O mundo do futebol ficou encantado com a edição de 2018/2019 da Liga dos Campeões. Por entre bons jogos de futebol, jogadas de génio dos craques do costume, surgiu uma luz ao fundo do túnel para quem está cansado de ver sempre os mesmos a jogar contra os do costume e no final, a levantar a taça, tudo porque tem uma conta bancária mais recheada que os adversários.
O AFC Ajax assinou uma campanha brilhante na Liga dos Campeões, encantou os adeptos com o seu futebol mágico e acima de tudo, deu-lhes esperança de estarem a jogar um jogo não viciado, em que o talento e o futebol de equipa se sobrepõem ao dinheiro e às estrelas. Com uma defesa liderada pelo jovem De Ligt, auxiliado pelo veterano Blind, com a propensão ofensiva dos laterais, com a magia dos pés de lã de Frenkie de Jong e as bombas de Schone, complementados pela assertividade de Van de Beek, mais a fantasia dos Alas, Neres e Ziyech, mais o ponta-de-lança, Tadic, a equipa de Amesterdão assinou uma época de sonho, conquistando a Eredivisie, a Taça KNVB, e fazendo um percurso inesquecível na Liga dos Campeões, que passou por passar a fase de grupos em 2º lugar, atrás de FC Bayern Munique e à frente de SL Benfica e AEK; nos oitavos de final, eliminaram o Real Madrid CF, à data, o detentor do troféu, num agregado de 5-3, vencendo no Santiago Barnabéu por 4-1 (!).
Nos quartos de final, eliminaram a Juventus FC, num total de 3-2, vencendo em Turim por 2-1, e nas meias finais, apesar de terem vencido o Tottenham Hotspur FC no White Hart Lane por 1-0, foram derrotados na Johan Cruyff Arena, por 3-2, com o golo que selou a passagem (por mais golos marcados fora) a ser marcado aos 96’, por Lucas Moura. Foi o fim de um sonho para a equipa de Amesterdão e para os sonhadores do futebol. No entanto, inspirados pelo exemplo do Ajax, parecem ter surgido equipas dispostas a bater o pé aos grandes tubarões da Europa, ombreando com eles pelo maior troféu do futebol europeu. Nesta edição da UEFA Champions League que findou, tivemos já exemplos disso. Vejamos quem fez questão de dar esperança aos adeptos dos clubes com menos poderio financeiro nesta edição da Liga dos Campeões.
Parece que estamos no verão de 2018 quando Marega forçou a saída do FC Porto para ir jogar no palco que muitos futebolistas sonham: a liga inglesa. Na altura, o avançado maliano, que tinha sido uma das principais figuras do campeonato conquistado pelo FC Porto em 2017/2018, foi colocado a treinar à parte da restante equipa e falhou a conquista da Supertaça. A verdade é que, independentemente de o clube ter perdoado esta atitude de Marega e o ter convencido a continuar, não deixou de ser uma situação que ficou na retina dos adeptos portistas como mais um comportamento que deixou um pouco a desejar.
Nessa altura até já era da opinião que o FC Porto poderia ter vendido o jogador, pese embora as suas características fulcrais para o futebol de Sérgio Conceição e o seu papel na equipa. Os cofres do dragão poderiam receber uma quantia bem positiva de um jogador que nos anos seguintes poderia não ter o mesmo rendimento, para não falar no “sonho inglês” de Marega.
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede
A verdade é que, nas duas épocas seguintes, o possante avançado africano não desiludiu nos seus números e continuou a ser uma peça fulcral no FC Porto. Mas notou-se claramente uma diferença: os adversários começaram a encontrar forma de o travar e mostraram que Marega já não era uma surpresa nem uma revelação. Todos sabiam as suas características e as bolas nas costas passaram a ter uma grande vigilância. Claro está que nunca foi 100% eficaz porque Marega muitas vezes era imparável ou tinha uma função de atrair defesas para libertar outros jogadores que iriam brilhar na hora da decisão. Era um papel ingrato, digamos.
Basicamente, a primeira época no Dragão foi de deixar todos de queixo caído (até os adversários), mesmo depois daquilo que tinha feito num Vitória SC que tinha um modelo de jogo que também explorava as suas características. A segunda época significou para Marega uma afirmação a nível europeu ao brilhar na Liga dos Campeões. Isso sim é o que verdadeiramente conta para uma possível transferência.
Nesta última temporada vimos um Marega mais próximo da primeira versão que vimos no Dragão. Não surpreendeu ninguém, mas acabou por ser o melhor marcador do FC Porto. Esta foi uma época em que o avançado portista também se destacou pelas piores razões. A primeira na qual foi vítima de um dos episódios mais tristes da história do futebol português em Guimarães (todos nos recordamos de Marega a abandonar o relvado do Estádio D. Afonso Henriques para calar os que não são dignos de entrar num estádio de futebol).
A segunda em que mostrou um comportamento de todo inaceitável para um profissional do desporto rei. Marega não gostou do facto de não ser ele a bater uma grande penalidade, o que é perfeitamente compreensível. Mas não é tolerável um amuo ao ponto de praticamente se “recusar” a jogar o resto de um encontro vital para as aspirações portistas. Era percetível que se a bola chegasse a ele, nem se ia fazer ao lance. Esperemos que o pedido de desculpas tenha sido suficiente…
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede
Agora sim, chegamos ao tema principal deste artigo. Estamos no verão de 2020, e começaram a aparecer notícias nos principais órgãos de comunicação social portugueses que davam conta de que Marega se recusava a renovar e tencionava jogar na Premier League. O jogador tem contrato até 2021, mas em janeiro do próximo ano já pode assinar com quem quiser sem dar satisfação ao FC Porto. Aqui vemos uma história a repetir-se de duas maneiras: Marega pode estar a voltar a “forçar” uma saída para Inglaterra, e o FC Porto mostra mais uma vez a sua incapacidade em manter jogadores ou vendê-los na hora H. Creio que aqui a hora H já foi ultrapassada há muito tempo.
Como é possível o FC Porto não ter tentado negociar Marega mais cedo sabendo que muito provavelmente isto ia acontecer? (sim, todos sabemos que era provável dado este incessante e legítimo desejo do seu melhor marcador).
São visíveis os problemas financeiros do FC Porto e poderia estar aqui uma boa solução para evitar uma venda desesperada de jovens talentos como Fábio Silva, Diogo Leite e Tomás Esteves.
Eu sei que todos os jogadores são insubstituíveis e Marega ainda é mais para o FC Porto. Mas há mais futebol para além do avançado maliano, e a prova disso foram os jogos bem sucedidos pelos azuis e brancos quando Marega não pode jogar por diversos motivos nestas ultimas três épocas. É preciso saber reinventar e se a proposta de 15 milhões de euros do Newcastle FC se confirmar, nem se deve pensar duas vezes. Neste momento, todos os clubes interessados no número 11 portista podem jogar com este problema que o FC Porto tem em mãos.
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede
O empresário do avançado maliano já levantou um pouco a ponta do véu e admite afinal que Marega pode renovar. Mesmo assim, se os 15 milhões de euros do Newcastle se mantiverem, eu ponderava muito bem essa hipótese. Poderia ser o melhor para ambas as partes.
É fulcral no futebol de Sérgio Conceição? Sim, é. Foi essencial nos últimos títulos conquistados? Sim, foi. Mas… deixo aqui a questão: É essencial que não saia a custo zero como tantos outros? Para mim, sim é.
A UEFA Youth League da época 2019/2020 ficou marcada por mais uma grande campanha das águias, ainda que, novamente, sem a tão desejada vitória numa final europeia, desta vez caindo perante o Real Madrid CF numa final honrosa e muito bem disputada, orgulhando o nome do SL Benfica e deixando, não só por causa do jogo da final mas por toda a campanha na prova, água na boca aos adeptos encarnados relativamente ao futuro de algumas destas jovens promessas.
Ainda que o plantel do SL Benfica vá sendo constantemente reforçado com jogadores de inegável qualidade, certo é que, com uma formação como a do Seixal, com bastantes provas de talentos ao longo dos últimos anos, é expectável perceber até que ponto Jorge Jesus poderá, já nesta temporada, aproveitar alguns dos jovens para trabalhos na equipa principal (treinos e jogos, provavelmente de menor dificuldade e responsabilidade).
Assim sendo, vamos conhecer mais ao detalhe os cinco jovens que, a meu ver, foram as grandes revelações do SL Benfica na UEFA Youth League que recentemente findou.
A Liga Portuguesa de 2019/2020 foi, à imagem das anteriores edições, uma montanha-russa de emoções, desde agosto até, neste caso particular, julho. A qualidade existente em Portugal tem vindo a ser cada vez maior e as equipas mais “pequenas” causam muitas dificuldades aos ditos “grandes”.
Se numa primeira metade o S.L. Benfica parecia confortável no comando e foi dado por alguns como vencedor antecipado, na segunda parte da competição o F.C. Porto mostrou que as contas só se fazem no fim e acabou por levantar o troféu de campeão. Para além de muitos outros fatores, esta reviravolta deu-se devido à enorme competitividade das equipas portuguesas que cada vez mais se preocupam em praticar bom futebol, adquirindo jogadores diferenciados capazes de competir a um nível muito elevado.
A lista de excelentes jogadores que podemos ver a atuar de norte a sul do país é elevada, e esse deve ser também um motivo de orgulho. Por essa razão, fazemos desta vez uma distinção tendo em conta o pé dominante, e apresentamos assim um top 5 dos melhores pés-esquerdos que atuaram no campeonato nacional na época transata. As escolhas foram evidentemente difíceis, havendo muitos craques esquerdinos que ficaram de fora mas que poderiam perfeitamente aparecer neste top.
Os rumores de Zaidu no FC Porto intensificam-se nas últimas semanas e agora é oficial: o nigeriano já não escapou aos dragões. O defesa-esquerdo é o terceiro reforço dos azuis e brancos para a época 2020/2021, juntando-se a Cláudio Ramos e Carraça (e agora também a Taremi). Contudo, uma vez que este não é um jogador com “nome”, há quem acabe por questionar sobre a sua capacidade e potencial, assim como quanto ao seu futuro papel no plantel.
Os últimos anos de Zaidu em Portugal são, metaforicamente, uma verdadeira escalada para o sucesso. Chega a terras portuguesas em 2016 para fazer testes e poder brilhar no futebol europeu, proveniente de uma academia de futebol nigeriana – Jega United. O Gil Vicente FC gostou do que viu e quis contar com o lateral. Em Barcelos não faz qualquer jogo e, na mesma temporada, é emprestado ao SC Mirandela, onde permanece durante uma época e meia.
Foi no clube de Trás-os-Montes que deu nas vistas, tornando-se numa verdadeira revelação do Campeonato de Portugal. As boas prestações fizeram com que o SC Mirandela investisse no lateral após o contrato com os gilistas ter chegado ao fim, adquirindo o seu passe a custo zero e a título definitivo. A partir daí, jogo a jogo, Zaidu foi conquistando o seu espaço no futebol português.
Em três épocas, o nigeriano passará de disputar o Campeonato de Portugal para jogar na Liga dos Campeões Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Chegava o verão de 2019 e Zaidu daria um novo passo na sua carreira. O jovem nigeriano de 23 anos terminou novamente contrato com o SC Mirandela e rumou ao único clube dos Açores na Primeira Liga, o CD Santa Clara. Na primeira volta, disputou a titularidade do lado esquerdo da defesa com Mamadu Candé, mas a segunda volta viria a ser de Zaidu, sem qualquer dúvida. A partir de janeiro de 2020, Zaidu não falhou qualquer partida dos açorianos, tendo alinhado no onze inicial em 15 dos 17 jogos consecutivos que disputou.
Na Primeira Liga, na totalidade, somou 24 jogos, um golo e duas assistências. No entanto, desengane-se quem acha que Zaidu não é um lateral esquerdo ofensivo. O seu ponto forte é a velocidade, posicionamento e inteligência, fazendo dele um elemento forte no ataque e na defesa. O “Flash” dos Açores teve o seu auge na vitória frente ao SL Benfica em pleno Estádio da Luz e foram vários os comentários positivos da imprensa.
Desde julho que o FC Porto está interessado no jogador e a transferência finalmente acabou por acontecer. Caso Alex Telles permaneça no FC Porto, Zaidu será uma alternativa ao brasileiro quando este estiver impedido de jogar. Caso o número 13 dos dragões saia, Zaidu não deverá assumir para já o lugar no lado esquerdo da defesa e Sérgio Conceição precisaria de receber um reforço de peso para essa posição.
O Boavista Futebol Clube é dos clubes com mais história e tradição no futebol português, sendo um dos poucos que conseguiria romper com a tradição dos três grandes ao conquistar um inédito campeonato. Agora que o clube axadrezado está prestes a entrar numa nova fase na sua história centenária, irei aqui mencionar os cinco melhores momentos da história do Boavista FC.
Depois de nova paragem da liga norte americana, resultado de incidentes de cariz social que motivaram grande revolta e indignação pelos protagonistas (atletas/treinadores), o retorno começou no sábado com vários jogos de alto nível.
Desde o duelo fenomenal entre Jamal Murray e Donovan Mitchell, na série entre os Nuggets e Jazz, ao primeiro jogo da segunda ronda dos playoffs, foram vários os acontecimentos que marcaram a retoma da competição.
Felipe Rodrigues da Silva, conhecido dentro das quatro linhas por Morato, chegou ao SL Benfica no verão de 2019, proveniente do São Paulo FC, a troco de seis milhões de euros por 85% do passe, com a particularidade de nunca se ter chegado a estrear com a camisola do plantel principal tricolor.
O central destacou-se na Copa de São Paulo de Futebol Júnior, onde, através de exibições de grande qualidade, que ajudaram os paulistas a conquistar a taça, tendo até marcado uma grande penalidade na final frente ao Vasco da Gama, o jovem despertou interesse de vários clubes europeus. As “águias” anteciparam-se e garantiram os seus serviços até 2024.
O balanço da primeira época do jovem brasileiro no velho continente é positivo. Morato somou um golo e uma assistência em 2419 minutos, distribuídos por 15 jogos na Liga Pro, dois jogos na Liga Revelação, um jogo na Allianz Cup e dez jogos na UEFA Youth League, onde foi totalista.
Foi nesta última competição onde Morato se superiorizou aos seus colegas do setor defensivo, tendo demonstrado uma enorme maturidade face aos restantes. Morato, devido à sua frieza e à sua capacidade para sair a jogar, era muitas vezes solicitado na primeira fase de construção do jogo das “águias”, notabilizando-se pela sua amplitude de recursos no que ao passe diz respeito. Noutras palavras, Morato tanto tem capacidade em jogar curto como em alongar com critério e qualidade, tornando-se numa incógnita para os adversários.
Fonte: SL Benfica
No entanto, o jovem de 19 anos ainda precisa de correr muitos quilómetros se quiser chegar ao plantel principal do Sport Lisboa e Benfica. Ficou visível no jogo da Allianz Cup, frente ao Vitória FC, que o jovem ainda não tem “estaleca” para tais andanças, tendo comprometido no lance que resultou no golo da vitória aos sadinos. Não obstante, Morato tem tudo para ser uma aposta sólida nos próximos anos.
Com 1,90m, ágil, rápido, agressivo e com uma leitura de jogo acima da média, que lhe permite antecipar-se aos adversários na disputa pela bola, Morato poderá até já ser o quarto central na hierarquia de Jorge Jesus para a próxima temporada. O facto de ser canhoto, algo que Jorge Jesus aprecia em centrais que jogam no lado esquerdo da defesa, também pode contribuir para a sua inclusão no plantel principal.
Rodeado por defesas experientes de topo como Vertonghen, Rúben Dias e Jardel, o jovem brasileiro tem tudo para seguir as pisadas de David Luiz e Luisão e tornar-se numa das referências defensivas brasileiras a passar pela Luz.
Com o mercado de transferências ainda aberto e bastante ativo, os clubes portugueses têm procurado reforçar-se nos setores que mais debilidades apresentaram durante a temporada transata, bem como naqueles que perderam peças importantes já durante este defeso.
Na seguinte lista estão enunciadas as transferências internas que, para mim, maior influência podem ter na equipa em que cada jogador passará a ingressar. É ainda importante realçar que, como já referi, o mercado ainda está aberto, pelo que há movimentações que podem acontecer e que se destaquem em relação às aqui apresentadas.
As lesões acabaram por atrasar a sua afirmação, mas é inegável o seu talento. Nuno Santos foi um dos seis reforços para o Leão atacar a época 2020/2021. O extremo português já somou alguns minutos com a camisola verde e branca ao peito, e no jogo de treino realizado diante o Portimonense SC demonstrou bons pormenores, muito característicos do jogador e que definem a forma de jogar, estando sempre muito ativo no lado esquerdo do ataque.
Se inicialmente surgiu alguma dúvida de onde poderia encaixar Nuno Santos no esquema de Rúben Amorim, aos poucos essas dúvidas vão desaparecendo. O português de 25 anos irá sobretudo ser uma opção para atuar no lado esquerdo do ataque no 3x4x3, apesar de ser igualmente uma boa solução para o lugar na ala esquerda – que vai pertencendo ao jovem Nuno Mendes – e que a função até permitirá ao português ex-Rio Ave explanar as suas qualidades dando profundidade e verticalidade – sobretudo se olharmos para o papel que Rúben Amorim pretende implementar nas dinâmicas e na constante procura por terrenos interiores, e em jogar muitas vezes de costas para a baliza.
Fonte: SofaScore
Teve um impacto enorme na época transata ao serviço do Rio Ave FC acabando por se destacar nos passes para finalização, revelando capacidade em alimentar os seus companheiros de equipa; nos seus cruzamentos venenosos e eficazes, mas também nos metros que quebra em progressão vertical com bola.
Contudo, e olhando para as necessidades da equipa, Nuno Santos poderá ser uma solução de recurso para o lado direito do ataque leonino, jogando assim com o pé trocado e naturalmente procurando mais terrenos interiores. Nuno Santos poderá oferecer, assim, então, esta versatilidade à equipa leonina, podendo desempenhar várias funções e sendo uma mais valia no plantel leonino. Foi um dos melhores criadores na passada edição da Liga Portuguesa e pode ser um reforço interessante para o clube leonino.