweig), Spahic, central (atua no B. Leverkusen); e Kolasinac, lateral-esquerdo (atua no Schalke 04). Se a grande virtude desta equipa é a facilidade em criar perigo nas defesas contrárias, a falta de experiência dos bósnios pode ser o seu ponto mais vulnerável nesta viagem ao Brasil. Por isso, o primeiro jogo desta seleção, frente à Argentina no dia 15 de junho, no Maracaná, será importante para perceber se os “Dragões” estão preparados para levar a Bósnia a um lugar de destaque nesta competição. Os restantes jogos desta fase de qualificação são frente à Nigéria, a 21 de junho, em Cuiabá, e frente ao Irão, a 25 de junho, em Salvador da Bahia. No seu primeiro papel principal num Campeonato do Mundo, a Bósnia e Herzegovina é uma das seleções mais aguardadas e mais imprevisíveis: reinará a qualidade ofensiva ou a inexperiência da equipa? A partir de 15 de junho, os Dragões darão a resposta.
OS CONVOCADOS (Pré-Convocatória de 30 elementos – a ser reduzida em breve)
Guarda-redes: Asmir Begovic (Stoke City/Ing), Jasmin Fejzic (Aalen/Ale), Dejan Bandovic (Sarajevo) e Asmir Avdukic (Borac Banja Luka).
Edin Dzeko é a grande esperança da Bósnia neste Campeonato do Mundo. Com 60 internacionalizações e 33 golos apontados, o avançado do Manchester City chega a esta competição como principal ameaça às defesas adversárias. O “tanque”, como também é conhecido, combina poder físico e agressividade com mobilidade, sem descurar a velocidade e o apurado sentido de oportunidade que faz dele um dos avançados mais apetecíveis do futebol europeu. No Mundial, tem uma oportunidade para mostrar que com as cores do seu país, também consegue ser letal.
O TREINADOR
Safet Susic Fonte: bhdragons.com
Por ter levado a Bósnia pela primeira vez a um Mundial, Safet Susic já merece todos os elogios. Ainda assim, e para além do feito já por si histórico, o que salta à vista no modelo de jogo deste técnico de 59 anos, é a capacidade ofensiva que incutiu nos Bósnios. Este é algo que não é de estranhar, tendo em conta que esta antiga estrela do futebol jugoslavo nas décadas de 70 e 80, conhecida como Magic Susic, foi um dos melhores avançados da sua geração. Enquanto treinador, o espírito ofensivo mantém-se. No Brasil, veremos com que resultados.
O ESQUEMA TÁTICO
O PONTO FORTE
Os 30 golos marcados na fase de qualificação fazem da capacidade ofensiva da Bósnia a sua grande arma no campeonato do Mundo do Brasil. Dzeko e Ibisevic fazem uma dupla que promete dar que falar em terras de Vera Cruz.
O PONTO FRACO
A inexperiência da seleção bósnia em fases finais de grandes competições pode ser prejudicial numa fase de grupos que pode ser discutida ao detalhe.
Pediu desculpa ao inglês alto, louro e de verde vestido, aconchegou a bola com o pé esquerdo para as redes e festejou. Das bancadas, vénias para ele. Dele, sorrisos e o coração para as bancadas. Naquele golo, tudo foi Enzo Pérez. Desde o golo de guardar na memória até às lágrimas pelo melhor amigo. A história de amor do 35 com a Luz já começara algum tempo antes. Mas antes, o desprezo pelo Enzo. O Enzo “férias”, que tinha custado um bom dinheiro e que acabou emprestado ao clube de origem. O Enzo que jogando a extremo nada mostrou para benfiquista se encantar.
No início da temporada de 2012/13, o meio-campo do Benfica era o verdadeiro “ai Jesus”. Sem Javi e Witsel de uma vez só, sobrava Matic e…. Matic. Jesus viu em Enzo o jogador ideal para lançar na posição 8. Todos torceram o olho, não digamos que não. Passados dois anos, Enzo Pérez é o menino querido da gente vermelha. E sim, no centro do meio-campo, onde é um gigante, onde come adversários e foge deles no seu Ferrari. E porque, embora possamos pensar que sim, nada no futebol acontece por acaso, feliz do Jorge Jesus que viu nele todas estas capacidades. De extremo vulgar a monstro no meio: J-O-R-G-E J-E-S-U-S.
Enzo Pérez é um jogador à Benfica Fonte: chuto.pt
Os adeptos são uns tipos simples. Só precisam de um jogador que dê tudo, que lhes encha os olhos e a alma. Que saiba o que é o Benfica e que saiba o que aquilo representa para nós, representado nós também muito para ele. Enzo é o típico jogador à Benfica. Que morde os calcanhares dos rivais, que se esfola, que chora as derrotas e dança as vitórias. Que ilude os adversários, dando-lhes, por segundos, a utópica ideia de que lhe poderão roubar a bola. Simula para um lado, adversário por terra, vai pelo outro. Arrogante com a bola nos pés, sempre a roçar o limite do aceitável, sempre a calar os adeptos do “não brinques aí…”. Bolas! Deixem o Enzo brincar onde quiser, porque sabe, porque quer, porque precisa daquilo. “La calle” no coração, Argentina nas veias e na ponta dos pés – Dier, sabes qual é que ele vai escolher? – o argentino gere todo o jogo do Benfica a seu bel-prazer. O Benfica agradece, os benfiquistas idem. A história de amor de Enzo pelo Benfica e do Benfica pelo Enzo terá começado em Amesterdão. Lágrimas tão genuínas que dói cá dentro ver a tal imagem do Aimar abraçando-o, como que num conforto paternal de quem diz que está tudo bem. Mas não estava e o Enzo sabia.
Tudo isto para chegar até aqui: Enzo renovou até 2018. Poucos caracteres bastaram para deixar a nação vermelha feliz da vida. Enzo é um dos nossos, Enzo vive o nosso sonho, o nosso céu e o nosso inferno. Sente como nós. Enzo sabe que não é só um jogo, que amanhã já custa menos, que são só 22 gajos atrás de uma bola. Por tudo isso, merece todas as vénias que lhe possamos fazer. Enzo é Benfica. Pode o Benfica ser para sempre teu, Enzo?
Os 23 ingleses estão escolhidos e este é, na minha opinião, um dos melhores planteis da seleção inglesa de há uns bons anos para cá. A grande perda para lesão é mesmo a de Jay Rodriguez, que tinha todas as condições para ser uma boa opção para ocupar um dos lugares no ataque. A Inglaterra vem de anos de reestruturação, depois de em 2008 ter falhado a qualificação para o Europeu, na Suíça e na Áustria. O selecionador Roy Hodgson tem à sua disposição uma grande seleção, não por estar recheada de estrelas, mas sim pela força que poderá advir do seu trabalho e do seu espírito de grupo.
A convocatória é muito equilibrada e assenta essencialmente na equipa do Liverpool, com o acrescento de qualidade de jogadores de United, Southampton, Everton, City, Arsenal e Chelsea. Esta base oriunda de Anfield poderá facilitar, e de que maneira, o trabalho de Roy Hodgson, não só pela grande qualidade dos jogadores, como também pelo grande entrosamento existente entre os jogadores, que dotaram os reds com um futebol extremamente atrativo.
Merece ainda nota a não convocatória de qualquer jogador do Tottenham, nomeadamente Kyle Walker. De resto, os jogadores de realce que o selecionador deixou de fora são Ashley Cole, Gibbs, Defoe, Carrick, Cleverley, Ashley Young, Caulker e Ruddy, não havendo assim grande debate sobre as suas decisões. Walker foi preterido em função de Smalling, pela polivalência deste, que pode ser o suplente de Glen Johnson caso seja necessário e é ainda opção para o centro. Já Cole e Gibbs foram deixados de parte em nome do virtuoso Luke Shaw, que merece desde já a confiança de Hodgson, não só pela grande época firmada, como pelo seu potencial que cada vez mais se torna potência.
O modelo de jogo da Inglaterra, para o Mundial, deverá ser o 4-4-2, composto por uma defesa que não deve andar longe de Joe Hart, Baines, Johnson e Cahill e Jagielka no meio. É no miolo que surgem as principais questões, sendo que Stevie deve ser o grande patrão e comandante da seleção dos três leões, mas resta perceber se será Henderson o seu escudeiro, para utilizar uma dupla que já há muito se conhece, ficando com toda a responsabilidade de pautar o jogo inglês. É que existem ainda as opções Lampard e Milner – o primeiro dotado de uma vasta experiência e com maior capacidade ofensiva e o segundo com maior capacidade de trabalho e de desgaste em prol da equipa. Existem ainda as hipóteses Barkley, um tecnicista e muito promissor talento, e Wilshere, jogador que há muito se afirmou como uma estrela inglesa. Nas alas, Lallana, Oxlade, Sterling e algum jogador adaptado (Sturridge, Barkley, ou mesmo Wilshere), deverão dar vazão às despesas para servir o ataque.
O ataque será, salvo alguma lesão, liderado pelo inequívoco Wayne Rooney, que está no auge da sua carreira, misturando experiência com o seu portentoso talento. No seu apoio a minha aposta recai para Daniel Sturridge, um dos melhores marcadores da Liga, que terá como suplentes Welbeck, um jogador bastante semelhante a Sturridge, e Lambert, o jogador de área, com excelente capacidade de finalização. Tanto Rooney como Sturridge conseguem ir buscar jogo atrás, dando ao ataque da Inglaterra uma grande mobilidade e apetência para a desmarcação. Há que destacar a enorme juventude que Hodgson trouxe a seleção – esse pode muito bem ser o principal factor para um sucesso em que poucos acreditam. Esta seleção inglesa, longe de ser favorita, pode ainda dar muito que falar.
Contudo, o seu grupo não se demonstra nada fácil, uma vez que tem a vice-campeã europeia Itália como favorita, assim como o Uruguai e a Costa Rica. A Itália é sempre uma seleção a ter em conta – comandada por Pirlo, deverá apresentar um onze de grande qualidade, com um misto de juventude e experiência. O outro principal rival é o Uruguai, seleção que em 2010 fez um Mundial de luxo, acabando em 4º lugar. Suárez vai ser o alvo a abater desta seleção; porém qualidade não falta, já que o Uruguai conta com jogadores como Muslera, Cáceres, Godín, Cavani ou o experiente Diego Forlán. A Costa Rica não deverá ambicionar grandes voos e apenas tentará roubar alguns pontos aos seus rivais.
OS CONVOCADOS
Guarda-redes – Joe Hart (Man. City), Ben Foster (West Bromwich) e Fraser Forster (Celtic).
Defesas – Leighton Baines (Everton), Gary Cahill (Chelsea), Phil Jagielka (Everton), Glen Johnson (Liverpool), Phil Jones (Man. United), Luke Shaw (Southampton) e Chris Smalling (Man. United).
Médios – Ross Barkley (Everton), Steven Gerrard (Liverpool), Jordan Henderson (Liverpool), Adam Lallana (Southampton), Frank Lampard (Chelsea), James Milner (Man. City), Alex Oxlade-Chamberlain (Arsenal), Raheem Sterling (Liverpool) e Jack Wilshere (Arsenal).
Avançados – Rickie Lambert (Southampton), Wayne Rooney (Man. United), Daniel Sturridge (Liverpool) e Daniel Welbeck (Man. United).
A ESTRELA
Wayne Rooney Fonte: The Sun
A escolha recai sobre WayneRooney, apesar de Gerrard ser uma opção mais do que válida. No entanto, o jogador do Liverpool já não está no auge da sua carreira e, apesar da sua preponderância, não tem a capacidade de decidir jogos que Rooney tem. Este é capaz de pegar na bola em qualquer sítio do campo e transformar uma jogada num golo, seja com um tiro do meio da rua ou com a sua capacidade de recolher a bola em zonas mais atrasadas do terreno e começar toda a jogada.
O TREINADOR
Roy Hodgson Fonte: Telegraph
Roy Hodgson é o selecionador inglês desde 2012, cargo que ocupa depois de substituir Capello muito perto do Europeu de 2012. De regresso ao Europeu, depois de ter falhado a edição de 2008, a Inglaterra obteve bons resultados na fase de grupos, qualificando-se em primeiro lugar, depois de empatar com França e ganhar à Suécia e à Ucrânia. Acabou por sucumbir aos pés da finalista Itália, com a maldição dos penáltis a vir ao de cima. Garantiu a qualificação para este Mundial sem problemas de maior e apenas perdeu pontos em casa contra a Ucrânia.
Roy Hodgson tem um vasto historial de seleções, depois de ter treinado Suíça, Emirados Árabes Unidos e Finlândia. Treinou clubes como Inter, Blackburn, Udinese, Fulham, Liverpool e West Bromwich, com passagens de vários anos na Suécia, Suíça e Noruega – tem um histórico como treinador humilde e demonstra que não tem medo de abraçar novos desafios.
O ESQUEMA TÁTICO
A Inglaterra joga num 4-4-2, com o pendente ofensivo assente no miolo, e com grande capacidade de incursão pelas alas. Na minha opinião, o primeiro onze que gostaria de ver na seleção inglesa tem algumas surpresas, como a inclusão de Sterling ou Lallana, mas daria uma maior velocidade e mobilidade à equipa, bem como capacidade de explosão. O ataque de Inglaterra é sem dúvida um dos pontos fortes, com Rooney e Sturridge a ser uma dupla de meter medo a qualquer equipa que se atravesse no seu caminho.
O PONTO FORTE
O principal ponto forte da Inglaterra é indubitavelmente a mobilidade ofensiva da equipa, não só para buscar jogo atrás, como nas desmarcações. Com o ataque a ser todo pensado por Gerrard, cabe aos alas e aos avançados fazer as desmarcações que garantam linhas de passe. Com alas como Sterling, Lallana e Oxlade e avançados como Sturridge, Rooney e Welbeck a qualidade de movimentação estará garantida.
PONTO FRACO
O principal ponto fraco é a zona central defensiva, uma vez que Cahill e Jagielka, como dupla, não conseguem dar garantias de total solidez. A táctica inglesa poderá também ser um problema, visto que poderá expor demais os defesas. Por exemplo, no caso de subida de um dos laterais, esta deverá ser compensada pelos médios centros. Caso não haja as devidas compensações de toda a equipa, dar-se-á a possibilidade aos adversários de abrir lacunas pelas alas ou pelo meio.
Neste próximo Mundial, a Coreia do Sul disputará a sua 9.ª fase final desta competição, sendo que esta será a 8.ª seguida (!). Mas tudo não começou num mar de rosas. No ano da sua estreia, em 1954, com uma selecção quase toda amadora, os sul-coreanos conseguiram o pior registo de sempre: perderam 9-0 com a Hungria e 7-0 com a Turquia (selecções que, diga-se, não são sequer top 10 europeu). Depois, só voltaram aos Mundiais no celebre ’86 e entraram para a história do futebol asiático na sua magnifica campanha em 2002, quando, a jogar em casa, conseguiram um brilhante 4.º lugar – na fase de grupos empataram com os EUA (1-1) e venceram a Polónia (2-0) e… Portugal (1-0), no jogo em que João Pinto deitou tudo a perder com o seu “punho de deus”. Com arbitragens desastrosamente “caseiras” (diga-se de passagem), a Coreia do Sul viria a eliminar ainda a Itália (2-1) com o golo de ouro e a selecção espanhola com um desempate da marca de grandes penalidades. Caíram, finalmente, nas meias-finais perante a Alemanha (2-1) e na atribuição do 3º e 4º lugar com a Turquia (3-2).
De momento, a selecção dos “Vermelhos”, como se auto-intitulam, não vive um dos seus melhores momentos: apenas 5 vitórias nos últimos 15 jogos, o que os deixou quase de fora da fase final do Mundial – ficaram “apenas” em segundo posto no grupo A de acesso à fase final com 8 jogos, 4 vitórias, 2 empates e 2 derrotas, atrás do Irão de Carlos Queiroz e com os mesmos 14 pontos do que o Uzbequistão.
Tudo isto é fruto do facto de a Coreia do Sul trazer consigo a selecção mais jovem da sua história desde que são profissionais, o que pode levar a que sejam uma grande surpresa ou… a normal “equipa de fase de grupos”, que só está lá para tentar incomodar os verdadeiros “tubarões”.
OS CONVOCADOS
Guarda-redes – Jung Sungryong (Suwon Bluewings), Kim Seunggyu (Ulsan Hyundai) e Lee Bumyoung (Busan IPark).
Defesas – Hong Jeongho (Augsburg, Ale), Hwang Seoho (Sanfrecce Hiroshima, Jap), Kim Changsoo (Kashiwa Reysol, Jap), Kim Jinsoo (Albirex Niigata, Jap), Kim Younggwon (Guangzhou Evergrande, Chi), Kwak Taehwi (Al Hilal, Ara), Lee Yong (Ulsan Hyundai), Yun Sukyoung (Queens Park Rangers, Ing).
Médios – Ha Daesung (Beijing Guoan, Chi), Han Kookyoung (Kashiwa Reysol, Jap), Ji Dongwon (Augsburg, Ale), Ki Sungyueng (Sunderland, Ing), Kim Bokyung (Cardiff City, Ing), Lee Chungyong (Bolton Wanderers, Ing), Park Jongwoo (Guangzhou R&F, Chi), Son Heungmin (Bayer Leverkusen, Ale).
Avançados – Kim Shinwook (Ulsan Hyundai), Koo Jacheol (Mainz, Ale), Lee Keunho (Sangju Sangmu), Park Chuyoung (Watford, Ing).
A ESTRELA
Son Heung-Min Fonte: FIFA
Falar na actual Coreia do Sul é falar, obrigatoriamente, da sua estrela mais notória: Son Heung-Min. Com apenas 21 anos e um porte físico invejável (para um jogador asiático) – 1,83 metros e 76 kg –, este jovem, que brilha no renascido Bayern Leverkusen, jogo como médio/avançado vagabundo, sendo muito móvel e com um sentido de oportunidade fantástico. Os 10 golos que apontou no seu ano de estreia na Bundesliga (algo muito positivo para um jogador tão móvel como Son) fazem dele o segundo melhor marcador da equipa, com 17% dos seus tentos a pertencerem ao jovem jogador coreano.
No no ano de 2013 ficou em 3º lugar num prémio que era atribuído aos 3 melhores jogadores asiáticos do referente ano, sendo que no primeiro posto e no segundo ficaram dois “monstros”: Nagamoto (Inter) e Honda (CSKA), respectivamente. Se falar em possíveis surpresas por parte da Coreia do Sul, terei de incluir o seu jogo a passar de todo por este “menino d’ouro” daquele país.
O TREINADOR
Hong Myung-Boo Fonte: vrinsidesports.com
O timoneiro que vai ao leme da selecção dos “Vermelhos” foi uma antiga lenda da selecção da Coreia do Sul: Hong Myung-Bo. Actualmente com 45 anos, o seleccionador é o jogador mais internacional pelo seu país (135 internacionalizações), esteve presente na mais brilhante (e talvez a única “brilhante” mesmo) participação da Coreia do Sul num Mundial: em 2002. Era então Guus Hiddink treinador e Myung-Bo o melhor jogador. Obtiveram um fantástico 4º lugar diante do seu público e, curiosamente, afastaram um “mega Portugal” na fase de grupos.
De referir, também, que foi considerado o 3º melhor jogador dessa competição. Para comprovar a sua qualidade, antes de assumir o cargo máximo de seleccionador sul-Coreano, Myung-Bo começou a carreira de treinador como seleccionador sub-20 e o bom trabalho levou-o a mais uma proeza: foi medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, com a selecção Olímpica (sub-23). Se dúvidas havia quanto à competência deste “quase jovem” treinador, essas estão dissipadas.
O ESQUEMA TÁTICO
O PONTO FORTE
Olhando para a forma de jogar preferencial desta selecção (4-1-2-1-2 ou 4-4-2 Losango), teremos de ter em conta os seguintes jogadores: Yun Suk-Young, lateral ofensivo do Queens Park Rangers (Inglaterra); Ki Sung-Yueng, versátil trinco que actua no Sunderland (Inglaterra); Lee Chung-Yong, rápido e tecnicista extremo/médio interior do Bolton (Inglaterra); Park Chu-Young, grande desilusão no Arsenal, agora emprestado ao Watford do Championship, será sempre um avançado a ter em conta, e a estrela maior: Son Heung-Min. Se existir perigo, serão lances rápidos a lançar Suk-Young ao long do flanco (esquerdo ou direito) ou a procura de bolas longas na rapidez e eficácia de Heung-Min, bolas essas lançadas pelos centrocampistas que compõe o sólido meio-campo Sul Coreano. Nunca esquecendo também Chu-Young, que neste momento será uma incógnita para todos.
O PONTO FRACO
Sendo uma equipa extremamente jovem e sem grande experiência de grandes campeonatos (apenas sete jogadores actuam na Europa, todos eles em clubes de segunda ou terceira linha), o grande problema dos “Vermelhos” prende-se, essencialmente, com saber lidar com a pressão em desafios contra jogadores com outra “tarimba”. É o tipo de selecção que se sofre um golo nos minutos iniciais é goleada. Por contraditório que pareça, se aguentar os primeiros 30/40 minutos, será uma valente dor de cabeça, caso não haja quebras físicas. E esse é outro problema: fisicamente, são uma selecção muito débil e sem grande velocidade de execução (tirando dois ou três “artistas” no meio-campo), por isso é expectável que os adversários apostem na velocidade e no poder de choque para ganhar primeiras e segundas bolas e assim ir ganhando vantagem sobre o adversário.
Emoção até ao fim, decisões polémicas e goleadas. Assim vai o campeonato nacional de hóquei. Chegamos à última jornada sem campeão definido, com uma equipa que pode alcançar o estrelato, e uma certeza: o Benfica não será campeão.
Um final de época ingrato para os encarnados, que este fim-de-semana golearam o Valongo por uns incríveis 12-0. Sim, esse mesmo, o conjunto sensação do campeonato. Mas o que se terá passado com o Valongo para levar uma goleada assim? A explicação é simples. O conjunto nortenho não precisava deste jogo para nada. Independentemente do resultado contra o Benfica, o Valongo continuava a depender de si para ser campeão. Para poupar os atletas para a partida decisiva frente ao Porto, o conjunto nortenho decidiu actuar no Pavilhão da Luz com as reservas. O jogo não tem muita história; o Benfica teve sempre o controlo face à inexperiência dos atletas do Valongo, e os maiores destaques são João Rodrigues, Valter Neves e Carlos Lopez, com um hattrick cada um. É um fim de época infeliz para o Benfica, que goleia em casa o Valongo e o Porto mas não consegue ser campeão. Oportunidades de atacar a liderança falhadas e uma arbitragem em casa do Valongo que prejudicou a equipa encarnada foram importantes para deixar o Benfica afastado do título.
Será que o Valongo vai ser feliz? Fonte: advalongo.pt
O Benfica entrou em campo já a saber que estava fora da luta pelo título. Tudo graças à vitória do Porto nos Açores. Os dragões golearam o Candelária por 5-0, com Reinaldo Ventura a marcar quatro golos. Um resultado que coloca o Porto na frente, com mais três pontos do que Valongo e Benfica.
As contas do título são estas: na ultima jornada há um AD Valongo vs FC Porto. Para os homens da casa, só a vitória interessa, pois ficariam com vantagem no confronto directo. Para o Porto, o empate basta para ser bi-campeão. Mas muitos vão perguntar pelo Benfica, pois os encarnados estão com os mesmos pontos do Valongo e têm vantagem no confronto directo com os dois clubes. Se o Benfica ganhar o seu jogo e o Valongo derrotar o Porto, não é campeão porquê? Nesse cenário, as três equipas ficariam com 74 pontos ambas. Mas, mesmo em vantagem no confronto directo, o Benfica não seria campeão. Tudo porque, no mini-campeonato entre estas três equipas, o Valongo fica sempre à frente das águias. É fácil fazer as contas. O Benfica fez seis pontos contra Porto e Valongo; o Porto e Valongo (com menos um jogo cada) fizeram quatro. Portanto, se o Valongo ganhar na última jornada, fará sete pontos no campeonato entre estes clubes e ficará na frente. O primeiro critério de desempate são os pontos conquistados nos jogos entre si. Contas um pouco complicadas de se perceber ao inicio
Mas, feitas as contas, aquilo a que poderemos assistir no próximo fim-de-semana é a consagração ou o entrar na história. Para o Porto, será o cimentar do domínio no hóquei português; para o Valongo, será uma oportunidade única de se sagrarem campeões e quebrar a hegemonia que dura há 13 anos entre Porto e Benfica no nosso campeonato. E que bem merece este conjunto do Valongo.